15 de março de 2011

Al Capones evangélicos

Al Capones evangélicos

Por J. Lee Grady, editor da Revista Charisma:
Houve um tempo em que Al Capone controlava toda a cidade de Chicago. O notório gangster da década de 1920 subornou o prefeito, comprou a polícia e, como um rei, presidiu um império de cassinos, redes de contrabando e botecos em pleno vigor da Lei Seca. Ele se esquivou das balas por muitos anos e viveu acima da lei – ganhando assim a reputação de “intocável” porque ninguém podia levá-lo à justiça.
Antes que Capone fosse finalmente preso em 1932, ele justificou seus crimes dizendo: “Tudo o que faço é para atender a demanda do público.” Ele nunca assumiu responsabilidade pelo estrago que causou porque prefeitos, policiais, líderes comunitários e estelionatários o apoiaram todo o tempo.
Odeio ter que comparar ministros de Deus a um mafioso. Mas a triste verdade é que atualmente há alguns (talvez mais do que só alguns) pastores que possuem algumas das características mais abomináveis de Al Capone. São mestres do engano e da manipulação. Eles compraram seu espaço na subcultura evangélica carismática e usaram suas místicas habilidades hipnóticas para controlar grandes redes de TV cristãs.
Mas a exemplo de Al Capone, seus dias estão contados. A Justiça logo os agarrará.
Estes falsos profetas provavelmente começaram com um chamado genuíno da parte de Deus, mas o sucesso os destruiu. Eles se desviaram da fé verdadeira e foram seduzidos pela fama e pelo dinheiro; quando seus ministérios cresceram, eles apelaram a táticas questionáveis para manter a máquina religiosa rodando. Mas agora, em meio à Grande Recessão Americana, Deus está tratando com eles.
Mas antes que nos regozijemos por estes impostores estarem sendo despejados de seus púlpitos e varridos das emissoras, pausemos por um minuto e reflitamos: como tais falsos profetas alcançaram tanta popularidade? Jamais teriam conseguido sem a nossa ajuda.
Nós fomos os idiotas. Quando eles diziam: “O Senhor lhes dará riquezas incontáveis se vocês semearem mil dólares agora”, imediatamente pegávamos o telefone e nossos cartões de crédito. Que Deus nos perdoe.
Nós fomos os cegos. Quando eles diziam: “Preciso que hoje vocês façam uma oferta sacrificial para que eu possa consertar meu jatinho particular”, sequer perguntávamos por que um servo de Deus não era humilde o suficiente para voar em classe econômica para alguma nação de Terceiro Mundo. Que Deus nos perdoe.
Nós fomos os tontos. Quando ficávamos sabendo que eles estavam vivendo em imoralidade, maltratando suas esposas ou povoando cidades com seus filhos bastardos, dávamos ouvidos às suas desculpas ao invés de exigir que estes pastores vivessem como verdadeiros cristãos. Que Deus nos perdoe.
Nós fomos os ingênuos. Quando eles imploravam por dois milhões de dólares extras para tapar algum rombo no orçamento, nos sentíamos incomodados em perguntar por que eles precisavam dormir em suítes de hotel cuja diária custava dez mil dólares. Na verdade, sempre que questionávamos algo, outro cristão rapidamente retrucava: “Não critique! A Bíblia diz ‘Não toque o ungido do Senhor!’” Que Deus no perdoe.
Tratamos estes charlatões como Al Capones, como se eles fossem intocáveis, e como resultado a corrupção se espalhou pelas igrejas carismáticas como uma praga. Nosso movimento está contaminado pelo materialismo, orgulho, engano e imoralidade porque tivemos medo de dizer o que estes palhaços realmente são: inseguros, egoístas, egocêntricos e emocionalmente confusos.
Se tivéssemos aplicado discernimento bíblico há muito tempo atrás, teríamos evitado todo este caos. Jamais saberemos quantos incrédulos rejeitaram o Evangelho porque viram a Igreja apoiando pilantras que se gabavam, coagiam, mentiam, manipulavam, subornavam, roubavam e, com lágrimas, conquistavam espaço em nossas vidas – enquanto os aplaudíamos e depositávamos dinheiro em suas contas.
Sempre que cristãos bem intencionados citam 1 Crônicas 16:22 (“Não toqueis os meus ungidos e não façais mal aos meus profetas”) para encobrir a sujeira e o charlatanismo, eles cometem uma injustiça contra as Escrituras. Esta passagem não ordena que nos calemos quando um líder está abusando do poder ou enganando as pessoas. Pelo contrário, somos chamados a confrontar o pecado em amor e honestidade. E certamente não estamos amando a Igreja se permitimos que os Al Capones carismáticos de nossa geração a corrompam.
Fonte: Charisma Magazine. Tradução: Pão & Vinho.
Divulgação: www.juliosevero.com
Outros artigos de Lee Grady neste blog:

4 comentários :

Anônimo disse...

Deixei de dar o dízimo e ofertas quando a igreja parou de utiliza-los para o Reino de Deus.
A igja interrompeu os evangelismos e já decorrido dois anos nunca retomou a obra de Deus, logo desconfiei...
era para o deleite de pastores e apaniguados.

Deus conhece o coração.

Silvio Ricardo disse...

O pior exemplo de charlatanismo evangélico no Brasil é, sem dúvida, Edir Macedo e sua IURD.

Anônimo disse...

Edir Macedo não é evangélico. A IURD não é uma igreja cristã. Eles não pregam o Evangelho. Anunciam os serviços espirituais da IURD, só isso.

A sua verdadeira religião é o pragmatismo.

Não é possível dizer que são hereges. Eles ultrapassaram inclusive a heresia. Eles não costumam se envolver em controvérsias teológicas ou de crença. Eles não se importam pura e simplesmente com isso.

O que observo é que, com exceção de algumas pessoas mais simples ou confusas, os que costumam freqüentar os serviços da IURD são extremamente pragmáticos como ela. Eles não consideram que a IURD prega o evangelho ou a verdade ainda que com alguns erros. Eles não ligam. Eles apenas acham que funciona ou pode funcionar de alguma forma. É uma troca.

Anônimo disse...

Silas Malafaia não fica atrás Silvio Ricardo!

Aliás, hoje em dia fica dificil saber quem é pior Silas Malafaia ou Edir Macedo.

Muitos poderão alegar: "Mais o Silas Malafaia prega contra o homossexualismo e o aborto!"

E daí!, Edir Macedo fazia a mesma coisa. Será que esse comportamento do Silas Malafaia em relação a ganância arrecadatória é um sinal de que com o tempo ele não vai seguir o "exemplo" de Edir Macedo?

Marcos