8 de julho de 2010

O açougue e a eleição

O açougue e a eleição

Quando a escolha do “menos pior” garante o apodrecimento das futuras eleições

Julio Severo
Primeira semana: O cidadão vai ao açougue e pede carne de boi, e o açougueiro lhe dá três opções: Uma carne 60% podre, outra 50% podre e a última 40%.
“Você vai querer qual?” diz o açougueiro.
O cidadão fica em dúvida: “Não posso ficar sem comer carne. Tenho de escolher a menos pior!”
Segunda semana: O cidadão vai ao açougue e pede carne de boi, e o açougueiro lhe dá três opções: Uma carne 80% podre, outra 70% podre e a última 60%.
O cidadão repete: “Tenho de escolher a menos pior!”
Nas próximas semanas, a mesma decisão e o mesmo final: ele sai do açougue com carne de má qualidade, tendo a convicção de que é obrigação comprar. E ele ainda não entende o motivo por que sua saúde vem se deteriorando gradativamente.
Ele come carne podre, reclama; come, reclama, e sempre volta a fazer a mesma coisa.
Na realidade, “o menos pior” é geralmente uma escolha inadmissível no açougue, mas vem sendo escolhida sistematicamente por milhões quando o assunto é eleições. O eleitor vota em candidatos podres, reclama e repete a mesma coisa em eleição após eleição.
Qualquer açougue que venda carne podre que for aceita por seus clientes continuará vendendo produtos de qualidade cada vez mais baixa. E prosseguirá na sua cara de pau — até que haja um boicote.
De forma semelhante, desde o primeiro dia em que os cidadãos brasileiros aceitaram candidatos podres, eles colaboraram para a degradação das eleições. A atitude de escolher “o menos pior” empobrece, prejudica, enfraquece e apodrece a qualidade de qualquer categoria, produto, empresa ou evento, inclusive político.
A chave para a boa qualidade está na atitude do cidadão. Quando um estabelecimento comercial oferece produtos de má qualidade, a obrigação do cidadão é boicotar. Essa é a sua única obrigação. O boicote forçará o comerciante a oferecer produtos de boa qualidade.
A chave para a boa qualidade política é boicotar todos os candidatos podres. Não há candidato de boa qualidade, predominantemente pró-família e pró-vida nestas eleições? Boicote! Cada boicote produzirá próximas eleições com candidatos cada vez menos podres e forçará o aparecimento de um candidato realmente de valor.
Nossa postura para com os candidatos deveria ser: “Quer ser podre, seja, mas não com meu voto. Não vou prejudicar a mim mesmo e minha família com sua podridão”.
Os políticos só respeitam eleitores que exigem qualidade superior e boicotam candidatos de má qualidade moral.
Quem decide se políticos podres governarão o Brasil é você. Quem decide se as eleições futuras serão piores ou melhores é você. Não tenha, pois, medo de sair do açougue safado sem nada nos braços.

14 comentários :

SVM disse...

A questão aqui é que, cristãos votando ou não, alguém será eleito. Não votar em ninguém pq todos são ruins NÃO TERÁ UM PAPEL MORALIZADOR da política, em absoluto. Para que fosse o caso, seria necessário que tivéssemos um mínimo de votos abaixo do qual ninguém pudesse se eleger. Assim, ninguém ganhava, e seria necessária outra eleição, e mais outra e outra, até que finalmente aparecesse um candidato satisfatório, e que recebesse votos suficientes, e ganhasse. Esse sistema não existe aqui.
Para um político corrupto, não importa qtos votos recebeu, mas se ganha ou não - é o que basta.

Por exemplo, utilizando-me da metáfora do açougue: eu posso deixar de comprar a carne, mas a carne SERÁ FATALMENTE VENDIDA, o açougueiro terá seu lucro e continuará sem se importar de vender carne podre - pq essa será vendida forçosamente. Então, a "menos ruim" das hipóteses é contribuir para que a carne menos deteriorada seja vendida - um aproveitamento de 60% ainda é melhor que um de 20%. Não posso ver de outra forma.

Mas está claro que essa é uma questão de opinião - e por hora, toda a minha lógica e convicção levam-me a seguir a minha. FORA PT.

Oziel Joze disse...

Concordo com você, Julio.

Sempre digo isso para as pessoas, no brasil nos acostumamos com meias soluções para tudo, e o termo "é melhor do que nada", rege todas as administrações públicas.

Para piorar tenho dificuldade em ver políticos comprometidos com a palavra de Deus e dispostos a sofrer por isso, já que o meio é por demais nocivo, se é capaz de entrar tem que ser luz e não pode se misturar com trevas.

Docil 43 disse...

A pior escolha é escolher o menos pior! Ou escolhemos o melhor, ou boicotamos?
O Brasil não precisa do menos pior, pois o melhor é que vai salvar o Brasil.
O menos pior nunca resolve o problema, mas boicotar pode ser a solução.

luiz.mezzomo disse...

É exatamente o que eu penso. Há muitas eleições os eleitores escolhem o "mal menor". No que deu? A preferência de quase 90% dos brasileiros é eleger quadrilheiros, abortistas, e por aí a fora. Há muitas eleições eu tenho anulado o meu voto e faço questão de anunciar isto.

Lia disse...

Concordo com SVM. Um boicote às eleições não leva a nada, pois independentemente do número de votos totais, alguém será eleito. E é improvável que um grande número de votos nulos vá sensibilizar políticos e partidos a colocarem a mão na consciência. Nem imagino que tipo de atitude seria útil para elevar moralmente nosso quadro de governantes, mas anular o voto é certamente inóquo para isso. Anular o voto, quer queira quer não, equipara-se a apoiar o candidato que está com maioria de votos. A neutralidade do não-voto é apenas ilusória (como na guerra: quem se omite, não ajuda a guerra a acabar, mas simplesmente o mais forte a ganhar e o mais fraco, a perder).

A paz do Senhor.

Felipe disse...

Faço minhas as palavras da Lia e do SVM. Seria necessário que 50% das pessoas anulassem o voto e isso não irá ocorrer.
Temos 9 candidatos nessa eleição, temos que apoiar o mais cristão deles para mostrar que os cristãos querem ser representados, mesmo pq penso que sendo humanos sempre haverá alguma porcentagem de podridão.

Julio Severo disse...

Prezados SVM, Lia e Felipe

A postura de votar no menos pior tem sido clàssica durante dècadas. Os resultados estão aí diante dos olhos de todos. Lula e seus aliados venceram porque têm mentalidade revolucionária. A única coisa que posso pensar é que devemos ter uma postura de ou tudo ou racha. Os que votaram no menos pior há 20 anos estã vivos para ver os resultados hoje, e o próprio Lula reconheceu recentemente que pela primeira vez na história do Brasil, todos os candidatos presidenciáveis são de esquerda.

A própria Marina, que é evangélica, não tem nenhum tipo de antagonismo com Dilma, pois ela vem do PT e tem o DNA do PT.

Silvio Ricardo disse...

Com tantos candidatos escrotos (para ser elogioso), nós brasileiros estamos ferrados...

Anônimo disse...

Açougue, carne podre, compradores, governo, política, candidatos, leitura e interpretação de texto, LÓGICAS...
Alguma coisa está fora da NOVA ORDEM MUNDIAL...
A começar que a eleição, principalmente as que mobilizam milhões de necrófagos, é PRODUZIDA pelos senhores do mundo, os que realmente mandam nos governos, todos eles.
Não há eleição, há PRODUÇÃO de candidato.
Não existe democracia, não existe liberdade na esfera "urbana".

J_OR disse...

Concordo com o colega anônimo.
As pessoas estão distraídas até à morte e não percebem à volta o que os manipuladores estão preparando até o instante em que forem todos engolidos. Política, religião, economia, cultura, arte... todos os segmentos são controlados.
Mostrar que "há possibilidade" da sociedade civil assumir as rédeas da conjuntura ocorre apenas no campo das idéias e é ilusório. O gado vive cercado...
cantemos: ...Êêêhh...Boi... Vocês que fazem parte dessa massa...

Esther disse...

Só tenho votado nulo e concordo, irmão Julio. Seria sensacional ver isso acontecer!
No entanto, parece que a maioria ou grande parte não quer anular o voto. Já vi várias pessoas de liderença comentando no facebook para não deixarmos de votar em alguém...

Anônimo disse...

Irmão Júlio, discordo de você neste artigo. Um boicote às eleições deste ano só favorecerá o pior candidato. Um exemplo disto é o fato de que Obama foi eleito porque um percentual dos eleitores deixou de votar. Quem eram eles? Exatamente o povo das igrejas que decidiu se abster. Não podemos cometer o mesmo erro no Brasil. Deus abençoe.

Karla disse...

98% dos comentários do Julio eu concordo, mas este realmente não concordei. Por pior que seja votar por exemplo, num Aecio que é da esquerda, é bem melhor do que deixar os comunas no poder: Lula/Dilma. No momento histórico que estamos vivendo, é perigoso votar nulo. Tiramos os comuna do poder, depois abraçamos esta tese.

Josivaldo M. Silva disse...

Todos os nossos candidatos são farinhas do mesmo saco. Em um grau de pior para mais horripilante. Não temos opção. No Brasil se tornou cultural a imoralidade, a corrupção, a desonestidade, e, se vc procura viver piamente, é taxado de extremista, idiota. Ser bom nessas bandas e ser 'esperto' levando vantagem em tudo, e isso começa desde atitudes do dia-a-dia de pessoa simples até os políticos que têm poder de decisão. Eles foram formados para agirem assim não foi entre a classe política, foi no meio da populção, desde tenra idade. Oro pelo Brasil e pelas autoridades em obediência às Escrituras, mas tenho plena convicção de que o país está absolutamente com a causa perdida. Não creio de jeito nenhum que temos condições de sair desse atoleiro em que entramos.