14 de abril de 2011

Médicos pressionaram irlandês paralítico a recusar aparelho de respiração e morrer

Médicos pressionaram irlandês paralítico a recusar aparelho de respiração e morrer

Hilary White, correspondente em Roma
DUBLIN, Irlanda, 12 de abril de 2011 (Notícias Pró-Família) — Num artigo muito forte hoje no jornal irlandês Irish Times, um homem irlandês com uma doença que degenera os neurônios motores (cuja abreviatura em inglês é MND) revelou como ele foi fortemente pressionado pela equipe médica a recusar o aparelho de respiração artificial que o está mantendo vivo.
Simon Fitzmaurice, esposa e filhos
Depois de ser internado na unidade de tratamento intensivo por pneumonia, uma complicação comum que afeta pacientes paralíticos, Simon Fitzmaurice começou a receber respiração assistida e sonda de alimentação. Logo depois de ser internado, disse Fitzmaurice, um médico entrou e lhe disse que era raro e dispendioso pacientes terem um aparelho de respiração artificial em casa.
De acordo com Fitzmaurice, o médico lhe disse, com sua esposa e mãe presentes: “Esse é o momento de eu fazer a escolha difícil. Ele me diz que só houve dois casos de respiração assistida em casa, mas em ambos os casos as pessoas eram extremamente ricas”.
“Ele olha para mim. ‘Cabe agora a você. É hora de você fazer a escolha difícil, Simon’. Minha mãe e minha esposa estão agora segurando uma a mão da outra, soluçando”.
Mas a reação instintiva de Fitzmaurice foi a favor da vida: “Enquanto ele está olhando para mim, minha energia vital, minha alma, a parte de mim que sente como todas as partes, é inequívoca. Eu quero viver. Essa energia vital inspira meu corpo todo a tal ponto que não sinto medo diante desse homem”.
“Dois dias depois desse encontro, ele escreveu, ele e sua família foram informados de que o aparelho doméstico de respiração artificial de que ele precisava tinha a cobertura da seguradora nacional de saúde da Irlanda, o Health Services Executive (HSE), e que o pacote de assistência doméstica necessário para manter a máquina em funcionamento poderia ter a cobertura do HSE e de sua família.
Fitzmaurice reconta que foi mais tarde indagado por um neurologista sobre o motivo por que ele queria viver, muito embora ele tivesse uma enfermidade degenerativa que acabaria matando-o. Sua resposta: “Amor por minha esposa. Amor por meus filhos. Meus amigos, minha família. Amor pela vida em geral. Meu amor não se evaporou, mas persiste e está intacto. Eu quero viver. Será que isso é errado?”
Simon Fitzmaurice e filhos
“O mal que degenera os neurônios é um assassino. Mas assim é a vida”, continuou Fitzmaurice. “Todo mundo morre. Mas só porque todos vamos morrer, só porque morreremos algum dia, isso significa que temos de nos matar agora? Para mim, eles estavam pedindo para que eu tirasse minha própria vida. Ou apoiar a eutanásia. Recusei”.
Os especialistas dizem que a experiência de Fitzmaurice é comum e que incidentes como esse estão se tornando uma tendência na profissão médica — uma tendência que se tornou quase universal nos países desenvolvidos, principalmente nos países com saúde pública financiada pelo governo.
“Lamentavelmente, o caso dele é muitíssimo comum”, disse Alex Schadenberg, diretor da Coalizão de Prevenção à Eutanásia no Canadá.
Schadenberg disse que tendências filosóficas distantes da ética médica tradicional, combinadas com enormes sistemas de saúde pública financiados por impostos, estão dando origem a um novo paradigma ético baseado no utilitarismo nas decisões de tratamento.
Sob esse paradigma, chamado bioética, disse Schadenberg, “juízos de valor e atitudes negativas para com pessoas com enfermidades degenerativas estão levando à imposição da morte em pessoas que são vulneráveis”.
As comissões de bioéticas dos hospitais estão agora rotineiramente decidindo negar tratamento que poderia salvar vidas, com base no princípio da “autonomia do paciente” que sustenta que está nos “melhores interesses” do paciente ter “a liberdade de escolher morrer”, muitas vezes mediante a sonegação de alimento e água.
Essas decisões estão cada vez mais sendo tomadas sem o consentimento, e muitas vezes deliberadamente contra a vontade, do paciente e sua família. Em alguns países tais com a Bélgica e a Holanda, o novo sistema ético levou à eutanásia legalizada e abuso geral das normais legais que deveriam proteger os pacientes nas decisões de eutanásia.
Recentes estudos vindos da Bélgica mostram que 32 por cento de todas as mortes de eutanásia legal foram cometidas sem o pedido ou o consentimento dos pacientes ou familiares e só 47,2 de todas as mortes de eutanásia foram registradas. Na Holanda, o número é de 550 sem nenhum pedido ou consentimento por ano e pelo menos 20 por cento de todas as mortes de eutanásia nunca são registrados.
Schadenberg disse: “Todos precisam se conscientizar, a sociedade já está impondo morte em pessoas vulneráveis e se a eutanásia ou o suicídio assistido for legalizado, então será simplesmente feito de um modo muito mais rápido e discreto”.
Quanto a Fitzmaurice, ele escreve: “Não falo por todas as pessoas que têm o mal que degenera os neurônios. Falo só por mim mesmo. Talvez outros questionassem se ou não usar um aparelho para respirar. Mas creio no direito de ter a escolha, e não em ser estimulado a fazer o que está moda fazer agora”.
“Não sou uma tragédia”, disse ele. “Não quero nem preciso de piedade. Estou cheio de esperança. A palavra esperança e MND não andam juntas neste país. Esperança não é procurar uma cura para uma doença. Esperança é um modo de vida. Muitas vezes pensamos que temos o direito a uma vida longa e proveitosa, só na base de Coca-Cola. Mas a vida é um privilégio, não um direito. Sinto-me privilegiado de estar vivo. Isso é esperança”.
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Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
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