19 de abril de 2013

Também quero ser discriminado


Também quero ser discriminado

Fábio Blanco
Todo mundo agora quer direitos. Não são suficientes aqueles - e não poucos - já previstos no arcabouço jurídico nacional*; exigem direitos específicos. Basta haver algum traço distintivo em algum grupo qualquer, que este grupo acredita que merece proteção especial. São leis para os gays, para religiosos, para os negros e tantas mais diferenciações possíveis nesta diversidade infinita que é a natureza humana.
Ocorre que uma lei com direitos especiais, para ser eficaz, precisa conceder privilégios. Os beneficiados de leis especiais devem ter direitos que as pessoas, em geral, não têm. E isso por um reconhecimento de suas fragilidades. Se não fizer isso, é inócua; será apenas uma repetição do que já existe. Assim, uma lei com direitos especiais é a afirmação de que determinados tipos de pessoas merecem ser vistas de uma maneira diferente pela sociedade, com mais compaixão, mais piedade.
Por isso, uma lei com direitos especiais já é um tipo de discriminação. Ela já pressupõe que o tipo de pessoa protegida é diferente da coletividade. Não necessariamente uma distinção negativa, mas é, sim, uma distinção. É um reconhecimento, no mínimo, de que ela merece cuidado diferenciado.
O problema é definir quem são essas pessoas, quem merece tratamento distinto que corrobore a feitura de leis protetivas especiais.
E, claramente, está havendo um abuso na busca desses direitos. Qualquer distinção, ainda que não torne o indivíduo mais fragilizado que as outras pessoas, tem servido de pretexto para o requerimento de lei especial. Somos todos, assim, potenciais discriminados, que clamam por uma justiça feita aos berros.
Você é negro, clame por seus direitos! É mulher, grite mais alto! Gay, solte a franga e mostre ao mundo o quanto você merece proteção. Por que não, vocês, gordos, discriminados ininterruptamente? Loiras, tidas como uma espécie intelectualmente inferior? Crentes, sempre vistos como ignorantes? Baixinhos, relegados como menos aptos? Não há limites para quem pode reclamar pelo aconchego do colo estatal.
Apenas não esqueçam de um detalhe: enquanto a lei lhes protege, ao mesmo tempo afirma a inferioridade de vocês. Quando defende uma raça, pressupõe sua inferioridade social; quando protege a mulher, reconhece sua inferioridade física; ao criar mecanismos em favor dos deficientes físicos, sua óbvia inferioridade motora é realçada; quando toma a defesa dos doentes mentais, o faz por causa de sua inferioridade intelectual mesma.
Dessa forma, parece óbvio que se alguém deseja privilégios discrimina-se a si mesmo. Proclama que necessita de cuidados. Reconhece que, de alguma forma, por alguma circunstância, encontra dificuldades que precisam ser compensadas. Em suma, os grupos que buscam as benesses especiais da lei, consciente ou inconscientemente, declaram-se fragilizados.
Por tudo isso, quem quiser direitos, faça o seguinte: afirme-se um fraco, um inútil, alguém sem força para defender-se, que não produz, que não cresce, que não pode trabalhar. Com isso, se encaixará perfeitamente no perfil do excluído e, assim, receberá os olhares benevolentes do Estado. Ainda que, na prática, seus pares estejam colocados nos melhores postos da nação, dominando os meios de comunicação, as artes, a literatura, envolvidos em todas as atividades relevantes da sociedade. Ainda que, para defender esses mesmos direitos dos mais fracos, agridam, gritem e recebam milhões e milhões de reais, as mãos públicas sempre estarão estendidas para eles.
Por outro lado, se você for independente, auto-suficiente, alguém que produz, que emprega, que gera renda, que não onera o país, que não reclama por proteção aí, sim, aquele mesmo Estado lhe terá como uma potencial ameaça para a segurança da nação.
Divulgação: www.juliosevero.com

4 comentários :

juliano disse...

Está muito claro que até mesmo os interesses desses grupos são conflitantes ideologicamente,por exemplo, eles estão implementando o conceito de que o casamento tradicional é uma instituição falida, mas ao mesmo tempo querem legalizar a tal união estável entre pessoas de mesmo sexo (casamento gay)e ainda com cerimonia religiosa e tudo mais, isso além de ser absurdo é ridículo.
Quero colocar aqui a diferença entre a questão do racismo contra negros e o homossexualismo; a primeira trata-se de reparação e a segunda trata-se de degeneração, até mesmo a motivação não podemos considerar comunal, sendo assim, atender os interesses desses ativistas é simplesmente atestar a falência da capacidade de constituir uma nação séria e bem distante do verdadeiro conceito do que é justiça, onde se pune o que não é crime e se aprova o que é infame.

Digo que numa sociedade real, temos direitos e deveres, mas numa sociedade idealizada cada um faz o que quer. E quem pagará pelos erros dos idealizadores?

PRESBÍTERO VALDOMIRO disse...

Se essa onda de todo mundo querer leis para beneficiar grupos específicos, daqui a pouco os criminosos vão querer uma lei exigindo que eles não possam mais ser presos (mesmo cometendo os piores crimes)! Isso se não exigirem a extinção da polícia!

Na verdade, não se deve criar nenhuma lei a favor de ninguém (e nem a favor de nenhum grupo). A Constituição Federal é a lei máxima do país, e é bem clara em relação aos direitos das pessoas. Leiamos:

Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos
termos desta Constituição;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato;

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na
forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar
para se eximir de obrigação legal a todos imposta e se recusar a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

Será que só isto não é o suficiente para provar que todos são iguais perante a lei?

Saga disse...

Severo, tá acompanhando o caso dos terroristas mulçumanos em Boston?

A mídia brasileira está evitando ao máximo citar o islamismo, de vez em quando os chamam de "fundamentalistas religiosos" ou "religiosos extremistas" mas sem dizer que religião seria essa

Tentando entender o texto disse...

Eu entendo a indignacao por trás dessa postagem, mas se levada às últimas consequências, essa linha de pensamento se aplicaria tambem ao caso dos povos indígenas, e à questao da pedofilia, e dos pais que querem educar em casa, e dos bebês que ainda nao nasceram, pessoas com qualquer tipo de imparidade física... e por aí vai.
Acho que nao se trata de nao favorecer grupos desfavorecidos, mas de lutar por justica por quem é, realmente injusticado...
Justica nao é tratar igualmente a todos, mas de tratar desigualmente os desiguais, assim se traz equilíbrio...
Gosto muito dos posts publicados aqui, mas acho que esse nao foi muito feliz na crítica porque a realidade é que vivemos em um mundo cheio de injustica e desigualdade, e a capacidade de reconhecer limitacoes e aceitar ajuda é um valor ultimamente cristao, e é somente nesses casos que a misericórdia de Deus é eficaz.
Sim, certos grupos precisam ser tratados com mais honra, com mais prestígio, com mais cuidado, porque sao diferentes, sao sim limitados e nao podem lutar por si mesmos, isso é compaixao.
Eu talvez tenha entendido errado a intencao desse texto, mas achei que falta a motivacao de Cristo nele.
Nao estou defendendo a causa de quem quer ter o direito de viver uma vida de sexualidade imoral imposta sobre outros, mas estou preocupada com a repercursao dessa idéia: nao se pode lutar por justica por quem nao pode lutar por si mesmo?
Me ajude a entender se intepretei seu texto errado.