14 de setembro de 2013

O arrependimento de Judas


O arrependimento de Judas

Dr. Fábio Blanco
Uma das inúmeras vantagens que a fé em Cristo nos permite sobre a vida ordinária é a possibilidade constante de arrependimento. Mas tal diferença não se encontra no arrependimento em si, apenas. O homem comum, mesmo que não tenha fé, pode arrepender-se de atos cometidos e palavras proferidas. Pode ser que, ao refletir sobre sua atitude, ele perceba que agiu mal, injustamente, erroneamente e, de alguma maneira, diga: "Se pudesse, voltaria atrás em meus atos".
O fato, porém, inexorável, é que o tempo não volta. O que foi feito, está feito; o que está dito, está dito; o que está escrito (ainda mais nestes tempos que não é mais possível rasgar os papéis), está escrito.
Para o homem sem fé, porém, a impossibilidade de apagar o passado, reescrever sua história, retomar sua vida a partir do momento antes do erro é um peso que pode se tornar insuportável. Saber que seus equívocos estarão lhe perseguindo pelo resto da vida pode ser uma opressão demasiado forte para poder ser tolerada.
Quando diz-se que Judas Iscariotes cometeu suicídio não por ter se arrependido, mas por remorso, tal assertiva é quase correta. Na verdade, Judas arrependeu-se, pois percebeu, segundo suas próprias palavras, que pecou, "traindo sangue inocente" (Mt 27.4). O que não havia nele era a fé. Por isso, seu arrependimento, ao invés de libertá-lo, acabou por consumi-lo.
O que faltou a Iscariotes, e que todo cristão verdadeiro possui, por causa de sua fé em Cristo, é a possibilidade de lançar sobre ele seus arrependimentos, sabendo que "se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (IJo 1.9).
Essa possibilidade traz para o cristão, além da óbvia vantagem espiritual, uma evidente vantagem psicológica. Saber que seus pecados são perdoados pelo ser mais poderoso que há, anula toda e qualquer acusação que pode ser feita por um ser humano qualquer. Além disso, ter a certeza que Deus, que é o juiz soberano, não considera mais seus erros, pois os perdoou, é uma fonte de motivação para recomeçar e tentar mudar a própria história.
Às vezes, algumas pessoas ficam incomodadas com criminosos que, após serem encarcerados, se convertem ao cristianismo. Para o homem comum, isso, simplesmente, é uma forma de tentar limpar seu passado sujo e pecaminoso.
Na verdade, esses que se incomodam estão certos por um lado, pois um criminoso, quando se converte, está tentando mesmo, de alguma maneira, apagar a nódoa do seu passado. Porém, os que o criticam não percebem que é esta mesma a essência do cristianismo e a vantagem do cristão. Se o passado, como fatos que ocorreram no tempo e tiveram suas consequências, não pode ser mudado, resta para aquele que errou e se arrependeu apenas dois caminhos: ou lava seus erros com o sangue de Cristo, ou sufoca-se em seu próprio remorso.
Por isso, ser cristão é uma possibilidade constante de retomar a vida. Mesmo quando alguns erros parecem tê-la condenado definitivamente, o crente pode confiar que, diante daquele que mais importa, seu passado equivocado está apagado. E se não está da memória, da crítica humana e das consequências temporais, ao menos está anulado no que é mais importante: na separação que ele faz entre o homem e Deus.
Divulgação: www.juliosevero.com
Leitura recomendada:
Pastor que incentivou criminoso arrependido a se entregar para a polícia cai na teia das leis anti-discriminação

4 comentários :

PRESBÍTERO VALDOMIRO disse...

Amigo Fábio Blanco,

Este seu artigo foi de lavar a alma! Nota 10! Perfeito! Não tenho palavras para classificar este maravilhoso artigo!

Quando comecei a ler este artigo, me lembrei das palavras de Jesus:

"Em verdade Eu vos digo que haverá maior júbilo no Céu por um único pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não sentem necessidade de arrependimento" (Lucas 15:7)

Quem dera se muitos tivessem a mesma coragem para agir assim publicamente!

No caso do governo brasileiro, se alguns dos políticos da nossa bancada evangélica (e também Lula e Dilma) fossem humildes, eles teriam que ter coragem o suficiente para pedir perdão a Deus pelos seus pecados. Eles teriam que confessar publicamente: "Senhor, perdoa-nos, em nome de Jesus, por termos aprovado o aborto (que Tu condenas); por sermos a favor do homossexualismo; por patrocinarmos as paradas gays; por aprovarmos o casamento homossexual; por tolerar a pornografia infantil e a pedofilia; por permitirmos a divulgação da bruxaria como cultura; por querer ensinar homossexualismo nas escolas para as nossas crianças como algo normal; por acharmos que podemos Te substituir aqui na Terra; por aceitarmos e promovermos todo tipo de imoralidade; enfim, por termos agido contra a obediência à Tua Palavra (e aos Teus mandamentos). Em nome de Jesus, nós, humildemente, Te pedimos perdão por tudo que fizemos de errado!"

A mesma atitude também deveria partir de muitos políticos que se dizem cristãos, bem como dos pastores e dirigentes de igrejas que dão apoio a este governo corrupto do PT!

Quem, nos dias de hoje, seria humilde o suficiente para reconhecer publicamente os próprios erros (e se humilhar diante de Deus para pedir perdão)?

Eliel disse...

Amigo Dr. Fábio Blanco,

Considerando o teor deste seu artigo (que nos obriga a fazer uma séria reflexão), eu vou fazer somente 2 perguntas. São 2 perguntas muito simples (mas também muito diretas). Pode ser que muitos não gostem do que eu vou dizer aqui, mas eu não posso fugir ao que a minha consciência me manda dizer.

As perguntas são as seguintes:

– De que adianta termos a pretensão de combatermos o pecado e também algumas filosofias esquerdistas, comunistas, marxistas, e socialistas, bem como a pretensão de sermos um país evangélico, se o nosso governo e boa parte da bancada evangélica é formada por parlamentares envolvidos em diversos escândalos (roubo, corrupção, prostituição, adultério, favorecimento ao aborto, e outras coisas contra a Palavra de Deus)? Isso sem contar que boa parte desta mesma bancada ajudou a eleger este governo corrupto de Dilma e do PT (e de outros partidos com a mesma agenda política);

– Que moral as igrejas terão para pregar contra o aborto, o homossexualismo, a pedofilia, o casamento gay e outras aberrações (e todo tipo de pecado), se muitos líderes (que deveriam servir de referência) são os primeiros a dar mau exemplo, e também estão mergulhados em vários pecados e vícios (como os mesmos pecados e vícios do governo e dos políticos da bancada evangélica)?

Enquanto muitos que se dizem cristãos não se arrependerem de todas as coisas erradas que fazem às escondidas, nunca terão nenhuma moral para pregar contra o pecado. Serão chamados, com muita razão, de hipócritas. E isso, fatalmente, sempre será um trunfo nas mãos do diabo e de seus escravos para ameaçar a igreja de Jesus (e também os cristãos).

Todas as ideologias satânicas (comunismo, marxismo, esquerdismo, socialismo, e suas variações), bem como todo e qualquer pecado e toda e qualquer imoralidade (o ativismo homossexual, o feminismo, a legalização do aborto, da eutanásia, a aprovação da pedofilia, a liberação das drogas), e os seus patrocinadores (homossexuais, políticos e pastores esquerdistas, socialistas, progressistas, marxistas, e comunistas) serão julgados por Deus? Sim, tudo isso vai ser julgado (bem como todos esses que estão envolvidos em tais coisas). Em outras palavras: tudo e todos que estão sendo citados aqui serão julgados no seu tempo oportuno. Isso, porém, não acontecerá sem que antes as igrejas sejam devidamente julgadas (juntamente com os seus líderes). É como disse o apóstolo Pedro:

"Pois já é tempo de se começar o julgamento pela casa de Deus; e se começa primeiro por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus? E se somente o justo se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador?" (1 Pedro 4:17–18)

Portanto, está mais do que na hora de chorarmos e orarmos pelos nossos governantes, pelas igrejas, pelos seus líderes, e por muitos que se dizem cristãos. É hora de, humildemente, nos humilharmos diante de Deus e, com autêntico arrependimento, pedirmos perdão e suplicar para que Ele possa transformar muitas pessoas que se dizem cristãs, bem como muitos políticos, muitos governantes, muitas igrejas e seus líderes (antes que seja tarde demais).

P.S: Se alguém daqui quiser se manifestar, esteja à vontade

ELISEU disse...

Eu começo este meu comentário fazendo 7 perguntas muito simples, mas também muito diretas (escolhi este número, porque é o número que representa a perfeição de Deus):

1 – Qual a verdadeira igreja de Jesus: é a que exige santificação dos seus membros, que obedece somente à Palavra de Deus, que combate com firmeza o pecado, que não tolera as coisas mundanas dentro dela, e que não compactua com heresias, nem falsos profetas (e nem outras teologias e outros evangelhos)? Ou é a que aceita todo tipo de gente, que adota o "politicamente correto" (mas biblicamente imoral) para agradar aos homens e ao mundo, que tolera os "modernismos" (leia-se sujeira) do mundo, e que deturpa a Palavra de Deus para a conveniência de alguns?

2 – Qual a verdadeira igreja de Jesus: é a que zela pela obediência total e irrestrita à Palavra de Deus, que mostra o homem como alguém perdido que precisa urgentemente de um Salvador? Ou é a que prega um evangelho mais "humanista", onde o homem convive naturalmente com o pecado (e não sente nenhuma necessidade de arrependimento)?

3 – Qual a verdadeira igreja de Jesus: é a vê o mundo em oposição a Deus? Ou é a que se alia ao mundo (e à sua sujeira) e fica contra Deus?

4 – Qual a verdadeira igreja de Jesus: é a que está disposta a ser perseguida (ou sofrer) por amor a Jesus e à verdade da Sua Palavra (João 15:10)? Ou é a que faz a "política da boa vizinhança" para agradar a tudo e a todos (inclusive o diabo e seus escravos)?

5 – Qual a verdadeira igreja de Jesus: é a que prefere ser reprovada pelos homens (mas aprovada por Deus)? Ou é a que agrada aos homens (e desagrada a Deus)?

6 – Qual a verdadeira igreja de Jesus: é a que prega que Jesus é o Senhor de todas as pessoas e de todas as igrejas (e que todos, um dia, estarão diante Dele no juízo final para serem julgados)? Ou é a que negligencia a necessidade de arrependimento e de salvação para os que congregam nela?

7 – Enfim, qual a verdadeira igreja de Jesus: é a que fala diretamente as verdades dolorosas que muitos estão precisando ouvir (e adverte a todos sobre a inevitável justiça de Deus no juízo final)? Ou é a que diz que Deus é somente amor (e só prega o que for agradável para quem estiver ouvindo)?

Com base nesses questionamentos, o possível diagnóstico que se pode fazer de muitas pessoas e igrejas que se dizem cristãs é o seguinte:

– A igreja cristã, atualmente, parece estar impotente e anestesiada diante do domínio praticamente total e absoluto do pecado em todo o mundo. Mas o pior disso tudo é que, ao invés da igreja mudar o mundo, é o mundo quem está mudando a igreja. Em outras palavras: muitas igrejas (inclusive as que se dizem cristãs) estão tolerando a sujeira do mundo no seu interior (ao invés de permanecerem firmes no combate ao pecado).

– Está sendo muito difícil, ultimamente, achar, dentro de algumas igrejas, cristãos autênticos (que tenham compromisso somente com a obediência à Palavra de Deus). Os mártires da fé cristã não hesitaram quando foram obrigados a escolher entre o pecado e a morte. O lema deles era este: "Antes morrer do que pecar". Eles permaneceram firmes nas suas convicções, e acreditavam que esta corajosa decisão que tomavam agora certamente será lembrada no tribunal divino. Este é o doloroso preço que o verdadeiro cristão tem que pagar pela sua luta contra o pecado.

Diante de tudo que foi dito aqui, eu pergunto a todos:

– Quem, nos dias de hoje, estaria disposto a ser uma voz profética firme e forte (como Elias ou João Batista) para denunciar e combater todo e qualquer pecado?

– E, principalmente, quantos hoje fariam como os fiéis da igreja de Esmirna (que, por amor a Jesus e à verdade da Sua Palavra, aceitaram a morte sem nenhum medo)?

Se alguém daqui quiser alguma coisa (ou puder responder a estas perguntas na primeira oportunidade), ficarei agradecido.

Anônimo disse...

Boa noite, pessoal.

Judas era desonesto (metia a mão nas ofertas...), um mau discípulo (deixou que a oposição fizesse sua cabeça contra seu mestre...), e, finalmente, com tal disposição se determinou a trair a Jesus, que ficou possesso por um demônio, entregou JESUS e precipitou-se despenhadeiro abaixo.

Entendo que Judas vinha traindo a JESUS há muito tempo. Quando ele deixou de crer nas declarações que JESUS fazia acerca de Si mesmo, e em seus milagres irrefutáveis, ninguém sabe. Apesar de sua posição privilegiada em relação a JESUS. Quando percebeu que a prisão de JESUS era iminente, resolveu lucrar pela última vez – foi e entregou seu mestre, de bandeja, para seus algozes.

Judas amou a si mesmo até o fim. Nos momentos finais de sua vida, concebeu uma “teologia” - um mecanismo para defesa de seu ego - a auto flagelação, com a qual pela última vez, trairia o seu Mestre. Ao suicidar-se ele estava dizendo “nas entrelinhas” que JESUS de Nazaré, era “só um homem inocente” e não o Messias, poderoso para cumprir todas as suas promessas aqui e na eternidade. Esse ato, potencialmente, casou mais prejuízo (entre os seguidores vacilantes!) do que a sua traição propriamente dita a JESUS, o qual na verdade, sabia que Seu ministério terreno estava encaminhando-se para o seu ápice: a cruz!

Mas, se no caminho para a beira do precipício, ele pudesse ter se lembrado de tudo quanto ouvira diretamente de JESUS, e suplicasse o perdão de DEUS, ele teria sido perdoado. Mas, o problema era maior: ele tornara-se um apóstata.

Eu creio sim que todos que creem em JESUS, e o seguem, enquanto viverem, não importa o quanto se tenham desencaminhado, há uma promessa, se retornarem em tempo oportuno. Se confessarmos os nossos pecados (e se o deixarmos), Jesus – o único Intercessor e Advogado - nos perdoa e intercede a Deus por nós, como dizem as Escrituras.

Ninguém pense que essa disposição de DEUS é sem motivo, leviana. JESUS, o Filho de Deus, ofereceu-se para ser castigado em nosso lugar. Toda vez que alguém se arrepende de coração e pede perdão, é por causa da sentença que foi executada em Jesus, que Deus nos perdoa. Portanto, o preço do perdão de DEUS é insubstituível. E, arrepender-se de coração, restituir ao ofendido, abandonar a prática pecaminosa e continuar seguindo a JESUS é tudo que se precisa fazer para ser reconciliado com DEUS.

DEUS conhece o coração de cada pessoa. Lágrimas (de crocodilo), solos de guitarra não conquistam o Seu coração. O arrependimento é algo raro e necessário. A pessoa que obstinadamente peca e se habitua a praticar algum tipo de indulgência logo vai descobrir que está se enganando. O perdão de DEUS regenera sim.

Se o buscarmos em tempo oportuno seremos perdoados e outra vez livres, por meio da mediação do Justo, JESUS CRISTO. Isso não significa, no entanto, que seremos anistiados, que escaparemos das consequências de nossas más ações, aqui na Terra, na Sociedade. Porque DEUS instituiu os tribunais humanos para julgar e punir aos pecadores. Se esses servidores juramentados se acovardam, aí são outros quinhentos...

Abraço.
Derrondx.