20 de janeiro de 2013

Pai do capitalismo: Satanás ou Calvino?


Pai do capitalismo: Satanás ou Calvino?

Julio Severo
Quem deve levar o mérito da fundação do sistema econômico chamado capitalismo? Essa é uma pergunta que os marxistas acham fácil responder, pelo menos pelos adjetivos que eles empregam para designá-lo: diabólico, selvagem, monstruoso, assassino, etc.
Entre os cristãos mal-informados, os mesmos adjetivos são muito bem aceitos para qualificar esse sistema econômico. Eles têm certeza de que o capitalismo teve origem no inferno. Em contraste, cristãos mal-informados ou mal-intencionados veem o marxismo como uma espécie de manifestação do Reino de Deus na terra.
Mas quem fundou o capitalismo? De acordo com o Dr. D. James Kennedy, pastor principal da Igreja Presbiteriana Coral Ridge na Flórida: “Calvino trouxe à luz a livre empresa e o capitalismo que temos hoje nos EUA. Ele é chamado de fundador do capitalismo por Max Weber e Ernest Troeltsch”.
João Calvino, considerado o fundador do capitalismo
Essa importante declaração foi feita pelo falecido Rev. Kennedy no seu artigo “Por Que Sou Presbiteriano”, na edição de 3 de março de 1989 da revista “Christian Observer”.
Ele conquistou meu respeito muitos anos atrás por suas posturas conservadoras pró-vida. Por isso, considero de elevada recomendação a declaração dele sobre Calvino e capitalismo.
No entanto, quando olhamos para os calvinistas do Brasil, o que vemos?
Quando olhamos para blogs calvinistas como o Genizah, vemos o capitalismo apresentado como um sistema econômico fundado por Calvino e o marxismo como um sistema diabólico?
É público que tenho denunciado a blogosfera apologética, que em grande parte é calvinista e progressista. O Dicionário Aurélio assim define a palavra “progressista”: “Diz-se de quem, não pertencendo a um partido socialista ou comunista, aceita e/ou apóia, no entanto, os princípios socialistas ou marxistas”.
Se a população olhar para esses calvinistas e para muitos importantes líderes calvinistas, terá a impressão errada, pelas palavras e estilo de vida deles, de que quem fundou o marxismo foi Calvino e de que quem fundou o capitalismo foi Satanás ou um de seus lacaios.
Entretanto, Calvino não era marxista, e duvido muito que ele aprovaria o que muitos calvinistas fazem hoje.
Calvino fundou um sistema econômico. Nada mais.
Em contraste, Karl Marx não fundou apenas um sistema econômico. Ele fundou um sistema ditatorial que exige controle sobre a família, o indivíduo, as crianças, a educação, a saúde, etc. O sistema marxista exige para si o mesmo papel de controle que Deus merece na vida das pessoas.
O marxismo é muito mais do que um mero sistema político. É uma religião política, que exige o sacrifício de milhões e o martírio moral e até físico dos verdadeiros seguidores de Jesus Cristo.
A distância entre o Evangelho de Cristo e as ideias de Marx é a mesma distância entre Céu e inferno.
Calvino não teria dificuldade nenhuma de ver isso, se estivesse vivo. Creio que ele energicamente decapitaria as mentiras dos progressistas que dizem ser calvinistas.
O motivo por que pastores e teólogos modernos que alegam ser seguidores de Calvino são incapazes de enxergar uma contradição entre sua fé religiosa e suas ideias progressistas é um mistério que só o inferno pode explicar.
Se os atuais calvinistas estão certos, então Calvino era um apóstata. É preferível aceitar o contrário: Quem merece o lugar de apóstatas são os calvinistas progressistas, não Calvino.
Claro que o capitalismo que vemos hoje reflete a decadência da sociedade moderna, e Calvino não tem culpa alguma se corromperam o que ele criou. Aliás, a própria esquerdização generalizada que vemos no calvinismo moderno é apenas reflexo da esquerdização que a sociedade vem sofrendo, e Calvino igualmente não tem culpa nenhuma se muitos líderes calvinistas não cumpriram suas responsabilidades espirituais. Em vez de serem voz profética e confrontarem as forças das trevas esquerdistas, eles acharam mais fácil ficar em cima do murou ou até mesmo se entregar aos braços de Marx e sua consequente decadência moral. Imitar o capitalista Calvino? Nem pensar!
A maior denominação presbiteriana americana, que era um grande bastião do calvinismo mundial, hoje apoia o aborto, ordena pastores gays e lésbicos e realiza boicotes contra Israel. Eles ficam “horrorizados” com a mera menção da palavra “capitalismo”.
As igrejas presbiterianas na Europa estão em estado pior e morrendo. Para elas, igualmente, a palavra “capitalismo” soa pior do que falar de um pedófilo assassino.
Não é de assustar tal mudança no calvinismo europeu e americano. Durante todo o século XX, muitas das infiltrações e contaminações marxistas no Cristianismo vieram de líderes calvinistas, que amaram muito mais Marx do que Calvino, ou tentaram casar Calvino com Marx, uma união homossexual que teria deixado ambos horrorizados.
Calvino ficaria horrorizado de envolverem seu nome com Marx porque seu Mestre era Jesus Cristo.
Marx ficaria horrorizado de envolverem seu nome com Calvino porque seu mestre era Satanás.
Mas os calvinistas progressistas conseguiram de forma infernal conciliar os ensinos de Calvino com os ensinos de Marx.
Esses apóstatas não teriam problema de conciliar Cristo e Satanás, Céu e inferno.
Se você disser que aceita o capitalismo de Calvino, a esquerda apologética apóstata tratará você como satanista ou doente mental. Com o clima de hostilidade que os cristãos progressistas impuseram nas igrejas, fica impossível demonstrar qualquer apoio ao capitalismo.
A fórmula certa para um cristão brasileiro ser linchado e tratado como herege é fazer uma mínima menção positiva ao capitalismo.
Por outro lado, qualquer cristão que elogiar o socialismo será visto como “profeta”, designação que Ariovaldo Ramos, um progressista que se considera calvinista, deu para o bispo marxista Robson Cavalcanti num artigo no Genizah, um tabloide “apologético” progressista que também se considera calvinista e é muito lido por presbiterianos.
O fundador do capitalismo foi um evangélico, enquanto que o fundador do marxismo foi um satanista.
Cavalcanti atacava o capitalismo e louvava o socialismo. Ele foi o fundador do Movimento Evangélico Progressista (MEP). Como é que um descendente religioso de Calvino consegue classificar Cavalcanti de “profeta”?
O mero fato desse falso profeta ter sido celebrado é um pecado grave que pode custar caro para a Igreja Brasileira, especialmente para os calvinistas, que o elogiavam ou andavam muito bem com ele.
A esquerda apologética, repleta de calvinistas, faz festa para seus camaradas progressistas e faz tempestades para os cristãos “capitalistas”, se é que dá para encontrar um dessa espécie em extinção no Brasil.
Para a esquerda evangélica, o Reino de Deus são as ideias de Marx. O inferno é o capitalismo, ou até mesmo, no caso do Brasil, o neopentecostalismo. Esse “inferno” eles jamais quereriam conciliar com sua fé vazia de Cristo, mas cheia das ideias de Marx.
Enquanto os apóstatas que dominam a blogosfera apologética procuram no Brasil distrair o público da grave ameaça que sua ideologia representa fazendo difamações ao capitalismo e ao neopentecostalismo, a união homossexual espúria entre Calvino e Marx destruiu as igrejas calvinistas da Europa e está destruindo as igrejas calvinistas dos EUA e Brasil.
É hora de fazer com esses apóstatas o que o capitalista Calvino lhes faria.
Leitura recomendada:

18 comentários:

Henrique Lima disse...

Pastor lhe indico o livro "A mentalidade anticapitalista" de Mises. Quanto ao Genizah... na verdade quando leio me pergunto: "Meu Deus, no que que isso aqui edifica?" Os contumazes leitores daquele blogue correm risco de uma entropia da edificação cristã.

Carlos Carvalho disse...

Sobre as evidências de que Marx era satanista, sugiro a leitura do livro:ERA KARL MARX UM SATANISTA de autoria do pastor Richard Wurmbrand.

ELISEU disse...

Respondendo ao Henrique Lima e ao Carlos Carvalho,

Infelizmente, tanto o nosso sistema educacional como também o religioso foram contaminados por idéias esquerdistas, marxistas, comunistas e socialistas.

No caso da educação, o que acontece é o seguinte: da escola primária à universidade, todos são educados na mentalidade socialista de que o governo deve sempre atender às necessidades de todos (e, principalmente, que todos devem ser submissos ao mesmo governo).

A mesma coisa acontece em algumas igrejas e seminários: devemos sempre ter compaixão pelos pobres e necessitados, e ser contra os opressores (no caso, os ricos).

E o que os professores, padres e pastores (que são doutrinados nas mesmas idéias) ensinam a todos? A mesma ladainha de sempre:

– O rico é o principal culpado pela pobreza e pela miséria do mundo;

– O capitalismo é um sistema onde uma minoria fica rica e a maioria vive na pobreza;

– O capitalismo é desumano, pois o pobre, para sobreviver, é obrigado a vender sua força de trabalho ao rico;

– O pobre trabalha para dar lucro ao rico. Muitas vezes, trabalha o dia inteiro e só recebe o valor equivalente a apenas uma única hora de trabalho (isto é, trabalhou de graça para o rico na maior parte do tempo);

– O capitalismo é egoísta, pois o rico só quer o melhor pra si (e nem se preocupa com o pobre);

– O governo tem que tirar dos ricos para dar aos pobres;

– O socialismo é o único governo capaz de promover a igualdade social para todas as pessoas;

– Jesus ama os pobres e oprimidos e tem ódio dos ricos. E ainda citam as palavras que Jesus diz sobre isso: "É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus 19:24)

Todos já saem das escolas, universidades, igrejas e seminários após terem sofrido essa lavagem cerebral. Aí já fica gravado na mente de todos (e já se torna um pensamento comum) que toda a miséria do mundo é causada pelo rico, que o rico vai para o inferno após a morte, que o pobre deve sempre permanecer na pobreza (fingida ou conveniente em certos casos), e que o pobre deve sempre confiar no governo (leia-se políticos esquerdistas) e nas suas propostas de melhoria ou de ajuda (como o "Bolsa–Família" e outros assistencialismos eleitoreiros)!

Eu pergunto:

– Não é exatamente isto o que acontece nas nossas escolas, universidades, igrejas e seminários?

– Não é exatamente esta a propaganda que os partidos marxistas, esquerdistas, comunistas e socialistas (como o PT e outros partidos com a mesma agenda política) divulgam em toda a mídia (para iludir o povo que não é politicamente conscientizado)?

Deixo estas perguntas no ar para alguém daqui responder na primeira oportunidade!

Trindade disse...

Olá Júlio;
Belo texto, acredito que o capitalismo é um modelo de política na área financeira, mas não é um modo de governo ou sistema ideológico, pois se você observar o capitalismo na verdade é muito antigo e remonta os primórdios da humanidade, por exemplo, a Bíblia cita Jó como “o maior de todo o oriente”, falando sobre as riquezas de Jó, portanto podemos crer que já havia ali um tipo de capitalismo; Outra coisa interessante é que se confunde o capitalismo como sendo o oposto do comunismo, mas não é fato, pois o capitalismo existe e existirá em qualquer modelo ideológico, mas SÓ NAS DEMOCRACIAS ele tem chance de ser mais justo e distribuir as riquezas; No comunismo não existe essa chance, porque o Estado (partido) toma o lugar dos indivíduos e pratica o capitalismo com outras nações em nome do povo e os líderes vivem nababescamente e o povo se torna escravos dessa liderança, exemplos de hoje são Cuba, China e Coréia do Norte.
Com relação ao capitalismo moderno eu creio sim que Calvino foi o alicerce do modelo atual, pois ele usou seu conhecimento na Palavra de Deus e orientou o povo as bases de como seria uma sociedade mais livre e desenvolvida.
Já Karl Marx foi um teórico do comunismo, e tudo leva a crer que ele se baseava em distorções de escritos bíblicos, pois era satanista, eu creio nisso porque o comunismo ilude muitos cristãos ainda hoje porque prega uma suposta “justiça” entre os homens, mas que na prática nunca funcionara, porque estamos sob a influência do pecado e a justiça nessa dispensação só é conseguida precariamente entre os homens pelas leis, pois somos incapazes de praticar a justiça na sua totalidade, o que só ocorrerá no milênio quando o Sol da Justiça estiver brilhando entre nós (Isaias cap. 11).
Sobre os cristãos progressistas só posso dizer que são uma minoria insignificante entre os cristãos evangélicos brasileiros, basta ver o resultado do último censo onde eles não cresceram nada, e quanto a alguns deles se identificar como Calvinista é uma verdadeira piada e se Calvino estivesse vivo já os teriam processados por uso indevido de imagem.

Anônimo disse...

Júlio, recomendo essa entrevista :http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1462

Anônimo disse...

Para efeito de conhecimento histórico:

Por um tempo, foi associada a relação da fundação do capitalismo ao mérito de Calvino, que apenas o aperfeiçoou. Com estudos mais aprofundados, hoje, há mais elementos para comprovar o contrário exposto por Max Weber, atualmente sua tese é menos repercutiva nos meios acadêmicos. O capitalismo se tornou dominante no mundo ocidental depois da queda do feudalismo. No século XVI, surgiu a Escola de Salamanca, conjunto de idéias de teólogos espanhóis que deram as primeiras idéias de uma economia capitalista liberal. As idéias de propriedade privada como moralmente neutra, já se encontravam no pensamento católico europeu desde São Tomás de Aquino.

Existiram quatro ciclos sistêmicos de acumulação de capital durante a evolução do capitalismo como sistema mundial: um ciclo genovês, Em sua primeira grande fase, a das cidades estado italianas de Veneza, Gênova e Florença do Século XV ao início do Século XVII; um ciclo holandês, do fim do Século XVI até decorrida a maior parte do Século XVIII; um ciclo britânico, da segunda metade do Século XVIIII até o início do Século XX; e por fim o ciclo norte-americano, iniciado no fim do Século XIX e que prossegue na atual fase de expansão financeira. O regime genovês durou 160 anos, o holandês 140 anos, o britânico 160 anos.

Fernand Braudel, historiador francês

Humberto Vieira - MG

Julio Severo disse...

Humberto, não sei se dá para confiar nesse historiador francês. Seja como for, até mesmo os marxistas reconhecem a ligação entre protestantismo e capitalismo. O maior site marxista do mundo confirma isso aqui: http://www.marxists.org/reference/archive/weber/protestant-ethic/ch05.htm

Soldier disse...

Embora Calvino tenha feito contribuições fundamentais para a economia capitalista, em termos políticos ele também inaugurou um regime totalitário com invasão e vigilância do comportamento pessoal dos habitantes. Olavo de Carvalho inclusive já comentou sobre isso.

Liberdade econômica com intromissão estatal na vida privada das pessoas é uma contradição insanável, que fere profundamente os princípios doutrinários cristãos e suas aplicações práticas nos aspectos morais, filosóficos e políticos.

É óbvio que apenas que a prosperidade econômica não pode garantir bem-estar geral quando a liberdade individual é violada.

Na questão teológica, Calvino cometeu, entre outros, um erro particularmente fatal para vida espiritual da Igreja: A negação da atualidade do dons do Espírito Santo.

Nesse aspecto, um trecho do artigo me chama atenção.

"O motivo por que pastores e teólogos modernos que alegam ser seguidores de Calvino são incapazes de enxergar uma contradição entre sua fé religiosa e suas ideias progressistas é um mistério que só o inferno pode explicar."

Meu querido irmão Júlio, creio que o céu também pode explicar. Sem a atuação do Espírito de Deus através das armas indispensáveis para a guerra espiritual, o homem enfraquece, torna-se desprovido do discernimento espiritual e é presa fácil para ser confundido pelas astúcias do diabo.

Negar os dons do Espírito Santo é rejeitar os meios pelos quais a Igreja pode sobreviver enquanto peregrina por este mundo tenebroso.

Anônimo disse...

Julio, o Humberto Vieira não está inventando, ele está mostrando a história.

Estranho você falar que não acredita no historiador francês Fernand Braudel!, mas estranho que você acredita nas histórias de Max Weber.

Aliás, historiadores já estão provando que a semente do capitalismo está dentro da própria Igreja Católica:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=107

Marcos

Fabiane Agapito disse...

Eu acho essa associação de Calvino como pai do capitalismo um tanto quanto exagerado. Eu não conheço muito a obra de Weber é verdade, porém já tive aulas sobre sua principal obra "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" e o que eu entendi é que o protestantismo foi uma espécie de "cimento" na construção desse sistema econômico. Ou seja, um elemento super importante (porque não construímos uma casa sem cimento), porém não é o elemento único. E o fato mais do que notório é que o capitalismo já vinha se desenvolvendo desde o período do mercantilismo. Explicando, melhor tudo começa a mudar com as guerras e pestes que dizimaram a Europa, entre os séculos XIV e XV, juntamente com o colapso do feudalismo veio se gestando o mercantilismo e o fortalecimento das monarquias nacionais ocupando o antigo cenário de descentralização política. A idade moderna surgiu trazendo profundos questionamentos da ordem estabelecida e que vigorava desde o início da Idade Média. O Renascimento trouxe um grande impacto para o campo da filosofia, ciências e artes; já o poderio da Igreja Católica foi abalado em razão das questões levantadas por Lutero, tudo isto alterou as antigas estruturas feudais.
Além de o mercantilismo ter contribuído com a acumulação de capital, outro fator responsável pelo surgimento do capitalismo foi o cercamento. Como foi visto, a Terra era um bem comum e vital para a produção camponesa, contudo quando começa a transição para o período capitalista há uma alteração na forma como a terra é encarada. Ela passa, neste período, a ser considerada como um bem de produção, indispensável para a nascente indústria manufatureira, então a mesma é cercada levando a expulsão dos camponeses para as cidades.
Este processo conseguiu alcançar um duplo objetivo, extremamente funcional para o surgimento do capitalismo. O primeiro foi que, ao cercar o campo, o mesmo foi destinado a criação de ovelhas cuja lã abastecia o mercado de matéria-prima da grande manufatura, e o segundo foi que a expulsão dos camponeses levou a uma migração intensa do campo para as cidades, gerando um grande acúmulo de pessoas, disponibilizando para as manufaturas a mão-de-obra necessária. Portanto, acredito que o capitalismo surgiu a partir de inúmeros fatores, claro que as idéias de Calvino contribuíram e muito para o fortalecimento desse sistema, mas pra mim não foi a pedra fundamental.

Lílian Souza disse...

Severo, as suas colocações são extremamente tendenciosas. Quando há um blog arminiano-progressista não vejo ninguém associando o conteúdo do blog ao arminianismo.
Tornei-me conservadora por meio do calvinismo, em uma igreja presbiteriana (IPB). Nunca ouvi discurso político em minha igreja, mas ouvindo o puro Evangelho aprendi a reconhecer a total incompatibilidade entre socialismo e cristianismo. Há pessoas que se denominam calvinistas e são progressistas, também há falsos cristãos no meio reformado. Mas acho que você, Severo, maximiza essas ocorrências, quando na verdade o conservadorismo exerce maior influência no meio calvinista brasileiro. Você já avaliou qual é o principal público que acessa o blog Genizah? Os calvinistas que conheço acessam outros blogs como o O Tempora! O Mores!, Norma Braga, Voltemos ao Evangelho, iPródigo, além do maior portal de conteúdo reformado: o Monergismo, que contém vários artigos de Rousas John Rushdoony, entre outros.
Não tente criar da exceção a regra. Os mais preeminentes cristãos conservadores das últimas décadas eram calvinistas. Deus também tem nos chamado para a luta política. Soli Deo gloria.

Julio Severo disse...

Oi, Liliane! Os dois maiores blogs calvinistas são Genizah e Púlpito Cristão, que por coincidência são progressistas. Há muitos outros que seguem a mesma linha.

Anos atrás, quando comecei a frequentar uma igreja da IPB numa cidade conservadora, os líderes dessa igreja eram maçons e do PT. A cidade era anti-PT e a base do PT era a igreja presbiteriana.

Na época, a estrela máxima da IPB era Caio Fábio, que já estava desde a década de 1980 levando a IPB e outras igrejas à Teologia da Missão Integral, que é marxista. Caio Fábio, antes de sua queda por escândalos sexuais e financeiros, nunca foi repreendido dentro da IPB. Suas ações socialistas, com um forte toque de sutileza e malícia satânicas, nunca foram denunciadas ou detidas na IPB.

Quanto aos blogs que você citou como sendo conservadores, note que eles não gostam da palavra conservador. No vergonhoso episódio onde o calvinista Renato Vargens elogia o marxista Robinson Cavalcanti e eu mostro quem era ele, essa turma ficou do lado do Vargens, apoiando-o sem restrição. Entre amigos, eles chamam Vargens de “burro”, mas tiveram a burrice maior de apoiá-lo numa de suas muitas burrices. Chamam Vargens de burro nas costas, mas na frente só elogios.

Mas, com certeza, você nunca os viu também denunciar o Rev. Marcos Amaral, pastor da IPB que há anos envergonha o Evangelho publicamente. Eu tenho denunciado-o há anos.

O Portal Monergismo não é blog. Seus artigos são divulgados há anos no meu blog.

Se você acha que Genizah, Púlpito Cristão e outros blogs calvinistas são exceção à regra, por que você não cobra dos blogs “conservadores” que você citou uma postura crítica a esses calvinistas progressistas?

Duvido muito que o façam. Mesmo depois da queda de Caio Fábio, ele nunca foi desmascarado como socialista dentro da IPB. E se ele de fato se “arrependesse”, voltasse para a esposa e se submetesse à disciplina presbiteriana, ele voltaria à sua postura de reverendo mais famoso da IPB, podendo tranquilamente fazer o que ele sempre fez: conduzir os evangélicos ao socialismo.

Lílian Souza disse...

Severo,
Agradeço a atenção em me responder.

Todas as informações que você acaba de me passar sobre Caio Fábio, maçonaria, Renato Vargens, etc. são de meu pleno conhecimento.

Em nenhum momento eu quis dizer que a IPB é uma igreja impecável. Disse que por meio dela eu conheci o Evangelho, que por sua vez teve um impacto na minha visão política. Conheço várias igrejas presbiterianas que tratam a palavra de Deus como algo secundário e se curvam aos modismos do humanismo, sociologia e psicologia modernas.

Tornei-me calvinista aos 20 anos de idade, mas frequento uma igreja presbiteriana desde os 2 anos. Essa igreja na qual fui criada também é da IPB, mas é liberal e possui uma liderança omissa. Portanto, conheço diversos problemas enfrentados no passado e no presente da IPB, desde Caio Fábio a maçonaria. Mas também tive a oportunidade de conhecer uma igreja presbiteriana séria, onde conheci o Evangelho e as doutrinas da graça.

O argumento do meu último comentário é o seguinte: o liberalismo não é predominante entre os calvinistas confessos. Utilizo o termo "confessos", pois muitos que frequentam denominações reformadas não se consideram calvinistas (como disse anteriormente, esse já foi o meu caso).

Mas parece que você não leu com atenção o que eu escrevi no comentário anterior.

Repito a pergunta que lhe fiz: "Você já avaliou qual é o principal público que acessa o blog Genizah?" Os autores desse blog são calvinistas, mas e o seus leitores?

Outro erro, não disse que o site Monergismo era blog e sim um "portal".

Você citou pastores presbiterianos progressistas, como se eu não os conhecesse. “ECCLESIA REFORMATA ET SEMPER REFORMANDA EST". A IPB tem vários desafios a frente e precisa ser constantemente reformada pelo poder do Espírito Santo. Agradeço a Deus pelos últimos avanços alcançados no Supremo Concílio, o que evidencia a predominância da ortodoxia bíblica entre os líderes presbiterianos.

Não é do costume dos presbiterianos disciplinar seus membros e pastores expondo-os publicamente. O que é abordado e criticado publicamente são as ideologias e práticas errôneas.

Espero que dessa vez você leia o meu comentário com mais atenção. Não espero entrar em um consenso com o senhor. Quero apenas que minhas palavras não sejam distorcidas. Nunca foi minha intenção bajular a IPB ou qualquer pessoa e o meu argumento anterior não girava em torno disso.

Recomendo ao senhor, Júlio Severo, mais cautela ao expor publicamente cristãos comprometidos. Todos nós somos vulneráveis ao erro, precisamos ser corrigidos antes de sermos fuzilados. Lembremos da parábola da ovelha perdida. Recomendo as sábias palavras de John Piper: http://www.youtube.com/watch?v=untNKBtWX3g

No mais, reconheço a nobreza de sua luta contra a agenda esquerdista e espero que a glória de Deus seja engrandecida em seu trabalho.

Julio Severo disse...

Recomendo-lhe, Liliane, a leitura de um artigo escrito por um calvinista:

Julio Severo e os calvinistas

Julio Severo disse...

Um trabalho mais abrangente sobre a heresia esquerdista entre os cristãos se encontra no link abaixo. É só clicar:

Teologia da Libertação e neopentecostalismo: o grande desafio da igreja evangélica do Brasil

João Matheus Beck disse...

Nos últimos dias as pessoas não se dão o trabalho de refutar os argumentos dos seus oponentes. O que se faz é pegar um aspecto indefensável, maximiza-se este aspecto até o ponto da própria realidade ficar distorcida. Desta forma, ao atacar aquele aspecto indefensável, temos a impressão de estar derrotando todo o conjunto de ideias daquela pessoa, quando na verdade somente aquele aspecto indefensável inicial é que foi derrotado.

Desde já quero dizer que me considero um calvinista reformado, ainda que eu seja membro de uma igreja arminiana pentecostal. Diria você, caro Júlio, que simplesmente por ser um calvinista reformado eu aceito como verdade o que vai publicado no Genizah, Púlpito Cristão, ou qualquer outro veículo que se entenda calvinista ou mesmo reformado? Se você acha que sim, você incorre na falácia descrita por mim no parágrafo acima.

Sabemos que a tempos atrás, no Brasil, virou moda entre algumas celebridades decadentes e sub-celebridades se considerarem evangélicas, unicamente porque frequentaram alguns cultos em determinada denominação. Depois dava-se a seguinte notícia: “Fulana de tal, aquela atriz da globo que virou evangélica, posou nua para determinada revista masculina”. Ora, para quem sabe que a salvação não é uma mera questão de frequentar determinada religião ou igreja cristã, mas de fato ser regenerado pelo Espírito Santo, sabe que aquela atriz “evangélica” de fato não experimentou o novo nascimento e, portanto, não é nem cristã, nem evangélica, nem discípula de Cristo, etc.

A mesma coisa ocorre com alguém que se diga arminiano, calvinista, reformado, pentecostal, neo-pentecostal, presbiteriano, batista, assembleiano, metodista, luterano, e assim por diante. O simples fato de alguém de autodenominar calvinista ou reformado não faz daquela pessoa um calvinista ou reformado. Desta forma, você não pode associar as ideias erradas de alguém que se diga calvinista e então atribuí-las a todas as pessoas que se reconhecem como calvinistas.

Assim como a Lílian aí em cima, foi através da literatura e pregações de pessoas que de fato são calvinistas e reformados que eu vim a entender muitos aspectos da política e da cultura. De fato, antes de ser calvinista, ainda que fosse um cristão, a minha tendência seria estar, politicamente falando, mais a esquerda. Foi a partir do entendimento de uma cosmovisão estritamente bíblica, algo que os calvinistas reformados sempre enfatizam, que eu comecei a me mover para a direita no
espectro político.

Já vi textos nestes chamados “blogs apologéticos”, estes que se dizem reformados e calvinistas, que são biblicamente corretos. Por outro lado, também já vi muitas heresias. Entretanto, se você observar os comentários lá postados, principalmente o Genizah, verá que a maioria dos comentadores dificilmente poderiam ser chamados de calvinistas, quanto menos de cristãos e discípulos de Jesus Cristo.

Em suma, assim como John MacArthur, em sua conferência “Strange Fire” feriu o corpo de Cristo ao tratar todos os pentecostais como heréticos, como se todo pentecostal aprovasse os abusos dos profetas da prosperidade neopentecostais, como Benny Hinn ou Moris Cerulo, assim também, Júlio, você corre o perigo de ferir o corpo de Cristo ao tratar todos os calvinistas como se eles comungassem das mesmas ideias de certas pessoas que se definem como calvinistas, quando calvinistas elas de fato não são.

Deus o abençoe em Cristo Jesus. João.

João Matheus Beck disse...

"Você já avaliou qual é o principal público que acessa o blog Genizah? Os calvinistas que conheço acessam outros blogs como o O Tempora! O Mores!, Norma Braga, Voltemos ao Evangelho, iPródigo, além do maior portal de conteúdo reformado: o Monergismo, que contém vários artigos de Rousas John Rushdoony, entre outros."

Algo que me escapou enquanto escrevia o meu comentário, foi exatamente o que a Líliam disse acima: grande parte dos que se consideram calvinistas (aqueles que de fato são calvinistas em sua confissão de fé, e portanto, são conservadores), não veem no Genizah e outros blogs semelhantes a sua fé ali sendo defendida (o que é uma grande ironia, pois o Genizah e outros blogs semelhantes se autodenominam apologéticos!!). De fato, para a maioria dos calvinistas estes blogs nada lhes dizem respeito, de modo que, para o calvinista que pensa, age e crê com coerência, e para o pensamento calvinista de forma geral, estes blogs são completamente irrelevantes, não acrescentam nada.

Os blogs e sites que de fato agitam e acrescentam conteúdo no calvinismo brasileiro são os citados pela Lílian: O tempora! O mores!, Norma Braga, voltemos ao evangelho, ipródigo, monergismo. Acrescentaria a esta lista: 5Solas, site da editora Fiel, Josemar Bessa, Wilson Porte Jr, o site da Escola Teológica Charles Spurgeon, entre outros. De fato, Yago Martins, um dos editores do Blog “Voltemos ao Evangelho”, escreveu um artigo no qual ele desmascara o liberalismo teológico de Caio Fábio. (http://yagomartins.com/2013/09/nao-caio-fabio-jesus-nao-e-sua-chave-hermeneutica/). Abraços.

Julio Severo disse...

João, o calvinista John MacArthur trata TODOS os pentecostais como heréticos, e ele jamais publicaria artigo de um pentecostal. Eu nunca trato todos os calvinistas da mesma forma. Note que já publiquei vários artigos calvinistas. Confira estes:

Teólogo calvinista Vincent Cheung refuta incredulidade de teólogos calvinistas que ensinam que dons sobrenaturais cessaram 2000 anos atrás

Entrevista com um calvinista cessacionista: Mark Driscoll explica como o entrevistado é mundano e deísta

Sobre os blogs que você mencionou como referência, note que um deles é muito ligado ao Mackenzie. Recentemente, houve um importante evento esquerdista no Mackenzie. Adivinhe quem foi o principal propagandista do evento? É só conferir aqui:

Esquerdismo no Mackenzie — do jeito que o Genizah gosta!