7 de outubro de 2010

A Revolução Sexual e as Crianças: ‘Olha, Minha Vagina’

A Revolução Sexual e as Crianças — Parte 2:

‘Olha, Minha Vagina’

Continuação da PARTE 1 DO ARTIGO
A edição número 17 da Kursbuch continha uma série de fotos em tamanho pôster. Sob a manchete “Peça de Amor no Quarto das Crianças,” ela mostrava Nessim e Grischa, ambos nus. As imagens extra-grandes são do tipo que se esperaria ver em uma revista para pedófilos, hoje — não, com certeza, em uma influente publicação da intelligentsia esquerdista. O subtítulo diz: “Grisha caminha até o espelho, olha seu corpo, curva-se para a frente várias vezes, envolvendo as nádegas com as mãos e diz: ‘Olha, minha vagina.’”
Ulrich Enzensberger, ex-membro da comuna, disse depois que Nessim, de qualquer modo, se lembrava “com horror” dos dias da comuna. Nessim hoje é cientista político em Bremen, enquanto Grischa vive em Berlim e trabalha para uma editora. Nessim e Grischa levaram vidas muito reservadas desde que conseguiram tomar suas próprias decisões. Quando perguntado, Nessim diz educadamente que ele só discute sua infância “e, portanto, assuntos íntimos, com pessoas de confiança.” Grisha, hoje com 46 anos, é igualmente reservada sobre seu passado.
Existe a tentação de minimizar a “peça de amor” na comuna como uma exceção radical de um projeto revolucionário, já que tantos pais esquerdistas não modelaram as próprias vidas nas experiências educacionais da Rua Giesebrecht. Para os contemporâneos, a Comuna 2 foi um projeto piloto de educação anti-autoritária que foi rapidamente seguido por jardins-da-infância nos quais os pais aplicavam as novas idéias na criação dos próprios filhos, primeiro em Frankfurt, Berlim, Hamburgo e Sttutgart e por fim em cidades menores, com Giessen e Nuremberg.
Inicialmente, os pais tratavam de temas práticos, como sobre se deveriam levar os filhos consigo para marchas de protesto. Mas a agenda no fim se voltou para a educação sexual. Nesses jardins-da-infância e creches não-autoritários conhecidos como Kinderladen, nenhum outro assunto era tão amplamente discutido, diz Alexander Schuller, um dos pioneiros do movimento.

Divididos sobre a questão

Em 1969, Schuller, sociólogo, foi um dos fundadores de um Kinderladen no bairro do Wilmersdorf, em Berlim. Como Schuller, os outros pais eram acadêmicos, jornalistas ou funcionários de universidades — decididamente um grupo de clase média alta. Os dois filhos de Schuller, com quatro e cinco anos, na época, cresceram sem as regras costumeiras e as punições de uma creche gerida pelo estado.
Mas os adultos logo se dividiram em relação ao tema do sexo. Alguns estavam decididos a encorajar os filhos a mostrar e tocar os órgãos sexuais, enquanto que os outros se horrorizavam com a idéia.
“Não se falou diretamente sobre isso, mas era claro que, no fim, estava-se cogitando sobre sexo com as duas professoras,” diz Schuller. “Eu achei incrivelmente difícil de me posicionar. Eu sentia que o que estávamos tentando fazer era essencialmente correto, mas, em relação a esse assunto, eu pensava: isso é loucura, isso não está certo. Mas aí eu ficava com vergonha de pensar daquele jeito. Eu acho que muitos estavam na mesma situação.”
Depois de um ano de discussões extenuantes, o grupo mais pudoroso prevaleceu e os pais decidiram que não haveria sexo no Kinderladen.
Hoje em dia, a estimulação dos órgãos sexuais de uma criança por um adulto é vista claramente como violência sexual criminosa. Mas para os revolucionários de 1968, foi uma ferramenta educacional que ajudou a “criar uma nova pessoa,” de acordo com o “Manual da Doutrinação Infantil Positiva,” publicado em 1971. “As crianças conseguem apreciar o erotismo e a relação sexual muito antes de conseguirem entender como uma criança é concebida. Para as crianças, os afagos com adultos são valiosos. Não é menos valioso que ocorram relações sexuais durante esses afagos.”

Educação Constante

O auto-engano desses pais supostamente esclarecidos começou quando eles tentaram impor às crianças um relacionamento sem inibições quanto ao sexo. Em teoria, seu objetivo era capacitar as crianças a agirem de acordo com suas necessidades sexuais. Mas como as crianças não são espontaneamente inclinadas a se tornarem sexualmente ativas na frente dos adultos, elas tinham que ser estimuladas a fazê-lo. Os pais estavam constantemente contando piadas de sexo e usando palavras como “pau”, “bunda” e “vagina.” “Na verdade, meus filhos gostavam muito do jardim da infância,” diz Schuller, “mas achavam a conversa constante sobre sexo horrível.”
Em seu romance “Das bleiche Herz der Revolution” (O Coração Pálido da Revolução), Sophie Dannenberg descreveu de forma chocante o quão angustiante pode ser para as crianças quando seus limites de privacidade são violados. Dannenberg, cujos pais, motivados por sua filiação com o Partido Comunista Alemão, a mandaram para um Kinderladen na cidade ocidental de Giessen, em 1970, usou as histórias contadas por sua mãe e outras testemunhas da época para escrever seu relato sobre uma atmosfera de educação constante.
O material que ela usou inclui um relato de uma Noite dos Pais em que uma das mães disse que tirou a roupa na frente do filho para que ele pudesse “inspecioná-la.” No processo, a mulher abriu as pernas para expor suas partes íntimas para sua inspeção. A brincadeira terminou com o garoto enfiando um lápis na vagina da mãe. Os pais também passaram um bom tempo discutindo se era uma boa idéia fazer sexo com os próprios filhos, de modo a demonstrar a “naturalidade” da relação sexual.
Embora as pessoas que Dannenberg entrevistou não se lembrassem de quaisquer insinuações físicas, elas, por outro lado, descreveram “formas mais suaves de ataque sexual,” tais como exigências intrusivas de que as crianças mostrassem seus corpos nus. No romance, que se baseia na pesquisa de Dannenber, a personagem Simone recebe ordens para tirar a roupa na frente de vários adultos e outras crianças. “Por que você quer se esconder,” diz a mãe, para a diversão das pessoas de pé, em torno, quando a criança instintivamente segura uma almofada em frente de seu órgão sexual. “Isso que você tem aí é uma coisa linda! Mostra pra gente!”

Aventuras

Nenhuma outra cena do livro provocou tantas reações de raiva quanto essa. Dannengerg relata que ela era literalmente silenciada com gritos durante eventos para discutir o livro, sempre que a cena era mencionada. “Mentiras, Mentiras” membros da platéia berraram, numa vez em que ela estava em um painel de discussão com Ulrich Enzensgerger e o lembrou de suas aventuras sexuais na época.
Provavelmente também não foi sempre fácil para os adultos serem tão livres. Nem todo mundo sabia o que fazer quando as crianças passaram, de brincar consigo mesmas, a acariciar os adultos.
Em seu livro autobiográfico de 1975 “Der Grosse Basar” (O Grande Bazar), o político do Partido Verde Daniel Cohn-Bendit descreve suas experiências como professor em um Kinderladen de Frankfurt. Quando as crianças confiadas aos seus cuidados abriam sua braguilha e começavam a acariciar seu pênis, ele escreve, “Eu normalmente ficava muito surpreso. Minhas reações variavam, dependendo das circunstâncias.”
Próxima parte: ‘Tá doendo’ — 3 de 3.
Tradução de Luísa Soares e João Carlos de Almeida, do blog DEXTRA.
Tradução feita por recomendação e a pedido de JULIO SEVERO.
Artigo original AQUI.
Divulgação: www.juliosevero.com
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