30 de novembro de 2010

Possessão demoníaca agora é politicamente correta

Possessão demoníaca agora é politicamente correta

Linda Harvey
Talvez você tenha perdido a manchete de que os profissionais de psicologia nos EUA têm um novo jeito de lidar com os pacientes que estão, ou acreditam estar, possuídos por um ou mais espíritos. Esses clientes podem precisar de “normas conjuntas de tratamento” que mesclem aconselhamento tradicional com um jeito bem sucedido de lidar com “espíritos invisíveis”. Sim.
Mas há uma questão importante aí. O paciente — o humano — deve ser um indígena. Os pacientes de tribos indígenas dos EUA, você sabe, reconhecem uma “fronteira penetrável entre o mundo físico visível e o dos espíritos invisíveis”. Os terapeutas ocidentais deveriam se empenhar mais em honrar essa visão de mundo pagã.
Essa abordagem inovadora vem da Dra. Suzan McVicker, conselheira profissional licenciada, num artigo de 2010, publicado pela Associação Americana de Psicologia (AAP). Ela diz a seus leitores que entre as culturas indígenas, uma “força espiritual” pode entrar em um humano e querer ficar. Dá para se resolver isso, ela explica, com o emprego de “uma despossessão espiritual”. Mas longe do “banimento forçado” mediante um exorcismo, aqui o espírito é conduzido em segurança de volta ao local de origem, que se descobriu ser, para a maioria deles, Washington, D.C. (Brincadeira — ela não disse isso não.)
De todo modo, essa saída suave é realizada com “habilidade e compaixão” (que supostamente estão ausentes nos exorcismos cristãos) e com um mínimo de trauma. Jesus poderia ter aprendido muito com a AAP! Nada de mandar demônios entrarem em manadas de porcos, e nada daquela coisa de “ranger de dentes”. Tudo muito civilizado mesmo.
E essa condução pacífica do problema da possessão se aplica a dois pacientes porque a Sra. McVicker acredita que o espírito também é paciente e, na verdade, outra identidade. Em suas sessões espíritas com Jean Houston, a identidade alternativa de Hillary Clinton era Eleanor Roosevelt, não se esqueça. É tentador especular que talvez a partida serena de Eleanor tenha ocorrido cedo demais.
Agora, para entender o histórico de Suzan McVicker, é preciso ir à fonte de seu sistema de crenças, o qual é este: Todos nós temos uma “direção dentro de nós”, onde o “saber dos antigos” pode produzir energia e a cura do corpo, espírito e mente. Soa bastante como se houvesse um pequeno deus lá dentro, pondo-nos exatamente de volta no primeiro conflito do Jardim do Éden. Mas McVicker chama essa direção interna de “espaço sagrado”, no qual podemos nos curar, um grande alívio para aqueles de nós que estão apavorados com os cortes sob o programa de saúde pública de Obama.
Como isso ocorre? Estados de transe, meditação da “atenção plena” e a ação de acessar o inconsciente, como na psicologia jungiana, são técnicas fundamentais. A senhorita McVicker e a emergente rede pseudocrístã de promotores da oração “contemplativa” têm muito em comum. Nenhum dos dois tem muito medo do mundo espiritual e crê que ele pode ser acessado muito confortavelmente. Tudo se resume a nós, nossos corações, mentes e intenções. E, é claro, isso é habilidosamente orquestrado pela conselheira treinada pela AAP, e ninguém se revolta nem demonstra nojo.
Conversei sobre este artigo com meu colega Dr. Peter Jones, presidente do TruthXChange [VerdadeXMudança] e estudioso internacional que rastreia as tendências do reavivamento neopagão global. O Dr. Jones disse que “Carl Jung iria delirar de felicidade ao ver esta reviravolta dos acontecimentos, ele que tinha seu próprio espírito-guia, Philemon. Em vista de sua influência no mundo da psicologia, essa mudança é inevitável”.
O reconhecimento de Deus como o Espírito supremo de autoridade atrapalharia completamente esse envolvimento egocêntrico com o ocultismo. Daí, ao que tudo mostra um modelo cristão do “mundo invisível” está fora de cogitação, mas percepções tribais e populares são válidas e prestigiadas. Bem-vindos à esquerda dos EUA, a qual redescobriu o antigo paganismo e o chama de maravilhoso progresso.
Agora, não deveríamos ser duros demais com a Sra. McVicker, só porque ela está surfando na onda de um modismo. Uma especialidade florescente, chamada “saúde mental indígena,” leva a sério a ideia de que os animais e até as plantas são os ancestrais de certos grupos de pessoas. Alguns havaianos, por exemplo, acreditam que a planta conhecida como “taro” é um ancestral e isso os leva a afirmar que a separação de certas áreas de terra pode resultar em uma “alienação e desenraizamento do eu.” Longe de chamar tais ideias de bizarras e primitivas (ou convenientemente cobiçosas), a conselheira culturalmente sensível poderá pôr essa ideologia como o principal fundamento do tratamento de saúde mental e deixar os antiquados conceitos “eurocêntricos” na lata de lixo.
A AAP também leva a sério a ideia de que a homossexualidade e a confusão de gênero entre grupos tribais são o que se chama de um fenômeno de “dois espíritos”. Tradicionalmente, acreditava-se que essas pessoas de “dois espíritos” tinham poderes especiais. Ah, é claro que eles nunca vão dizer que essas tradições e poderes intimidariam cristãos declarados para se acovardarem e ficarem em silêncio.
Os povos “originais”, ou indígenas, também podem sofrer de desconfiança do governo (um resquício da “colonização”); de trauma histórico de genocídio e opressão; e podem se aferrar teimosamente a conceitos tribais de bem-estar. Não, por “bem-estar” não estamos falando de um dia na academia de ginástica. Eles querem que consideremos com seriedade os “rituais,” purificações e práticas típicas da bruxaria popular, até do vodu, com tudo o que vem incluído: couros de animais, chocalhos e tudo mais.
Do jeito que a coisa está, só nos falta esperar que a AAP anuncie em breve a descoberta do fogo.
Contudo, em qualquer dessas iniciativas da AAP e outras associações de profissionais de saúde mental, observa-se a ausência de qualquer consideração a respeito de um grande grupo cultural e religioso mundial: os cristãos bíblicos. Quando crentes se sentam em divãs acolchoados e insinuam aos conselheiros que sua situação pode envolver a presença de “espíritos indesejáveis”, qual é a reação deles? Eles condescendentemente desprezam tais ideias como coisa da idade das cavernas.
A nova abordagem progressista pode de pronto se tornar política, e é confessadamente um problema "complicado", porém não descartado. O movimento nativista havaiano tem permissão de atuar oficialmente na área de saúde mental, ao que parece, e até com uma base lógica espiritual. Os conselheiros são orientados a serem compreensivos e empáticos com essa espiritualidade. A recomendação oficial é que eles ergam a frágil autoestima nacional, étnica e pessoal dos indígenas. E se isso significar que o governo seja usado para esses propósitos? Bem, então, que assim seja. Tudo e qualquer coisa por uma saúde mental de qualidade.
A AAP apoia o princípio de indenizações para grupos étnicos minoritários, como um meio de indenizar danos psicológicos desses grupos indígenas.
Qualquer oposição aos objetivos políticos dos povos indígenas, então, é vista como intrinsecamente maligna, negando-lhes cura emocional e estabilidade mental. Quer melhor plataforma para uma revolução do que essa? Direitos constitucionais à liberdade religiosa poderão ser invocados como necessários para apoiar reivindicações políticas intrusivas e ultrajantes. Esses demônios — especialmente os defensores “moderados” da liberdade e do patriotismo, sem mencionar diversidade e direitos humanos autênticos — farão com que todos pratiquem os costumes indígenas de invocação aos espíritos.

Só se pode esperar que uma futura recomendação para alguns desses grupos indígenas os ajude a adquirir algum senso de perspectiva e realidade. Mas duvido que eles encontrem isso na Associação Americana de Psicologia.
Linda Harvey é presidente da Mission America e apresenta um programa de rádio diário de talk show, em Ohio.
Tradução feita pelo Dextra por recomendação e a pedido de Julio Severo. Revisado por Julio Severo.
Divulgação: www.juliosevero.com

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