30 de março de 2009

Ciência viciada

Ciência viciada

JOSÉ MARIA E SILVA

EM RECENTE defesa da descriminalização da maconha, Fernando Henrique Cardoso afirmou que o debate sobre a legalização das drogas enfrenta um tabu que precisa ser quebrado. Trata-se de miragem do ex-presidente, já que a descriminalização das drogas — incluindo a defesa explícita da legalização da maconha — não sai da pauta da imprensa e das universidades, permeando até os “temas transversais” do MEC, impostos às crianças nas escolas. Na prática, o uso de drogas já foi legalizado no país, com a bênção de tucanos e petistas — ideologicamente ecumênicos quando se trata de subverter costumes.

A lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006, que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, aboliu qualquer punição para os usuários. A pena máxima é a prestação de serviços à comunidade, que, se não for cumprida, acarreta simples “admoestação” por parte do juiz, até que o crime prescreva. E quem sofre as consequências é o bolso do contribuinte. Para a nova lei, consumir drogas é um direito inalienável do usuário, e curar sua dependência, um dever incondicional do Estado.

Essa tendência já havia sido antecipada pela Assembleia Legislativa de São Paulo, que, em 9 de fevereiro de 2006, derrubou veto do governador do Estado e, num arroubo de independência não muito comum no Parlamento brasileiro, promulgou, por decreto legislativo, a lei estadual nº 12.258, que confere privilégios aos usuários de drogas sem lhes impor nenhum dever. Essas leis nasceram de uma tese hegemônica nos meios acadêmicos: a política de redução de danos — eufemismo com que intelectuais universitários disfarçam sua apologia ao uso de drogas.

O brasileiro nem sonha, mas existe até a “Declaração dos Direitos dos Usuários de Drogas”, que, obviamente, não foi feita por uma Constituinte de usuários, mas por acadêmicos financiados pelo contribuinte. Subscrita pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas), da Universidade Federal de São Paulo, a declaração finge-se arauto da ciência de ponta, mas não passa de entulho ideológico do Maio de 68. Nela se alicerçam a nova lei sobre drogas e as políticas do MEC e do Ministério da Saúde na área.

Professores universitários, a quem cabe a educação da juventude, proclamam, na referida declaração, o seguinte mandamento: “Conclamamos as organizações não governamentais e governamentais a incluir usuários de drogas em seus conselhos, gerências e direções”. Ou seja, as universidades estão defendendo cotas para drogados nas mesas diretoras do Congresso, nos gabinetes ministeriais e nas cortes de Justiça. Deve ser por isso que os autores da declaração condenam, veementemente, o exame antidoping.

Mas, enquanto não chega o mundo sonhado por essa espécie de “Manifesto Consumista” dos acadêmicos (versão lisérgica do “Manifesto Comunista” de Marx), a deputada Cida Diogo (PT-RJ), apoiada por Rita Camata (PMDB-ES), contenta-se em impor ao mundo real dos usuários do SUS os privilégios dos usuários de drogas. Cida Diogo é autora de projeto de lei que obriga o SUS a dar a eles, entre outros insumos, agulhas e seringas descartáveis. A expressão “outros insumos” abre brecha para que o SUS distribua a própria droga, como a maconha, usada como alternativa de redução de danos para viciados em crack. O projeto está sendo aprovado sem passar pelo plenário da Câmara, como se o luxo da distribuição de seringas para viciados não merecesse debate diante da miséria da falta de medicamentos para crianças nos postos de saúde.

Mais grave é que a atuação dos especialistas encarregados da redução de danos oscila entre a incapacidade e a inconsequência. O próprio Ministério da Saúde, em um texto sobre álcool e drogas recomendado em seu site para crianças de 12 anos, mistura vulgaridade, lascívia e imprecisão, ao comparar a “fissura” proporcionada pelo crack ao prazer do orgasmo — aguçando dupla e criminosamente a curiosidade das crianças. E ainda nega, taxativamente, que a cocaína produza tolerância e síndrome de abstinência, numa indisfarçável apologia da droga para menores, contrariando a lei e a ciência.

Eis, portanto, a danosa política de redução de danos. Ela se alicerça na crença pueril de que o drogado — useiro e vezeiro em escarnecer da lei, da pátria e da família — vai obedecer feito criança as recomendações dos engenheiros sociais. Ainda que quisesse fazê-lo, de nada adiantaria. A “Declaração dos Direitos dos Usuários de Drogas” é uma prova de que a ciência de muitos especialistas é mais alucinada do que delírio de viciado.

JOSÉ MARIA E SILVA, 45, jornalista, é mestre em sociologia pela Universidade Federal de Goiás, com dissertação sobre violência nas escolas.

Fonte: Folha de S. Paulo, 23 de março de 2009

Divulgação: www.juliosevero.com

 

3 comentários :

Jorge Fernandes disse...

Júlio,
Fico a pensar onde andam as cabeças dos nossos "intelectuais"... provavelmente enfiadas em penicos e latrinas, tal a quantidade de fezes (para não usar um termo chulo) esvai dos seus cérebros.
Estamos às portas da eleição presidencial (os partidos já veiculam propaganda enganosa nas tvs e rádios, e ninguém nos defende de tamanha estupidez e cara-de-pau), e o desânimo com a "grade" de candidatos é assombrosa. Lula e Dilma de um lado, Aécio e Serra do outro, Ciro e Heloisa... o que esperar do Brasil? Um país onde não há oposição, onde os partidos se digladiam apenas para saber quem vai levar mais do "bolsa corrupção" do governo Lula; um país cujos governos são imorais, e perpetram a injustiça? ("Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça...Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos" [Rm 1.18;22])
E a sociedade como um todo se parece com "boi de piranha", sendo roída até o osso e mantendo os índices de popularidade do molusco nas alturas (ainda que a crise tenha derrubado-o um pouquinho).
Mas enquanto nós, cristãos, nos contentarmos com as trevas, fingindo-nos de servos do Senhor Jesus, quando desprezamos o Seu Evangelho, o príncipe desse mundo vencerá, ainda que momentaneamente, ainda que a sua derrota esteja decretada eternamente.
Mas e nós? Quando estivermos diante do tribunal de Cristo, ainda que salvos, não nos envergonharemos daquilo que nos foi dado fazer e não fizemos?
É vexatório, é pecaminoso o que aceitamos naturalmente, e que é uma afronta a Deus e a Sua palavra ("Ninguém se engane a si mesmo. Se alguém dentre vós se tem por sábio neste mundo, faça-se louco para ser sábio.Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. E outra vez: O Senhor conhece os pensamentos dos sábios, que são vãos" [1Co 3.18-20]).
Abraços.

paulo silveira disse...

Em 1985, FFHH perdeu a eleição para prefeito de SAMPA para Jânio Quadros porque disse em um debate que já tinha queimado a erva maldita e que não acreditava em Deus.

Naquela eleição uma candidato mostrava na TV uma melancia para mostrar que FFHH era verde e amarelo por fora e vermelho por dentro.

Ismael Pio Elias disse...

Este é o "Admirável Mundo Novo", que controla as pessoas através de drogas psicotrópicas, para que estes escravos (drogados) não tenham a noção correta da realidade.
O sexo já é há muito vendido como droga para entorpecer o espírito humano, agora, com o desejo por algo mais pesado – sentimento muito comum entre usuários de drogas – tenta-se entregar a população ao uso efetivo de psicotrópicos.

Quanto mais a população usar drogas mais os detentores do poder poderão escravizá-las.
Lulla e outros políticos esquerdopatas, como Fernando Henrique Cardoso (o "fumacinha", como era conhecido devido ao uso da maconha/marijuana/skank/erva-do-capeta), pretendem escravizar a população e torná-la obediente como uma ovelhinha.
Lulla então será o novo "Barão da Droga", controlando toda a América Latina através da distribuição das duas drogas da obediência: o pensamento comunista e compostos psicotrópicos – vulgarmente conhecidos como "drogas".

Vem aí o Bolsa-Droga, composto pela Cartilha do PT, o hino da Internacional Socialista, uma camisa com a foto de "Che" Guevara, e 13 PTI (porções tóxicas individuais) – sendo da escolha do beneficiado se será erva (maconha), farinha (cocaína), pedra (crack), bala (ecstasy), picada (heroína), ou qualquer outra porcaria psicotrópica que desejar.
A PTI será definida com base no poder psicotrópico de cada substância, assim quem pedir maconha receberá uma quantidade maior da "erva" do que quem pedir cocaína, que receberá uma quantide menor da "farinha".

A política do pão-e-circo é coisa do passado, entramos no limiar de uma nova era: a política da "erva" e da "farinha", embebidas em muito lixo comunista.