27 de maio de 2012

Sem educação formal, irmãos ganham prêmios


Sem educação formal, irmãos ganham prêmios

Fora de escola desde 2006, os jovens estudam em casa apenas os temas que lhes interessam e não pensam em cursar faculdade

Ocimara Balmant e Fernanda Bassette, de O Estado de S. Paulo
Davi e Jônatas estão com as malas prontas para a primeira viagem ao exterior: vão para a Califórnia em agosto. Ganharam as passagens e a estadia para a Campus Party americana após vencerem um concurso na edição brasileira do evento.
Por aqui, eles concorreram com mais de 7 mil "nerds", egressos dos cursos de Engenharia e Ciência da Computação. O currículo dos campeões, no entanto, é bem mais modesto. Eles abandonaram a escola antes de concluir o ensino fundamental.
Os dois foram educados pelos próprios pais, em casa. "Se eu estivesse no colégio, estaria entrando na universidade. Em casa, foquei apenas no que gosto. Não perdi tempo nas disciplinas que não me interessam", diz Davi, de 19 anos. Jônatas, um ano mais novo, alfineta: "Mesmo porque o melhor é ter uma boa ideia. Depois, se for preciso, coloco um engenheiro para programar".
A cada afirmação, os dois olham de soslaio para o pai, sentado no sofá ao lado e se segurando para ele mesmo não responder a todas as perguntas. A cada prêmio dos filhos - só nos primeiros quatro meses deste ano eles já ganharam cerca de R$ 30 mil em concursos - Cléber Nunes se convence ainda mais da decisão tomada no fim de 2005, quando Jônatas e Davi terminaram a 5.ª e a 6.ª série.
"Mas, mesmo com todos esses prêmios, ainda dizem que neguei educação para os meninos", diz o pai, referindo-se ao crime de abandono intelectual pelo qual ele e a mulher, Bernadeth Nunes, foram condenados em 2010. Também teriam de pagar uma multa, estimada hoje em R$ 9 mil, pela condenação em um processo na área cível por descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Não quitamos porque temos certeza de que nossos filhos receberam instrução adequada", afirma a mãe.
Quem a vê tão convicta nem imagina que ela era terminantemente contra a decisão do marido. Tanto que, na primeira tentativa de Cleber, no fim de 2004, Bernadeth vetou a ideia. Para convencer a mulher, ele foi aos Estados Unidos, conheceu famílias que praticavam o ensino domiciliar e trouxe uma mala cheia de material sobre o tema.
Começava aí seu processo de "doutrinação" que só tem ganhado adeptos. A mais nova convertida é a pequena Ana, a caçula da família. Aos 5 anos, ela já sabe ler e escrever, é fluente em inglês e, apesar de nunca ter frequentado uma escola, tem uma opinião formada sobre o que se aprende na instituição: "Nada".
Informal. A sala de aula da menina é um cantinho do escritório coletivo que fica no térreo do sobrado em que a família vive, no município mineiro de Vargem Grande. No espaço, as bonecas ficam junto dos livrinhos de tecido costurados por Bernadeth.
Enquanto a mãe ensina a menina a ver as horas, Jônatas desenvolve um software para informatizar as mercearias do município, e Davi é capaz de se esquecer de comer só para programar os códigos que darão origem a um programa capaz de ajudar os candidatos a vereador e a prefeito a mapear redutos eleitorais e traçar estratégias de comunicação.
Creditam todo o aprendizado à técnica implementada pelo pai, autodidata que saiu da escola no 1.º ano do ensino médio.
Assim que os tirou da colégio, Cléber os ensinou lógica, argumentação e aritmética, base a partir da qual eles poderiam estudar o que lhes conviessem. Davi e Jônatas decidiram ignorar disciplinas como química, biologia e geografia. "Por que eu deveria saber o que são rochas magmáticas?", questiona Jônatas.
Das disciplinas oficiais, ficou somente o inglês. Para estimular a fluência, Cléber comprava cursos de informática em inglês e pedia que os filhos legendassem documentários.
Atualmente, cada um faz seu currículo e seu horário. Mas nunca são menos de seis horas diárias, seis dias por semana. Jônatas, webdesigner, dispersa fácil, tanto que decidiu sair do Facebook para não perder tempo. Davi, programador, é mais centrado, cumpre à risca a grade horária colada no mural do seu quarto, ao lado de onde se vê um versículo bíblico em hebraico, idioma que ele aprendeu sozinho com o intuito de compreender melhor textos do livro sagrado.
Motivação. A retirada dos filhos da escola coincidiu com a decisão da família por uma vida mais simples e de retorno a padrões morais descritos na Bíblia.
Cléber abriu mão de sua empresa de produtos de aço inoxidável, como troféus e placas de honra, para fabricar as peças no quintal de casa. Bernadeth, que era decoradora e cursava Arquitetura, abandonou o curso e, desde então, dedica-se a cuidar da casa e a alfabetizar a filha.
Por fim, trocaram a cidade de Timóteo, com 80 mil habitantes, pela pequena Vargem Alegre, de apenas 7 mil moradores e quase nenhuma opção de lazer. "O pai nos comunicou sobre a mudança. No começo, estranhamos, mas agora já me acostumei com o passeio na pracinha da igreja", diz Davi.
Vez ou outra, jogam futebol com os vizinhos e viajam a Timóteo para encontrar os primos e os ex-amigos de escola. No dia a dia, e sem TV em casa, os cinco estudam, trabalham, fazem as refeições e divertem-se assistindo a vídeos do Youtube. Mas não cansa ficar tanto tempo juntos? Pelo jeito, não. Como acompanhantes da viagem à Califórnia, os meninos não hesitaram: vão levar o pai e a mãe.
Divulgação: www.juliosevero.com

6 comentários :

Fabiano disse...

Que bacana essa história.
Além de darem o estudo necessário a que os filhos precisam, ainda uniu mais esta família abençoada.
Eu tô pensando seriamente em fazer isto.
Lógico que não será eu o educador, afinal de contas, nem o português correto eu sei. Mas a minha esposa é muito bem instruída... Sem contar que temos uma senhora que dá aula em casa a nossa filha, 4 hs por dia.
O grande atrapalho vai ser me livrar das garras afiadas do governo. Mas na verdade, pelo bem do futuro da minha cria, prefiro pagar uma multa e me livrar de vez dessa gente.
Em casa eu tenho certeza que ela não terá aula de homossexualismo, da ciência frajuta dizendo que eu vim de uma ameba, me transformei em macaco e bla bla bla.
Além de que não vai ser influenciada por "coleguinhas emo", tomados pela pomba gira...
A partir do ano que vem já vou estudar seriamente esta possibilidade!
Parabéns a esta família, em especial ao pai, que teve persistência, coragem e fé.

Anônimo disse...

Júlio, parabéns pela sua batalha incansável em defesa da educação escolar em casa. Continue firme.

Quero registrar que no site da Associação Nacional de Educação Domiciliar estão informando uma notícia importante: na próxima terça-feira dia 29 será lançada a Frente Parlamentar pela Educação Domiciliar, no auditório Freitas Nobre, Anexo IV da Câmara dos Deputados (ver aqui http://eddomiciliar.blogspot.com.br/2012/05/ecom-grande-alegria-que-informo-que.html). Essa frente já conta, pelo menos no papel, com 190 assinaturas. É importante que pessoas que apoiam a Educação Domiciliar e tenham condições de se mobilizar para apoiar essa iniciativa façam isso o quanto antes.

É uma notícia que merece ser repercutida. Os maiores expoentes de sucesso do homeschooling no Brasil, a família Nunes, não sei se vai estar lá em Brasília para apoiar a iniciativa. Se não estiverem, seria interessante que gravassem um depoimento ou mesmo participassem numa teleconferência quando da realização, embora a data já esteja muito próxima. Você poderia usar seus contatos em Brasília para que essa idéia pudesse ser colocada em prática.

Fique na paz.

Luiz Oliveira

PRESBÍTERO VALDOMIRO disse...

Já me disseram que "casa de pai é escola de filho". Independente de quem seja o autor desta frase, não existe verdade maior do que esta.

Outro ditado certo é este: "O homem nada mais é senão o que a educação faz dele". Embora a escola tente, como se diz por aí, ser a continuação da família, a verdade é que a escola JAMAIS conseguirá substituir integralmente a família em termos de ensinar bons princípios. É a família quem dá a verdadeira educação à pessoa desde cedo.

Foi justamente por isso que um antigo sábio disse: "O mundo será o que forem as suas famílias". Nada mais justo. Afinal, é através delas que o destino do mundo é decidido.

Mas a verdadeira educação só é obtida através da Bíblia. É ela quem forma o verdadeiro homem. A própria Bíblia ensina a todos:

"O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência" (Provérbios 9:10)

"Ensina à criança o caminho no qual ela deve andar; e quando envelhecer, ela não se desviará dele" (Provérbios 22:6)

Parabéns à família Nunes por não concordar com a interferência do Estado na educação familiar.

Anônimo disse...

Falar o que?
Contra fatos não argumentos parabéns mais uma vez a família Timóteo pela coragem de mudar e educar seus filhos metódo em casa.
Ester!!!!!!!

ÉLQUISSON disse...

Infelizmente, o nosso sistema educacional, já corrompido pelo mal (e por valores esquerdistas, marxistas, comunistas e socialistas), nos impõe valores totalmente contrários aos que aprendemos na nossa família. Em outras palavras: a escola tem uma grande parcela de culpa nesse sentido. Somos ensinados a valorizar mais o "ter" do que o "ser", a cultivar o individualismo, enfim, a ser egoístas. Tanto é que o apóstolo Paulo dá o diagnóstico preciso dessa decadência moral que vivemos nos dias de hoje:

"Nos últimos dias, haverá tempos críticos, difíceis de suportar; porque os homens serão amantes de si mesmos, egoístas, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desleais, caluniadores, ferozes, falsos, sem afeição natural, antes amantes dos prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma piedosa de devoção, negando-lhe, porém, o poder" (2 Timóteo 3:1–5).

Eu pergunto: o que está acontecendo com a geração atual não é a confirmação destas palavras do apóstolo Paulo?

Faço das palavras do presbítero Valdomiro as minhas: é a família quem dá a verdadeira educação à pessoa desde cedo. E digo mais: NENHUMA ESCOLA OU UNIVERSIDADE, POR MELHOR QUE SEJA, JAMAIS VAI SUBSTITUIR A FAMÍLIA EM TERMOS DE FORMAÇÃO MORAL!

Que todos nós possamos lutar para educarmos os nossos filhos dentro dos nossos lares (para que eles sejam futuros bons cidadãos)!

Parabéns à família Nunes pela coragem de educar seus filhos em casa!

Lino disse...

O termo correto é abandono ideológico (ao invés de abandono intelectual). Mas o governo deturpa tudo justamente para confundir a mente dos cristãos (e das pessoas que não têm um senso crítico apurado).

Como o Élquisson disse com muita sabedoria no comentário dele, o nosso sistema educacional infelizmente já é totalmente contaminado por filosofias socialistas, esquerdistas, comunistas e marxistas. Tanto é verdade que, da escola primária à universidade, todos são educados (e obrigados) a aceitar a ideologia socialista. Em outras palavras: tudo é programado para que todos, desde a infância, aceitem o "politicamente correto" do esquerdismo-socialismo sem questionar!

Eu falo por experiência própria. Quando eu era criança, lembro que alguns dos meus professores eram simpatizantes de Marx, Lênin, Stálin, Fidel Castro, Che Guevara (e outros socialistas). E alguns desses mesmos professores ajudaram a fundar partidos políticos tipicamente esquerdistas e socialistas: PC do B, PT, PCO, PSOL, PSTU (e outros semelhantes).

Comunismo, socialismo, marxismo, esquerdismo, enfim, todos estes "ismos" foram inventados pelo diabo. Isso sem contar que o socialismo foi responsável por mais de 100 milhões de mortes.

Não podemos mais esperar: ou eliminamos do nosso sistema educacional esta praga chamada socialismo, ou seremos destruídos por ele.

Parabéns à família Nunes por zelar pela integridade moral de seus filhos num mundo cheio de maldade!