20 de fevereiro de 2012

Derrubem Assad e vamos dar boas vindas à Irmandade Islâmica

Derrubem Assad e vamos dar boas vindas à Irmandade Islâmica

Pat Buchanan vê o episódio da Líbia se repetir na Síria se a “Festa da Guerra” dos EUA se meter

Pat Buchanan
A Festa da Guerra dos EUA foi temporariamente desviada do seu clamor por guerra ao Irã pela insurreição contra o regime sírio de Bashar al-Assad.
Estimativas dos mortos desde que a revolta síria começou, há um ano, beiram os 6.000. E a responsabilidade pela carnificina está sendo jogada nas costas de Bashar, que sucedeu seu pai Hafez al-Assad na presidência, onde ficou de 1971 até sua morte em 2000.
Diferente do Egito de Hosni Mubarak, que cedeu, renunciou e fugiu após três semanas de protestos, Bashar não está quieto.
E, como era de se prever, com o número de mortos aumentando, aqueles defensores da revolução democrática mundial (John McCain, Joe Lieberman e Lindsey Graham) já começaram a tocar os tambores para que os EUA deem uma ajuda ao “Exército de Libertação Sírio”.
Na semana passada, os três senadores declararam juntos:
“Na Líbia, a ameaça de iminentes atrocidades em Benghazi mobilizaram o mundo a agir. Tais atrocidades agora são realidade em Homs e em outras cidades em todo o país… Devemos considerar… fornecer aos grupos de oposição dentro da Síria, tanto política quanto militar, melhores meios de… se defenderem, e de revidarem contra as forças de Assad”.
“O fim do regime de Assad seria… uma vitória moral e humanitária para o povo sírio” e “uma derrota estratégica do regime iraniano”.
Danielle Pletka, do think tank neoconservador American Enterprise Institute, também insiste no ponto de vista do Irã.
“A Síria é um ponto fraco do Irã, o aliado mais importante de Teerã, canal de armas e dinheiro para terroristas… Uma confluência do propósito moral e do interesse estratégico dos EUA sugerem uma intervenção na Síria… É hora de começar a armar o Exército de Libertação Sírio”.
Quais são os argumentos contra a intervenção americana?
Primeiro, não existe um interesse vital dos EUA quanto a quem governa a Síria. Se conseguimos viver com Hafez al-Assad por décadas (Bush pai o recrutou como um aliado na Guerra do Golfo) e com seu filho por doze anos, que ameaça poderia o governo de Bashar impor aos EUA?
Resposta: nenhuma.
Segundo, enquanto McCain e companhia insistem em que “o derramamento de sangue precisa parar, e não podemos descartar uma opção que pode salvar vidas”, armar os rebeldes pode causar um aumento exponencial de mortos e feridos.
Caso os EUA decidam começar a fornecer armas aos rebeldes, Assad irá se dar conta de que, assim como Moammar Gadhafi, está em uma luta até a morte.
Em 1982, seu pai, para conter uma rebelião concentrada na cidade de Hama, juntou sua artilharia e atacou a cidade, matando um número estimado de 20.000 pessoas. Isso é o que estamos arriscando ter se começarmos a armar os rebeldes.
A Síria não é a Líbia. O arsenal de mísseis, tanques, aviões e armas de Assad é muito superior. Ele possui um exército de 270.000 homens e milhares de policiais.
E com uma pequena facção xiita alauita dominante na Síria, sendo a rebelião baseada em uma maioria sunita, Assad e seus apoiadores sabem que se eles forem derrubados, serão executados.
“Os cristãos deverão fugir para o Líbano, e os aliados de Assad deverão ser fuzilados” foi um dos primeiros slogans da resistência.
E após vermos as atrocidades dispensadas aos cristãos no Iraque com a queda de Saddam e aos coptas com a queda de Mubarak, será que queremos derrubar outro ditador secular, apenas para dar poder a outro regime de fundamentalistas islâmicos?
Na Líbia, os britânicos e franceses foram à frente. Mas esses aliados da OTAN não querem participação na guerra civil síria.
Na Líbia, um terço do país era território rebelde. Com uma única estrada litorânea levando ao posto de comando de Gadhafi entre Tripoli e Benghazi, os aviões da OTAN podiam facilmente interceptar comboios tentando chegar à base rebelde.
Na síria, os rebeldes não possuem território “livre”.
O Conselho de Segurança da ONU autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia. Mas a Rússia, irada com o que a OTAN fez na Líbia, está pronta para vetar essa medida para a Síria. Ajuda das forças armadas americanas aos rebeldes poderia fazer com que a Rússia desse ajuda militar ao governo de Damasco, que é seu cliente.
A intervenção americana poderia gerar uma guerra por procuração ou uma guerra regional. O Hezbollah, aliado de Assad, já está enfrentando rebeldes sírios no Líbano. Os sunitas na província iraquiana de Anbar estão mandando armas para seus companheiros sunitas na Síria.
E se Assad cair, quem irá subir ao poder?
Seria uma triunfante Irmandade Islâmica em Damasco capaz de manter a paz nas Colinas de Golã, como fizeram os Assads por 40 anos?
De acordo com fontes americanas, a al-Qaeda foi responsável pelos quatros ataques de homens-bombas que mataram vários soldados e autoridades sírias em Damasco e Aleppo. O sucessor de Osama bin Laden, Ayman al-Zawahiri, está convocando sunitas de todos os países vizinhos para se juntarem á guerra contra o regime “pernicioso e cancerígeno” de Assad.
Se a saída de Assad será boa para a al-Qaeda, como pode ser boa para os EUA?
Quanto ao Exército de Libertação Sírio para o qual iria a ajuda americana, ele próprio está dividido, e um dos coronéis de mais alta patente descreveu o Conselho Nacional Sírio, para o qual estava trabalhando, como “traidor”.
Iraque, Afeganistão, Líbia, em nenhum desses países as coisas saíram como os EUA esperavam. E deixando de lado a ideologia neoconservadora, o que nos faz pensar que intervir na Síria vai funcionar?
Traduzido por Luis Gustavo Gentil do artigo original do WND: “Depose Assad, welcome Muslim Brotherhood

Nenhum comentário :