14 de maio de 2010

A Separação Marxista da Igreja e o Estado

A Separação Marxista da Igreja e o Estado

Rousas John Rushdoony
Um entendimento da doutrina marxista da separação da igreja e o Estado é urgentemente necessário, porque há uma crescente confusão entre a visão marxista e a antiga posição americana.
No mundo marxista, como na União Soviética, a separação da igreja e o Estado significa que a igreja deve ser totalmente separada de cada área da vida e pensamento. Ela não tem a permissão de educar ou influenciar a educação, muito menos influenciar o Estado. Porque as crianças são vistas como propriedade do Estado, a igreja não pode influenciar ou ensinar as crianças. Em todas as esferas, a igreja é isolada do mundo e vida dos seus tempos e requer-se que ela seja irrelevante e impotente. Na visão marxista, a separação da igreja e o Estado é um grande obstáculo e penalidade legal impostos sobre a igreja. É na verdade uma separação da relevância, do poder de influenciar, e da liberdade para funcionar.
Na visão americana histórica, a Primeira Emenda coloca todas as restrições sobre o governo federal, que é impedido de estabelecer, governar, controlar ou regular a igreja. A visão marxista algema a igreja; a visão americana algema o Estado.
Em anos recentes, o Estado, Congresso, os tribunais e vários presidentes têm manifestado, em diferentes graus, uma aderência à visão marxista. Assim como o poder estatal invadiu todas as outras esferas da sociedade, agora ele está invadindo a igreja. Assegura-se que o Estado tenha total jurisdição sobre cada esfera, e os tribunais em anos recentes têm se pronunciado sobre absurdos tais como código de vestimenta nas escolas e tamanho do cabelo de um garoto. Nenhuma questão é demasiadamente insignificante para ser ignorada pelos tribunais em seu zelo por jurisdição totalitária. Sem serem marxistas, eles compartilham da crença marxista da jurisdição total do Estado. Como esperado, eles estão se movendo na mesma direção.
Isso não deveria nos surpreender. Dada a crença humanista no homem ou Estado como absolutos, qualquer liberdade ou poder alegado pela igreja é visto como irrelevante ou errado. O humanista está sendo fiel à sua fé, às suas pressuposições.
O fato triste é que muitos teólogos compartilham da visão marxista. Para eles a separação da igreja e o Estado significa que a igreja nunca deve se envolver com algo que seja de preocupação política. Sou com frequência informado por leitores sobre pastores e líderes de igreja que não permitem a menção de aborto, homossexualidade, eutanásia e questões semelhantes no púlpito, e nem mesmo nas instalações da igreja. Tais assuntos, insistem eles, são “políticos” e “violam” a separação da igreja e o Estado. Eles chamam de ortodoxia a sua confusão, covardia e heresia.
Os profetas, pregadores de Deus de outrora, eram ordenados pelo Senhor a proclamarem a lei-palavra de Deus com respeito a todas as coisas e a corrigir e repreender reis e governadores. Quando o nosso Senhor promete aos seus discípulos que eles seriam levados diante de governadores e reis por Sua causa, e “para testemunho contra eles” (Mt 10.18), ele não quis dizer que então eles deveriam repudiar a fé, ignorar o aborto e o homossexualismo, e ficarem calados sobre os pecados do Estado!
Não há limites para a área do governo, lei e controle soberano de Deus. Não pode haver limites para as áreas de testemunho da igreja, nem para a sua pregação e preocupações ordenadas.
Título do original: Christianity and the State, R. J. Rushdoony
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto, maio/2010
Fonte: Monergismo
Divulgação: www.juliosevero.com

3 comentários :

Herberti disse...

Que agradável surpresa ver textos do Dr.Rushdoony serem divulgados. Pensadores cristãos radicais como ele estão em falta e, no Brasil então, são praticamente inexistentes. Peço licença para reproduzir duas citações dele:
"Elimine o auto-governo no homem e você fará com que um governo totalitário se torne uma necessidade social."
"Quando o homem pecador é a única fonte da lei, tal como faz o Humanismo, então a lei se torna a legalização do roubo, o que, no fim das contas, é a melhor e mais simples definição de Socialismo.
Tais declarações, à luz da situação moral e social do Brasil, são de uma enorme relevância, chegando quase a serem proféticas, já que foram escritas há quase 40 anos.

Anônimo disse...

Um aspecto sensível na história da igreja hodierna que nos chama a atenção é o mencionado no texto de Rousas John Rushdoony, quando ele diz que “ com frequência é informado por leitores sobre pastores e líderes de igreja que não permitem a menção de aborto, homossexualidade, eutanásia e questões semelhantes no púlpito, e nem mesmo nas instalações da igreja. Tais assuntos, insistem eles, são “políticos” e “violam” a separação da igreja e o Estado. ” Tal postura, infelizmente, tem sido verificada com cada vez mais constância, por parte de líderes eclesiásticos, que ao invés de se manterem fieis à conservação dos princípios cristãos baseados na ortodoxia bíblica, se rendem aos clamores e imposições politicamente corretas. Essa rendição de igrejas ao principado secular, se dá basicamente, devido ao medo da perseguição ou por receio de perder espaço de importância na sociedade. Não obstante, a Igreja, desde a sua gênese histórica, é descrita nas sagradas escrituras, como uma anunciadora de boas novas onde a busca do reino de Deus e a Sua Justiça é que acrescentam à vida humana e à sociedade o seu verdadeiro significado - a existencialidade integral como imagem e semelhança de Deus - ou seja, sem Ele, e sem fidelidade aos seus mandamentos, não pode haver Justiça, paz, alegria, e amor verdadeiros. Isso implica em não anunciar o amor de Deus como apenas mera ação de agregação social bem intencionada, mas sim, como contestador aguerrido contra o que Ele diz que é mal e que, portanto, nos afasta do amor de Deus. Diante disso devemos ainda refletir o que nos diz as escrituras quando os apóstolos viram-se na iminência de cerceamento da pregação do evangelho: “E, chamando-os, disseram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem, no nome de Jesus. Respondendo, porém, Pedro e João, lhes disseram: Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus; porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido.” (Atos 4: 18-20). Maranata!

JOÃO BATISTA JÚNIOR

Anônimo disse...

Amigo Júlio,
Ótimo texto! Muito esclarecedor! A igreja deve sim, esclarecer aos seus fieis sobre o ato criminoso do aborto e a deshonra do comportamento homossexual. A igreja tem a obrigação de colocar seus fieis no caminho traçado por Deus conforme a Sua palavra. A igreja tem o dever de continuar lutando contra a destruição da família usando a palavra do Senhor e Sues ensinamento como arma, e condenando sempre e explicitamente o aborto e a sodomia gay que eles querem nos obrigar à aceitar como normal. É esse o papel da igreja, seja ela qual for, de agregar seu rebanho e livra-lo do mau. A palavra de Deus não deve nunca ser contestada e muito menos ter limites... Nosso Deus estar acima de tudo e sua palavra nunca passará.