12 de setembro de 2013

Estudo aponta que nos EUA milhares de cirurgias são realizadas sem necessidade


Estudo aponta que nos EUA milhares de cirurgias são realizadas sem necessidade

Médicos que realizam os procedimentos são “imorais, incompetentes e indiferentes”

Bob Unruh
Dezenas de milhares de americanos todos os anos são submetidos a procedimentos cirúrgicos que não são necessários porque os médicos são “imorais, incompetentes e indiferentes”, de acordo com um estudo realizado pelo jornal USA Today.
“O assunto é muito sério, e ainda não houve um movimento para lidar com isso”, alertou Lucian Leape, professor da Faculdade de Saúde Pública de Harvard.
O especialista em segurança do paciente começou a estudar cirurgias desnecessárias quando um relatório publicado pelo congresso americano há cerca de 40 anos atrás estimou que havia 2,4 milhões desses casos todos os anos, e que 12.000 deles acabavam em morte ao paciente.
Segundo ele, “as coisas não mudaram muito”.
O estudo do USA Today indica que há dezenas de milhares de cirurgias todos os anos que são desnecessárias e, em muitos casos, perigosas.
De acordo com o relatório do USA Today, é quase sempre uma questão de dinheiro.
“Os médicos que realizam operações sem necessidade para ganhar dinheiro são a face pública do problema. Atraídos pelos milhões de dólares que se pode ganhar cobrando os planos de saúde públicos e privados por procedimentos caros que não eram necessários, eles se tornaram o principal alvo de investigadores que consideram esse tipo de fraude particularmente pérfido”, afirma o relatório.
A investigação do USA Today descobriu que entre 10% e 20% de algumas cirurgias comuns são feitas sem necessidade, e mais de 1.000 médicos já pagaram indenizações depois de terem sido denunciados por negligência.
O relatório citou como exemplo o caso de Jonathan Stelly, de 22 anos.
Ele era um jogador de baseball semiprofissional quando um desmaio o levou ao consultório médico.
Disseram a Stelly que se ele “quisesse viver até os 30… precisaria de um marca-passo”.
Ele confiou na recomendação do médico, e fez a cirurgia.
Mas meses depois, “os jornais locais noticiaram que o cardiologista de Louisiana, Mehmood Patel, estava sendo investigado por realizar cirurgias desnecessárias”.
“Stelly procurou outro médico para rever seu caso”, conta o relatório. “E mais outro. E mais outro. Todos eles concordaram. Ele precisava de medicação para pressão sanguínea, mas nunca de um marca-passo”.
O USA Today afirma que Patel está na prisão condenado por realizar cirurgias desnecessárias. E Stelly perdeu quaisquer oportunidades no baseball que poderia ter tido.
“O alcance do problema e os danos que ele causa são enormes, mas permanecem em grande parte escondidos. A atenção pública foi limitada a alguns casos mais surpreendentes, tipicamente envolvendo médicos que inserem stents cardíacos em pacientes que não precisavam deles”, afirma o relatório.
Segundo o estudo, 10% de todos os procedimentos de fusão vertebral financiados pelo Medicare (saúde pública) em 2011 não eram necessários. Também é citado um relatório da Revista da Associação Médica Americana, segundo o qual, de 112.000 pacientes que tinham um cardioversor-desfibrilador implantável, para 25.000 deles não havia provas médicas que justificavam o uso das máquinas.
O USA Today cita outro estudo, da revista eletrônica Surgical Neurology International, que observou 274 pacientes que reclamavam de dores no pescoço e nas costas. Mais de 17% deles ouviram que precisavam de cirurgia.
“Esses procedimentos são notoriamente difíceis de identificar, até para as vítimas. Se, por exemplo, alguém passar por uma artroplastia total do joelho sem necessidade, esse paciente talvez nunca saiba que a dor poderia ter sido aliviada com a mesma eficácia com terapia física ou um procedimento menos invasivo. Os sintomas somem, e ele não suspeita de nada”, afirma o relatório.
“Se algum dia descobrirmos algo a respeito, será apenas depois do fato, se algo der errado e o paciente procurar outro médico, ou se o Medicare ou outra pessoa vier em caráter retroativo e fizer uma auditoria”, afirma Rosemary Gibson, autoridade em segurança do paciente e autora do livro “The Treatment Trap” (A Armadilha do Tratamento).
“O sistema, na minha opinião, não quer saber desse problema”, conclui.
O relatório explica: “Os médicos que realizam operações sem necessidade para ganhar dinheiro são a face pública do problema. Atraídos pelos milhões de dólares que se pode ganhar cobrando dos planos de saúde públicos e privados por procedimentos caros que não são necessários, eles se tornaram o principal alvo de investigadores que consideram esse tipo de fraude particularmente pérfido”.
O estudo concluiu que na maioria dos casos de cirurgias desnecessárias, não há uma motivação criminosa ou macabra.
“Mas”, recomenda Patty Skolni, da organização Citizens for Pacient Safety (Cidadãos pela Segurança do Paciente), “não acredite na palavra de um médico”.
“Pesquise sobre seu médico, pesquise sobre o procedimento, faça perguntas, incluindo a mais importante: ‘O que irá acontecer se eu não fizer isso?’” orienta.
“Esperamos que o médico saiba o que é melhor para o paciente”, disse ao USA Today Willam Root, diretor de conformidade do Departamento de Saúde e Hospitais do estado de Louisiana. “Depositamos tanta confiança em nossos médicos, e a maioria deles a merece. Mas quando um deles está errado ou se desvia, pode causar muitos danos”.
Traduzido por Luis Gustavo Gentil do original do WND: Study: Thousands Of Surgeries Unnecessary
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3 comentários :

Anônimo disse...

O Apostolo Paulo declarou que "em mim nao habita bem algum". Todo ser-humano eh o que eh. Nos EUA, diferente da Terra Brasilis, o pilantra tem sobre ele, permanentemente, a visao da espada da lei. Imaginem agora o quanto o povo brasileiro estah mais fragilizado com a entrada de seis mil "especialistas" de um dos paises mais miseraveis do planeta, em que o Estado, por qualquer motivo alegado, real ou imaginario banca mais de cem mil abortos por ano, numa populacao feminina, em idade adulta, de nao mais de tres milhoes de mulheres?! Qdo os erros medicos (mais ainda)comecarem a pulular por aqui, poder-se-ah cobrar daquele monarca de kuba alguma indenizacao? No way.

Antonio.

Willians disse...

Imaginem a medicina brasileira daqui a alguns anos, após todo o aparelhamento comunista trazido de Cuba. Socorro! Quem for cristão terá que confiar cada vez mais na própria fé, para arriscar qualquer tratamento médico ou então depender inteiramente da cura divina.

Aprendiz disse...

O artigo trouxe informação sobre algo importante.

Mas ficou uma dúvida. O artigo é explícito em esclarecer quem apenas parte do problema é causado por ganância. E os outros motivos? Isso significa que há falhas importantes na formação de médicos mesmo em países do primeiro mundo. E aqui? Imagino que deve ser pior.

E em Cuba? Felizmente os médicos cubanos não terão permissão para operar aqui. Mas só no ambulatório e salas de emergência, possivelmente eles farão um estrago.