2 de fevereiro de 2012

Quem encarregou os EUA de refazer o mundo?

Quem encarregou os EUA de refazer o mundo?

Pat Buchanan condena a ideia dos EUA de “intimidar todas as nações do mundo para que adotem o jeito americano”

Pat Buchanan
O embaixador americano Michael McFaul, homem de Obama em Moscou, que acabou de assumir o cargo, ganhou uma grosseira recepção. E não é de se espantar.
Em 1992, McFaul era representante na Rússia do Instituto Nacional Democrático, uma agência financiada pelo governo americano cuja missão é promover a democracia no exterior.
O instituto esteve envolvido em revoluções coloridas ou laranjas como as que derrubaram regimes na Sérvia, Ucrânia, Quirguistão, Geórgia e Líbano. O projeto fracassou na Bielorrússia.
O instituto é uma de várias agências, datando da década de 80, que foram estabelecidas para derrubar regimes comunistas. Com o fim da Guerra Fria, no entanto, essas agências foram desativadas, mas depois foram reativadas para servir como uma espécie de Comintern americano.
Enquanto que o Comintern de Lênin buscou instigar revoluções comunistas pelo ocidente e seus impérios, os Estados Unidos do pós-Guerra Fria decidiram promover revoluções democráticas para refazer o mundo à imagem dos EUA do século XX.
Em 2002, McFoul escreveu o livro: Russia’s Unfinished Revolution (A Revoluão Inacabada da Rússia).
Os homens de Vladimir Putin não estão sem razão ao perguntar se ele foi enviado a Moscou para terminar essa revolução. Putin já acusou Hillary Clinton de ter mandado o sinal para o começo das manifestações de rua contra as eleições de dezembro na Rússia.
Também não é surpresa que o grupo de Putin esteja desconfiado de McFaul, que piorou ainda mais a sua situação ao se encontrar com dissidentes anti-Putin um dia após ter apresentado suas credenciais. 
McFaul alega que isso é parte do seu “compromisso multilateral” com a sociedade russa. Antes de ir para Moscou, ele disse ao programa de rádio “Morning Edition” da estação NPR: “Não vamos nos meter na questão de ditar um caminho (da Rússia para a democracia). ... Vamos apenas apoiar o que chamamos de ‘valores universais’: não valores americanos, valores ocidentais, mas valores universais”.
Mas o que, exatamente, são “valores universais”?
E quem somos nós para impormos isso a outras nações? Será que Deus nos encarregou dessa missão? Quem nós, americanos, pensamos que somos?
Afinal, nós nem mesmo estamos de acordo sobre o que é moral ou imoral, bom ou ruim. Aliás, nossas profundas discordâncias a respeito do que é moral e o que não é são a raiz das guerras culturais que estão destruindo os EUA.
Nos EUA, as mulheres possuem o direito constitucional ao aborto. Milhões de mulheres usufruíram desse direito desde a decisão da Suprema Corte de 1973, que legalizou o aborto (caso Roe v. Wade). Ainda assim, tradicionalistas de muitas fés (católicos, protestantes, muçulmanos, ortodoxos e judeus) rejeitam a ideia de que isso seja um direito, e o enxergam como uma abominação.
Os homossexuais possuem o direito de coabitar, formar uniões civis e se casarem?
Em alguns estados americanos, sim; em outros, não. Mas tente impor esses valores em nações do mundo islâmico e do terceiro mundo, onde o homossexualismo é considerado um escândalo moral ou mesmo crime capital, e nossos embaixadores estarão sob ameaça física.
Será que McFaul acredita que a democracia é um sistema de governo universalmente superior? No entanto, os fundadores dos EUA detestavam a democracia de um homem, um voto. A democracia não é nem mencionada na Constituição, na Declaração de Direitos ou em “O Federalista”.
O autor da Declaração da Independência, Thomas Jefferson, acreditava que a sociedade deveria ser governada por uma “aristocracia natural” de “virtude e talento”.
Se a promoção da democracia é uma das missões dos nossos diplomatas, vamos ter que derrubar as monarquias do Marrocos, da Jordânia, do Barein e da Arábia Saudita?
Quando observamos a maneira como a democracia colocou no poder a Irmandade Islâmica e os salafistas no Egito, o Hamas em Gaza e o Hezbollah no Líbano, será que faz sentido insistir que ela seja abraçada por nações onde as populações são comodamente antiamericanas?
Qual é a posição universalmente certa sobre a pena capital? A posição conservadora de Rick Perry no Texas ou a posição esquerdista de Andrew Cuomo em Nova Iorque?
Nos Estados Unidos, todas as religiões (santeria, wicca, islã, cristianismo) devem ser tratadas igualmente, e todas devem ser mantidas fora das praças e escolas públicas. No mundo islâmico, que engloba um quinto da humanidade, o islã é a única verdadeira fé. As religiões rivais possuem poucos ou nenhum direito.
Iremos forçar o mundo islâmico a tratar todas as religiões de modo igual?
Nós valorizamos a diversidade religiosa, racial e étnica. Os chineses, que perseguem uigures, tibetanos, cristãos e praticantes de Falun Dafa, detestam essa diversidade e temem que ela destrua o seu país.
Nós acreditamos na liberdade de expressão e de imprensa.
Na França, no entanto, se você negar que os turcos cometeram genocídio contra os armênios em 1915, você é culpado de um crime, enquanto que na Turquia, se você afirmar que os turcos cometeram genocídio, você terá cometido um crime. Devem os diplomatas americanos lutar pela revogação de ambas as leis? Ou será que devemos cuidar da nossa própria vida?
Se os EUA desejam guiar o mundo, que o façamos pelo exemplo, como já fizemos no passado, e não intimidando todas as nações do planeta a adotar o jeito americano, que agora parece não estar funcionando nem mesmo para os americanos. 
McFaul deve se ater aos seus afazeres diplomáticos.
Jefferson disse bem, “Não pretendemos nos intrometer nos assuntos internos de qualquer país”.
Trazido por Luis Gustavo Gentil do artigo original de WND: “Who commissioned us to remake the world?
Fonte em português: www.juliosevero.com

6 comentários :

aldo cesar 100% heterossexual disse...

quem disse que os EUA, tem capacidade de reforma o mundo. o mundo não esta precisando de reforma, as pessoas sim é que estão precisando de uma reforma as seu princípios morais.
os civis norte americanos podem até ser pessoas do bem,mais o governo dos EUA,é um governo satânico, mau intencionado para os outros países,esse governo norte americano de meta, precisa saber que todos os países tem sua própria soberania e não precisa de sua ajuda mau intencionada. sou 100% contra o governo dos EUA.quem não sabe o que eles fizeram com o Iraque??, quem não sabe o que eles fizeram na segunda guerra mundial?? esse governo norte americano é um governo egocêntrico. e unicista....

PRESBÍTERO VALDOMIRO disse...

Não sei se a minha opinião vai ser muito pertinente em relação ao assunto deste artigo, mas eu vou dizer exatamente o que eu penso.

Religiosamente falando, a verdade é que os Estados Unidos era, até alguns anos atrás, considerado o país mais protestante do mundo. E muita gente dizia que era o país mais cristão do mundo. Só que, atualmente, não aparenta ser nada disso (pelo menos é assim que eu vejo).

Estive conversando com uma professora americana que esteve há alguns meses aqui em Recife (onde eu moro). Quando eu perguntei a ela como ela via os Estados Unidos no sentido moral e espiritual, ela me disse precisamente o seguinte:

"O nosso país (Estados Unidos) tinha tudo para ser um país abençoado (e até para servir de referência cristã para o mundo). No começo, éramos muito tementes a Deus. O problema é que, com o passar do anos, o desenvolvimento científico e o progresso material e financeiro subiu à cabeça de alguns dos nossos governantes, e, com isso, eles já passaram a não se importar mais com a obediência à Palavra de Deus".

E ela ainda me disse mais algumas coisas assustadoras:

"Em muitas cidades, há locais onde se pratica a bruxaria, existem pessoas que fazem parte de movimentos (como a Nova Era), há as que estão metidas em seitas satânicas (sem contar que a Igreja de Satã está situada na Califórnia), o homossexualismo está aumentando a cada dia, temos casos de pregadores evangélicos envolvidos em escândalos, enfim, o nosso país está se destruindo. Que esperança podemos ter, ou melhor, qual será o futuro da nação americana se tal estado de coisas continuar?"

Eu não queria ser muito direto, mas eu disse a ela o seguinte:

"Quando uma nação despreza a obediência à Palavra de Deus e passa a confiar somente na sua própria sabedoria, essa mesma nação fica entregue à própria sorte (como um barco à deriva num mar revolto, prestes a afundar). Os verdadeiros cristãos precisam voltar à obediência à Palavra de Deus para recolocar a nação no caminho certo".

Não sei se esta minha resposta foi 100% satisfatória, mas ela aprovou. E eu até citei o Salmo 33:

"Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor" (Salmo 33:12)

Ela agradeceu a minha resposta e disse que iria divulgar o nosso diálogo num encontro evangélico.

Tem horas que eu fico pensando aqui comigo: será que aqui no Brasil não estaria acontecendo a mesma coisa? Se alguém daqui estivesse dialogando com essa americana, quem poderia dar uma avaliação exata dos Estados Unidos, ou melhor, qual seria o diagnóstico dos americanos no sentido moral e espiritual?

E outra: o que o Brasil precisa fazer para se tornar uma nação espiritualmente abençoada (como os Estados Unidos foi no princípio)?

Espero uma resposta sensata de alguém na primeira oportunidade.

P.S: Se alguém quiser se manifestar, esteja à vontade

Anônimo disse...

Se eu fosse o Obama era melhor ele dormir sem essa até quem trabalha com o mesmo está contra as coisas erradas está fazendo no seu governo. Ester!!!!!

Henrique disse...

O presbítero Valdomiro disse uma coisa que me chamou a atenção:

"Quando uma nação despreza a obediência à Palavra de Deus e passa a confiar somente na sua própria sabedoria, ela fica entregue à própria sorte (como um barco à deriva num mar revolto, prestes a afundar)..."

Talvez muitos não saibam, mas há um episódio bíblico que confirma estas palavras do presbítero Valdomiro. Vejamos:

Joaquim tinha subido ao trono de Judá aos 8 anos de idade (2 Crônicas 36:9). O momento da nação era crítico. A ameaça dos caldeus era um perigo iminente. Era preciso que um rei se pusesse ao lado de Deus para reestabelecer a segurança do povo judeu. Nem mesmo todos os exércitos estrangeiros poderiam subjugar (ou destruir) uma nação que tivesse Deus a seu favor.

Muito dependia de Joaquim. Daria ele o bom exemplo? Romperia ele com a idolatria pagã que asfixava espiritualmente a nação? Não, infelizmente não. Dele é dito que "fez o que era mau os olhos do Senhor" (2 Crônicas 36:9). O apego ao pecado era demasiadamente forte em sua vida. Ao invés de entrar pela porta estreita, preferiu o atalho largo da perdição (Mateus 7:13-14). Este mesmo atalho foi atraente no início, mas resultou em desastre 3 meses depois, quando Jerusalém e Judá caíram nas mãos de Nabucodonosor, e Joaquim e sua família foram levados para o exílio (Jeremias 22:24-30; 24:1). Joaquim só foi libertado do cativeiro 37 anos mais tarde, já no tempo de Evil-Merodaque, o novo rei da Babilônia (Jeremias 52:31).

Se Joaquim e o reino de Judá tivessem sido fiéis a Deus desde o princípio, essa mesma história certamente teria outro final!

Não duvido nada de que a mesma coisa pode acontecer não só com os Estados Unidos, como também com os países que rejeitam a Palavra de Deus!

Será que alguém ainda tem alguma dúvida disso?

Anônimo disse...

Perdão se irei ofender o PRESBÍTERO VALDOMIRO mais o EUA sempre foi um país que "colocava" seus valores aos seus vizinhos americanos e travou verdadeiras guerras em alguns casos (Vietinã, Iraque, Cuba após a revolução) mas so agora que vejo a população cristã se manisfestar agora que os EUA está fazendo mudanças devido a postura ideologicas do seu presidente.
Sinceramente não é de hoje que vejo a postura anti-cristã por assim dizer deles mas os cristões só agora se manisfestam por terem perdido seu maior aliado perdeream sua base mundial.
Para mostra um pouco disso só prescisamos rever a historia a mericana com a KKK ou o rock dos anos 60 e 70 e veremos um país que muda de postura rapido e acho que isso de vender imagem e coisa muito velha que começou com a economia e agora que atingiu a moral da população como seria de esperar por uqe até os professores de ensino fundamental sabem que o imperialismo levaria a uma forma de consumismo sem regras e sem Deus vocês foram fracos e não conseguiram impidir enquanto e tempo e agora verão seus filhos serem engulidos asos poucos pelo capitalismo selvagem e porfavor não falem que não foram avisados que fazem mais de 70 anos que a crise de 29 provou que fariam qualquer coisa para manter o controle da economia seja quais os meios nessessarios. PS:meu nome e João Miguel

Leandro Matias Deon disse...

Quando os Estados Unidos lançam o tablet ou o IPhone, são uma nação moderna, científica, a mais democracia mais avançada do planeta.

Mas quando lançam alguma política dirigida contra outro país, aí são uma nação evangélica...

Vai entender.

(Pat Buchanan representa um ponto de vista minoritário, isolacionista, que utiliza um ponto de vista extremamente relativista para defender a menor ingerência dos Estados Unidos no resto do mundo. Essa não é uma questão de democracia mundial, e sim de soberania)