25 de dezembro de 2010

Scrooge, o melhor exemplo de propagandista do controle populacional

Scrooge, o melhor exemplo de propagandista do controle populacional

24 de dezembro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Toda vez que chega a data de 25 de dezembro, tenho tido como tradição assistir ao filme A Christmas Carol, com Alastair Sim. É um filme magnifico. Infelizmente, sempre me faz lembrar de trabalho.
É porque (conforme os leitores poderão recordar) Charles Dickens projetou Scrooge como o típico propagandista do controle populacional: “Se em vez disso morressem, eles fariam muito melhor, e diminuiriam o excesso populacional”, ele diz acerca do povão pobre aglomerado em prisões e asilos.
Quer seja a favor de uma feroz campanha ambientalista ou alguma outra suposta campanha pelo bem-estar de todos, os mais elevados especialistas em ética de hoje adotaram a percepção de Scrooge de que há um atalho bem simples para se alcançar esse bem: eliminar as pessoas que não estão se beneficiando dele.
Scrooge dá um excelente propagandista do controle populacional porque essa classe é a própria definição de Scrooge. O que acontece é que em nossa época, quando tais personagens aparecem em carne e osso em vez de num filme, o alarme anti-Scrooge da sociedade — um sentimento de repulsa para com aqueles que dizem que os outros deveriam nos fazer um favor deixando de existir — lamentavelmente não dispara.
Quando mais tarde Scrooge contempla o Pequeno Tim muito enfermo, o Espírito do Natal do Presente recorda a ele que de acordo com a própria teoria dele, a morte do menininho marcaria um passo na direção certa. Mas a mensagem realmente não lhe causa impressão profunda até que Scrooge é motivado a considerar assumir um exemplo pessoal com sua própria morte. Ora, como observam os outros personagens, isso o velhinho avarento nunca antecipou.
Essa é a praga que praticamente todos os avarentos do controle populacional têm em comum: uma atitude indiferente para com seu próprio fim. Alguns provavelmente têm, nos pensamentos do fundo da mente, a ideia consoladora de que o fim deles será de repente entrar num nada de descanso, enquanto os outros poderão ter ideias mais pessimistas ou otimistas, mas é só isso: ideias. Principalmente neste mundo de assistência médica quase que miraculosa, corremos o risco de a morte permanecer em grande parte na esfera da teoria.
Isso não é saudável.
Não devemos ficar deprimidos, mas isso é importante: por favor, não finja que a morte é apenas um desastre total. Com a exceção do nível espiritual, a morte e a vida são inimigos puros. O problema com a morte é que é impossível representá-la; não é nada e absurdo. A verdadeira avaliação é assim deixada para a experiência; a vida deixada para si pode perder seu sentido de sua própria energia pulsante, sua própria ganância insaciável por mais e mais vida. Mas a proximidade do vazio provoca o mais violento dos instintos naturais, a ânsia de existir.
Seria melhor que fizéssemos contato de novo com esse instinto; ele nos dá uma percepção do problema de se eliminar o “excesso populacional”, isto é, de se eliminar pessoas. Quando outra pessoa morre, desaparece alguém. Mas se eu morrer, tudo o mais desaparece também, e isso é o que é tão horrível.
Isso é realmente acurado. Sem pessoas, as coisas são somente coisas, ou até menos do que coisas. O ouro de Scrooge é uma coleção de átomos com setenta e nove prótons que significam nada mais do que os átomos do adubo composto. As árvores e os animais vivem e se decompõem, faltando-lhes a capacidade de conhecerem a própria beleza e poesia, e assim como é que pode haver beleza ou poesia se não se tem consciência delas? O mundo, uma imensa massa de partículas ocasionalmente se engajando em reações químicas, só estaria existindo: e no fim, pode bem ser que não esteja existindo.
Portanto, a estória de Ebenezer Scrooge não é a estória de um homem que aprendeu que as pessoas valem mais do que dinheiro, mas que pessoas têm valor. As pessoas não podem ser pesadas numa balança porque elas são a balança. É exatamente por isso que nós todos adoramos A Christmas Carol (Um Cântico de Natal), e é por isso que os avarentos do controle populacional estão errados.
Quer conservadores ou esquerdistas, ecologistas ou não, as estórias que relatam esse conto são as que mais amamos. As estórias que contam o contrário não são estória coisa alguma.
Em setembro vimos o contrário dessa estória num exemplo radical. James Jay Lee, o homem armado que atacou o Canal Discovery, teve uma morte sem sentido ao manter reféns enquanto estava exigindo que a programação da rede de televisão ajudasse a sociedade a deter a “procriação de mais bebês humanos nojentos”.
Lee estava tão alienado do verdadeiro bem-estar de todos que ele achava que as pessoas não só não são o objetivo do bem-estar, mas também um impedimento para o bem-estar. Quem foi o personagem principal dessa história? Como é que dava para ter um final feliz? É difícil dizer, considerando que ele mesmo era membro dessa “suja” raça humana — e ele tinha bombas amarradas em seu próprio corpo.
Essa é a questão que estamos entendendo, a questão que Lee lamentavelmente não entendeu e que Scrooge quase não conseguiu entender. A morte é verdadeiramente o fim errado de qualquer história, pois ela rouba as pessoas e o sentido que elas dão. E se não fosse pelo Natal, toda a história humana teria sido uma história com final infeliz.
O horrendo encontro com a morte nos ensina diretamente que muito grande foi o resgate que Deus nos concedeu mediante o nascimento de um menininho pobre no Dia do Natal. A morte, o desastre total, foi obrigada a se sujeitar e servir com a chegada da vida. A vinda de Cristo é outra daquelas histórias que mais amamos, tanto que até mesmo os modernos secularistas não conseguem proibi-la completamente: [A história do nascimento de Cristo] conta como a alma humana nunca desaparecerá, mas tem a esperança de conquistar até mesmo a própria morte.
Foi um ano difícil: enquanto observamos, as pessoas parecem continuar achando mais e mais métodos de suprimir a vida. Saturar-nos com esses relatos por muito tempo pode não ser saudável, e pode nos fazer esquecer o jeito que as coisas realmente são. Vamos pois nos desintoxicar, achar um lugar confortável no Dia do Natal e escutar uma história que nos conduza às duas coisas que mais são apropriadas no Natal: a vida e o Menino que a tornou abundante para sempre.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Copyright © LifeSiteNews.com. Este texto está sob a licença de Creative Commons Attribution-No Derivatives. Você pode republicar este artigo ou partes dele sem solicitar permissão, contanto que o conteúdo não seja alterado e seja claramente atribuído a “Notícias Pró-Família”. Qualquer site que publique textos completos ou grandes partes de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com em português tem a obrigação adicional de incluir um link ativo para “NoticiasProFamilia.blogspot.com”. O link não é exigido para citações. A republicação de artigos de Notícias Pró-Família ou LifeSiteNews.com que são originários de outras fontes está sujeita às condições dessas fontes.
Leia também:

Nenhum comentário :