Especialistas Chamam de Sem Base a “Necessidade Não Atendida” para o Planejamento Familiar
Dra. Susan Yoshihara
NOVA
IORQUE, EUA, 27 de julho (C-FAM) Ao mesmo tempo em que os governos se comprometeram a dar bilhões de dólares para promover a contracepção em países
pobres com base na ideia de uma “necessidade não atendida” de planejamento
familiar, um grupo de elite de especialistas repudiou o termo como uma medida
medíocre de eficácia de assistência de desenvolvimento.
“Os
números usuais anunciados e debatidos sem base de estimativas de ‘necessidade
não atendida’ não correspondem a nenhuma definição de ‘necessidade não
atendida’ com que qualquer economista (ou apenas o bom senso) consiga
concordar. Eles são uma invenção ideológica que vem sendo usada com êxito na
agenda política geral para promover o planejamento familiar”, comentou Lant
Pritchett, economista de Harvard.
Os
comentários eram parte de um debate online organizado por Berk Ozler,
economista sênior do Banco Mundial. Ozler comentou que pesquisas recentes
validam os acadêmicos que argumentam que os programas de planejamento familiar
têm pouco efeito nos índices de fertilidade. Ele citou um estudo recente da
Zâmbia que mostra que os casais em sociedades tradicionais não usam a
contracepção mesmo quando recebem cupons porque já estão planejando suas
famílias por outros meios.
“Uma
necessidade onde ninguém está pedindo nada pode fazer sentido para o ativismo
político, mas não para programas ou políticas públicas”, disse Dominic Montagu,
epidemiologista da Universidade da Califórnia em São Francisco. Ele apoiou a
ideia de Ozler de abandonar o conceito de “necessidade não atendida” e
substitui-la por um indicador com base científica tal como o real pedido da
consumidora.
Pritchett
frisou o fato de que “necessidade não atendida” é composta “predominantemente”
de mulheres que não querem usar a contracepção devido a razões de religião ou
saúde, ou porque elas já passaram da idade de ter filhos ou são celibatas. “O
fato de que o movimento [de controle populacional] tem sistematicamente
atribuído ‘necessidade’ de contracepção para mulheres que têm articulado razões
por que não querem revela a abordagem paternalista inerente nos programas de
planejamento familiar impelidos por questões demográficas — nós os promotores
da explosão populacional podemos sobrepujar o que vocês querem com o que vocês
precisam”, disse ele.
John
Bongaarts, vice-presidente do Conselho Populacional, contestou Pritchett
citando um estudo de 1977 de Matlab, Bangladesh, para argumentar que os
programas de planejamento familiar com base na contracepção podem reduzir a
fertilidade em sociedades tradicionais. Mas um dos pesquisadores que
trabalharam no estudo de Matlab, Shareen Joshi, disse que concordava com
Pritchett que “necessidade não atendida” não deveria ser usada como
justificativa para programas de planejamento familiar, pois não corresponde ao
que qualquer economista chamaria de pedido do cliente.
David
Bishai, professor de saúde pública na Universidade Johns Hopkins, acrescentou
que “John Bongaarts incorretamente atribui todos os efeitos do tratamento nos
bens domésticos ao planejamento familiar — o tratamento de Matlab incluía uma
ampla variedade de serviços de saúde materno-infantil além de planejamento
familiar”.
Bishai
disse que usar “necessidade não atendida” como indicador para o investimento de
desenvolvimento é apenas “levemente melhor do que jogar dinheiro aleatoriamente
em metas de saúde reprodutiva”. “Um ponto de redução de necessidade não
atendida é digno de 0,02 de redução de ITF [índice total de fertilidade], não
levando consideração nenhuma outra variável que confundiria um relacionamento”,
um efeito muito pequeno, disse ele. Em seus comentários, Bishai argumentou que
não faz sentido econômico que a USAID tenha gasto 649 milhões de dólares em
planejamento familiar em 50 países em 2010, mas ignorou os outros fatores que
afetam a fertilidade, tais como os desejos dos cônjuges e filhos.
“Finitos
recursos dos doadores forçam a pergunta do retorno do investimento no
planejamento familiar [como ocorre] em todos os outros lugares”, continuou
Bishai. “Não deveriam evitar essa questão por hipocrisia ou ideologia cega. Há
um importante papel de administração para todos os gastos em prol dos pobres…
Os pesquisadores podem fazer muito mais [do que “necessidade não atendida”]
para guiar as políticas públicas, mas ainda não o fizemos”.
Tradução:
www.juliosevero.com
Fonte:
Friday
Fax




Um comentário:
Olá Júlio,
Esta notícia é um tanto intrincada, mas, deixa eu ver se entendi:
É interessante como tratam um assunto de formação de família como detalhe mercadológico. Diminuir famílias, ou evitar que elas se formem, parece ser a nova estratégia dos grupos anti-família.
Não oferecer Segurança, Saúde e Educação pública e gratuita é minar as bases da família, pois sem segurança a que nossos filhos estarão sujeitos? Sem saúde, qual é a família que se mantém estável? Sem Educação sadia, qual é a sociedade que pode se manter unida mesmo em família?
Tem um país - descubra qual - aqui na América Latina, que já acontece coisa semelhante. A Saúde, Segurança e Educação pública estão aos frangalhos, as família pobres estão se desestruturando e algumas ricas só pensam no lucro. E, enquanto isso, o governo distribui camisinhas em carnavais e passeatas de libertinagem.
Fique com Deus.
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