7 de setembro de 2013

Política de Dois Filhos na China: Pouco Demais Tarde Demais


Política de Dois Filhos na China: Pouco Demais Tarde Demais

Dra. Susan Yoshihara
NOVA IORQUE, EUA, 6 de setembro (C-FAM) Com seu anúncio de possíveis reformas, a China está confessando implicitamente que sua política de quarenta anos de um só filho por família foi um fracasso.
A lei levou a abusos draconianos. Houve um número estimado de 336 milhões de abortos, inclusive abortos forçados e esterilizações forçadas nas mãos de uma poderosa e intrusiva elite governante de planejamento familiar controlando os aspectos mais íntimos da vida chinesa. Uma crescente frieza para com crianças e família é atribuída a essa política. Anualmente, milhares de crianças são abandonadas, e milhares mais são sequestradas e vendidas. Tantos bebês abandonados morrem que o governo estabeleceu “cabanas” onde os pais podem deixar seus filhos, em grande parte meninas. Na quarta-feira, a revista Time noticiou que a polícia prendeu traficantes de 10 crianças só para descobrir que seus pais não queriam seus filhos de volta. Os pais os haviam vendido à gangue em troca de dinheiro que eles muito precisavam.
Xinhua, a maior agência noticiosa da China, informou sobre uma mudança que está sendo proposta para a política muito impopular em agosto, especulação confirmada por autoridades governamentais. A atual política restringe casais na maioria do país de obter permissão para um segundo filho, a não ser que o marido e a mulher não tenham irmãos. No futuro, só um dos pais teria de ser um filho único para se qualificar. Após dois anos, o país inteiro mudaria para uma política de dois filhos, dizem os informes.
Um recente relatório do Deutsche Bank projetou que o novo plano poderá levar a um rápido aumento de natalidade, mas seria pouco demais e tarde demais para evitar crises econômicas tais como o enorme déficit de aposentadoria da China. O relatório projetou um aumento no índice de fertilidade da nação de 1,45 a 1,66 por mulher, com a mudança maior vista em áreas urbanas, onde a política é a mais restrita hoje, de 1,18 a 1,51. Áreas rurais poderiam crescer de 1,77 a 1,86 em 2018. Mesmo assim, o aumento seria bem abaixo da taxa de substituição, cerca de 2,1 filhos por mulher. Uma redução no déficit de aposentadoria só seria cerca de 4% não antes de 2040, disse o relatório.
A mudança é atribuída à influência retrocedente da velha guarda e alguma reforma burocrática dentro da elite chinesa de planejamento familiar. O principal impulsionador, a maioria concorda, é o fato de que Beijing está reconhecendo uma iminente crise demográfica devido ao acentuado declínio de fertilidade.
Desde o início da política de um só filho em 1971, líderes chineses junto com especialistas da ONU e os demógrafos mais importantes a justificaram dizendo que menos pessoas tornariam o povo chinês mais próspero. Mas o acentuado declínio de fertilidade levou a um encolhimento da força de trabalho de cinco a seis anos antes do que os especialistas haviam projetado. A contração começou em 2010 quando o pico da força de trabalho estava em 150 milhões. Uma escassez de 3 milhões de trabalhadores foi registrada em 2012, e uma escassez de 140 milhões de trabalhadores é predita para a década de 2030.
Para piorar tudo, o relativo declínio da força de trabalho na China é mais profundo do que até mesmo os números lúgubres sugerem. A rodada mais recente de projeções da ONU mostra a China envelhecendo mais rápido do que a ONU havia predito anteriormente. Enquanto isso, seus grandes competidores, os EUA e a Índia, verão aumentos no tamanho da força de trabalho devido a uma continuação de suas taxas de quase substituição durante 2100.
Nas cidades selecionadas em que as autoridades chinesas lançaram as novas leis, os casais não têm respondido tendo mais de um filho. Isso indica que as normas mudaram para famílias muito pequenas. As pesquisas nacionais de opinião pública indicam que de 40 a 50 por cento dos casais gostariam de 2 filhos. Mas a maioria foi conduzida antes dos problemas da economia. Os custos de vida que não param de subir e suas consequências, tais como separações para procurar trabalho, bem como crescente infertilidade devido à poluição e condições de pobreza são os culpados. O governo anunciou nesta semana que financiaria um estudo para investigar a causa da infertilidade em 40 milhões de mulheres chinesas, de acordo com o portal noticioso chinês Caixin.
Ainda que os casais respondam à mudança de política com famílias de dois filhos, há pouca indicação de que eles se verão livres dos olhos intrusivos — e mecanismos de fiscalização e coerção — das autoridades de planejamento familiar. Junto com os abortos forçados e as esterilizações forçadas, essas autoridades coletam excessivas multas por filhos não autorizados que equivalem a duas a dez vezes a renda anual de um casal. De acordo com reportagens, o governo captou mais de 2 bilhões de dólares em multas em 2012.
Tradução: www.juliosevero.com
Fonte: Friday Fax
Leitura recomendada:
35 mil abortos forçados feitos na China diariamente

6 comentários :

ELISEU disse...

Não sei se a minha opinião vai ser muito apropriada para o assunto deste artigo, mas eu vou dizer exatamente o que eu penso (vocês me corrijam se eu estiver errado).

Alguém, certa vez, disse uma coisa muito certa: "O mundo será o que forem as suas famílias". Um dos pilares da manutenção da família é o casamento. Se o casamento é destruído, a família também será (e as conseqüências serão nocivas tanto para a família em si, como também para o mundo inteiro).

O que acontece hoje? Devido à propagação (e à promoção) do homossexualismo, do feminismo e também de todo tipo de imoralidade em todo o mundo (inclusive aqui no Brasil), a própria estabilidade da família já está seriamente ameaçada. Em outras palavras: o próprio conceito de família já foi totalmente distorcido do seu sentido original.

Muitas mulheres (principalmente as defensoras do feminismo) simplesmente abominam a idéia do casamento (e, conseqüentemente, de constituir família). Tanto que teve uma que me disse sem a mínima cerimônia: "Para que eu vou passar o resto da minha vida com um homem controlando a minha vida (e com crianças para me dar preocupação)? Eu quero ser independente, viver intensamente (sem ter que dar satisfação da minha vida a ninguém), alcançar a minha realização profissional (e financeira), não quero ficar submissa a ninguém! Casamento e filhos? Nem em sonho!". A moda hoje é "ficar", ou seja, ter um relacionamento despretensioso (sem qualquer tipo de responsabilidade ou compromisso). Em outras palavras: não está mais existindo nenhum desejo de se constituir família.

A diminuição do número de casamentos (e também de famílias constituídas) tem trazido conseqüências graves em todo o mundo: mais homens solteiros, mais mulheres solteiras, mais gays e mais lésbicas. Isso sem contar os divórcios, e também as crianças que nascem ou crescem em lares desfeitos ou desajustados (além das que vivem em outras famílias, por serem filhos de pais separados).

Mas a pior de todas as conseqüências é, sem dúvida nenhuma, a queda da taxa de natalidade. Como estamos vendo aqui neste artigo, a China agora já está começando a sentir na própria pele as conseqüências do rígido controle de natalidade que foi imposto a todos os seus cidadãos: está havendo falta de pessoas no mercado de trabalho. Além da China, alguns especialistas já alertaram que a Europa está passando por um processo muito rápido de envelhecimento populacional (inclusive já há casos de alguns países europeus com um alto índice negativo de novos nascimentos). E a tendência, pelo jeito, é que esta situação continue a se agravar (caso não seja tomada nenhuma providência imediata).

Diante de tudo que foi apresentado aqui, eu pergunto a todos:

– O que podemos fazer para mudar (ou tentar reverter) este quadro?

– O que podemos fazer para salvar o casamento e a família (que, como já se ouviu dizer por aí, são consideradas por muitos como instituições falidas)?

Espero uma resposta sensata de alguém daqui na primeira oportunidade.

Anônimo disse...

Como as autoridades governamentais chinesas não conseguirão lograr o boom de novos trabalhadores no mercado de trabalho, sem antes importá-los de outras nações asiáticas, (desde que estejam dispostos a trabalharem como quase escravos), Simplesmente, para equilibrar a camada demográfica de idosos aposentados e o sorvedouro de dinheiro público necessário para sustentá-los, instituirão a eutanásia para esses idosos. Como ninguém, nem a ONU têm a coragem de meter o nariz nas políticas internas chinesas. Estas nem precisarão camuflar a prática da eutanási.

Anônimo disse...

Diga não ao aborto essa cultura de morte!
É dona China não queria estar no lugar dos seus governantes no dia na frente com o Senhor.

Ester

paulo silveira disse...

gostaria que publicasse sobre cristãos mortos no mundo, siria e cristaofobia http://linkis.com/institutdeslibertes.org/bx8x

Anônimo disse...

Na reorganizacao geopolitica do mundo, em 10 superregioes (os dez chifres/reis/reinos citados em Daniel e Apocalipse), a China, embora tenha recebbido o numero "10", ou, por isto mesmo, eh o modelo que o mundo inteiro seguirah. Esquerdista/socialista/comunista/marxista/satanista na forma politica e capitalista de Estado (o fascismo) na forma economica. E, conforme eh do conhecimento da humanidade, trabalho escravo, ateh o fim da vida, no paraiso mundial proletario, pois naao haverah "previdencia" para aposentados. Antes, todo dia serah "dia de jogar a vovo no poco", como anunciou de maneira subliminar aquele desenho de um simpatico bebe dinossauro e sua familia.

Antonio.

Nil disse...

Júlio ! Recentemente foi noticiado que O Brasil já tem mais de 200 milhões de Habitantes. 201.032.714 número exato.

Já trabalhei por diversos anos como recenseador e tenho experiência em matéria de censos e demografia.
Estranhei muito o anúncio de que o Brasil já tem mais de 201 milhões de habitantes. Pois no Censo 2010 atestou o país ter 190.732.694 habitantes.
Veja em pouco mais de 2 anos foram acrescentados em torno de 10 milhões de habitantes pela estimativa populacional.
Entre 2000 e 2010 o Brasil registrou crescimento médio anual de 1,17% - a menor taxa observada na série.
Com uma taxa de crescimento de 1,17% como surgirão dez milhões de habitantes em 3 anos.
1,17 de 190 milhões é pouco inferior á 2 milhões de habitantes por ano.
Por isto a Matemática não bate com a previsão do IBGE de que o Brasil tem 201 milhões de habitantes. Ou então ocorreu um "baby boom" e ninguém está sabendo.

Baby Boom é uma definição genérica para crianças nascidas durante uma explosão populacional - Baby Boom em inglês, ou, em uma tradução livre