Obama tenta salvar reforma do sistema de saúde… e sua presidência
Deal Hudson
10 de setembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — Com seus índices de popularidade caindo e com a crescente resistência pública às suas propostas do sistema de saúde, o Presidente Barack Obama falou ao Congresso e uma audiência nacional de televisão por 48 minutos na noite passada. Embora tratado como “discurso do sistema de saúde”, o subtexto mais importante foi o próprio futuro da presidência de Obama.
Ele revelou que seu legado e reformas do sistema de saúde são a mesma coisa. Em julho passado, Obama avisou um parlamentar democrático: “Você vai destruir minha presidência”, se a Câmara dos Deputados não aprovasse um projeto de lei do sistema de saúde. O Partido Republicano vê da mesma forma, como o Senador Jim DeMint (R-SC) explicou: “Se pudermos deter Obama nisso [o sistema de saúde], será o Waterloo dele”.
Quando em necessidade de um estímulo político, Obama usa a televisão para se comunicar diretamente com o povo americano, sendo considerado o seu ponto forte a persuasão retórica. Mas é improvável que sua eloqüência — louvada de forma exagerada, em minha opinião — fará muita diferença. Os sentimentos da nação mudaram drasticamente durante os três meses passados, com 52 por cento das pessoas, que responderam numa recente pesquisa de opinião pública, desaprovando o modo como ele está lidando com a questão do sistema de saúde. Um número surpreendente de 49 por cento agora desaprova a presidência dele.
Então como Obama se saiu na noite passada? Seu discurso foi animado, às vezes excessivo, mas seu conteúdo não ofereceu nada de novo, exceto uma referência vaga sobre a exploração das ações indenizatórias para os erros médicos. Os democratas sentaram-se passivamente enquanto Obama instruía a ministra da Saúde, Kathleen Sebelius, a iniciar “projetos de demonstração em estados individuais para testar as questões”.
O largo sorriso de Obama para as aclamações e aplausos dos republicanos foi um momento agradável de alívio da ovação entusiástica previsível dos democratas. (Será que isso foi um breve vislumbre do “agradável Obama sobre o qual tenho ouvido falar tanto?)
Ele respondeu ao desafio de Bill Donohue, da Liga Católica, e discursou diretamente sobre a questão do aborto? Não realmente — ele apenas repetiu o que ele havia dito antes: “Nenhum dinheiro federal será usado para financiar o aborto”. Contudo, conforme Douglas Johnson, o diretor legislativo do Comitê Nacional do Direito à Vida, explica: “Obama descaradamente apresentou de forma enganosa o componente relativo ao aborto da legislação do sistema de saúde que seus aliados do Congresso e equipe ministerial fizeram”.
Johnson aponta para o fato de que a legislação atual exige que todos os inscritos no plano do governo paguem seguros de vida “programados para cobrir todas as despesas de todos os abortos feitos por escolha — isso não seria opcional”. Em outras palavras, Obama não está chamando esses seguros “financiamentos federais”, porque não são impostos. Mas, como diz Johnson, “Esses são simplesmente dois tipos de financiamentos públicos, coletados e gastos pelas agências governamentais”.
Quer mais provas de que Obama está descrevendo enganosamente a reforma? Obama e outros da liderança democrática não estão dispostos a apoiar emendas que estipulam claramente a própria coisa que o presidente diz que já é o caso: que nenhum dinheiro federal pagará abortos.
O Presidente Obama acrescentou um comentário sobre outra questão de interesse para os católicos, dizendo que “as leis federais de consciência permanecerão em vigor”. Obama não mencionou que em 6 de março ele removeu a proteção para funcionários médicos pró-vida estabelecida no segundo mandato de Bush, não deixando nada em seu lugar.
Sobre a questão polêmica da opção pública, o Presidente Obama a colocou dentro da “troca” do seguro de saúde que ele propôs como modo de fornecer cobertura de preço acessível para os que não têm seguro. Ele prometeu que os contribuintes de impostos não subsidiariam a opção pública, que teria de depender inteiramente dos seguros de vida. Presumivelmente, esse seguro público de opção não seria subsidiado e seria menos caro do que o seguro privado, pois seria administrado sem visar lucros.
É apropriado que Obama tenha se referido ao “tradicional ceticismo saudável do governo” da maioria dos americanos. Crer que o governo pode administrar uma empresa de seguro de saúde sem fins lucrativos com tanta eficiência que suas baixas despesas gerais possibilitarão seguros mais baixos do que os das empresas de seguro particulares é um verdadeiro ato de fé. Medicare e Medicaid atualmente têm entre 80 e 120 bilhões de dólares de fraude. Por que essa nova entidade médica governamental seria diferente?
O mesmo ceticismo se aplica à afirmação freqüentemente repetida de que seu programa de 900 bilhões de dólares não “adicionaria um centavo ao déficit”, pois o dinheiro seria achado eliminando o desperdício dentro do atual sistema de saúde.
Em conclusão, foi um engano, em minha opinião, completar o discurso da noite fazendo um tributo a Ted Kennedy. Seu louvor ao falecido senador foi um lembrete simbólico das forças pró-aborto (boa parte delas católicas) por trás da reforma do sistema de saúde. Na carta de Kennedy para Obama, ele chamou o sistema de saúde uma “questão moral” que revela “o caráter de nosso país”. Definitivamente. No discurso da noite, o Presidente Obama não conseguiu eliminar as tensões sobre a questão moral do centro do sistema de saúde. Enquanto ele não repudiar de forma clara a cobertura do aborto, o caráter dos EUA permanecerá sob risco.
Deal W. Hudson é o diretor de InsideCatholic.com e autor do livro “Onward, Christian Soldiers: The Growing Political Power of Catholics and Evangelicals in the United States” (Avante, Soldados Cristãos: O Crescente Poder Político de Católicos e Evangélicos nos Estados Unidos), publicado pela editora Simon and Schuster.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/sep/09091001.html






0 comments:
Postar um comentário