12 de outubro de 2011

Nosso Mundo: Os cristãos esquecidos do Oriente

Nosso Mundo: Os cristãos esquecidos do Oriente

Caroline B. Glick (Jerusalem Post)
É difícil imaginar aonde os governos e as igrejas ocidentais pensam que vão chegar fazendo vista grossa à perseguição de cristãos no mundo islâmico.
Na noite de domingo (09/10/2011), cristãos coptas egípcios organizaram o que era para ser uma vigília pacífica em frente à sede da emissora de TV estatal no Cairo. Os mil manifestantes representavam a antiga comunidade cristã de cerca de 8 milhões de pessoas, cuja presença no Egito precede a dominação islâmica em várias séculos. Eles se reuniram no Cairo para protestar contra os recentes incêndios criminosos de duas igrejas por quadrilhas de muçulmanos, e contra a rápida ascensão da violência (com apoio do governo) contra cristãos por grupos muçulmanos desde a renúncia do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, em fevereiro.
De acordo com fontes coptas, os manifestantes foram cercados por agressores islâmicos, que rapidamente ganharam suporte de forças militares. Entre 19 e 40 cristãos coptas foram mortos por soldados e agressores muçulmanos. Foram atropelados por veículos militares, linchados, baleados e arrastados pelas ruas do Cairo.
A emissora estatal relatou apenas que três soldados haviam sido mortos. De acordo com a agência Ahram Online, os soldados atacaram os estúdios da emissora de TV al-Hurra na noite de domingo para bloquear a transmissão de informações sobre o ataque militar contra os cristãos coptas.
Ao que parece, a tentativa de controle de informações sobre o que aconteceu funcionou. As notícias na segunda-feira sobre a violência deram poucos sinais da identidade dos mortos ou feridos. É certo que não contaram a história do que realmente aconteceu domingo à noite no Cairo.
Em outro evento, o patriarca católico maronita do Líbano, Bechara Rai, gerou polêmica há duas semanas. Durante uma visita oficial a Paris, Rai alertou o presidente francês Niolas Sarkozy que a queda do regime de Assad na Síria seria um desastre para os cristãos da Síria e de regiões próximas. Hoje a oposição, que tem apoio do Ocidente, é dominada pela Irmandade Islâmica. Rai alertou que a exoneração do presidente Bashar Assad poderia levar a uma guerra civil e ao estabelecimento de um regime islâmico.
No Iraque, a insurgência patrocinada pelo Irã e pela Síria que se seguiu à derrubada pelos americanos do regime baathista de Saddam Hussein, em 2003, promoveu uma guerra sangrenta contra a população cristã do Iraque. Este mês marca o primeiro aniversário do massacre de 58 fieis em uma igreja católica em Bagdá. Na década passada havia 800 mil cristãos no Iraque. Hoje, são apenas 150 mil.
Sob o antigo império persa, os cristãos tinham mais ou menos liberdade para praticar sua religião.
Hoje os cristãos iranianos estão sujeitos a caprichos de soberanos muçulmanos, que não conhecem outra lei a não ser a da supremacia islâmica.
A situação do pastor evangélico Yousef Nadarkhani é um exemplo. Ele foi preso há dois anos, julgado e condenado à morte por apostasia, por se recusar a renegar sua fé cristã. Não existe lei contra a apostasia no Irã, mas isso não importa. O aiatolá Khomeini é contra a apostasia. A lei islâmica também é.
Depois que a história de Nadarkhani foi publicada no Ocidente, os iranianos mudaram de plano.
Agora eles teriam abandonado a acusação de apostasia e o sentenciado à morte por estupro. O fato de ele nunca ter sido acusado ou condenado por estupro não tem importância.
Cristãos palestinos, igualmente, têm sofrido sob a popularidade dos líderes eleitos.
Quando a Autoridade Palestina foi estabelecida em 1994, os cristãos eram 80% da população de Belém. Hoje correspondem a menos de 20%.
Desde que o Hamas “libertou” Gaza em 2007, a antiga minoria cristã da região tem sofrido ataques constantes. Com apenas 3 mil membros, a comunidade cristã de Gaza teve igrejas, conventos, livrarias e bibliotecas incendiadas por membros do Hamas e seus aliados. Seus membros foram atacados e mortos. Apesar de o Hamas ter prometido a proteção dos cristãos da cidade, ninguém foi preso por violência anticristã.
Da mesma forma que os judeus no mundo islâmico foram expulsos das suas antigas comunidades por governantes árabes com a criação o Estado de Israel em 1948, os cristãos também foram perseguidos e expulsos de suas casas. Regimes populistas islâmicos e árabes usam o supremacismo da religião islâmica e o chauvinismo racial árabe contra cristãos como gritos de guerra para os seus propósitos. Esses chamados, por sua vez, levaram à dizimação das populações cristãs no mundo árabe e islâmico.
Por exemplo, quando o Líbano obteve sua independência da França em 1946, a maioria dos libaneses era cristã. Hoje os cristãos são menos de 30% da população. Na Turquia, a população cristã foi reduzida de 2 milhões no fim da Primeira Guerra Mundial para menos de 100 mil hoje. Na Síria, na época da independência, os cristãos representavam quase metade da população. Hoje 4% dos sírios são cristãos. Na Jordânia, há meio século, 18% da população era cristã. Hoje apenas 2% dos jordanianos são cristãos.
Os cristãos são proibidos de praticar sua religião na Arábia Saudita. No Paquistão, a população cristã está sendo sistematicamente destruída por grupos islâmicos apoiados pelo regime. Incêndios a igrejas, conversões forçadas, estupros, assassinatos, sequestros e perseguição legal de cristãos paquistaneses se tornaram ocorrências diárias.
Infelizmente, para os cristãos do mundo islâmico, sua causa não está sendo defendida por governos ou igrejas do Ocidente. A França, em vez de impor como condição para seu apoio à oposição síria o compromisso com a liberdade religiosa para todos por parte dos seus líderes, seu Ministério das Relações Exteriores reagiu com irritação às advertências de Rai sobre o que provavelmente acontecerá aos cristãos sírios, caso o presidente Bashar Assad e seu regime sejam derrubados. O Ministério das Relações Exteriores da França publicou uma declaração afirmando que estava “surpreso e desapontado” com as declarações de Rai.
O governo de Obama foi menos solidário ainda. Rai está viajando pelos EUA e pela América Latina em uma visita de três semanas a comunidades de imigrantes maronitas. A existência dessas comunidades é consequência direta da perseguição árabe e islâmica aos cristãos maronitas do Líbano.
A visita de Rai aos Estados Unidos deveria começar com uma visita a Washington e um encontro com altos funcionários do governo americano, incluindo o presidente Barack Obama. No entanto, após as declarações de Rai em Paris, o governo americano cancelou todas as reuniões marcadas com ele. Ou seja, em vez de considerar o perigo alertado por Rai e usar a influência americana para aumentar o poder dos cristãos, curdos e outras minorias em qualquer governo sírio pós Assad, o governo Obama decidiu boicotá-lo por chamar atenção para o perigo.
Com exceção dos evangélicos, a maioria das igrejas ocidentais está igualmente desinteressada em defender os direitos de co-religiosos no mundo islâmico. A maioria das principais denominações protestantes, da Igreja Anglicana e suas várias filiais dentro e fora dos EUA à metodista, batista, menonita e outras, não fez esforço algum para proteger ou defender os direitos dos cristãos no mundo islâmico.
Em vez disso, na última década, essas igrejas e suas filiais internacionais buscaram repetidas vezes atacar o único país do Oriente Médio em que a população cristã aumentou nos últimos 60 anos: Israel.
Quanto ao Vaticano, nos cinco anos desde que o Papa Bento XVI, no seu discurso em Regensburg, lançou um desafio aos muçulmanos para que agissem com bom senso e tolerância ao lidar com outras religiões, o Vaticano abandonou a posição anteriormente adotada. Um diálogo entre iguais se tornou uma súplica ao islã em nome de uma compreensão ecumênica. No ano passado o papa organizou um sínodo sobre os cristãos do Oriente Médio que não mencionou a perseguição anticristã por forças e regimes islâmicos e populistas. Israel, por outro lado, foi o principal alvo de críticas.
A diplomacia do Vaticano se estendeu até o Irã, para onde enviou um representante para participar de uma falsa conferência antiterrorista de Mahmoud Ahmadinejad. Conforme relata Giulio Meotti para a agência israelense Ynet, enquanto todos os embaixadores da União Europeia saiam no meio do discurso de negação do Holocausto de Ahmadinejad na segunda conferência das Nações Unidas em Durban, o embaixador do Vaticano ficou sentado. O Vaticano abraçou líderes da Irmandade Islâmica na Europa e no Oriente Médio.
É difícil imaginar aonde os governos e as igrejas ocidentais pensam que vão chegar fazendo vista grossa à perseguição e dizimação de comunidades cristãs no mundo islâmico. Como mostram os acontecimentos de domingo passado no Egito e os ataques diários de muçulmanos contra cristãos na região, as atitudes do Ocidente não estão aplacando ninguém. Mas fica bastante claro que eles irão colher o que plantaram.
caroline@carolineglick.com
Traduzido por: Luis Gustavo Gentil
Fonte em português: www.juliosevero.com

2 comentários :

Anônimo disse...

Exatamente o que eu digo, todo esse conforto ocidental fez com que a maioria dos Cristãos perdessem sua identidade, hoje temos Cristãos preguiçosos e presunçosos que só pensam em seguir líderes carismáticos da prosperidade, ou cantores e celebridades Gospel, que para dizer a verdade, estão mais dispostos a negar a Cristo do que a servi-lo.

os Cristãos ocidentais se acomodaram tanto, que essa foi a coesão precisa de toda essa situação calamitosa que o ocidente enfrenta hoje. gayzismo, abortismo, dentre outras leis malditas que poucos ou quase nenhum dos mega líderes, das Megas Igrejas tentam fazer algo para parar essa malignidade.

trocamos tanto nossos deveres como Cristãos, com a doutrina e com a família, que hoje todos aqueles problemas que simplesmente eram resolvidos apenas no observar e guardar da palavra, e transmiti-la, hoje se tornou um turbilhão descontrolado, onde perdemos nossas liberdades pela nossa própria soberba, e negligencia.

e poucos despertaram para isso, nossos irmãos no oriente médio estão dando a vida literalmente pela causa, sendo forçados ao mártire porque amam ao Senhor Jesus Cristo demais para aceitarem negar a palavra da vida, simplesmente para viver mais alguns anos escravo da mentira daquele Deus estranho que exige morte a todo cidadão que não obedecer fielmente aqueles Aiatolás, que apenas tem cede de poder, e vontade de oprimir o povo como se fosse enviados por Deus.

aqui vendemos nossas liberdades a preço de banana, enquanto lá eles não tem nenhuma, mas o pouco que tem não vendem e nem ofertam, mas sim guardam com a vida a fé que tem, mesmo custando a vida, porque eles pelo menos tem guardado a palavra da vida.

espero que essa situação mude Julio, espero mesmo, que Deus continue abençoando seu Ministério

Ronie Peterson

Anônimo disse...

O texto criticou á França e os EUA.
Mas ! E o Brasil e os brasileiros que tem feito.

A pouco tempo atrás numa igreja que frequento o pastor falou do caso daquele pastor iraniano condenado á morte pela sua fé.

Disse o pastor que a culpa era daquele doido do Ahmaneijad ( presidente do Irã). Lembre-me imediatamente que este "doido" presidente do Irã foi muito bem recebido em uma visita aqui no Brasil.

O pastor não disse uma palavra contra a religião islâmica.

Agora quando ao "doido do Ahmaneijad", com certeza dá tão boa acolhida que sofreu no Brasil.

Não admira que ele se sinta encorajado a perseguir os cristãos no seu país.
Pois ! Ele apoiado por paises mulçumanos e ainda tem de penca,apoio de países latino-americanos como Brasil,Bolivia,Cuba,Venezuela e outros. Forá o apoio da Rússia.

Os evangélicos brasileiros quando põe o tirano do Irã como principal culpado pela prisão do Pastor Yousef Nadarkhani. Devem se lembrar que o maluco já foi muito bem recebido em sua terra.

Para ser sincero creio que os mulçumanos devem estarem sentindo muito prazer em desprezar, maltradar,ofender,perseguir,matar,expulsar de suas terras estes esquecidos cristãos do Oriente.

Quando acabarem de fazer a faxina geral e não houver mais cristãos no Oriente Médio ou em outras terras mulçumanas.

O único jeito de dar umas porradas em um cristão,ou continuar se deliciando em maltratar cristãos será nas terras do Ocidente.

Para isto acontecer basta acabar o "estoque de cristãos no Oriente". Pelo que tem visto esse estoque está perigosamente decaindo.

Cuidado ! Cristãos sossegados do Ocidente sua hora de experimentar os sofrimentos os sodrimentos dos pobres cristãos do Oriente está chegando.

Na realidade os mulçumanos já tem maltrado cristãos ou ocidentais em sua próprias terras.

Veja o que acontece em países da Europa,onde a muitos casos de agressões a nós , "os infiéis".