4 de dezembro de 2009

“Você é a favor da discriminação aos homossexuais?”

"Você é a favor da discriminação aos homossexuais?"

uma armadilha usada pelos defensores do PLC 122/2006

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz

Definindo os termos

Neste artigo, ao falar de homossexualismo, estou-me referindo, não à simples tendência homossexual, mas à prática da união carnal entre pessoas do mesmo sexo. Ao falar de homossexual, não me refiro às pessoas que têm tendência homossexual e a ela resistem, às vezes heroicamente, com grande mérito. Chamo de homossexual a quem voluntariamente pratica atos de homossexualismo, e deles não se arrepende.

Feitas essas distinções, prossigamos.

Discriminar é preciso

A discriminação é uma das práticas mais normais da vida social. Todos nós a praticamos dia a dia. Ao aplicar uma prova, o professor discrimina os alunos que tiraram notas altas daqueles que tiraram notas baixas. Aqueles são aprovados. Estes são reprovados. Ao escolher o futuro cônjuge, as pessoas geralmente fazem uma discriminação rigorosa, baseadas em diversos critérios: qualidades morais, inteligência, aparência física, timbre de voz, formação religiosa etc. Entre centenas ou milhares de candidatos, somente um é escolhido. Os outros são discriminados. Ao selecionar seus empregados, as empresas fazem uma série de exigências, que podem incluir: sexo, escolaridade, experiência profissional, conhecimentos específicos, capacidade de relacionar-se com o público etc. Certos concursos para policiais ou bombeiros exigem, entre outras coisas, que os candidatos tenham uma determinada altura mínima, que não ultrapassem uma certa idade e que gozem de boa saúde. Todos esses são exemplos de discriminações justas e necessárias.

Outros poderiam ser dados. O ladrão que é apanhado em flagrante é preso. A ele, como punição pelo furto ou roubo, é negada a liberdade de locomoção, que é concedida aos demais cidadãos. A prisão é um lugar onde, por algum tempo, são discriminados — com justiça — aqueles que praticaram atos dignos de discriminação.

"Você é a favor da discriminação aos homossexuais?"

Essa pergunta é capciosa e deve ser respondida com outra pergunta: "A qual discriminação você se refere: a justa ou a injusta?"

O militar que praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso, homossexual ou não, em lugar sujeito à administração militar é justamente discriminado com a pena de detenção de seis meses a um ano (cf. art. 235, Código Penal Militar, "pederastia ou outro ato de libidinagem"). Mas seria injusto discriminá-lo, por exemplo, negando-lhe a alimentação que é dada aos demais presos militares.

O homossexual, por ter escolhido livremente praticar o vício contra a natureza, deve arcar com o ônus de sua opção. Não pode exigir que um seminário o acolha para que ele se torne sacerdote. Nem pode querer impedir que, em uma homilia, um pregador reprove sua conduta. Não pode queixar-se de seu empregador querer demiti-lo temendo a corrupção moral de sua empresa. Não pode exigir que um juiz da infância lhe dê uma criança para adotar. Não pode obrigar uma mãe de família a confiar nele para cuidar de seus bebês. Não pode forçar a população a tolerar seus atos de obscenidade praticados em público. Tudo isso são apenas alguns exemplos de discriminações justas, que não são nem podem ser proibidas pela lei.

Ao referir-se à "discriminação" aos homossexuais, o Catecismo da Igreja Católica teve o cuidado de distinguir: "evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta" (n.º 2358). O texto supõe, portanto, que a Igreja admite discriminações justas para com os homossexuais. E de fato admite. Uma delas é a proibição de receberem a Sagrada Comunhão, enquanto não abandonarem seu pecado (o que vale também para qualquer outro pecado grave). Outra é a impossibilidade de serem admitidos em seminários e casas religiosas.

PLC 122/2006: a incriminação da discriminação justa

Está em tramitação no Senado um projeto de lei (PLC 122/2006) que pretende exaltar o homossexualismo e incriminar toda discriminação justa aos homossexuais. A proposição trata o vício contra a natureza como se ele fosse um direito e os opositores desse vício como se fossem criminosos ("homofóbicos").

Para facilitar a aprovação do projeto, a relatora senadora Fátima Cleide (PT/RO) em 14/10/2009 propôs um substitutivo na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Esse substitutivo é menos extenso que a versão original, mas conserva toda a sua essência: punir a discriminação justa feita a alguém em virtude de sua "orientação sexual"[1].

Para disfarçar o essencial objetivo da proposta, que é exaltar o vício contra a natureza e punir penalmente seus opositores, a relatora acrescentou a "condição de pessoa idosa ou deficiente" entre as vítimas do "preconceito".

Em 10 de novembro de 2009, o substitutivo foi votado e aprovado às pressas na CAS. Ora, estava prevista a realização de uma audiência pública sobre a matéria. Por isso, ninguém esperava que a votação pudesse ocorrer imediatamente. O golpe foi dado por Fátima Cleide.

Naquele dia a senadora apresentou o requerimento nº 96, de 2009 (item 61 - extrapauta) solicitando a dispensa da audiência pública. O requerimento foi aprovado. Imediatamente, o projeto (PLC 122/2006) foi posto em votação (item 62) e aprovado. Eis a lista dos senadores que aprovaram o PLC 122/2006 na CAS por votação simbólica:

1. Senador Augusto Botelho (PT/RR)

2. Senador Eduardo Suplicy (PT/SP)

3. Senador Flávio Arns (PSDB/PR)

4. Senador Gim Argello (PTB/DF)

5. Senador Heráclito Fortes (DEM/PI)

6. Senador Inácio Arruda (PC do B/CE)

7. Senador João Durval (PDT/BA)

8. Senador Mão Santa (PSC/PI)

9. Senador Papaléo Paes (PSDB/AP)

10. Senador Roberto Cavalcanti (PRB/PB)

11.  Senador Valdir Raupp (PMDB/RO)

12.  Senadora Fátima Cleide (PT/RO), Relatora

A história não para aí. O projeto, já aprovado na CAS, foi enviado à Comissão de Direitos Humanos (CDH). Adivinhe quem o presidente da CDH, Senador Cristóvão Buarque (PDT/DF), escolheu como relator da matéria! Acertou: a própria senadora Fátima Cleide (PT/RO). Obviamente o seu relatório, apresentado na CDH em 17/11/2009 foi o mesmo que o que foi aprovado na CAS, com o mesmo substitutivo.

Na sessão de 18/11/2009 na CDH, o Senador Magno Malta (PR/ES) pediu vista do projeto. No dia 25/11/2009 ele apresentou requerimento para realização na CDH da audiência pública sobre a matéria, que não fora feita na CAS.

Atualmente o clima do Senado é tenso. Um novo golpe pode ser dado a qualquer momento. Há ainda o perigo de que cristãos, incluindo os pastores de almas, queiram aproveitar algo do PLC 122/2006 em vez de rejeitá-lo totalmente. Deus se compadeça de nós.

[1] O texto parte da*** premissa falsa de que existe "orientação sexual" entre dois homens ou entre duas mulheres. Na verdade, o que existe em tais casos é uma desorientação sexual.

Divulgação: www.juliosevero.com

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10 comentários :

Jurema Cappelletti disse...

O problema dos gays não é sua preferência sexual, mas o seu comportamento. Ninguém costuma sair às ruas exibindo suas preferências sexuais, e é exatamente isso o que eles fazem

Fora isso, o "camminho" que foi feito para sair, não foi para entrar. Portanto, mantendo as desvidas diferenças, a preferência dos gays é andar na contra mão.

As pessoas, cada vez mais, se acham na obrigação de simpatizar com a homessexualidade. É como se todos devessem pensar da mesma forma. Outro grande erro, pois é quase uma imposição.

André von Kugland disse...

Júlio Severo, você está fazendo o que nunca fez, que é falar aquilo que os seus opositores querem que você fale. Todo o resto do seu texto é bastante razoável, mas você dizer que é justo o homossexual ser demitido, para evitar a corrupção moral da empresa... Por favor, menos, se não quiser perder quem o apóia e dar razão a quem o persegue.

Anônimo disse...

Porque seria injustiça demitir alguém com quem não concordo nas atitudes? Sou obrigado a manter um empregado? Sou o dono ou o empregado é o dono?
Além disso o texto é do pe. Lodi e não do Júlio.

cachorro louco disse...

Julio : Você sabia que o Mauricio de Souza criou um personagem gay chmado Caio para ser apresentado na revista Tina ? Eu vi no blog http://obutecodanet.blogspot.com
Postei hoje no meu blog sobre este assunto .
Abraços

André von Kugland disse...

É verdade, o texto não é do Júlio, isso só agora reparei.
Perdão, Júlio!

Will_DF disse...

Alguém aqui acredita que Jesus chama novos discípulos para entrar na política, para que possam "legislar" por Ele na causa cristã? Eu não. Aqui em Brasília, tem até alguns pseudocristãos que estão orando em agradecimento às propinas recebidas por baixo dos panos. É uma vergonha.

Anônimo disse...

Quando eu era mais jovem, votei no Eduardo Suplicy em uma eleição... Me arrependo amargamente disso...
E concordo que o empregador tem o direito de demitir o empregado quando bem entender... A empresa é dele e ninguem pode dizer como gerencia-la...
Parabéns pelo texto, Julio...

André von Kugland disse...

Também concordo que o patrão tenha direito de demitir quem ele quiser, mas reitero que não é sempre justo que ele demita quem ele quiser: há injustiças que não devem ser ilegais. Santo Tomás de Aquino mesmo responde negativamente à questão se todo pecado deve ser ilegal (e agir injustamente com o próximo obviamente é um pecado).

O que discordo do texto é que ele afirma que seria justo demitir alguém por ser homossexual, porque isso evitaria a corrupção moral da empresa. Ora, um padre gay certamente que pode corromper moralmente os fiéis, mas não vejo como um gerente gay ou uma moça lésbica no RH poderia transformar uma empresa num antro de luxúria homoerótica. Se um o fizer, é justíssimo demiti-lo, como seria justo demitir um heterossexual que corrompesse a empresa transformando-a num bacanal entre homens e mulheres.
A apologia da demissão dos homossexuais é absolutamente contrária à caridade cristã, uma vez que visa privá-los dos meios de sustento.
E não me venham dizer que o texto apenas diz que um patrão deve poder demitir um homossexual por ser homossexual, o texto diz que é justo que o faça.

Leonardo Barbosa disse...

Não acho injusto que o patrão demita o funcionário por ele ser homossexual, diferente do que você diz, André, não se trata de privação dos meios de sustento uma vez que a empresa não é obrigada a contratar e manter empregados só para "sustenta-los", e o tal demitido pode trabalhar em outro lugar ou fazer outra coisa.
Como o pe. Lodi disse no texto, se a pessoa está disposta a seguir essa vida ela que arque com as consequências, praticar a caridade cristã, não é passar a mão na cabeça das pessoas quando cometem um erro, pelo contrário, pois não há nada pior para elas do que isso.
Se você quer ajudar um homossexual precisa primeiro mostrar que ele está errado e que você reprova o estilo de vida dele.

João disse...

Caros senhores:

Eu já notei que muitos homossexuais vem de famílias desestruturadas e/ou disfuncionais.

Um homossexual homem geralmente vem de uma família onde a figura do pai é ausente ou disfuncional, ou seja, não funciona como pai.


Por isso, profissionais homossexuais tem até mais necessidade de auto-afirmação do que os heterossexuais, chegando mesmo a superá-los profissionalmente.

Enquanto que a motivação profissional de um heterossexual é a manutenção de seu status quo, a motivação de um homossexual é auto-afirmar-se se superar a si próprio.

Por isso, esqueçam-se dessa tal demissão por o cara ser homossexual em nome de um moralismo sem sentido prático, apenas religioso.

Quando uma pessoa afirma isso é porque está intuindo ou percebendo a superioridade profissional de um homossexual em seu trabalho e com isso, quer vê-lo fora da competição, alegando motivos aparentemente nobres mas que na realidade são inconfessáveis.

Oras, por que um heterossexual poderia vencer profissionalmente na vida sem incomodar os demais? Por que não é humilhante ser-se amigo de um heterossexual, oras, sendo fácil puxar-lhe o saco e ser reconhecido por ele.

Já em relação à um homossexual, nossos pudores morais nos impediriam de puxar-lhe o saco e com isso cair em suas boas graças.

Daí vermos os homossexuais como inimigos a serem combatidos.

É difícil para nós entendermos o que leva um homem a se tornar homossexual mas o que posso garantir é que todos nós tememos de alguma forma entrar na deles e nos tornarmos iguais, pois em alguns momentos de nossas vidas sentimo-nos solitários e abandonados, o que fez que brotasse em nós as sementes inconscientes do homossexualismo que, felizmente, conseguimos sufocar.

Daí a dificuldade que temos em nos relacionarmos com homossexuais e pior, começarmos a admirá-los.

Hoje eu tenho idade suficiente para compreender isso sem me deixar alterar moral ou emocionalmente mas não pensem que eu tinha essa coragem moral de ver as coisas dessa forma no passado, visto que eu me auto-afirmava como heterossexual ao mesmo tempo que era um frustrado com a mulherada.

Felizmente consegui casar aos 30 anos e me auto-afirmei heterossexualmente.

O desmoronamento da estrutura familiar, seja por motivos políticos, econômicos ou sociais fomentarão muitas aberrações no comportamento humano e por experiência sabemos que a tradição cristã só se preserva graças à estrutura familiar tradicional que lhe dá sentido.

Sem esse sentido familiar conceitos como pai, mãe e irmãos se perderão e o cristianismo não siginifícará mais nada.