18 de dezembro de 2008

Por que condeno o marxismo

Por que condeno o marxismo

Eguinaldo Hélio de Souza

Não condeno o marxismo por denunciar os abusos do capitalismo. Não o condeno por chamar a atenção à exploração das classes mais baixas. Reconheço sua contribuição na compreensão da história, da sociedade e da economia. Suas críticas são válidas dentro da perspectiva de que toda crítica é construtiva. Mesmo reconhecendo essas coisas, como cristão eu condeno o marxismo. Definitivamente ele não é a solução para nenhum dos problemas que aponta. Como Satanás no papel de acusador, ele sabe apontar o erro e condenar, não porque seja a resposta, mas porque advoga para si o papel redentor.

De um modo geral eu condeno o marxismo pelo seu desejo de ser absoluto. Quem o conhece bem, sabe que ele não se limitou a opinar e afirmar sobre questões econômicas. Foi muito mais longe. Ele pretendeu ser a única e verdadeira interpretação do mundo e da história. Ele não apenas se preocupou em responder às questões relativas à produção e ao trabalho. Ele inseriu tudo isso dentro de uma cosmovisão muito mais ampla, que se tornou como que uma religião política. Ele achava ter desvendado as leis da história e do universo.

A começar pelo ateísmo atrelado a ele. Claro que a religião é digna de censuras e o cristianismo não é exceção. Que o nome de Deus foi e é usado indevidamente em muitas atividades humanas isso é inquestionável. Isso é uma coisa. Agora, a guerra contra toda forma de Deus e religião é uma realidade inerente ao marxismo. Onde marxistas puseram os pés, os crentes sofreram. Ele criou mais mártires do que o Império Romano, a Inquisição e o Islamismo juntos. Quem pode negar esse fato?

O capitalismo peca por se aproveitar do nome de Deus. O marxismo por blasfemar e declarar guerra contra Ele. Que a filosofia sempre teve seus segmentos materialistas e ateístas isso nunca foi novidade. O marxismo transformou isso em política totalitária. A crença em Deus foi declarada subversão e doença, e combatida com ódio e maldade. Onde essa ideologia dominou, o ódio anti-cristão prevaleceu.

Eu condeno o marxismo porque ele resumiu o homem a um ser meramente econômico. Ao invés de imagem de Deus, não passava de um animal que trabalha e esse trabalho é responsável por tudo o que ele é. Quando Darwin publicou seu livro Origem das Espécies, Marx exultou porque agora Deus havia recebido o golpe de misericórdia. Antes mesmo de Nietzsche, o nobre Karl o havia matado.

Já aqui vemos o marxismo se propondo a responder a um dos dois maiores enigmas da vida. Quem é Deus? Que é o homem? Deus é nada e o homem um pouco mais do que isso. Não admira que as mortes de milhões eram justificadas pelos benefícios que isso traria para as gerações futuras. Como os astecas, os sacrifícios humanos aos deuses garantiriam a preservação das futuras gerações. Foram oferecidos no altar da deusa história.

E esse é outro motivo pelo qual eu, como cristão, condeno o marxismo. Ele dizia que a história estava a seu favor. Que as “inexoráveis leis históricas” mostravam que o futuro do mundo seria comunista ou socialista, seja qual for a diferença que exista entre eles. Pelo menos os primeiros utopistas sociais não se denominaram científicos, não ousaram ir tão longe em suas afirmações.

Sem um Deus para dar sentido do mundo, o sentido precisava ser tirado de algum lugar. Então, essa abstração chamada “História” transformou-se em uma deusa onipotente, que a tudo determina, que a tudo esclarece, que a tudo justifica.

Ó Marx! Tivesse ele a chance de ver ao menos uma parte das conseqüências de suas idéias, forjadas em meio a charutos e álcool, talvez fosse um pouco mais ponderado em publicá-las. Se “pelos seus frutos os conhecereis”, então conheço bem o dito profeta.

Eu não poderia aprovar o marxismo, ainda que o mundo inteiro o fizesse. É óbvio que a injustiça social é um mal grotesco desse nosso mundo e não se sentir indignado diante dela é impossível. Não faltaram profetas e apóstolos denunciando os males sociais de seu tempo, em nada diferentes dos de hoje. Todavia, não acho que uma ideologia que nega a Deus, reduz o homem a um criativo macaco e dá ao Estado poderes ilimitados sobre as consciências e as vidas seja a resposta para essa situação. O caminho de Marx não é com certeza o caminho do Todo-Poderoso.

Não me sobra tempo para falar mais profundamente do “proletariado”, esse grupo que foi apontado por ele como o redentor da história. Os proletários são por ele descritos mais como anjos do que como seres humanos normais, portadores dos mesmos vícios e virtudes comuns a toda humanidade. Seu proletariado redentor nunca passou de ficção sob o nome de filosofia.

Talvez eu tenha muitos amigos queridos que discordem de mim. Ainda bem. Eu detestaria ser absoluto! Ideologia é coisa séria. E perigosa também. Isso, eu apreendi com o próprio Karl, que declarou:

Por causa desta divergência devemos levar as obras teóricas o mais possível a sério. Estamos firmemente convencidos de que não é o esforço prático, mas antes a explicação teórica das idéias comunistas que é o perigo real. Tentativas práticas perigosas, mesmo aquelas em larga escala, podem ser respondidas com canhão. Mas as idéias conseguidas por nossa inteligência, incorporadas ao nosso modo de ver, e forjadas em nossa consciência, são correntes que nós mesmos não podemos romper sem partir nossos corações; elas são demônios que não podemos vencer sem nos submetermos a eles. (MacLellan, David. Karl Marx — Vida e Pensamento. Petrópolis: Vozes, 1990).

Fonte: www.juliosevero.com

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