24 de dezembro de 2008

Cosmovisão cristã ou subserviência intelectual tosca?

Cosmovisão cristã ou subserviência intelectual tosca?

Edson Camargo

Já está se tornando um personagem comum, típico em quase todas as igrejas, e principalmente, caricato. Mais ridículo ainda ficam seus trejeitos, cacoetes e mantras quando começa a liderar um “ministério”, uma “rede” ou uma ONG (uau...). Senhoras e senhores, eu duvido que vocês já não tenham trombado com o novo intelectual evangélico brasileiro. Aquele rapazinho entre 25 e 30 anos de idade, que trabalha como professor, com meia-dúzia de livros lidos e uma pós-graduação mequetrefe que lhe confere a sensação e o prestígio entre os incautos para falar com autoridade sobre assuntos como sociologia, economia política, globalização, etc...

Como todo intelectual, ele é questionador. Se vê e quer ser visto como alguém que tudo questiona. Reclama da “alienação” alheia (sim, o esclarecido é ele) e está preocupado com as injustiças desse mundo e com a pobreza (sim, os egoístas são os outros).

O mais esquisito é que ele sempre está com nomes como Spurgeon, Lewis e Baxter na boca, criticando a forma com que a igreja (aliás, ele não pára de criticar a igreja) deixou sua fé manifestar-se unicamente na esfera pessoal, privada, e não a aplicou a todas as amplas questões que envolvem o convívio humano, a sociedade, a cultura, etc. Na verdade, ele não tem muito mais do que isso para falar. É esquisito porque esse intelectualzinho que vive de barba mal-feita comete exatamente o mesmo erro. Quanto mais falam em “cosmovisão cristã”, em “visão integral” e afins, mais dá para perceber que ele entendeu muito pouco do que criam os autores que ele diz ser seus preferidos.

Na verdade, eles só citam desses autores aquilo que lhe interessam. O que nem sempre é tem a ver com o “examinai tudo, retém o que é bom”. Porque esse personagem tão comum aprendeu tantas coisas alheias não só ao que estes autores defendiam, mas à própria Bíblia, ao longo de sua vida, digamos, intelectual, que a última coisa esperável dessas figurinhas é essa visível incoerência e a fragmentação de seu conhecimento, não só digna de pena, porque ela é bem compreensível, tendo um fato claro a seu respeito: com a recusa metafísica característica da modernidade, houve a perda do sentido de conhecimento integrado, de uma cosmovisão cristã plena e articulada, na qual todas as principais teses convergem para os mesmas premissas, para os mesmos alicerces, numa epistemologia sólida, ao longo dos últimos dois séculos. Isso afetou também a igreja de Cristo, e num Brasil de educação precária, com os piores índices de desempenho educacional e com uma elite intelectual que taxa o Cristianismo, nos meios acadêmicos, como o pior conjunto de idéias que já apareceu sobre a Terra ao longo da história, não se poderia esperar outra coisa desse pelotão de presunçozinhos.

O resultado não poderia ser mais trágico: cristãos bem intencionados, mas sem o menor preparo para lidar com as questões as quais se propõem a lidar. Uma rápida passeada pelos blogs, pelos sites dos mil e um “ministérios” e das tais redes e ONG´s evangélicas, e um fato salta aos olhos: a “escolinha Jimmy Carter” deixou seus frutos (e frutas, mas deixa pra lá...). E o que é fazer parte da “escolinha Jimmy Carter”? Simples: é, com a melhor das intenções, confiar no seu próprio entendimento, para, como cristão, dar apoio a tudo aquilo que não presta e se opõe à fé cristã.

É trocar figurinhas, idéias e apoio com partidos políticos abortistas e defensores do lobby gay. É, criticar os EUA para defender grupos de assassinos de cristãos, como os comunistas e os radicais islâmicos. É defender vastas intervenções do Estado na economia, e reclamar da pobreza. E por quê eles fazem isso? Porque o típico intelectualóide evangélico quer agir como cristão, mas aprendeu a ver o pobre como Marx. Quer ver a natureza como Deus vê, mas Stephen Jay Gould e os impostores do Greenpeace não saem de sua cabeça. Quer educação cristã em toda parte, mas louva Paulo Freire. Quer uma economia próspera, como tudo que está alinhado com os valores do Reino de Deus, mas aprenderam que a receita certa está em Keynes, ou, pior, em Lênin. Sonha com uma arte cristã mais rica, mas não conseguem admirar o que vai muito além do punk-rock e da literatura beatnik.

Querem um Brasil entregue a Jesus, mas agem como Robinson Cavalcanti, Rick Warren e outros militantes que se alinham e defendem instituições com agendas anti-cristãs na base, na essência, e em cada linha de seus estatutos.

Notem: eles sempre têm uma crítica à igreja na ponta da língua. E um louvor a qualquer Dawkins, Gandhi ou John Lennon da vida. Ele está tão a frente da “mentalidade atrasada que ainda há em nossas igrejas”, que suas afinidades com os valores mundanos não podem ser tidas como esclarecimento. É pura subserviência, é puro medo de desagradar seus ídolos mundanos.

J.P. Coutinho tempos atrás chamou este típico evangélico “preocupado com questões sociais”, Jimmy Carter, de idiota útil. Útil aos que odeiam aquilo que Carter dizia defender. É difícil encontrar nome mais apropriado para esse imenso contingente de evangélicos brasileiros metidos a críticos, mas que nada mais são do que papagaios do Anticristo.

Fonte: Blog Profeta Urbano

Divulgação: www.juliosevero.com

5 comentários :

Marco disse...

Olá!
Concordo com a maioria das afirmações no que se refere a intelectualóides, e como uso barba mal feita e não tenho caracteristicas "carterianas", chamo a atenção para o cuidado com a generalização, maniqueísmo, e possível entendimento como preconceito.
A igreja cresce quando refletimos sobre o que os outros dizem e conferimos responsávelmente na bíblia, e não apenas quando ridicularizamos um tipo humano qualquer. Portanto, se não estamos abertos a ouvir criticas a própria igreja e a rechaçamos com tanta repúdia, estamos caminhando tanto quanto os "carterianos" para distorção do que a Bíblia diz, pois esse tipo de atitude pode nos levar mais próximos da dominação da igreja do que da comunhão com a mesma.
Quanto à subserviência e ao medo de desagradar, também pode estar presente entre aqueles que posam grandes defensores da igreja, pois podem estar na verdade defendendo tal ponto de vista, não por consciencia, mas para estar de bem com as organizações eclesiásticas e com isso promover a si mesmo.
Qual a diferença entre um e outro?
Tomemos cuidado com os de barba por fazer, como eu, e também cuidemos para não nos encantarmos com aqueles que envergam ternos elegantes mas não têm coragem de mostrar o que está dentro da casca.

Anônimo disse...

Lendo este texto, não posso deixar de pensar na profecia que o Apóstolo Paulo fez em 2Timóteo 4.3-4. "Porque virá tempo em que NÃO SUPORTARÃO a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, AMONTOARÃO PARA SI DOUTORES conforme as suas próprias concupiscências;
4 E DESVIARÃO os ouvidos da verdade, voltando às fábulas."
Não é preciso dizer mais nada em relação ao tempo em que agora vivemos. O texto do Julio acima remete-nos claramente ao que o Apóstolo escreveu cerca de 2000 mil anos atrás. Os "doutores" nas Escrituras mencionados são estes mesmos aí: Que por quererem para si mesmos as glórias, esquecem que Deus não as dá a ninguém. Resultado: Engannam a si mesmos e carregam consigo multidões.
O Evangelho de Cristo é que faz a Igreja crescer, e mais nada. O evangelho de Cristo é simples, como o próprio Paulo O definiu em 1 Cor 15.3-4:"Cristo MORREU por nossos pecados, segundo as escrituras. E que foi Sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras." Outra coisa além disso que está sendo pregada por quem quer que seja, não vale pra nada:"... se não é que crestes em vão". 1 Cor 15.2. Caros amigos, e leitores, O TEMPO é este, e se encurta sem demora. Estamos vivendo no LIMIAR da história da Igreja; olhem ao seu redor: Vejam a convulsão mundial em que vivemos, da qual o Prório Cristo nos alertou em Mat 24. Vejam as heresias pregadas diariamente, que Paulo nos alertou, claramente decritas acima. Aproveite o Natal de Cristo, lembre-se Dele verdadeiramente, esqueça o paganismo do"papai noel". O aniverssariante é Cristo, COFESSE com sua boca, que Ele é o Senhor, Rom 10.13, ...acredite que Deus O ressuscitou dentre os mortos, e SERÁS SALVO, Rom 10.9. Não deixe se enganar por mais ninguém, não IMPORTA o que você tenha feito da sua vida ; CONFESSE a Deus, faça o agora:
"Se CONFESSARMOS os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos PERDOAR OS PECADOS, e nos purificar de toda a injustiça." 1 Joao 1.9. Não importa sua religião, ela não pode te perdoar os seus pecados, e NEM te salvar, o sangue CRISTO somente pode:"e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de TODO o pecado." 1 Joao 1.7. Neste Natal faça a ÚNICA coisa que importa mais que fosse dono do mundo inteiro. ACEITE o presente de Deus para toda humanidade, para nós é de GRAÇA, GRATUITO para quem CONFESSA, ACEITA;"
, ... mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor" Rom 6.23.
Enfim, desejo a TODOS um FELIZ NATAL !!!!
Lembre-se, AGORA é a hora.
Edinei.

Aprendiz disse...

Bom texto, mas faltou uma revisão mais cuidadosa.

Anônimo disse...

Não podemos nos esquecer que hoje em dia tem também as "pastoras" e "bispas" que têm alcançado posições de liderança com falas cheias de emoções e vazias de conteúdo bíblico.Será que Coríntios 1 Cap14 v34e35 foi escrito para ser ignorado?

@igorpensar disse...

Envio abaixo, meu comentário enviado ao autor sobre sua posição neste texto.

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Prezado Edson,

Considero sua crítica um tanto evasiva. Ela poderia ter sido formulada dentro de uma estrutura um tanto apologética, ao invés de explorar estereótipos relativos, você poderia ter elaborado uma resposta um pouco mais elaborada. Sinceramente, não concordo com grande parte de seu texto. Conheço pessoas sérias envolvidas com Missão Integral e com cosmovisão cristã, não penso que esse movimento seja uma moda, é uma demanda real. Um cristianismo fragmentado, dualista e sem um resposta cristã para as diversas esferas da realidade, não é cristianismo é gnosticismo cristão. E sinceramente, qual o problema com a existência de intelectuais cristãos? Penso que o evangelho tem entre suas principais funções, levar 'cativo todo pensamento a Cristo', que inclui a libertação das pessoas de qualquer tipo de cativeiro, inclusive o cativeiro cultural. Infelizmente o dualismo entre racionalidade e fé é uma invensão escolástica e pagã, minha racionalidade é um dom de Deus e sem Ele a criatividade, a sensibilidade artística e cognitiva, não poderiam existir. Há um grau de excessiva pessoalidade em seus argumentos, eles podem atingir pessoas seriamente envolvidas com o Reino nos aspectos criticados por você, então penso que considere também estes que como você, estão discipulando nações.