15 de janeiro de 2012

Até tu, cardeal!

Até tu, cardeal!

Francesco Scavolini
Fernando Henrique Cardoso, Marta Suplicy e Raymundo Damasceno são pessoas diferentes umas das outras em função da sua formação cultural, da sua história pessoal e da sua atividade profissional.
Todavia, apesar das diferenças, há um denominador comum entre essas personalidades: a falta de sintonia com o pensamento da imensa maioria do povo brasileiro, em especial do povo cristão e católico, sobre duas questões éticas essenciais: o aborto e a família.
O leitor poderia objetar que não representa uma surpresa o fato de o ateu FHC e a católica herética Marta serem a favor do aborto e do homossexualismo, mas como é possível envolver nisso o cardeal Damasceno?
Alguns episódios recentes poderão esclarecer a dúvida.
Durante a última campanha eleitoral para a escolha do novo presidente da República, a Conferência dos Bispos Católicos do Estado de São Paulo aprovou e divulgou um documento em que condenava aberta e comprovadamente a escolha abortista do PT e de sua candidata Dilma Rousseff.
Os bispos acatavam as claras diretrizes da Santa Sé sobre a necessidade de intervenção também em assuntos políticos, quando estivessem em jogo o aborto e outros direitos fundamentais.
Questionado pela imprensa sobre qual orientação eleitoral daria aos católicos, o cardeal Damasceno, arcebispo de Aparecida, disse que "cada bispo tem autonomia em sua diocese" e que ele não daria orientações, pois a Igreja não deve dar indicações, "a não ser em casos extremos".
Parece, portanto, evidente para o cardeal que salvar uma vida humana inocente e indefesa não representa "um caso extremo".
Além disso, é equivocada a conduta do cardeal sobre o projeto de lei da homofobia, de autoria de Marta Suplicy. Embora, em uma ambígua nota à imprensa, ele tenha negado um acordo com Marta, a própria senadora petista reafirmou na TV que todas as sugestões do cardeal foram acatadas.
Assim poderão ser criminalizadas decisões que, por exemplo, recusem, em escolas, seminários e templos religiosos, o acesso de pessoas cujos comportamentos são vetados pela lei de Deus e pela lei moral.
Isso poderá acontecer, sim, porque, embora o projeto de Marta fale em permitir manifestações de pensamento contrárias ao homossexualismo e outras perversões, o mesmo projeto pune expressamente o ato de recusar ou impedir o acesso aos serviços públicos aos protegidos pelo projeto de lei em questão.
Mas, pela Constituição, os cultos religiosos em geral podem ser considerados serviços públicos, especialmente quando são ministrados em colaboração com o poder público, como é o caso de escolas, hospitais e quarteis do Exército.
A suspeita de que tenha havido, sim, um acordo entre o cardeal e Marta é reforçada pelo próprio comportamento de Damasceno.
Depois de ter recusado o convite do presidente da Comissão de Direitos Humanos para expor no Senado a posição da CNBB sobre a questão da homofobia, ele não hesitou em receber Marta na sede da CNBB, ignorando também o fato de que a Bíblia veta receber aqueles que pregam doutrinas perversas, para não tomar parte em suas obras más (cf. segunda epístola de São João, versículos 10 e 11).
FRANCESCO SCAVOLINI, 56, doutor em jurisprudência pela Universidade de Urbino (Itália), è especialista em direito canônico
Fonte: Folha de S. Paulo de 15 de janeiro de 2012
Divulgação: www.juliosevero.com
Os dois senhores da CNBB

4 comentários :

Leandro Matias Deon disse...

É impossível agradar ao mesmo tempo a Deus e à opinião pública.
(Gal 1.10)

Trindade disse...

Olá Julio;
É a mesma duas caras de sempre, uma aparente e pia e a outra nos bastidores, suja, mórbida e claramente anticristã, essa é a grande babilônia de sempre, mas Deus adverte: Sai dela povo meu. Os católicos em sua maioria são sinceros, mas ninguém pode negar que a vóz do Vaticano no Brasil é a CNBB, se assim não fosse o Papa desautorizaria essa entidade imediatamente de falar em nome da ICR, se não o faz é porque concorda, um bom exemplo é o do Frei Leonardo Boff ele não pode falar em nome da ICR e o que ele fala ela não é a responsavel, mas a CNBB é o órgão ou colegiado das maiores autoridades do catolicismo em nosso pais e portanto a vóz da autoridade para todos os católicos brasileiros.

Filipe Augusto disse...

"mas ninguém pode negar que a vóz do Vaticano no Brasil é a CNBB"

Pode, sim! Voce está com uma visão errada. A CNBB não "representa" o Papa, é uma Conferencia de Bispos (um tipo de "clube", onde eles trocam idéias e tal. Veja aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cnbb

Entretanto, se ela eventualmente deliberar e ensinar algo diferente do que diz o Vaticano -ou a algum dos ensinamentos da Doutrina Católica, os católicos não são obrigados a obedecer.

Mas este é um assunto complexo, não quero entrar em detalhes, até para não criar aqueles "murmúrios" de que a Bíblia nos fala e muito menos mal-entendidos que sabe-se lá onde vão parar e que males vão causar. Era apenas para voce entender que que, sim, a CNBB pode eventualmente falar pelo Vaticano, mas não necessariamente é como uma "filial" dele no Brasil.

Abraço

Marcio disse...

Coloquei no blog da CNBB, Facebook, mas retiram-no:
Que vergonha: o Brasil um país supostamente católicos sendo governado e sobre o mesmo impondo-se leis marxistas e a CNBB não se manifestando contundentemente? E a Teologia da Libertaçao, convidando até o frei Susin para falar à CNBB?
Não contestando em altos brados contra a RCC pentecostalista na tv, não apenas em documentos, mas nas paroquias, assim como os padres próximos às eleições catequizarem nas homilias sobre votarem nos comunistas, como no PT de forma explicita, deixando a opção a cada um, mas esclarecendo em até pecado grave de apostasia a quem se alia a comunistas?
Onde estão as bancadas católicas na Câmara e Senado?
Retiraram-no rapidinho!