22 de setembro de 2011

Fé no Espaço: Por Trás da Missão de Levar uma Bíblia à Lua

Fé no Espaço: Por Trás da Missão de Levar uma Bíblia à Lua

Loren Grush
Foi um pequeno passo para o homem — e para alguns astronautas também foi um grande passo de fé.
Imagem de perto da primeira bíblia a ser levada à lua, impressa em microfilme, que será posta a venda em breve em um leilão de relíquias da era espacial.
Relíquias e peças decorativas da história da NASA estarão disponíveis em breve no Leilão de Autógrafos e Artefatos de Aviação Espacial da casa de leilões RR Auction, que terá início em 15 de setembro. O leilão irá vender uma carta de Neil Armstrong sobre suas primeiras palavras na lua, sua luva de treinamento e outros itens raros da história da aviação espacial.
Mas adivinhe o que está entre os itens mais raros a venda: uma versão completa da Bíblia do Rei James que viajou até a superfície da lua.
Mais de 800 tesouros da história das viagens espaciais — muitos deles usados por Buzz Aldrin, Neil Armstrong e Alan Shepard — serão leiloados em setembro.
“Tem apenas uma e meia por uma e meia polegada", disse o vice-presidente de marketing de vendas da RR Auction à FoxNews.com. “É preciso um microscópio para realmente lê-la, e é acima de tudo simbólica. Mas está toda lá. Toda a versão do Rei James".
A história das bíblias microfilmadas (houve várias, embora essa tenha sido a primeira a chegar à lua) quase foi envolta em mistério, em parte porque a NASA as registrou como “dados microfilmados” em vez de bíblias. 
A primeira bíblia lunar fez sua viagem em 5 de fevereiro de 1971 a bordo da Apollo 14. O piloto do módulo lunar Edgar D. Mitchell trouxe a bíblia consigo em homenagem aos astronautas da Apollo 1: Ed White, Gus Grissom e Roger Chaffee, que morreram em um incêndio na cabine durante testes na espaçonave. Era um sonho de White levar uma bíblia à superfície lunar, e Mitchell tornou esse sonho realidade.
Mas por que uma edição microfilmada? A fé é preciosa no espaço, mas espaço também é importante no espaço.
“Os astronautas tinham pequenas bolsas onde podiam levar objetos pessoais”, explicou Livingston. Essas bolsas não podiam ter mais do que meio quilo, então as bíblias eram impressas em microfilme para ficar dentro do limite de bagagem estipulado pela NASA. A microfilmagem permitiu colocar todas as 1.245 páginas dessa versão da bíblia em pequenos fragmentos de filme.
“Muitos astronautas traziam símbolos religiosos para o espaço, como cruzes. Essa foi apenas uma de muitas bíblias que chegaram à superfície da lua”, disse Livingston. 
Dezenas dessas escrituras quase microscópicas foram e voltaram da lua. A maioria foi dada a dignitários e políticos (George W. Bush possui uma em seu inventário). Mas a primeiríssima bíblia da Apollo 14 estará disponível — e os aficionados pelo espaço ao redor do mundo terão a chance de disputá-la nesse leilão.
Esse evento também chama atenção para a dicotomia religião/ciência, dois conceitos que há muito tempo são conhecidos como antagônicos. Em seu livro The Apostles of Apollo (Os Apóstolos da Apollo), Carol Mersch investigou como foi difícil para os astronautas e para a NASA falar das suas crenças religiosas.
“Esses exploradores não eram apenas homens da ciência. Muitos eram homens de fé”, afirma Mersch. “Expressar sua fé no espaço, no entanto, criou um dilema para muitos astronautas e suas agências governamentais, e talvez seja por isso que essa missão não tenha recebido tanta atenção da mídia quanto as outras conquistas do Projeto Apollo”.
Mersch cita a Apollo Prayer League, grupo religioso que muitos astronautas do projeto frequentaram. O grupo era liderado pelo Reverendo John Maxwell Stout, funcionário da NASA que dividia seu tempo entre cientista e capelão. De acordo com Merlch, reconciliar ambos os conceitos nunca foi difícil para Stout.
“Ele certamente partilhava da ideia de que ambos eram uma coisa só”. disse Mersch a FoxNews.com. Uma vez ele fez um comentário do tipo “Não tenho ressalvas quanto a Deus olhar por um microscópio junto com meus alunos”.
Livingston, que consultou vários astronautas das missões Apollo para o leilão, disse que muitos deles não tiveram problema em encontrar a fé a partir da sua ciência. Se muito, fez apenas aumentar a convicção que tinham, concluiu Livingston.
“Não é incongruente a junção de espiritualidade e ciência”, explica Livingston à FoxNews.com “Encontrei-me com vários astronautas, e um deles me disse: ‘Eu sei que o infinito existe’. Perguntei como ele sabia disso, e ele me disse: 'Porque eu vi! Sentei na varanda de Deus todos os dias, e vi”.
“Tudo bem que são engenheiros e cientistas, mas eles também passam por momentos de muito stress e terror”. É natural que eles busquem conforto em algum tipo de espiritualidade”.
Traduzido por Luis Gustavo Gentil
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