11 de setembro de 2013

Incoerência cessacionista


Incoerência cessacionista

Dr. Fábio Blanco
Você crê que os dons espirituais ainda existem na Igreja? Saiba, porém, que há teólogos que não acreditam assim. O que eles entendem é que, principalmente, os dons sobrenaturais não são mais distribuídos, pelo Espírito Santo, aos crentes. Por isso, esses teólogos são chamados de cessacionistas e a teologia que eles defendem é conhecida por cessacionismo.
Boa parte desses cessacionistas são calvinistas, que são os teólogos pertencentes à Igreja Presbiteriana. Os calvinistas são conhecidos por defenderem o princípio da Sola Scriptura, que é aquela doutrina que ensina que as verdades referentes ao cristianismo apenas podem ser extraídas da Bíblia. Por isso a expressão, que significa “apenas as Escrituras”.
Ora, de teólogos que defendem que a Bíblia é a única fonte confiável para conhecermos as verdades da fé, o mínimo que se espera é que seus ensinamentos sejam baseados única e exclusivamente na Palavra de Deus.
Porém, o que vamos observar é que no caso de decidir se os dons sobrenaturais ainda existem na Igreja, esses teólogos se baseiam muito mais em suas próprias formas de ver as coisas do que no que está escrito na Palavra de Deus.
Dito de uma maneira bem simples, podemos afirmar que os cessacionistas ensinam que aqueles dons sobrenaturais listados pelos apóstolo Paulo em I Coríntios 12 não são mais distribuídos, pelo Espírito Santo, aos crentes, porque esses dons eram apenas importantes para aquele momento histórico, não mais para hoje. Isso porque, segundo esses teólogos, os dons sobrenaturais tinham a função de autenticar a mensagem do Novo Testamento, mostrando para as pessoas o poder de Deus por meio deles. O que esses doutrinadores querem dizer é que os dons sobrenaturais serviam como uma forma de Deus provar que a palavra que estava sendo pregada pelos apóstolos era verdadeira.
A conclusão óbvia desse raciocínio é que se os dons sobrenaturais serviam apenas para autenticar a mensagem do Novo Testamento, e se este já está fechado em seu cânone, então aqueles dons não são mais necessários para a Igreja.
O problema desse raciocínio é que não há, em toda a Bíblia, qualquer passagem que afirme que os dons serviam para autenticar a mensagem pregada pelos apóstolos. De forma bem diferente, em I Coríntios 14.12 está escrito que, em relação aos dons, os crentes devem “abundar neles, para edificação da igreja”.
É importante observar que, nessa passagem, Paulo está pregando para uma igreja gentia, localizada fora do ambiente judaico e distante dos apóstolos. Por isso, quando ele fala dos dons, é óbvio que não pode estar se referindo a algo ligado à pregação apostólica, mas a algo ligado ao dia-a-dia da própria Igreja. O texto de Coríntios não faz relação alguma entre os dons e a mensagem apostólica, nem deixa sequer subentendido que eles existem para autenticar a pregação da revelação do Novo Testamento.
Então, como os cessacionistas chegam à conclusão de que os dons sobrenaturais não são para a Igreja de hoje?
É nesse ponto que enxergo a incoerência deles, pois, ao mesmo tempo que, sendo calvinistas, eles têm como uma de suas maiores bandeiras a exclusividade da Bíblia como fonte de doutrina, nesse caso específico do cessacionismo, a principal razão para eles não crerem que os dons espirituais ainda existem na Igreja não são as Escrituras, mas algo muito mais subjetivo: a própria experiência deles.
O pastor presbiteriano Misael Nascimento, por exemplo, em seu artigo Porque sou cessacionista, já, logo de início, confessa que seu texto não é resultado “de cogitações teóricas de gabinete, mas de prática pastoral”. Isso quer dizer que sua negação à atualidade da existência dos dons sobrenaturais está baseada mais em sua própria experiência do que em um raciocínio fundamentado nas Escrituras.
O problema é que se for para seguir esse método escolhido por ele, o que impediria qualquer pessoa de, também com base em sua própria experiência, chegar à conclusão do contrário, ou seja, de que os dons permanecem, sim, no meio da Igreja? Se alguém pode se filiar à convicção do pastor Misael, que é cessacionista, baseando-se tão somente em sua experiência pastoral, da mesma maneira pode aceitar a conviccão do pastor Jack Deere, autor do livro “Surpreendido pela voz de Deus”, que crê, também sustentado por sua experiência pastoral, que os dons permenecem, sim, sendo distribuídos aos crentes, no cotidiano da Igreja.
O que eu quero dizer é que, com base nas experiências pessoais, é possível chegar a todo tipo de conclusão. Só que isso torna a doutrina cristã muito incerta. Se cada pessoa criar doutrinas baseadas em suas próprias experiências, imagine quantas teologias existirão por aí!
O mais irônico disso tudo é que são eles, os calvinistas cessacionistas, os que mais defendem uma teologia rígida, fundamentada em uma interpretação restrita da Bíblia. Esses mesmos, que no caso dos dons sobrenaturais, concluem pela sua não existência na igreja de hoje, alicerçados não na Palavra, mas naquilo que eles próprios dizem observar.
O próprio pastor Misael, para justificar a doutrina que defende, faz uso de tudo: de documentos presbiterianos, como a Confissão de Westminster e decisões conciliares e até da experiência prática de outros ministros de sua denominação. Na verdade, do que ele menos faz uso, neste caso, é da Bíblia, o que não combina muito com a tradição calvinista.
Essa postura que observei no pastor Misael poderia ser apenas uma exceção se eu também não a tivesse observado em outro grande nome da Igreja Presbiteriana brasileira, que é o pastor Augustus Nicodemus. Este, através de uma entrevista fictícia sobre o tema do cessacionismo, justifica sua convicção de que os dons sobrenaturais não são para a Igreja da atualidade com base muito mais em suas interpretações teológicas livres, do que naquilo que está escrito na Palavra de Deus.
Em síntese, o pastor afirma que alguns dons espirituais cessaram de ser distribuídos, pelo Espírito Santo, porque eles serviram para atender aos própositos de Deus somente para aquela época da pregação dos apóstolos. Para justificar essa ideia, afirma que Deus age de maneiras diferentes em tempos diferentes.
Para falar a verdade, é surpeendente tal afirmação do pastor presbiteriano. Os calvinistas são conhecidos por defenderem que toda doutrina deve ser extraída da Bíblia, por meio de uma interpretação objetiva e literal de seus textos. Porém, o que faz o reverendo nesse caso? Defende uma doutrina fundamentada em uma interpretação meramente especulativa.
A Bíblia não afirma, em nenhum lugar, que os dons sobrenaturais ficaram restritos ao período apostólico. Quando o pastor Augustus diz que aqueles dons não são para hoje, não é de algum texto específico que ele tira essa conclusão, mas de um processo lógico, que parte de uma premissa bem duvidosa: a de que os dons existiam meramente para autenticar a mensagem dos apóstolos.
De uma falsa premissa se extrai, obviamente, uma falsa conclusão. E a premissa que sustenta a tese do pastor Augustus se não é falsa à primeira vista, no mínimo não possui nenhuma base bíblica.
O reverendo calvinista, sem meias palavras, afirma que os dons de cura, de milagres, de profecia e até de línguas estão relacionados somente com aquele período. Mas seu argumento não se baseia em algum texto específico, e sim no fato de não haver nenhum trecho do Novo Testamento que narre o uso de algum desses dons por alguém que não fosse apóstolo.
Portanto, entre a lista, clara e objetiva, de dons apresentada por Paulo, dirigida à igreja de Corinto, e o fato irrelevante de que a Bíblia não narra o uso de nenhum desses dons por alguém que não era apóstolo, o pastor Augustus abre mão da certeza da primeira para se abraçar à fragilidade da segunda.
A pergunta que deveria ser feita tanto ao pastor Augustus, como ao pastor Misael, é: mas o que fazemos com o texto de I Coríntios 12 sobre os dons? Ali Paulo faz uma lista deles sem qualquer ressalva. Pelo contrário, o apóstolo se dirige à igreja de Corinto, formada por cidadãos gentios, que nada tinham a ver com os apóstolos. O pior é que era uma igreja problemática, que se confundia no uso desses dons. Como defender, então, que esses dons serviam para a autenticação da pregação apostólica se, além de não serem manifestados diretamente na vida dos apóstolos, ainda causavam, algumas vezes, confusão no seio da comunidade?
Considerando que muitos presbiterianos não aceitam a continuidade dos dons baseados tão somente em suas experiências pessoais, se Paulo fosse um calvinista, a solução que talvez ele desse para esse problema da igreja de Corinto fosse a ordem para pararem de usar esses dons; como, porém, obviamente, ele não era, mesmo com as dificuldades enfrentadas pela Igreja, seu conselho foi: “procurai com zelo os melhores dons…”
Há outros pontos que eu poderia levantar aqui em oposição à ideia cessacionista, como, por exemplo, a mudança do significado dos termos relativos aos dons para que eles possam ser aceitos ainda hoje na igreja tradicional ou ainda a confusão que muitos deles fazem entre o que é a revelação bíblica e o que é revelação de fatos específicos. Porém, deixo estes pontos para serem desenvolvidos em outros artigos.
Por ora, me parece evidente que, seja pelas conclusões extraídas de meras experiências pessoais, como as do pastor Misael, seja pela preferência por uma doutrina baseada em hipóteses, em detrimento do texto puro e simples da Palavra de Deus, como faz o pastor Augustus, ambos, sendo presbiterianos, neste caso não honram o melhor da tradição calvinista, que é a de colocar as Escrituras acima de tudo.
Divulgação: www.juliosevero.com
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12 comentários :

Anônimo disse...


É velho homem adâmico, não crucificado com Cristo, tentando reduzir Deus ao tamanho da sua própria mediocridade.

PRESBÍTERO VALDOMIRO disse...

Júlio,

Infelizmente, a teoria do cessacionismo contaminou muitas pessoas e igrejas. Algumas delas não crêem mais nas manifestações vindas do Espírito Santo.

O verdadeiro cristão jamais rejeitaria a atuação do Espírito Santo. Este mesmo espírito tem todo poder para atuar como quiser na vida do cristão, desde que o cristão dê espaço. O apóstolo Paulo explica isso de forma mais detalhada:

"Porém, nós não recebemos o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus, para que pudéssemos conhecer aquilo que nos é dado gratuitamente por Deus; as quais também falamos, não com palavras da sabedoria humana, mas com as que são ensinadas pelo Espírito Santo, comparando as coisas espirituais com as espirituais" (1 Coríntios 2:12–13)

"Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas o Deus que opera em tudo e em todos é o mesmo. Porém, a manifestação do Espírito é concedida a cada um para aquilo que for útil. Pois a um é dada, pelo Espírito, a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; a outro, pelo mesmo Espírito, o dom da cura; e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de distinguir os espíritos; e a outro, a diversidade de línguas; e a outro, a interpretação de línguas. Porém o mesmo e único Espírito faz todas estas coisas, dividindo particularmente a cada um como quer" (1 Coríntios 12:4–11)

Quem tem comunhão com o Espírito Santo crê em todas as visões, dons e revelações dadas por Deus. Infelizmente, é esta mesma comunhão que está em falta em muitas igrejas atuais! Em virtude disso, muitas pessoas se deixam enganar por falsas revelações (e falsos profetas).

Foi justamente para alertar contra esses e outros enganos que o apóstolo João advertiu:

"Amados, não acrediteis em todo espírito; mas antes provai se tais espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas têm surgido em todo o mundo" (1 João 4:1)

Não é exatamente isto o que está acontecendo com muitas pessoas e igrejas ditas cristãs nos dias de hoje?

Eliel disse...

Júlio,

Pegando carona no que o presbítero Valdomiro disse sobre os dons espirituais (e para derrubar os argumentos dos cessacionistas), eu acrescentaria o seguinte: o próprio Jesus, antes de voltar para o Pai, prometeu mandar o Espírito Santo aos Seus discípulos. Ele mesmo garantiu:

"E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre: o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não O vê e nem O conhece; mas vós O conheceis, porque Ele habita convosco e estará em vós" (João 14:16–17)

"Mas o Consolador, o Espírito Santo, que é Aquele a quem o Pai enviará em Meu nome, Ele vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que Eu vos tenho dito" (João 14:26).

Com estas palavras, Jesus disse que o Pai enviaria o Espírito Santo para ensinar e orientar todos os homens. E isso seria válido não só para aquela época (e para os Seus apóstolos), mas também se aplica a todos os cristãos dos dias de hoje.

Mais adiante, Jesus explica melhor o papel do Espírito Santo:

"Todavia, Eu vos digo a verdade: convém que Eu vá, porque, se Eu não for, o Consolador (o Espírito Santo) não virá a vós; mas Eu, quando for, Eu O enviarei. E Ele, quando vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo: do pecado, porque não crêem em Mim; da justiça, porque volto para Meu Pai e não Me vereis mais; e do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Muito ainda terei para vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Quando, porém, Ele, o Espírito da verdade, vier, Ele vos guiará em toda a verdade; pois não falará por Si próprio, mas vos dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir" (João 16:7–13, o parêntese é meu)

No livro de Atos dos Apóstolos, o apóstolo Pedro confirma que o Espírito Santo se manifestará a todos os cristãos de todas as épocas (inclusive hoje). Ele mesmo deixa isso bem claro ao dizer:

"E acontecerá, diz o Senhor, que nos últimos dias derramarei do Meu Espírito sobre toda carne; vossos filhos e filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e vossos velhos terão sonhos; e também derramarei do Meu Espírito sobre Meus servos e Minhas servas, naqueles dias, e profetizarão" (Atos 2:17–18)

O Espírito Santo está presente no nosso meio, e continua ativo ainda hoje (em que pese toda a teoria contrária dos cessacionistas). O que todo verdadeiro cristão precisa fazer é ter comunhão com Ele, e buscar os dons espirituais. Em relação a isso, o apóstolo Paulo afirmou com autoridade:

"Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar" (1 Coríntios 14:1)

Precisa dizer mais alguma coisa?

ÉLQUISSON disse...

Como bem disse o presbítero Valdomiro, a teoria do cessacionismo contaminou muitas pessoas e igrejas. Algumas delas não crêem mais nas manifestações vindas do Espírito Santo.

E por que isso acontece? Simplesmente porque elas nunca tiveram um encontro pessoal com o Senhor para conhecerem os dons espirituais. E muitas delas crêem baseadas somente em experiências pessoais de natureza carnal. E, relação a isso, o apóstolo Paulo escreveu:

"Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e nem pode entendê-las, pois elas se distinguem espiritualmente" (1 Coríntios 2:14)

Devido a essa falta de comunhão com o Espírito Santo, muitas pessoas se deixam influenciar por qualquer fenômeno (e, às vezes, por espíritos de engano). É justamente para alertar contra esses e outros erros que o apóstolo João advertiu a todos:

"Amados, não acrediteis em todo espírito; mas antes provai se tais espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas têm surgido em todo o mundo" (1 João 4:1)

A única vacina comprovadamente eficaz contra as falsas manifestações espirituais, as heresias e os falsos profetas é a comunhão com o Espírito Santo aliada à obediência à Palavra de Deus. Só assim teremos a verdadeira proteção espiritual contra toda e qualquer tentação diabólica (e também contra todo e qualquer espírito de engano). Em virtude disso, não é sem razão que Jesus, ao final das cartas para todas as igrejas de Apocalipse, está sempre lembrando:

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Apocalipse 2:7,11,17,29;3:6,13,22)

Será que eu estou certo neste meu ponto de vista?

Evandro Brant disse...

Em primeiro lugar, entendo que acima de tudo, deve haver respeito em relação aos pastores presbiterianos citados no texto. Em segundo lugar, é necessário que os que defendem a distribuição dos dons espirituais, sejam pragmáticos e citem exemplos evidentes desses dons, assim como também, o nome do obreiro que detém tal poder. De mais a mais, se a preocupação dos críticos do cessacionismo, é cura, visão e profetada, eu sugiro que façam uma visita a um centro espírita e lá, poderão ver tudo isso in loco. Eu pergunto, quem cura no espiritismo? É o Espirito Santo?...Eu desafio a qualquer de vocês que defendem a distribuição dos dons espirituais, a apresentar o(s)obreiro(s) e a(s) igrejas que possuem hoje, esses dons. Vamos cessar com a crítica pela crítica e entrar na vida prática. “A fé que tens, tem na para ti mesmo”. Afinal, DEUS constituiu alguém aqui como juiz?...Quem és tu, que julgas o servo alheio?(Romanos 14:4).

Fabio Blanco disse...

Evandro Brant: em primeiro lugar, não houve desrespeito, mas apenas uma discordância teológica. Não usei uma expressão depreciativa sequer. A não ser que você considere uma discordância teológica um desrespeito. E, no caso do cessacionismo, estou muito bem acompanhado de calvinistas ilustres, como Vicent Cheung, Wayne Grudem e até Hernandes Dias Lopes. Em segundo lugar, não é necessário citar exemplos práticos de dons, pois o assunto se restringe àquilo que a Bíblia fala. A não ser que a Palavra de Deus precise de autenticação factual, algo que eu creio que você não acredite. Em terceiro lugar, a crítica feita ao cessacionismo não é uma busca por manifestações (eu mesmo tive experiências ruins com falsos profetas e cristãos confusos), mas com aquilo que a Bíblia nos revela. Em quarto lugar, não houve julgamento algum, apenas discordância teológica. Será que esses patores citados não podem sofrer sequer discordância? São eles infalíveis?

Elias Ipanguaçu disse...

Se eles usam o termo que: ''ninguem sem ser os apóstolos usavam esses dons eles esqueceram com todo conhecimento biblico que tem de mencionar, Marcos 9:39 Lucas 9:49. Um cara chamado Jesus disse em Marcos 16:17-18 esses sinais seguirão aos que crerem, em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas, imporão as mãos sobre os Enfermos e os curarão. Jesus não disse que esses sinais cessariam, mas pelo contrário, que seguiriam aos que crerem. rsrsrs se eles não creem é lamentável, eu creio e por isso os sinais seguem...

Mundo do Grátis disse...

Só sei que: entre aceitar a palavra de uma denominação fossilizada cessacionalista e a Palavra de Deus eu fico com a segunda opção!

Quem recebeu algum dom espiritual de Deus não vai trocar suas experiências, com base bíblica como foi excelentemente explanado no presente artigo, pelas palavras de pessoas que sequer tem a humildade de buscar do próprio Deus se os dons provêm Dele ou não!


Mundo do Grátis disse...

Testemunho tremendo de pastor ex-cessacionista:

Site:
http://joaocarlosmarques.blogspot.com.br/

Livro Virtual:
http://www.comunhaoagape.net/downloads/Volte_e_Diga_ao_Meu_Povo_Pr._Dr._Jo%C3%A3o_Carlos_Marques_6MB.pdf

Hugo Juliano Duarte Matias disse...

A paz de Cristo esteja com todos. Li atentamente os diversos artigos sugeridos neste blog sobre o cessacionismo. O que me pareceu mais coerente foi este, assinado por Fábio Blanco (aqueles escritos por Júlio Severo não me parecem bem preparados: muitas insinuações, poucos argumentos laros e válidos). As análises feitas por Fábio acerca do texto do pastor Misael são justas. Já as análises acerca do texto do pastor Augustus, não.

O pastor Augustus é acusado de não ser bíblico, de ser especulativo etc. Embora não seja apresentada de modo detalhado a exegese de nenhum texto, ela é indicada em pontos capitais (ex.: o significado do dom de profecia em Paulo [1Co 11.3,31]; o que significa o termo apóstolo [Ef 4]; o conteúdo das línguas [At 2.11 e 10.46]; as orientações de Paulo para o uso do dom de línguas [1Co 14]; a relação entre batismo no Espírito Santo e os dons carismáticos [1Co 12.13,30]; há um link para uma breve exposição de Jo 14.12). Enfim, trata-se de um texto que não pretende mais do que apresentar um ponto de vista e assim oferecer uma referência para quem pretende conhecer ou ser introduzido ao tema, um texto para ser comparado com outros no mesmo nível de simplicidade.

Quanto às hipóteses, elas não podem ser chamadas simplesmente de especulativas. Por exemplo, a hipótese de que Deus age de modos diferentes ao longo da história da igreja se sustenta primeiramente no registro escriturístico da história da igreja. Isso deveria ser óbvio, porque muitos dos dons em questão são relatados apenas nos escritos do novo testamento. Será que isso não é suficiente para estabelecer que a partir do advento de Cristo, Deus agiu com a sua igreja de modo diferente? Se ele fez cessarem ou não os dons, é outro ponto, mas a hipótese de que Ele age diferentemente em momentos diferentes é bíblica. Ou somente seria bíblico o que eu estabeleço citanto um texto? O que eu posso inferir validamente não é bíblico? E não se pode dizer que os calvinistas não deveriam proceder assim, porque seria incoerência: os símbolos de fé mais antigos produzidos por calvinistas já falam desse princípio hermenêutico. Aliás, a contemporaneidade de todos os dons em todos os seus aspectos também não é diretamente afirmada nas Escrituras. Não seria também uma inferência? Outro exemplo: que algum sinal seja providenciado por Deus para cumprir um propósito histórico específico: me parece que este é o caso da presença de Deus na arca da aliança.

Hugo Juliano Duarte Matias disse...

A paz de Cristo esteja com todos.

Li atentamente os diversos artigos sugeridos neste blog sobre o cessacionismo. O que me pareceu mais coerente foi este, assinado por Fábio Blanco (aqueles escritos por Júlio Severo não me parecem bem preparados: muitas insinuações, poucos argumentos laros e válidos). As análises feitas por Fábio acerca do texto do pastor Misael são justas. Já as análises acerca do texto do pastor Augustus, não.

O pastor Augustus é acusado de não ser bíblico, de ser especulativo etc. Embora não seja apresentada de modo detalhado a exegese de nenhum texto, ela é indicada em pontos capitais (ex.: o significado do dom de profecia em Paulo [1Co 11.3,31]; o que significa o termo apóstolo [Ef 4]; o conteúdo das línguas [At 2.11 e 10.46]; as orientações de Paulo para o uso do dom de línguas [1Co 14]; a relação entre batismo no Espírito Santo e os dons carismáticos [1Co 12.13,30]; há um link para uma breve exposição de Jo 14.12). Enfim, trata-se de um texto que não pretende mais do que apresentar um ponto de vista e assim oferecer uma referência para quem pretende conhecer ou ser introduzido ao tema, um texto para ser comparado com outros no mesmo nível de simplicidade.

Quanto às hipóteses, elas não podem ser chamadas simplesmente de especulativas. Por exemplo, a hipótese de que Deus age de modos diferentes ao longo da história da igreja se sustenta primeiramente no registro escriturístico da história da igreja. Isso deveria ser óbvio, porque muitos dos dons em questão são relatados apenas nos escritos do novo testamento. Será que isso não é suficiente para estabelecer que a partir do advento de Cristo, Deus agiu com a sua igreja de modo diferente? Se ele fez cessarem ou não os dons, é outro ponto, mas a hipótese de que Ele age diferentemente em momentos diferentes é bíblica. Ou somente seria bíblico o que eu estabeleço citanto um texto? O que eu posso inferir validamente não é bíblico? E não se pode dizer que os calvinistas não deveriam proceder assim, porque seria incoerência: os símbolos de fé mais antigos produzidos por calvinistas já falam desse princípio hermenêutico. Aliás, a contemporaneidade de todos os dons em todos os seus aspectos também não é diretamente afirmada nas Escrituras. Não seria também uma inferência? Outro exemplo: que algum sinal seja providenciado por Deus para cumprir um propósito histórico específico: me parece que este é o caso da presença de Deus na arca da aliança.

Hugo Juliano Duarte Matias disse...

Em que mais não se faz justiça ao texto do pastor Augustus? Fábio sugere que a posição do pastor Augustus é que os dons de 1Co 12 não são mais distribuídos. No entanto, o pastor Augustus afirma "Se levarmos em conta estas coisas, podemos dizer que todos os dons continuam hoje, mas que alguns aspectos e atributos deles cessaram após o período apostólico". O texto de Fábio generaliza, e não dialoga verdadeiramente com o texto do pastor Augustus, já que nem menciona os aspectos dos dons que, segundo o pastor Augustus, podem ter cessado. Enquanto Fábio diz que o pastor Augustus afirma que "os dons de cura, milares, de profecia e de línguas estão relacionados apenas com aquele período", o pastor Augustus na verdade afirma que as curas que Deus opera hoje são diferentes das que operou naquele período por meio dos apóstolos, que o aspecto das profecias a que Paulo se refere no citado texto ainda valem, do mesmo modo que o aspecto do dom de língua (e recomenda que este deve ser criteriosamente analisado e julgado, o que é recomendação bíblica!). Fábio somente menciona muito de passagem os pontos cruciais da argumentação, acerca da interpretação dos dons e do vínculo de alguns de seus aspectos não com os apóstolos, mas com a experiência da nova igreja sob a nova autoridade apostólica. Esses pontos são reduzidos, desdenhosamente simplificados a ponto de se tornarem irreconhecíveis. Semelhante expediente é lançar trabalhos sistemáticos e de grande envergadura, como os de Grudem e Cheung, contra uma resenha e duas postagens de blogs. Trabalhos exaustivos e de natureza acadêmica são recomendados para que se conheça a posição contra-cessacionista, mas nenhuma recomendação para compará-los a outras exposições sistemáticas, acadêmicas e igualmente exaustivas do ponto de vista cessacionista.

Não me considero cessacionista. Creio que Deus age como ele bem entender. Mas entendo os cuidados da posição cessacionista. Aliás, também o pastor Augustus não se declara cessacionista (levando-se em consideração o que realmente significa o cessacionismo): ele o afirma nesse mesmo texto, logo no começo. Testemunhei apenas duas vezes em 17 anos, a manifestação genuína de dons carismáticos: nas duas vezes, o dom de línguas, em que Deus era louvado, em igrejas cessacionistas. Apesar de ter frequentado algum tempo uma igreja pentecostal, lá nenhuma vez testemunhei isso (somente encenação disso). Mesmo assim, tenho irmãos pentecostais que me contam experiências com dons carismáticos em que eu creio sem ter testemunhado.

Enfim, essa posição, que não foi criada pelo pastor Augustus, mas que é defendida por ele, é a mais sensata dentre as que eu avaliei. Em todo caso, continuarei lendo os textos que discordam dessa posição para avaliá-las. Não é o caso das posições de Grudem e Cheung (que também li). A posição deles não pode ser identificada a de Fábio ou a de Júlio, já que aqueles discernem diferentes aspectos dos dons carismáticos. Importante é cessarmos as agressões mútuas (não me refiro a Fábio, que até foi cordial, mas certamente a Júlio).

Mais uma vez, saudações em Cristo.