28 de setembro de 2013

Os sinais seguem os que creem


Os sinais seguem os que creem

Análise do argumento cessacionista baseado em Marcos 16

Dr. Fábio Blanco
Um dos argumentos cessacionistas é que os dons espirituais descritos no Novo Testamento tinham a função de autenticar a mensagem apostólica. Por isso, segundo essa ideia, como o cânon bíblico fechou-se, não havendo mais novas revelações, esses dons não teriam mais razão para existir, pois já não há mais o que autenticar.
Uma das passagens usadas para fundamentar essa tese é a do final do Evangelho de Marcos, no capítulo 16, versículos de14 a 18, os quais transcrevo abaixo:
“Finalmente apareceu aos onze, estando eles assentados juntamente, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem crido nos que o tinham visto já ressuscitado. E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém”.
Segundo o argumento cessacionista, baseado no texto transcrito, os sinais descritos nessa passagem eram meramente autenticadores da pregação apostólica, pois está escrito que eles confirmavam a palavra dos apóstolos. A conclusão cessacionista, portanto, é que como a pregação apostólica cessou, os sinais (incluindo aí os dons) também cessaram. O argumento é simples: se não há mais uma pregação a ser autenticada, os sinais, que serviam para isso, não têm mais função.
Apesar da coerência lógica do pensamento cessacionista, é bom atentar que nem sempre o que é lógico é verdadeiro. Muitas vezes, a lógica se fundamenta em falsas premissas, o que resulta em conclusões falsas. No presente caso, a primeira pergunta que se deve fazer é: se os sinais são autenticações da mensagem apostólica, quem eles querem convencer? Sim, porque se eles estão confirmando a mensagem apostólica, estão fazendo isso para alguém. Mas quem está sendo convencido?
Essa é uma pergunta fundamental. Isso porque se os cessacionistas falam de autenticação da pregação apostólica, eles não podem se eximir de responder para quem os sinais autenticavam essa mensagem. A resposta, porém, não é tão simples como parece. A tendência imediata é dizer que os sinais serviam para que os incrédulos vissem o poder de Deus e, assim, aceitassem a veracidade da pregação. No entanto, nada no texto de Marcos indica isso. Ali, Jesus diz, claramente, que os sinais seguirão aos que crerem! A passagem nada diz sobre autenticação da mensagem, nem mesmo demonstração de sua veracidade pelos sinais. Simplesmente afirma que a fé em Cristo seria acompanhada por sinais.
Os cessacionistas, porém, citarão a narração final do evangelista, quando ele afirma que os sinais que se seguiram confirmavam a palavra. O erro deles, porém, me parece residir no entendimento sobre o que é esta palavra. Quase sem vacilar, eles afirmam que ela se refere à própria pregação dos apóstolos, seja do evangelho, seja da ressurreição de Cristo. No entanto, Marcos não usa nenhum desses termos. O evangelista simplesmente diz que os sinais confirmavam o λογος. Mas, o que é esse logos confirmado pelos sinais? Ele não pode ser apenas o discurso apostólico, mas, sim, deve envolver o próprio discurso de Cristo. E o que continha esse discurso? Que estes sinais seguirão aos que crerem... Portanto, quando os apóstolos pregavam e as pessoas se convertiam, e os sinais se manifestavam, também estava se confirmando aquilo que Jesus disse para seus discípulos, a saber, que os sinais acompanhariam os que cressem. O que Jesus disse fazia parte da pregação e era confirmado pelos fatos!
Vê-se, portanto, que não se fala de autenticação da mensagem apostólica, mas confirmação da palavra de Jesus, simplesmente. Com isso, a tese cessacionista que se baseia no texto de Marcos desmorona. Isso porque não é mais possível delimitar esses sinais apenas ao período apostólico, já que o texto não dá qualquer indicação disso.
Se os sinais acompanham os que creem, então eles não existem meramente para autenticar uma mensagem ou para convencer os incrédulos, mas existem por causa dos próprios crentes. Porém, se eles já creem, esses sinais servem para quê? A razão disso só pode estar no fato de que os sinais são, na verdade, a demonstração do poder de Deus, para que aquele que crê se veja confirmado na verdade. Por isso, os sinais acompanham os que creem. Em outras palavras, aqueles que creem na verdade de Jesus têm os sinais do poder de Deus em suas vidas. Aliás, essa é a ênfase da passagem: os sinais como confirmação do poder de Deus na vida dos crentes!
Até porque não faz sentido pensar em confirmação da mensagem apostólica, se os sinais se manifestam exatamente naqueles que creem. Naqueles em quem os sinais se manifestam já existe a fé e não é mais necessário que sejam convencidos da verdade. Portanto, se os sinais se manifestam neles é menos para que a mensagem seja autenticada e mais como demonstração, pura e simples, do poder de Deus em suas vidas. Por isso quando Marcos afirma que os sinais confirmavam a palavra, isso deve ser entendido não como um selo colocado sobre a pregação, a fim de demonstrar que ela era verdadeira, mas, simplesmente, como uma constatação daquilo que Jesus havia dito, a saber, que os sinais acompanhariam os que cressem.
Assim, dizer que porque o cânon bíblico está encerrado não há mais necessidade dos sinais não faz sentido algum. Isso porque os sinais não existiram somente para confirmar para a Igreja que a mensagem pregada era verdadeira para que ela pudesse, dessa forma, determinar que tais e tais livros deveriam constar na Bíblia. Isso é uma redução impressionante do agir divino. O que os cessacionistas fazem, quando se baseiam nesse texto de Marcos, é expandir o sentido da confirmação feita pelos sinais a um mero carimbo sobre a pregação, como se fosse uma autenticação burocrática para fins documentais posteriores. O correto entendimento da passagem é que se os milagres confirmavam algo, faziam isso, não para uma instituição qualquer, nem para um colegiado futuro, nem para um concílio de cardeais, mas no coração dos crentes para que eles se fortalecessem na verdade. E se havia essa necessidade naquele tempo, tal necessidade permanece ainda hoje. E não há motivo algum para acreditar que haja alguma diferença fundamental entre os crentes da igreja primitiva e os de agora. E se a fé permanece, os sinais que a acompanham permanecem também. A não ser que acreditemos que a Bíblia encerrou o poder de Deus e, por causa dela, Ele não age mais no meio do seu povo.
Do que está escrito no Evangelho de Marcos, apenas se pode depreender que os sinais acompanham os crentes. Nada mais. Toda a exegese diferente disso é extra scriptura. E é aqui que insisto na incoerência cessacionista. Como boa parte dos cessacionistas alardeiam ser defensores da Sola Scriptura, ao insistirem que os sinais ficaram restritos ao período apostólico, fazem isso em contradição aos princípios que sustentam, já que suas conclusões não são tiradas da leitura simples e imediata da Bíblia, mas de uma interpretação bem elástica daquilo que está escrito.
Por isso, ainda hoje, se existem os dons, os sinais, os milagres, eles se manifestam pelo mesmo motivo que se manifestaram no período apostólico: como confirmação do poder de Deus na vida dos crentes. Encontrar outra razão para isso é forçar a Palavra de Deus de uma maneira irresponsável. Entender que os sinais acompanham os que creem, simplesmente como está escrito na Bíblia, isso, sim, é Sola Scriptura.
Divulgação: www.juliosevero.com
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9 comentários :

teas disse...

Parece bem simples de entender a palavra que Jesus disse. E é simples!
Me parece também que é necessário uma boa dose de vontade de torcer as palavras do Mestre para achar ali algum argumento pró cessacionista.

Marcos Lopes disse...

Caros irmãos em Cristo,

O argumento da tese cessacionista não se baseia somente em Mc 16. Nenhuma doutrina, aliás, deveria se basear somente em passagens isoladas. A doutrina do cessacionismo é deduzida da combinação do texto citado (em que Jesus fala aos onze - Mc 16:14) com uma gama de outros textos.

(Obs.: Por que a ênfase nos sinais de Mc 16 como contemporâneos não inclui o 'pegar em serpentes' e 'beber coisas mortíferas'???)


A linha que eu defendo seria não de que o cessacionismo tenha a ver com o fim da composição dos textos do Novo Testamento, mas sim com o fim da vida dos apóstolos.

Paulo diz:
"Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas." (II Coríntios 12 : 12)

Aqui fica claro que a operação de "sinais, prodígios e maravilhas" são "sinais do apostolado".

Os apóstolos foram um grupo reduzido de crentes, que foram escolhidos e enviados diretamente e pessoalmente, por Cristo.

Eles, junto com os profetas, são chamados de 'fundamento da igreja' em Ef 2:20. Essa função, de ser fundamento, também é evidência a favor da cessação desses ministérios (apostolado e profecia), pois atualmente a igreja já foi fundada. Não estamos mais na época da fundação da igreja de Cristo, somos o topo do edifício, muitos andares acima, construídos sobre o fundamento dos apóstolos e profetas (tanto do AT, como profetas do NT,).

A autoridade deles era incomparável à de qualquer lider cristão de tempos posteriores, pois neles Cristo falava diretamente:

"Visto que buscais uma prova de Cristo que fala em mim, o qual não é fraco para convosco, antes é poderoso entre vós." (II Coríntios 13 : 3)


Mas quem era um apóstolo?
Aquele em quem Cristo falava, para ser o fundamento das primeiras igrejas e provava seu apostolado operando sinais e maravilhas.

Há vários outros textos falando da especificidade dessa operação de milagres por parte de poucas pessoas.

Veja este:
"31 E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo, e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.
32 E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.
33 E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça."
At 4:31-33

Isto é bem característico. Todos os crentes foram cheios do Espírito Santo, mas só quem dava testemunho com poder (acompanhado de milagres) eram os apóstolos.

Confirmamos isso em:
"E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão."
At 5:12
Todos estavam juntos, mas só quem fazia sinais eram os apóstolos.


É certo que a Bíblia fala de pessoas como Estêvão e Filipe operando milagres, embora não fossem apóstolos, mas eles foram comissionados diretamente pelos apóstolos, os quais podiam distribuir um dom do Espírito Santo a quem quer que seja:

"Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos." (II Timóteo 1 : 6)

Capacidade esta, que incluía não só o enviar um dom, mas o próprio Espírito Santo a alguém (At 8:18,19), o que creio todos concordarão ter sido exclusiva dos apóstolos e que deixou de se manifestar após a morte deles.

Arrematando, lembro que, se a operação desses milagres não fosse característica distintivamente apostólica, não poderia ser invocada por Paulo em 2Co 12:12, como vimos.

Concordo que Deus faça milagres hoje, discordo porém que se manifeste tal coisa como um dom ou ministério de milagres, tal como foram os dos profetas e apóstolos.
Os milagres que Deus faz, o faz diretamente, não coloca mais o poder em ninguém.


Abraços,

Marcos de Oliveira Lopes

Anônimo disse...

Bem esclarecedor esse texto jamais devemos rechaçar o poder do Espírito santo de Deus dentro da igreja do Senhor Jesus Cristo porque ele dono a obra de Deus não é de homens.

Ester!!!

Fabio Blanco disse...

Caro Marcos:

Eu disse que o trecho de Macos é um dos argumentos. Esse texto foi apenas uma resposta a outro, conforme os links acima.

Aqui, vou comentar apenas sua citação do trecho de Marcos, que é a que se refere ao meu artigo. Outros argumentas cessacioistas vou comentar em textos futuros.

Você disse:
"Por que a ênfase nos sinais de Mc 16 como contemporâneos não inclui o 'pegar em serpentes' e 'beber coisas mortíferas'???)

Respondo:
Primeiro, a lista de Jesus não é exaustiva. Seria bem estranho que a lista de sinais milagrosos pudessem ser descritas em alguns poucos exemplos. Ali estão apenas alguns dos sinais que acompanhariam os que cressem. Esses sinais podem variar no tempo, porque Deus age de maneira diversas.

Segundo, não podemos confundir esses sinais com os dons espirituais descritos por Paulo. É por isso que pregar em serpentes, por exemplo, não são dons.

Na verdade, apenas comentei sobre o texto de Marcos não porque fala de dons, mas porque os cessacionistas o usam para justificar sua doutrina.

Fique com Deus.

Julio Severo disse...

Debater com um cessacionista não é muito diferente de debater com uma testemunha-de-jeová. Essa seita herética tem também as mesmas argumentações a favor do cessacionismo. As testemunha-de-jeová também sabem forcer e perverter qualquer texto bíblico para se adequadar às suas opiniões. Basicamente, então, para as testemunhas-de-jeová e para seus irmãos entre os protestantes, só os apóstolos podiam ter dons. A conclusão óbvia é que quem tem esses dons hoje tem demônio. O entendimento mais certo é que os pregadores do cessacionismo são heréticos, como bem mostrou o teólogo calvinista Cheug no artigo abaixo. Basta clicar para ler.

Teólogo calvinista Vincent Cheung refuta incredulidade de teólogos calvinistas que ensinam que dons sobrenaturais cessaram 2000 anos atrás

PRESBÍTERO VALDOMIRO disse...

Respondendo ao Teas, ao Marcos Lopes, à Ester, ao Fábio Blanco, e ao irmão Júlio Severo,

Torno a repetir, mais uma vez, o que eu já comentei num artigo semelhante a este: infelizmente, a teoria do cessacionismo contaminou muitas pessoas e igrejas. Algumas delas não crêem mais nas manifestações vindas do Espírito Santo (ou nos dons espirituais).

O verdadeiro cristão jamais rejeitaria a atuação do Espírito Santo. Este mesmo espírito tem todo poder para atuar como quiser na vida do cristão, desde que o cristão dê espaço. O apóstolo Paulo explica isso de forma mais detalhada:

"Porém, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, para que pudéssemos conhecer aquilo que nos é dado gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras da sabedoria humana, mas com as que são ensinadas pelo Espírito Santo, comparando as coisas espirituais com as espirituais" (1 Coríntios 2:12–13)

"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas o Deus que opera em tudo e em todos é o mesmo. Porém, a manifestação do Espírito é concedida a cada um para aquilo que for útil. Pois a um é dada, pelo Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, o dom da cura; e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de distinguir os espíritos; e a outro, a diversidade de línguas; e a outro, a interpretação de línguas. Porém o mesmo e único Espírito faz todas estas coisas, dividindo particularmente a cada um como quer" (1 Coríntios 12:4–11)

Quem tem comunhão com o Espírito Santo crê em todas as visões, dons e revelações dadas por Deus. Infelizmente, é esta mesma comunhão que está em falta em muitas igrejas atuais! Em virtude disso, muitas pessoas se deixam enganar por falsas revelações (e falsos profetas).

Foi justamente para alertar contra esses e outros enganos que o apóstolo João advertiu:

"Amados, não acrediteis em todo espírito; mas antes provai se tais espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas têm surgido em todo o mundo" (1 João 4:1)

Eu pergunto: não é exatamente isto o que está acontecendo com muitas pessoas e igrejas ditas cristãs nos dias de hoje?

Eliel disse...

Júlio,

Pegando carona no que o presbítero Valdomiro disse sobre os dons espirituais (e para derrubar os argumentos dos cessacionistas), eu acrescentaria o seguinte: o próprio Jesus, antes de voltar para o Pai, prometeu mandar o Espírito Santo aos Seus discípulos. Ele mesmo garantiu:

"E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre: o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê e nem O conhece; mas vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós" (João 14:16–17)

"Mas o Consolador, o Espírito Santo, que é Aquele a quem o Pai enviará em Meu nome, Ele vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que Eu vos tenho dito" (João 14:26).

Com estas palavras, Jesus disse que o Pai enviaria o Espírito Santo para ensinar e orientar todos os homens. E isso seria válido não só para aquela época (e para os Seus apóstolos), mas também se aplica a todos os cristãos dos dias de hoje.

Mais adiante, Jesus explica melhor o papel do Espírito Santo:

"Todavia, Eu vos digo a verdade: convém que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador (o Espírito Santo) não virá a vós; mas Eu, quando for, Eu O enviarei. E Ele, quando vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo: do pecado, porque não crêem em Mim; da justiça, porque volto para Meu Pai e não Me vereis mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Muito ainda terei para vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Quando, porém, Ele, o Espírito da verdade, vier, Ele vos guiará em toda a verdade; pois não falará por Si próprio, mas vos dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir" (João 16:7–13, o parêntese é meu)

No livro de Atos dos Apóstolos, o apóstolo Pedro confirma que o Espírito Santo se manifestaria a todos os cristãos de todas as épocas (inclusive hoje). Ele mesmo deixa isso bem claro ao dizer:

"E acontecerá, diz o Senhor, que nos últimos dias derramarei do Meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e vossos velhos terão sonhos; e também derramarei do Meu Espírito sobre Meus servos e Minhas servas, naqueles dias, e profetizarão" (Atos 2:17–18)

O Espírito Santo está presente no nosso meio, e continua ativo ainda hoje (em que pese toda a teoria contrária dos cessacionistas). O que todo verdadeiro cristão precisa fazer é ter comunhão com Ele, e buscar os dons espirituais. Em relação a isso, o apóstolo Paulo afirmou com autoridade:

"Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Coríntios 14:1)

Precisa dizer mais alguma coisa?

ÉLQUISSON disse...

A verdade é que algumas pessoas (até mesmo muitas que se dizem cristãs) não crêem mais nas manifestações vindas do Espírito Santo (e nem nos dons espirituais).

E por que isso acontece? Simplesmente porque elas nunca tiveram um encontro pessoal com o Senhor para conhecerem os dons espirituais. E muitas delas crêem baseadas somente em experiências pessoais de natureza carnal. Em relação a isso, o apóstolo Paulo escreveu:

"Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e nem pode entendê-las, pois elas se distinguem espiritualmente" (1 Coríntios 2:14)

Devido a essa falta de comunhão com o Espírito Santo, muitas pessoas se deixam influenciar por qualquer fenômeno (e, às vezes, por espíritos de engano). É justamente para alertar contra esses e outros erros que o apóstolo João advertiu a todos:

"Amados, não acrediteis em todo espírito; mas antes provai se tais espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas têm surgido em todo o mundo" (1 João 4:1)

A única vacina comprovadamente eficaz contra as falsas manifestações espirituais, as heresias e os falsos profetas é a comunhão com o Espírito Santo aliada à obediência à Palavra de Deus. Só assim teremos a verdadeira proteção espiritual contra toda e qualquer tentação diabólica (e também contra todo e qualquer espírito de engano). Em virtude disso, não é sem razão que Jesus, ao final das cartas para todas as igrejas de Apocalipse, está sempre lembrando:

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Apocalipse 2:7, 2:11, 2:17, 2:29; 3:6, 3:13, 3:22)

Será que eu estou certo neste meu ponto de vista?

Anônimo disse...

Quem, dentre vós, é sábio e tem verdadeiro entendimento? Que o demonstre por seu bom proceder cotidiano, mediante obras praticadas com humildade que têm origem na sabedoria. No entanto, se abrigas em vosso coração inveja, amargura e ambição egoísta, não vos orgulheis disso, nem procureis negar a verdade. Porquanto, esse tipo de sabedoria não vem dos céus, mas é terrena; não é celestial, mas demoníaca. Pois, onde existe inveja e rivalidade, aí há confusão e todo tipo de atitudes maléficas. Porém, a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura, repleta de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem hipocrisia. Ora, a justiça é a colheita produzida por aqueles que semeiam a paz.
Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam
Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido.
Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo.