17 de janeiro de 2011

Onde está Micaías?

Onde está Micaías?

Dona Dilma e seus quatrocentos conselheiros

Julio Severo
A presidenta Dilma Rousseff pede conselho sobre algumas medidas governamentais que pretende tomar e quatrocentos líderes evangélicos se reúnem com ela e dizem: “Vá em frente, porque o Senhor abençoará você no que você está fazendo”.
Contudo, tal resposta não satisfez a um amigo dela, que lhe diz: “Não sei não, companheira Dilma. Ando interessado em coisas espirituais, mas não senti genuinidade espiritual nesses conselhos. Será que não dá para trazer aqui alguém que realmente possa nos dizer o que Deus pensa sobre o que vamos fazer?”
Dilma responde: “Sim, existe um homem, que se chama Micaías. Mas eu tenho ódio dele porque nunca diz sobre mim o que gosto de ouvir, mas só o que é ruim”.

Micaías, o homem sem sintonia com o sistema

Por insistência do amigo, Micaías é chamado a comparecer diante de Dilma, que lhe pergunta: “Micaías, pretendo dar continuidade às políticas de Lula sobre Israel, orientação sexual e interrupção da gravidez. O que você me diz? Terei a bênção de Deus?”
“Ouça a Palavra do Senhor”, diz Micaías, que então entrega para Dilma a mensagem divina. Ela não gostou, mas o recado foi dado.
Os quatrocentos líderes evangélicos se enfureceram com a falta de sintonia de Micaías: “Como é que você pode insinuar que a Palavra do Senhor está com você e que nós estamos com um espírito de mentira na nossa boca? Somos quatrocentos e você é somente um. Nós representamos a unidade da igreja no Brasil!”
Dilma imediatamente desabafa: “Estão vendo? Esse Micaías não desagrada somente a mim; ele é odiado por seus próprios irmãos evangélicos! Eu prefiro mesmo os conselhos dos quatrocentos”. Então, dirigindo-se aos seus assessores, ela esbraveja: “Quero censura nos textos de Micaías! Façam o que for possível para sufocar a mensagem dele! Arranjem uma desculpa para mandá-lo para a cadeia: ‘homofobia’, sei lá. Quero ver esse cara ralando e comendo o pão que o diabo amassou!”
Em seguida, suavizando a voz, ela diz: “Quanto aos meus queridos quatrocentos, confiram o que podemos fazer por eles: concessões de TV, rádio, etc. Toda e qualquer concessão possível. Quero também propagandas caras da Petrobras nas redes de televisão deles. Eu honro meus amigos”.
Essa estória foi baseada num caso verídico registrado em 1 Reis 22:1-28, onde um real homem chamado Micaías falou para o rei Acabe o que ele não queria ouvir. A similaridade entre os conselheiros religiosos do governo do Israel antigo e os conselheiros evangélicos do Brasil moderno é fascinante, onde existe apenas uma diferença: não há um profeta Micaías para “incomodar” os governantes iníquos do Brasil.
Dilma e Magno Malta
Se Dilma quiser ouvir uma palavra agradável, ela pode chamar o Bispo Macedo. “Querido Macedo, você já recebeu o acordo de propaganda da Petrobras para sua TV Record? Que bom! Seu apoio ao aborto é um ânimo para mim!” Depois, ela confessa para Magno Malta: “Macedo será tão fiel a mim quanto foi ao Lula. Não fique com ciúmes, querido Malta. Você sabe que considero você também um leal companheiro”.

A aliança dos quatrocentos e a “ilusão” conservadora

Se a unidade é que faz a diferença, Dilma conta com um apoio fabuloso. Ela tem o Bispo Manoel Ferreira e agora também a recém fundada Aliança Cristã Evangélica Brasileira (ACEB), entidade de união evangélica cuja carta de princípios não revela explicitamente motivações políticas, mas cujos integrantes principais têm histórico comprovado de ligações com o PT, inclusive Ariovaldo Ramos, Paul Freston, Ricardo Gondim, Robinson Cavalcanti. A revista Ultimato é a patrocinadora principal da ACEB desde o princípio, conforme denunciei em 2009.
Em sua edição de janeiro/fevereiro, a Ultimato traz um artigo de René Padilla, considerado o maior porta voz da Teologia da Missão Integral, versão protestante da marxista Teologia da Libertação. Essa edição da Ultimato trata abundantemente da ACEB e traz um artigo de Paul Freston, que se ocupou em manifestar uma fascinante síndrome de negação.
A mídia esquerdista informou que a questão do aborto e a participação evangélica foi relevante na eleição. Mas Freston respondeu: “Os evangélicos não foram tão decisivos na eleição quanto muitos deles (e muitos opositores) pensam” (pág. 48.).
A mídia esquerdista também informou que, desesperada, Dilma correu atrás dos evangélicos em busca de apoio durante a eleição. Mas Freston fez sinal de “não” aí também.
Sorte não terem dito para Freston que o sol é amarelo, pois seu estado de negação falaria mais alto do que a realidade: “O sol é azul!”
Portanto, esqueça tudo o que a própria imprensa esquerdista disse sobre evangélicos, conservadorismo e aborto — e esqueça o mais rápido possível, pois a união dos quatrocentos não pode sofrer nenhum abalo no apoio direto ou indireto à dona Dilma e sua ideologia.
Se algum metido a Micaías tentasse insinuar que as questões do aborto e do homossexualismo foram fatores importantes na eleição presidencial passada, o “doutor” Paul Freston, que já foi membro de carteirinha do PT, responderia: “Vou dizer isso pela milésima vez: o conservadorismo não teve nenhum papel importante na eleição!”
Será que Ariovaldo Ramos, que sempre apoiou Lula, concordaria com o companheiro Freston? Durante a eleição, Ariovaldo criou um manifesto público, declarando: “manifestamos as nossas rejeições diante da onda de conservadorismo que se abateu sobre o país nesse processo eleitoral”.
Freston para Ari: “Por que tanto pavor, Ari? Não houve nenhuma onda de conservadorismo! Essa resistência contra o aborto foi puramente imaginária! Não podemos deixar uma fantasia dessa atrapalhar o avanço do progressismo! Não podemos desapontar nossos quatrocentos companheiros!”
Não se surpreenda com Freston ou a própria Ultimato, que enxergam tudo pelas lentes da Teologia da Libertação. Aliás, na edição de novembro/dezembro da Ultimato, Freston disse sobre Santo Agostinho: “Agostinho acrescenta que ‘a cobiça dos ricos é insaciável’. Há uma semelhança com a Teologia da Libertação”. Por favor, não lhe peçam para interpretar Lutero ou Calvino.
Conforme as oportunidades permitirem, as mesmas “semelhanças” vão surgir na ACEB e o histórico ideológico de seus atuais líderes vai garantir que isso aconteça. Afinal, Dilma e suas políticas progressistas precisam de apoio, e a turma da Teologia Missão Integral está muito animada com a vitória dela. Nas reuniões da ACEB, Ariovaldo Ramos, Paul Freston, Valdir Steuernagel, Robinson Cavalcanti e a Ultimato só achariam prematuro demais gritar “Aleluia” para o progressismo de Dilma agora. Vão ter de esperar a hora certa.
O grande alívio da turma da ACEB é que não há concorrência. Sua voz é a única que se arroga à pretensão de representar todos os evangélicos do Brasil.
Nem mesmo a questão do aborto e homossexualismo os impedirá de serem conselheiros prestativos no palácio da Dilma. Que o diga Ari, que sempre soube apoiar Lula (e Hugo Chavez!), independente do que Lula dissesse ou fizesse sobre essas duas questões.

O antigo baalismo em moderna roupagem estatal

No antigo Israel, quando se olhava para a questão do homossexualismo e sacrifício de bebês recém-nascidos, Baal era a motivação. Baal era a divindade que prometia provisão, saúde, educação, emprego e sexo ilimitável para as pessoas. Em troca de seus favores e ajudas, Baal exigia, prostituição, sodomia e sacrifício de bebês.
Hoje, por causa da tecnologia, a sociedade não precisa mais matar bebês logo depois que nascem. Podem matá-los antes de nascer. E a mesma tecnologia permite que homens se disfarcem de mulheres, exclusivamente para as práticas da sodomia.
Quando olhamos para a questão do homossexualismo e sacrifício de bebês em gestação por meio da ideologia do aborto, vemos que o Baal antigo se transfigurou numa moderna divindade estatal que, quer você a siga ou não, promete provisão, saúde, educação, emprego e sexo ilimitável para as pessoas. Quer você a siga ou não, a divindade estatal sobrecarregará você com impostos com a desculpa de cumprir suas promessas e “ajudar os pobres”, e depois sobrecarrega você com prostituição e ofertas de aborto. Para seus filhos, haverá doutrinação homossexual nas escolas.
Quem pode enfrentar esse espírito de Baal transfigurado em divindade estatal? Quem pode desafiar o sistema de homossexualismo e sacrifício de bebês? Não os sociólogos, não os filósofos, não os ideólogos e não os teólogos, por mais evangélicos que aparentem ser. Somente os homens que são verdadeiramente movidos por Deus.
O primeiro encontro profético do rei Acabe não foi com Micaías. Foi com Elias, onde quatrocentos profetas de Baal (o deus do homossexualismo e sacrifício de bebês) desafiaram e perderam.
Os quatrocentos profetas falavam a partir de sua base de ligação com o sistema.
Micaías e Elias falavam a partir de sua base de ligação com Deus e sua palavra profética. Nenhum dos dois nunca teve carteirinha do partido do rei Acabe. Nenhum dos dois tinha ligação com um sistema que usa os pobres para cometer crimes. Suas profecias se cumpriram, e Deus julgou Israel, seu governo, seu povo e os que adulavam, em nome de Deus, governantes ímpios.

Em nome dos pobres, vale tudo

A ética socialista e progressista prega uma suposta defesa aos pobres que justifica toda e qualquer atrocidade. Assim, os mais de 100 milhões de assassinatos mundiais cometidos em nome do socialismo estão totalmente perdoados. O envolvimento de Dilma com o terrorismo comunista no passado, que tinha como objetivo implantar no Brasil uma ditadura de inspiração soviética, está também desculpado. Para eles, o que vale é a causa, não o resultado.
Enquanto as lideranças progressistas da ACEB se alegram com a suposta preocupação de Dilma com os pobres e não olham para mais nada, ela vai selecionando ministros claramente pró-aborto e pró-homossexualismo, desrespeitando os sentimentos da vasta maioria do povo brasileiro. O show — ops, o culto! — de Baal tem de continuar.
Portanto, temos no Brasil o quadro quase perfeito do Israel antigo. Recentemente, tivemos a versão brasileira do rei Acabe. Agora, temos a versão brasileira da rainha Jezabel. Temos até a versão brasileira dos quatrocentos que, em nome de Deus, falam todas as palavras de adulação que o governo quer ouvir. São os profetas da Teologia da Libertação.
Entretanto, onde está a versão brasileira do profeta Micaías, para incomodar os governantes e seu baalismo pró-aborto e pró-homossexualismo? Onde está Micaías, para dizer todas as palavras desagradáveis que o governo não quer ouvir?
Dona Dilma não está preocupada: ela tem seus quatrocentos para apoiá-la e dar um tabefe na cara de Micaías. (Ver 1 Reis 22:24)

8 comentários :

Anônimo disse...

Texto não poderia ser mais perfeito. Completamente imparcial. E sim , somos cidadãos acuados, com voz baixa para se fazer ouvir , diante de um governo, que não sei de que forma consegue lubibriar tanta gente. Basta uma crítica ao governo, que não falta quem defenda e explique os mau feitos. Como católica, me envergonho muito desta Teologia da Libertação, embora João Paulo II e Bento XVI já tenha condenado, sinto que muitos de meus irmãos dão ouvidos para o diz o Sr. Boff, é muito lamentável.Parabéns Julio, que Deus continue o abençando

Anônimo disse...

Júlio! Com a participação evangêlica neste governo ímpio e profano. Os evangêlicos não devem reclamar se mais e mais coisas que não prestão acontecerem no Brasil.

Pois que compromisso tem Deus de abençoar o país, se os evangélicos são tão "vira-folha " deste jeito.

As recentes, violentas chuvas que se abaterão na região serrana do Rio são um exemplo.

Porquê ! Deus não impediu chuvas tão violentas ? Na verdade gostamos de gloriar a Deus por bençãos mas,quando somos atingidos por tragédias,revezes.

Que são o contrário de bençãos não gostamos de admitir que estamos desabençoados e menos ainda de admitir que o fato de estarmos "desabençõados " é por causa de nosso pecado.

Com bençãos ou tragédias,fracassos,revezes ,nas duas situações não perco a fé em Deus. Mas ! Admito que o situação de estar desabençoado por estar relacionado a minha infidelidade com Deus.

Exceção como Jó, Deus permitir tragédias,calamidades,revezes para mim testar e ter mais experiência com ele.
Não se deve esquecer que a Tragédia nas Serras Cariocas deve o motivo principal a ação humana. Com a ocupação desordenada de uma Aréa de Risco. E principalmente a indôlencia,omissão criminosa,descasso assassino de um Governo Impío.

Governo Impio,mas tão apoiado pela população, inclusive massas evangélicas, que poucos levantam a voz o culpando pela tragédia.

E não me surpreenderia se os "quatrocentos Conselheiros de Dilma " pussesem a culpa em Deus.

thehappydees disse...

Caro Júlio,
Excelente texto. A comparação com os profetas de Baal vem a calhar, e muito! Jezabel ainda trará muita perseguição ao verdadeiro povo de Deus, o remanescente que não quer ter parte com as impiedades estatais. Queria apenas dizer que há, sim, profetas como Micaías e Elias em nosso meio, aqueles que, embora seja provável que possam ser contados com os dedos de uma das mãos, ainda não dobraram seus joelhos a Baal, aqueles que se dispõem a tocar a trombeta e entregar o peso da palavra do Senhor. São pessoas como você, meu querido irmão, que estão pagando um preço alto por ouvir a verdadeira voz divina e anunciar "Assim diz o Senhor" no meio desta geração tão perversa. Louvo MUITO a Deus mesmo por sua vida! Não desanime ou esmoreça NUNCA, Deus tem usado você poderosamente, e seu galardão com certeza será grande no Reino.

Anônimo disse...

Cara esse texto realmente reflete a situação do Brasil hoje. Não só do Brasil mas do mundo.

Anônimo disse...

Enquanto isso, leiam a quantas anda a igreja evangélica 'extramuros', assassinato de presbítero pelas próprias ovelhas:
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&newsID=a3178609.xml&channel=67&tipo=1&section=Geral&source=widget

Adonias Soares disse...

É assustador. Assustador.

Susy Guedes disse...

Excelente texto, caro irmão Júlio!
Você tem sido o Micaías destes dias atuais, não percebe? Apenas uma sutil diferença: Nem Acabe, nem Jezabel da versão brasileira estão interessados em ouvir Micaías...

Abraços e prossiga neste difícil, porém corajoso e abençoado ministério! Oro por sua vida e de sua família!

João Manoel disse...


Sim amado irmão Júlio Severo tu tens sido um dos poucos Micaías no Brasil nos dias de hoje, sinto que ate o Silas Malafaia já negociou com o sistema, pois não disse nada sobre o caso do Pastor Marco Pereira ter sido alvo de perseguição inclusive da rede globo - mas como o pastor Silas quer um programa na globo e ser convidade em programas como "Na moral" - então pr. Silas praticamente se cala ante a perseguição da globo para com o Marco Pereira - tem peixo graúdo envolvido nisso - inclusive narcotraficantes de peso - mas o pr. Silas se limita a falar que "se for comprovado que é culpado o pr Marco Pereira deve pagar na justiça como qq um" disso todos já sabemos ... mas continue assim amado irmão em Cristo! seja cada vez mais um Micaías!