5 de abril de 2010

Por que não sou de esquerda

Por que não sou de esquerda

Norma Braga
Diante do problema do mal, experimentamos a urgência de uma solução. Para quem crê, Jesus satisfez essa urgência: inocente, sacrificou-se por nós. Assim, o cristão fiel declara com tranquilidade que o mal está em si, confiando em Cristo para a redenção. Porém, para quem não crê, o problema do mal resta irresolvido e a solução será sempre externa. Este é o “mecanismo do bode expiatório”, segundo René Girard: fazer com que alguém encarne o mal e eliminá-lo, gerando sacrifícios sem fim (enquanto a Bíblia enfatiza: o sacrifício de Jesus é eterno).
Isso se verifica facilmente entre nós, ocidentais, quando lembramos os assassinatos em massa do século XX. Judeus, ciganos, cristãos dissidentes e povos não-alemães foram os bodes expiatórios da Alemanha hitlerista: quarenta milhões de mortos. Da mesma forma, nos países comunistas o vago conceito de “classe dominante” tem justificado a condenação à morte de mais de cem milhões. Trata-se um ciclo diabólico, pois não há sacrifícios que cheguem para a sanha dos que pensam combater o mal dessa maneira. Assim, a violência aumenta na mesma proporção do secularismo.
A equiparação entre comunismo e nazismo não é novidade. No entanto, de certo modo o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães era melhor nisso: mentia menos. Seus membros não escondiam o desejo de conquistar o mundo; já o socialismo oculta seu projeto de poder total sob a compaixão pelos pobres e a promessa de um futuro glorioso. O autointitulado “protetor dos oprimidos”, ao tornar-se chefe da nação, passa a valer-se de sua anterior (e farsesca) posição de “oprimido” para solapar resistências e positivar desmandos. E o povo, além de mais empobrecido, fica definitivamente sem voz. Na Rússia, na China e no Camboja a arbitrariedade apenas mudou de mãos, tornando-se voraz como nunca; em Cuba, uma favela carioca pareceria condomínio de luxo na parte não-turística da ilha; na Venezuela, Chávez diz “eu sou o povo” para justificar a progressiva supressão da democracia.
Hoje não há cristãos nazistas (espero!), mas há uma miríade de cristãos socialistas ou comunistas. É algo difícil de compreender. Em primeiro lugar, por que um seguidor de Jesus aderiria a um arremedo de plano da redenção? Para confessar esse endosso, precisaria necessariamente subverter todo o pensamento bíblico, substituindo a criação divina pela matéria autônoma, o pecado original pela propriedade privada, a salvação em Cristo pela revolução socialista. Se não o fez, é porque ainda oscila entre os dois mundos, sem perceber que são díspares — a cultura marxista mimetizando a cristã.
Em segundo lugar, por que um cristão se posicionaria a favor de um Estado forte que pune seus dissidentes? O processo de centralização do poder empurra a igreja ou para o servilismo ou para a clandestinidade onde quer que o socialismo seja implementado. De fato, Hannah Arendt estudou o totalitarismo e concluiu que o isolamento torna o ser humano muito mais vulnerável ao controle estatal. Por isso, esse regime ataca prioritariamente as livres associações (a família, a igreja, a escola, o comércio), buscando atomizar a sociedade no melhor estilo romano “dividir para conquistar”.
Ser socialista e cristão é tomar o partido de César, não de Cristo. Sobretudo, ser socialista e cristão no Brasil de hoje é assumir uma postura perigosíssima para a igreja. De várias maneiras, o governo atual, honrando suas influências teóricas e suas alianças internacionais, busca cada vez mais controle sobre a sociedade. É quando precisamos recorrer aos ensinamentos de Calvino e Kuyper: por causa do pecado, Deus instituiu os magistrados para punir os maus e garantir a ordem; porém, o Estado jamais pode ferir a soberania das esferas individuais, familiares e corporativas, pois a autoridade de cada esfera descende igualmente de Deus. Caso o faça, devemos orar para que retorne ao ideal divino, opondo-nos a cada atentado à liberdade e amparando os perseguidos. Mas isso só será possível se substituirmos a cosmovisão esquerdista por uma genuína cosmovisão cristã. Que Deus ajude a igreja brasileira nessa empreitada.

Esclarecimento de Norma Braga:

Sobre meu artigo na Ultimato, cabe um esclarecimento. Conforme a Carta Aberta das páginas 38 e 39, não é de hoje que a revista tem sido acusada de um esquerdismo quase militante, embora nem sempre em termos explícitos. A veiculação dessa carta na mesma edição de meu artigo suscitou em alguns leitores e não-leitores meus (hehe) a hipótese de que Ultimato, preocupada com essas acusações, tenha decidido publicar meu artigo somente para rebatê-las, dando mostras de pluralidade. Mesmo que o editor da revista tenha mencionado meu artigo como prova de que não segue uma linha antiamericana (o que aliás não entendi, pois os EUA estão ausentes do texto), não posso negar nem afirmar a veracidade dessa hipótese, pois não quero correr o risco de pecar ao emitir julgamentos acerca de motivações ocultas.
O que posso dizer com toda certeza é o seguinte: seja como for, a publicação de meu artigo não configura, de modo algum, pluralidade. Meu texto é um evento isolado em uma seção dedicada a opiniões femininas (“Deixem que elas mesmas falem”). A “pluralidade”, se limitada a uma seção de opiniões, não me parece algo significativo. Assim, o que dá identidade à revista são os articulistas de sempre, cuja maioria, de fato, é bastante conhecida do público, seja por suas posições à esquerda, seja por seu antiamericanismo, seja por manifestar apreço por certo feminismo: René Padillha, Paul Freston, Robinson Cavalcanti, Ricardo Gondim, Valdir Steuernagel, Bráulia Ribeiro. Isso é o que posso dizer simplesmente ao olhar o sumário da nova edição que tenho em mãos. E nisso não vai nenhum julgamento de valor. Apenas a constatação: sim, a grande maioria dos autores fixos da revista Ultimato tende a demonstrar posições de esquerda.
Mas e daí? Nosso país não conhece variedade política. A grande maioria dos formadores de opinião no Brasil é de esquerda. A revista apenas espelha esse fato no mundo protestante evangélico.
Tudo isso para, fundamentalmente, dizer o seguinte. No Brasil, as pessoas acham bonito o socialismo, aprovam ou não se incomodam com a ditadura cubana, odeiam os Estados Unidos, andam com camisetas do Che Guevara, veem no governo a solução de todos os problemas, xingam o “neoliberalismo”, abominam o capitalismo como o próprio Mal e não se dizem de esquerda. Claro, há os que o declaram mais abertamente, mas são minoria. A maioria sequer reconhece que existe, de fato, esquerda. Há ainda os que se denominam “socialdemocratas” embora continuem apoiando ditadores consumados como Fidel Castro e Hugo Chávez... Depreende-se disso que, neste país, o pensamento de esquerda se tornou a Opinião Comum Isenta e Racional. A explicação é simples: basta lembrar que desde o Brasil Colônia somos a somatória do Complexo do País Oprimido com a histórica expectativa de um governo que atue como um Grande Pai. Além disso, os ideais socialistas, onipresentes, nunca são questionados por leituras ou ensinamentos diversos, pois autores conservadores e liberais são ilustres desconhecidos no Reino dos Doutores do MEC. Ideologicamente, estamos quase tão fechados quanto a ilha-cárcere cubana...
Como conservadora, uma de minhas tarefas é denunciar o apagamento de todo um leque de opções (e isso não significa que eu seja uma adoradora dos EUA, uma entusiasta do capitalismo, uma elitista que não se importa com a pobreza etc. etc.). Outra, como cristã, é mostrar que a afinidade do socialismo com o cristianismo é, em grande medida, falsa, apontando para os perigos dessa convergência forjada. Isso significa afirmar que crente esquerdista não é crente? Claro que não! Mas se você, crente, por causa do seu esquerdismo, abre exceções ao aborto, cede ao relativismo (epistemológico, moral, cultural) e ajuda na perpetuação de um pensamento político autoritário por meio de um Estado forte e centralizador, quero contribuir para que você se desesquerdize, desconformando sua mente em relação ao mundo e submetendo-a cada vez mais ao senhorio de Cristo.
Divulgação: www.juliosevero.com

8 comentários :

Anônimo disse...

Júlio agora que a vaca foi pro espaço

EUA lançaram campanha para que pessoas assumam a homossexualidade

publica aí

http://noticias.r7.com/videos/eua-faz-campanha-com-artistas-em-incentivo-da-revelacao-da-homossexualidade-/idmedia/b52d065e1e44aa2dcf3d5eb405a023ea.html

Tom Alvim disse...

O nosso país carece de pessoas com este calibre de coragem. Graças ao nosso bom Deus existem alguns que falam por muitos. parabéns!

SVM disse...

Discordo completamente da retórica socialista/comunista. Tendo dito isso, tenho a impressão de que se faz uma confusão muito grande na hora de se falar de socialismo e comunismo, que são, até mesmo, muitas vezes, tomados como sinônimos.

Socialismo é uma fase necessária à realização do ideal comunista. Não é um fim último, mas uma fase: estatiza-se os meios de produção (e tudo o mais que se possa imaginar), hipertrofiando o Estado que, por um momento, passa a ter poder absoluto sobre economia, bens e etc. A idéia é que após esse momento, e paulatinamente, faça-se uma redistribuição desses meios arrecadados pelo Estado, de forma igualitária, e etc - chegaria-se, aí, ao Comunismo. Mas, de todas as tentativas de implementaçao do Comunismo, nenhuma saiu da fase do socialismo - Estado absolutamente poderoso e autoritário. E por uma razão óbvia: nenhum homem, recebendo tamanho poder, vai querer se disfazer dele depois. Depois que o grupo no comando se apossa dos meios e bens, decide que é melhor permanecer assim, senhor absoluto. Corruptível e obsecado pelo poder como é o ser humano, está na cara que o comunismo jamais seria alcançado.

E, mesmo que fosse possível de ser implementado, o comunismo está longe de ser as mil maravilhas de harmonia e justiça social. Sem nem adentrar no fato de que comunismo e abolição da religião são idéias que sempre andaram de mãos dadas, fato é que criaria um artificialismo social e econômico (é, como todo artificialismo, prato cheio para gerar tensões): pessoas que naturalmente são mais empenhadas, empreendedoras e produtivas acabariam tendo que dividir o fruto de seu justo trabalho com aqueles que preferem viver "de barriga para o ar", vivendo sob a regra do menor esforço possível. Isso lá é justiça?! Por que o preguiçoso mereceria viver tão bem quanto o batalhador?

Para mim, é claro como água que a melhor solução seria um capitalismo mais humanizado, com chances igualitárias para que quem batalhasse, vencesse; para que quem trabalhasse, tivesse um salário digno e etc. E não tratar igualmente os desiguais.

Splanchnizomai abraçando o amanhã. disse...

Amado irmãozinho lindo de Jesus! Que textão! Não quero apenas dar o link, quero com muita alegria "controlcevar..." kk posso? Dou o link tambem. Se você aceitar meu comentario, entenderei como positivo. Se não aceitar, entenderei como:Melhor não, irmã. E ficará tudo bem, darei apenas o link. Um abraço.. to tão feliz. Jesus é lindo! E como aprendo aqui. Como vc cobre minhas lacunas. E como eu me vejo burralda. Meu Deus. Que bom que somos tantos diferentes cobrindo e ensinando uns aos outros.
Um abraço, amado.
irmã Rosângela sendo isca onde meu Salvador é vital.

Anônimo disse...

Mto bom, vai ao encontro de um outro artigo q foi publicado neste Blog na primeira quinzena de janeiro com o título, "Pq ñ sou socialista".
Abs e q o SENHOR o abçe.

foralula disse...

lembra do Caio Fábio?

veja o que ele andou dizendo:

Um dia o Lula me falou de sua amizade com o Kadaf [abril de 1998 dentro do meu escritório na Fábrica de Esperança]. Á época o Kadaf era ainda explicitamente um terrorista com ar de oficialidade presidencial. Segundo o Lula disse na minha sala, com o testemunho do Paulo Sérgio Rosa e de outros que ele não imagina que ouviam na sala ao lado, posto que falasse alto demais - o tirano presidente terrorista da Líbia, o Kadaf, queria dar 35 milhões de dólares para a Campanha dele em 1998.

Lula buscava então alguém para internalizar o dinheiro, pois teria que ser algo ilegal e sem que os radicais/morais do PT soubessem... Ele dizia que ou botava o dinheiro pra dentro do Brasil ou teria que ter o Dossiê contra o Presidente Fernando Henrique, do contrário não ganharia a eleição daquele ano.

Lula sabe que não minto e que não tenho medo!

Ele sabe que eu disse a ele naquele dia que quem me contara a "história" do Dossiê, e que ele se queixava de que eu a ele nada dissera [nem a ninguém], era o mesmo amigo dele que na minha sala estava; e mais: que se desejasse falar de internalização de dinheiro, que falasse com a mesma pessoa; posto que ela sim era enfronhada no mundo de tais conhecimentos...

Ele jamais teria a coragem de me desmentir, nem nisto e nem em qualquer outra coisa que eu diga!

Digo isto depois que me senti no direito de falar as coisas como elas foram, especialmente depois que li as mentiras de seus depoimentos a meu respeito no processo no qual ele era o grande interessado e único beneficiário, chamado de Dossiê Cayman, mas que, sem qualquer escrúpulo, teve a coragem de dizer que tudo aquilo era “coisa do Caio Fábio”.

http://www.caiofabiofilho.com.br/2009/conteudo.asp?codigo=05839

Anti-lula disse...

Que impio esse Caio Fábio. Se já naquela época ele sabia que Lula era assim, como teve a covardia de vender um Lula falso à ala idiota da igreja evangélica?

Conta essa história agora, com doze anos de atraso? Se ele queria um amigo de Kadaf como presidente do Brasil (por isso escondeu a história até agora), quer dizer assim que Kadaf não desgosta tanto assim a Caio.

Caio presente a oportunidade. Ele sabe que os tucanos provavelmente vão governar o Brasil, em breve. E quer ficar "de bem" novamente com os possiveis novos poderosos. Ele próprio tentou repassar o dossiê falso (o primeiro de muitos que o pt montou). Agora, contanto a verdade, quer fazer-se de bonzinho com os tucanos. Seu amor é por Lula e Kadaf, mas seu senso de oportunidade fala mais alto. Ele e Lula se merecem.

Splanchnizomai abraçando o amanhã. disse...

Só hoje vi resposta, amado.Mas Deus sabe mais que nós mesmos. O dia é hoje . Tô levando, tá?
Obrigada mano. O Senhor Jesus e Sua GRaça é nossa Esperança, né?
bjo cheio dEle. Ele é Lindo, muito Lindo, Julio amado e manso.. kkkkkk

i iii olha a palavrinha: "etwize":
é tu é z.
É tu e zanza? viu? Posso levar..kkkkk