17 de junho de 2013

Evangélico palestino em “turnê de propaganda” no Brasil


Evangélico palestino em “turnê de propaganda” no Brasil

Líder cristão questiona patrocínio de Portas Abertas à mensagem “anti-Israel”

Michael Carl
Um líder cristão brasileiro diz que está alarmado com o que considera uma campanha realizada por evangélicos para espalhar propaganda pró-Palestina e anti-Israel.
Julio Severo, um ativista e blogueiro pró-família, disse ao WND que está preocupado com uma turnê de palestras no Brasil que apresenta Bishara Awad, presidente emérito do Colégio Bíblico de Belém, em apoio de Portas Abertas Internacional.
Severo disse ao WND que num evento no Brasil, Awad falou da “difícil situação palestina provocada por Israel.”
“Ele não mencionou nada sobre a violência muçulmana contra os cristãos,” disse Severo.
Severo se preocupa que a turnê ganhará credibilidade por causa de quem patrocinou.
“Eu sou apenas um cristão muito pequeno, e expor Portas Abertas por abrir portas para tal palestinianismo cristão anti-Israel é um grande desafio,” afirmou Severo.
Ele disse que suas preocupações são políticas e teológicas.
“No discurso, ele mencionou que ele e seu povo estão sob ocupação,” disse Severo. “Como cristão, ele não deu o ponto-de-vista de Israel.”
O Colégio Bíblico de Belém é quem organiza a polêmica conferência “Christ at the CheckPoint” (Cristo no Posto de Controle). O jornal Jerusalem Post citou Awad numa declaração onde ele criticou o apoio dos evangélicos americanos a Israel.
“Muitos cristãos apoiam Israel quer esteja certo ou errado, mas não investigam as questões de paz e justiça,” disse Awad. “Se isso é ser político, então tudo bem, mas infelizmente, algumas pessoas, em vez de virem, escutarem e participarem, só nos atacam. Queremos um engajamento sério com os grupos sionistas, e ter um foro aberto para contínuo diálogo.”
Awad disse ao WND numa entrevista que sua origem étnica é um fator importante em como ele vê a questão palestina-israelense.
Bishara Awad
“Sou árabe e meu povo está sob ocupação. Mas sou também cristão e amo o Senhor Jesus,” disse Awad. “Meu povo está sofrendo muito sob a ocupação. A economia está em péssimo estado e meu povo está sob grande crise econômica.
“Não estamos sofrendo nas mãos dos muçulmanos na Palestina,” disse Awad. “Algumas pessoas não querem acreditar nisso e isso é direito delas.”
Severo é cético e aponta para um relatório do Comitê de Exatidão das Reportagens sobre o Oriente Médio nos EUA. Nesse relatório, há uma citação de Awad dizendo que um muro construído por Israel cerca completamente Belém.
“Temos muitos problemas nesta terra. Estamos sob ocupação militar. Os israelenses construíram um muro ao redor de nós e esse muro cerca Belém,” disse Awad.
Mas o relatório do comitê aponta para o fato de que um mapa mostra que o muro não cerca Belém completamente.
Contudo, Awad acrescentou que ele sabe que a situação só seria mais difícil para seu povo se Belém e o território da Autoridade Palestina estivessem sob o controle das nações vizinhas.
“Olhando para os países ao redor de nós, como Síria e Líbano, há certamente perseguição de cristãos, e os cristãos estão deixando esses países. O povo aqui está deixando porque não gosta de estar sob ocupação,” disse Awad.
“Entretanto, se a situação mudasse completamente (e um país árabe vizinho controlasse o território), eu ficaria com muito medo por causa do que vejo nesses países,” disse Awad. “Vejo como os muçulmanos estão tratando as pessoas e como eles estão sempre tratando seu próprio povo. Eles estão matando seu próprio povo. Eles não têm nenhuma misericórdia; eles não têm nenhum amor.”
“Os muçulmanos extremistas estão se tornando mais e mais radicais. Até mesmo os muçulmanos moderados estão contentes com o que está acontecendo na Síria com muçulmanos matando muçulmanos,” disse Awad.
“O Oriente Médio está geralmente em tumulto, e tenho o temor de que num dia desses a situação vá virar de cabeça para baixo e os palestinos ficarão debaixo de um governo pior do que têm agora sob o governo israelense,” disse Awad.
Mas Awad frisou: “Não quero que meu povo esteja sob o controle de ninguém, debaixo das armas dos outros.”
Paul Estabrooks, porta-voz de Portas Abertas, disse que nem Portas Abertas nem o Colégio Bíblico de Belém é anti-Israel.
“Bishara gostou totalmente de sua viagem ao Brasil para celebrar o aniversário de 30 anos de Portas Abertas no Brasil. Ele estava ali para promover Portas Abertas, não para promover seu colégio ou causas palestinas.
“Passei uma semana na BBC e não ouvi uma só palavra negativa para com Israel,” disse Estabrooks.
Estabrooks explicou que há um debate teológico significativo em torno do conflito árabe-israelense e mesmo se Israel tem um direito à terra que o moderno estado de Israel ocupa.
Awad disse que ele e o Colégio Bíblico de Belém rejeitam o que é designado pelos críticos como “teologia da substituição,” a crença de que a igreja cristã tomou o lugar de Israel como herdeira das bênçãos e promessas de aliança de Deus.
“Não creio na teologia da substituição, e creio no direito de Israel existir,” disse Awad.
Estabrooks confirmou a afirmação de Awad.
“Ele expressou que realmente aceita Israel como nação e que nem ele pessoalmente, nem o colégio bíblico, estão agarrados à teologia da substituição. Recordando, ele acha que sua ênfase na reunião foi apenas na Nova Aliança, não na propaganda anti-Israel conforme as acusações,” disse Estabrooks.
Numa busca no site do Colégio Bíblico de Belém, a página de “Perguntas e Respostas” tinha este comentário sobre o relacionamento entre o colégio e Israel: “Devido à ocupação israelense, os residentes de Belém perderam milhares de áreas de terras para os propósitos de colonização israelense e a construção do muro da separação.”
O site diz: “A violência política durante a segunda Intifada e a contínua perda de terra criaram uma situação econômica desesperadora na cidade de Belém, que tem um índice de desemprego de 22,4 por cento, o mais elevado na Margem Ocidental.”
O colégio não respondeu aos pedidos de WND por comentários.
Estabrooks disse: “Permita-me garantir a você que Portas Abertas não endossa nem propaga a teologia da substituição nem somos de forma alguma anti-Israel como nação do povo escolhido de Deus. Além disso, nunca ouvi isso expresso ou ensinado em minhas muitas experiências no Colégio Bíblico de Belém durante um período de 20 anos.’
Estabrooks explicou que os cristãos palestinos têm uma visão diferente de Israel, porque eles são palestinos e cristãos.
“Além disso, os cristãos que encontrei no Israel palestino sofrem vastamente mais com as crueldades que recebem dos israelenses do que com os desafios mínimos que os muçulmanos palestinos representam contra eles. Não dá então para entender que os cristãos palestinos expressem publicamente as frustrações sob as quais vivem diariamente?” Estabrooks perguntou.
Estabrooks disse que Portas Abertas apoia as opiniões do escritor cristão e pastor John Piper sobre Israel. Os sete pontos de Piper são os seguintes:
1 Deus escolheu Israel de todos os povos do mundo para ser sua posse exclusiva.
2 A terra era parte da herança que ele havia prometido a Abraão e seus descendentes para sempre.
3 As promessas feitas a Abraão, inclusive a promessa da terra, serão herdadas como presente eterno pelo verdadeiro Israel espiritual, não o Israel desobediente e descrente.
4 Jesus Cristo veio ao mundo como o Messias judeu, e seu próprio povo o rejeitou e quebrou a aliança com seu Deus.
5 Portanto, o Estado secular de Israel não pode reivindicar um presente direito divino à terra, mas eles e nós devemos buscar um acordo pacífico baseado não em presentes direitos divinos, mas nos princípios internacionais de justiça, misericórdia e possibilidades práticas.
6 Pela fé em Jesus Cristo, o Messias judeu, os gentios se tornam herdeiros da promessa de Abraão, inclusive a promessa da terra.
7 Em conclusão, essa herança do povo de Deus acontecerá plenamente na Segunda Vinda de Cristo para estabelecer Seu reino, não antes; e até então, nós cristãos não devemos tomar armas para reivindicar nossa herança; mas em vez disso dar nossas vidas para compartilhar nossa herança com tantos quantos pudermos.
Traduzido por Julio Severo do artigo de WND: Palestinian evangelical in ‘propaganda tour’ of Brazil
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4 comentários :

MARIA disse...

Não há nada na bíblia que corrobore a crença de que as promessas de Deus a Abraão agora foram transferidas aos cristãos. Isso é completamente equivocado. Ao contrário, Paulo afirma na Carta aos Romanos que nós, gentios, fomos "ENXERTADOS" no plano eternos de Deus. E as promessas de Deus para Israel são de que Deus os restaurará pelo Seu grande poder, ainda que hoje eles se achem debaixo do juízo divino. E as promessas quanto à terra de Israel são expressamente ETERNAS!

Anônimo disse...

...aí eles chegam devagarinho, se fazendo de coitados, e poucos percebem o veneno - ou a mochila esquecida no canto..
Como cristão o tal deveria saber que a promessa da terra foi feita a Israel.
No Brasil eles tem recebido um apoio que não tem ressonância nas igrejas evangélicas que conheço. (Mas apenas de alguns farsantes que se dizem líderes evangélicos envolvidos com política baixa, esquerdinha.)

...nem merecem meu af.

Esther Kochav disse...

Importante denúncia, irmão Julio.
Este, parece ser mais um daqueles cristãos palestinos que ainda “não conseguiram” amar Israel.

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=PyS18moBa9M manda essa pro strabooks...