9 de novembro de 2010

Rapazes revoltados

Rapazes revoltados

Patrice Lewis
Recentemente, li um artigo extraordinário sobre o assunto do motivo por que tantos rapazes estão revoltados, chateados e rebeldes. A escritora desse artigo (Tiffani) tem cinco filhos, inclusive dois meninos com as idades de 14 e 2 anos. No laboratório de uma vida familiar feliz, estável e caótica, ela criou essa louca teoria: de que os meninos precisam de homens para lhes ensinar a ser homens. Loucura, não é?
À medida que Tiffani observava os padrões morais, atitudes, ética profissional e senso de responsabilidade da sociedade se deteriorarem, ela não conseguia deixar de especular se a falta de um homem forte na vida dos meninos os transforma de “doces, amorosos menininhos corados” em adolescentes monstruosos. E ela ficou pensando… será que a rebelião na adolescência é uma fase natural da vida, ou será que é causada por algo de que os meninos têm falta?
A premissa da teoria de Tiffani é que as mães precisam saber quando se retirar e deixar seus filhos do sexo masculino aprenderem a ser homens sob a tutela de seus pais (ou figuras paternas). Como todas as mães, Tiffani quer proteger seus meninos de ferimentos. Mas isso é bom a longo prazo? Talvez não. Tiffani está aprendendo quando afastar-se e deixar seu marido assumir a orientação de seus meninos.
À medida que amadurecem, os meninos nem sempre vão querer — ou precisar — proteção. Eles precisam de desafios, aventuras e atos de cavalheirismo. Os pais — os pais fortes — sabem quando afastar a proteção das mães e começar a treinar seus filhos a serem homens. A palavra-chave é treinamento.
O treinamento é decisivo. Meninos sem treinamento crescem e se tornam monstruosos: fora de controle, predatórios em cima das mulheres, irresponsáveis, incapazes ou indispostos a limitar seus impulsos movidos à testosterona para agressão ou sexo. Nossa atual sociedade está toda encardida com os prejuízos que sobraram dos meninos que nunca aprenderam o que é necessário para ser um homem. Lamentavelmente, esses “meninos adultos” muitas vezes procriam indiscriminadamente e despreocupadamente, então se recusam a ser pai para os filhos que eles produzem.
Mas homens treinados transformam a sociedade. Eles trabalham duro. Eles movem coisas pesadas. Eles constroem abrigos. Eles protegem, defendem e resgatam. Eles providenciam provisão para suas famílias. Eles fazem todas as coisas assustadoras, feias e sujas que as mulheres não conseguem (ou não querem) fazer. Homens treinados são, nas palavras do colunista Dennis Prager, a glória da civilização.
Conforme aponta Tiffani, os meninos precisam de homens para ajudá-los a estabelecer sua masculinidade de modo apropriado. Os homens entendem que os meninos precisam de experiências e desafios definidores para cumprir seus papéis biologicamente programados. As mulheres não entendem isso, mas não tem problema. Pais fortes (ou figuras paternas fortes) instintivamente intervirão e começarão a treinar os meninos como domar a testosterona, como trabalhar, como respeitar as mulheres, como liderar e defender e como eliminar ameaças.
O problema começa quando não há um modelo de papel masculino para um menino imitar. Se os homens estão ausentes, enfraquecidos ou indispostos a ensinar os meninos como se conduzir, então os meninos não aprendem como ser homens. É simples assim.
As mães não têm a capacidade de ensinar os meninos a ser homens. Não importa quanto amemos nossos filhos do sexo masculino, não temos essa capacidade. As mães querem ser mães porque, afinal, é o que fazemos. Protegemos, cuidamos e beijamos as feridas dos nossos meninos. Mas chega uma hora na vida de todo menino em que ele precisa se erguer acima dos beijos nas feridas e ser um homem.
Os homens não dão beijos nas feridas. É assim que eles se tornam guerreiros e protetores.
Lembro-me de quando o filho de 13 anos de nosso vizinho andou de bicicleta até nossa casa, uma distância de um quilometro e meio em difícil estrada de terra. Ele levou um tombo desagradável e chegou coberto de arranhões e sangue. Quando lhe perguntei o que havia acontecido, ele explicou sobre o tombo… então acrescentou um sorriso radiante: “Mas não tem problema. Sou menino”. Não é preciso dizer mais nada.
Se eu tivesse me descabelado com a situação dele, falando carinhosamente, agindo de forma excessivamente preocupada e beijando seus machucados, eu teria roubado dele a aventura de ter sobrevivido de seu acidente. Ele se orgulhou das cicatrizes de sua batalha, e a última coisa que ele queria era cobri-las com ataduras infantis.
O que acontece quando os meninos não têm um homem forte para lhes ensinar? Os resultados variam de indivíduos fracos e covardes a totais brigões. Dou um exemplo em meu blog sobre uma mulher dominadora com um marido fraco criando dois filhos do sexo masculino. Esses meninos estão crescendo num lar torcido e desordenado que vai contra a natureza humana e a programação biológica, e os meninos vão virar homens abrutalhados.
Meninos que crescem com nada senão a “proteção” de suas mães — sem nenhum homem forte para lhes dar a chance de acabarem com as ameaças — se tornam revoltados e cheios de amargura. Eles sabem que algo está errado. Eles sabem que têm de defender as mulheres, mas eles guardam tanto ressentimento de suas mães por “protegerem” a eles de todos os desafios que o modo como eles veem as mulheres fica distorcido.
Se o marido dessa mulher tivesse desempenhando seu papel como cabeça da casa, esses meninos poderiam ter se tornado homens diferentes. Se ele tivesse resgatado seus filhos do perpétuo amor protetor de sua esposa, seus filhos poderiam ser Homens em Treinamento em vez de Futuros Abrutalhados. Mas temo que seja tarde demais.
Creio que uma parte de criar filhos fortes e equilibrados vem de meninos observando suas mães honrarem seu pai. O lar em que a mãe e o pai respeitam um ao outro por suas várias forças biológicas cria os filhos da forma mais estável e equilibrada possível.
Meu marido e eu não temos filhos para criar e se tornarem homens. Mas nossas meninas estão aprendendo a admirar a verdadeira masculinidade, não potenciais abrutalhados ou fracos e covardes. Ajuda tremendamente que, em nossa vizinhança, estejamos cercados de pais responsáveis que estão criando excelentes rapazes — fortes, prontos para ajudar, protetores das mulheres, ansiando serem heróis.
Com que tipo de homem você pensa que quero que minhas filhas casem algum dia? O Homem de Verdade que assume seu papel biológico de protetor e guerreiro? Ou o Rapaz Revoltado que xinga a mãe e despreza o pai? Qual lhe parece o homem mais equilibrado e firme?
Nada disso é difícil demais de entender — ou, pelo menos, não devia. Infelizmente na cultura andrógina feminista de hoje, esse conceito se tornou motivo de desprezo e zombaria.
Patrice Lewis é uma escritora independente e autora do livro “The Home Craft Business: How to Make it Survive and Thrive” (Empresa Doméstica de Artesanato: Como Fazê-la Sobreviver e Prosperar). Ela é cofundadora (com seu marido) de uma empresa doméstica de artigos de madeira. O casal Lewis vive em Idaho, educando em casa suas duas filhas e cuidando de seu gado. Visite o blog dela: http://www.patricelewis.blogspot.com/
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: WND
Visite o Blog Escola em Casa: www.escolaemcasa.blogspot.com

10 comentários :

Anônimo disse...

Esta teoria é mais velha que andar para frente ,Julio.

Tom Alvim disse...

Simplesmente fantástico. Tenho um filho e sempre pensei como a autora do texto e na medida do possível tenho tentado colocar isso em prática em minha família.
Se você me permitir vou copiar este texto e colocá-lo em meu blog (com a devida referência aos autores).
Obrigado Julio!

Julio Severo disse...

Fique à vontade, Tom. Só não esqueça de mencionar também este link: www.juliosevero.com

José Roberto disse...

A pior ciência de todas é psicologia humana. Trata-se de uma ciência morta, sem valor, sem vida, inerte!

Na universidade, por exemplo, quando estudam padrão de comportamento humano, abordam apenas o comportamento do homem que é muito mais fácil de ser estudado. Desprezam totalmente a complexidade da subjetividade comportamental feminina.

É impossível perceber por sí só o que essa "subjetividade" da mulher exige de um homem. A geração anterior, tinham esse conhecimento que não era explicado teoricamente mas, por meio de atitudes.

Essa "atitude" correta nas relações com a mulher era repassada pelo pai ao filho homem que repetia automaticamente o padrão comportamental masculino esperado pela mulher. O resultado? Casamentos estáveis e felizes.

Hoje, enganam os homens ao ensinarem atitudes que, inconscientemente a fêmea humana o desprezará como macho. O conhecimento se foi!

Curiosamente, a inércia da ciência da psicologia não fará mais falta porque, nós mesmos, estamos descobrindo verdades absolutas como essa.

Chamelly disse...

Que excelente artigo!

rafael paz disse...

Muito legal.
Os livros do John Eldredge ("Coração Selvagem" e "A grande aventura masculina") esmiúçam bem tudo o que foi dito neste post.
Recomendo para quem quer se aprofundar no assunto!

SBKAUER disse...

Ótimo texto. verdadeiro! Vou publicá-lo em <a href="http://missoes.org>missoes.org</a> com sitação de fonte. Abraço!

*** disse...

Amei o texto. Tenho um filho homem e uma moça e o que mais procuro como mãe é mostrar minha submissão ao meu esposo como mulher e deixar que (na sua presença) ele tome as rédeas. Vim de uma família onde vi diversas vezes minha mãe calar-se para que a voz do meu pai pudesse ser ouvida. Eles eram tão unidos que não havia segredo entre eles e nós sabíamos disso. Acredito que um dos maiores legados que posso deixar para meus filhos é o amor, submissão e respeito sincero pelo meu esposo. Em tempos de anarquia generalizada, de falta de governo em todos os âmbitos da sociedade, só resta cultivar no nosso próprio lar a submissão às autoridades instituidas por Deus, a começar pelo cabeça do lar, o pai.

Pri disse...

Gostei e concordo plenamente com o que diz este artigo. Tenho um filho, e quando se faz necessário meu marido assume o comando da situação. Como mãe noto que as vezes é preciso que os meninos ouçam uma voz mais forte para saberem quem é que manda.Porém além de adverti-lo ele o orienta para que futuramente ele saiba educar seus filhos com base naquilo que aprendeu . Muito do que acontece hoje tipo: Filhos que não respeitam os pais, filhos que agridem sua mães e por ai vai. Tudo isso é causado pela ausência dos pais.
Infelizmente tem muitos Pais, achando que só mandar o filho pra escola vai servir para dar a devida educação. Bem sabemos que não é assim que deveria ser.
Tudo isso é lamentável.
Bem senhor Júlio, se me permite também vou postar este artigo no blog, e o convido para visita-lo:
http://olhandodoauto.blogspot.com

Renato disse...

Rafael Paz

Pelo que entendi, os conceitos expressos pela autora são diferentes dos expressos por John Eldredge. A verdadeira virilidade, conforme defendida por ela implica, TAMBÉM, em domínio próprio, decência, senso de justiça, aprendizado. Ela tem uma percepção mais racional (e certamente mais cristã) do que Eldredge.