1 de julho de 2011

Quando a Igreja se prostra diante do Estado: Bispos gays na Igreja da Inglaterra

Quando a Igreja se prostra diante do Estado: Bispos gays na Igreja da Inglaterra

24 de junho de 2011 (Notícias Pró-Família) — Como se a Igreja da Inglaterra não tivesse problemas suficientes, uma notícia está vindo a público vazada diretamente do Palácio de Lambeth de que a igreja está para permitir a nomeação de bispos assumidamente gays, contanto que esses bispos permanecerem celibatos.
A notícia surgiu na forma de um memorando interno vazado preparado para o arcebispo de Cantuária pelo mais elevado assessor legal da igreja. As normas legais têm como intenção fazer com que a igreja se submeta à Lei de Igualdade da Inglaterra, aprovada em 2010, no exato momento em que a igreja está considerando novos critérios para nomear bispos. Essa lei proíbe discriminação com base em várias características, inclusive orientação sexual. A Lei de Igualdade já está sendo usada para forçar algumas igrejas britânicas a contratar pastores de jovens e outros funcionários que são assumidamente homossexuais.
Em maio passado, Andrew Brown do jornal The Guardian, de Londres, descreveu a difícil situação da igreja deste jeito:
“A liderança da igreja estabelecida continua atrapalhada tentando entender até que ponto se submeter à Lei de Igualdade em seu tratamento aos gays. Os advogados da igreja disseram aos bispos que embora eles não possam levar em conta o fato de que um homem é homossexual na hora de considerá-lo para promoção, eles também não podem propor pastores em relacionamentos homossexuais ativos e, ainda que sejam celibatos, têm de considerar se poderão ‘atuar como um foco para a unidade’ para seus rebanhos se forem nomeados para uma diocese”.
Ora, à luz desse desafio, a autoridade legal da igreja sugeriu normas que pediriam a nomeação de bispos assumidamente gays, mas exigiriam que eles fossem celibatos. A lógica das normas legais faz uma distinção que permitiria que a igreja afirmasse que está em submissão à Lei de Igualdade e também agisse de acordo com as convicções que muitos de seus membros têm de uma forma profunda.
A parte crucial das normas declara a questão como esta:
“Nenhuma comissão governamental de nomeação e nenhum bispo que quer nomear um bispo auxiliar tem o direito de propor alguém que esteja num relacionamento de mesmo sexo sexualmente ativo; eles não têm o direito de levar em consideração o mero fato de que alguém é gay por orientação sexual”.
Daí, não dá para se levar em consideração “o mero fato de que alguém é gay por orientação sexual”. Mas, é claro, a orientação sexual não é uma “mera” questão quando os cristãos consideram algum assunto. É uma questão de tremenda importância moral, espiritual e teológica. Nossas igrejas estão cheias de pessoas altamente dotadas que estão em conflito com sua própria orientação sexual, e muitos desses crentes estão vivendo vidas de obediência e fidelidade a Cristo.
Mas uma coisa é reconhecer e confessar que estamos em conflito com a atração de mesmo sexo; outra coisa, porém, é anunciar e defender a homossexualidade como nossa identidade pessoal.
Considere esta seção das normas que estão sendo propostas:
“A orientação sexual de uma pessoa é, em si, irrelevante para a idoneidade do ofício de bispo ou mesmo para a ordenação ministerial de forma mais geral. Portanto, seria errado se [durante o processo de seleção] se levasse em conta o fato de que um candidato tivesse se identificado como de orientação sexual gay”.
Essa é uma declaração muito perigosa, pois declara que algo tão importante como a orientação sexual é “irrelevante” para as qualificações do ofício ministerial. Seria “errado”, declaram as normas, que a orientação sexual fosse levada em consideração.
Nesse ponto, as normas perdem contato com a sanidade teológica. Os cristãos precisam reconhecer que, num mundo caído, as pessoas têm conflitos com impulsos e atrações sexuais que não correspondem ao que a glória de Deus requer. Não é de hoje que a igreja reconhece isso. De algum modo, isso inclui todo ser humano desde Adão. Inclui também muitos que têm lutas íntimas com a atração de mesmo sexo. A Bíblia deixa claro que até mesmo essa atração é prova demonstrável do estado de pecado do ser humano. [Veja Romanos 1:18-32] O Evangelho é nosso único resgate do pecado, e isso certamente inclui o pecado da homossexualidade e o problema da atração de mesmo sexo.
Portanto, um crente que confessa que tem conflitos com a atração de mesmo sexo não deve ser condenado pela igreja, mas colocado sob seu cuidado, disciplina, ministério e proteção. Nesse sentido, os cristãos bíblicos podem compreender que a “orientação” sexual é uma categoria legítima que identifica uma batalha particular com o pecado.
Mas o conceito de orientação sexual que fundamenta as normas que estão sendo propostas para a Igreja da Inglaterra é muito diferente. No contexto da Lei de Igualdade de 2010 da Inglaterra, uma orientação sexual de mesmo sexo é algo que tem de ser colocado em condição de igualdade com a heterossexualidade, como se não houvesse nada de errado com tal orientação.
Essa é a incoerência fatal das normas que estão sendo propostas na Igreja da Inglaterra. Se uma orientação sexual de mesmo sexo não é em si um problema, como é que a igreja conseguirá insistir em que os atos homossexuais são pecado? Repito: essas normas não estão conjecturando um indivíduo que está apenas em conflito com a atração de mesmo sexo, mas alguém que afirma publicamente uma identidade homossexual. É claro que essas normas provavelmente não resistirão a um exame detalhado ou para agradar aos liberais ou aos conservadores na igreja.
Enfim, uma questão verdadeiramente sinistra é a submissão da Igreja da Inglaterra ao Estado na questão da Lei de Igualdade. Como uma igreja estatal estabelecida, a Igreja da Inglaterra mal está numa posição de rejeitar as leis do governo ou reivindicar o elevado fundamento da liberdade religiosa. Portanto, é uma armadilha da qual a Igreja da Inglaterra parece incapaz ou indisposta a se soltar.
Seria melhor que as igrejas e denominações americanas prestassem atenção. Quando uma igreja ou instituição cristã se prostra à autoridade do Estado numa questão de tal direta importância bíblica, seu destino é perder a fidelidade bíblica. As normas que estão sendo propostas para a Igreja da Inglaterra deveriam servir como alerta para todas as igrejas com relação a este perigo real e presente.
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Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
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4 comentários :

Georges disse...

Prezado Julio,
Mandei a msg abaixo para todos os meus contatos evangélicos e também para alguns parlamentares e líderes cristãos, como o pr. Silas Malafaia e sen. Magno Malta, e gostaria que vc avaliasse a possibilidade de engrossar o coro.
Caixa Econômica patrocinou parada gay em São Paulo!
Achei o maior descalabro, nunca vi coisa semelhante, tanto que encaminhei ao banco o que se segue:

À
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Brasília, DF

Fiquei sabendo que a Caixa Econômica Federal patrocinou a Parada Gay, e estampou o fato em sua página, conforme se segue: Diante deste fato, pergunto:
1 – qual é o critério que leva uma empresa pública, de capital 100% pertencente ao povo brasileiro, seus “acionistas”, por assim dizer, a despejar uma fortuna para um evento desses, que nenhum benefício gera para a população brasileira em geral?
2 – Os depósitos da Caixa são na sua maioria oriundos das cadernetas de poupança, que rendem míseros 0,5% ao mês a seus poupadores, e de recursos do Fundo de Garantia, descontados mês a mês do contracheque de cada um dos milhões de trabalhadores brasileiros. Não deveria a empresa prestar contas aos seus clientes sobre a destinação dada a esses recursos, pelo menos divulgando quanto foi o valor desse patrocínio ridículo?
3 – Uma empresa que se diz “para todos os brasileiros” pode se dar ao luxo de encher os bolsos de uma minoria barulhenta? Não estaria ela privilegiando uma pequena parcela, em detrimento de outros setores da sociedade? Por exemplo, dias antes da tal ”parada”, houve no mesmo local a “Marcha Para Jesus”. Por que a Caixa não usa do mesmo critério, de ser voltada “para todos os brasileiros”, e patrocina também a “Marcha”, um evento que ocorre há mais tempo do que a “Parada” e traz às ruas uma multidão tão grande como a outra?
4 – Qual o retorno sobre o investimento de marketing feito na “Parada”? Houve aumento significativo do número de clientes, dos valores de depósitos, de aplicações e de outras operações bancárias, que justificasse os valores investidos a título de patrocínio, apoio ou incentivo? Se sim, repetimos: por que não usar do mesmo critério e patrocinar também a “Marcha Para Jesus”? O que a Caixa ganharia em termos de retorno financeiro ou de imagem? Porque em termos de imagem é evidente o desgaste, pois está associando a marca a um evento que carrega consigo uma enorme rejeição por parte da maioria da população. Basta fazer uma pesquisa simples.
5 – Uma eventual resposta de que a “Marcha Para Jesus” é um evento religioso não deve ser dada, pois a Caixa também patrocina o “Círio de Nazaré” e a encenação da “Semana Santa”. Se esses eventos não são religiosos, então são o que, eventos culturais?
6 – Mesmo que sejam culturais, a Caixa deveria então apoiar o “Renascer Praise”, evento musical que reúne, há vários anos, na mesma São Paulo, bandas musicais do Brasil e do exterior, com grande afluxo de público de todas as idades, com a vantagem de não sujar as ruas nem associar à imagem da empresa nenhum tipo de vandalismo, ocorrências policiais, nem atentados à moral pública e aos bons costumes.
Diante de todos esses fatos, como cliente do banco, peço que seja revista a política de patrocínio da empresa, e que haja prestação de contas sobre os valores investidos e o retorno, seja financeiro ou de imagem, decorrente desse desembolso.

Anônimo disse...

Quando a igreja deixa de agradar seu Senhor para agradar os senhores do mundo, ela deixa de ser igreja de cristo, para ser igrejas dos homens, e sofrerá por isso a irá de Deus!

mauro disse...

parabêns julio por sua intênsa luta em favor da familia, e valores morais instituidos por DEUS,mais vale obedecer aDEUS do que ao homem, com certeza...

Robson Oliveira disse...

Importante informar que se trata da Igreja Anglicana. Como ela está submetida ao Estado, a crise fica mais clara.

Até mais!