15 de outubro de 2008

Entrevista de Julio Severo à revista Comunhão em abril de 2008

Entrevista de Julio Severo à revista Comunhão em abril de 2008

— A atual novela das 8 da Rede Globo, Duas Caras, mostra a vida de uma igreja evangélica em uma favela. Recentemente, o autor da trama mostrou cenas de um grupo de cristãos atacando um casal homossexual e dizendo que estava fazendo aquilo em nome de Cristo. Um dos homossexuais declarou em cena: “Pecado é ter preconceito”. A cena, considerada muito dura pelos críticos, foi rebatida em toda a mídia secular e evangélica, que criticou o posicionamento da Rede Globo. Como devemos nos portar diante desse tipo de situação vexatória? A mídia é dura com os evangélicos?

Julio Severo: Há pelo menos três preocupações principais com relação à novela Duas Caras.

1. Seu autor, Aguinaldo Silva, era editor do jornal homossexual Lampião. Daí, existe uma explicação ideológica para o tom da novela favorecendo questões homossexuais e prejudicando os valores cristãos, que são contra todo tipo de pecado.

2. Se a Rede Globo costumasse tratar no mesmo nível protestantes, católicos, gays, empresários de TV e jornalistas como vilões de suas novelas, em cenas de número e proporção igual, entenderíamos suas novelas como criações artísticas sem preconceito e preferências. Tal não é o caso. Aliás, se a novela Duas Caras retratasse os homossexuais, ou umbandistas, do mesmo jeito que tem retratado os evangélicos, é certeza que a resposta seria imediata e furiosa. A Globo, porém, os agride confiando no conhecido espírito pacifista evangélico, que se dobra a praticamente tudo. Os evangélicos enfrentam ataques reclamando, mas depois deixam para lá. Os ativistas homossexuais enfrentam ataques atacando seus inimigos até vencer. Assim, é muito mais fácil atacar evangélicos.

3. Lamentavelmente, a Rede Record, que não deixa a desejar para a Globo em termos de produção espiritualmente imprópria, nociva e anti-família, se aproveita do óbvio preconceito global para “defender” os evangélicos, mas é igualmente óbvio que sua real intenção é ganhar audiência da emissora concorrente.

O histórico de Aguinaldo Silva, com seu envolvimento no jornal militante gay Lampião, indica que no atual momento nacional, onde leis anti-homofobia estão para ser aprovadas no Congresso Nacional, nenhum ativista homossexual está alheio aos acontecimentos. Aguinaldo não é exceção. Aliás, em episódio anterior, a mesma novela Duas Caras inseriu cena onde um pai flagrou um filho na cama com outro homem. A cena objetivava ensinar as famílias a aceitar os filhos na cama com outros homens, sem preconceito. Atitudes opostas ao homossexualismo são pintadas como retrógradas e “machistas”. Poderíamos imaginar: “Tal cena só pode ter sido criada por um homossexual”. Verdade! É só perguntar ao Aguinaldo Silva.

No passado, ele tratava de questões homossexuais no seu jornal Lampião. Agora ele as trata em sua novela Duas Caras, que é a sua plataforma para alcançar o público com seu “evangelho” gay.

O jornal Folha de S. Paulo comentou recentemente que a próxima estratégia de Aguinaldo é fazer, em Duas Caras, o casamento de dois personagens homossexuais numa igreja evangélica. Esse é ou não é o perfil perfeito de um militante homossexual? Por que o Aguinaldo não tenta fazer uma cena de homossexuais se casando numa mesquita? Ele não é bobo.

— Esse tipo de crítica da novela não é porque também há atualmente uma banalização do ser cristão? Todo mundo hoje é evangélico...

Julio Severo: Essa banalização é uma triste realidade. No entanto, sendo o autor da novela um ativista homossexual, sua inclinação é pró-homossexualismo, não pró-Cristianismo. As cenas anti-evangélicas de Duas Caras, forçando a ferro e fogo uma imagem evangélica preconceituosa e agressiva, tentam jogar a população contra os evangélicos num momento delicado em que o Congresso Nacional está sob pressão do governo e da mídia para aprovar leis anti-homofobia, isto é, leis que transformam em crime toda atitude ou opinião filosófica, moral, ética e cristã contra o homossexualismo. Não há dúvida de que as cenas dessa novela levarão o público a ver os evangélicos como seres irracionais e intransigentes que não querem a aprovação dessas leis apenas porque eles mesmos querem vitimar os homossexuais. Esse parece ser o propósito das cenas.

Apesar de que ser evangélico está banalizado, a maior oposição hoje ao homossexualismo vem dos cristãos, principalmente católicos e evangélicos conservadores que acreditam na condenação bíblica ao homossexualismo.

Poderíamos achar que cenas pró-homossexualismo em novelas e programas da Globo e outras emissoras não têm efeito, porém recente notícia da BBC mostra que o simples fato de a Globo apresentar nas novelas casais apenas com dois filhos está levando os telespectadores a querer dois ou menos filhos em suas próprias famílias. A audiência é tratada como robôs a serem programados. Aguinaldo Silva está feliz com sua posição de programador na área homossexual.

— No Brasil há liberdade religiosa, mas constantemente os cristãos são alvo de preconceito, discriminação, no trabalho, na escola, em casa. Somos muitas vezes alvo de piadas por expormos a nossa crença, como por exemplo: não mentir, não usar drogas, não ingerir bebidas alcoólicas, se preservar sexualmente para o casamento, não se prostituir, etc. Temos como viver normalmente sem que as pessoas nos critiquem?

Julio Severo: Como evangélico, eu mesmo sofria discriminação por ser “crente”. Contudo, isso não me incomodava, porque lendo a Bíblia eu sabia que atitudes contrárias e até perseguição são conseqüências que devemos esperar por causa da nossa decisão de seguir Jesus. Vencemos o preconceito pelo poder da oração. A Assembléia de Deus é um bom exemplo, pois é uma denominação que tem um grande histórico de perseguição no Brasil, mas venceu-o através de Jesus. Temos como viver normalmente nas trevas, sem parecer diferente? Impossível. Devemos ser luz. Luz nada tem a ver com as trevas. Mas devemos também ser sábios e pacíficos.

Sofrer perseguição hoje parece bem fácil. Quando tendências sociais impõem que o aborto e o homossexualismo são direitos, o cristão que defender a vida e a sexualidade saudável poderá ser humilhado por não se prostrar diante das ideologias politicamente corretas.

— Como o cristão deve se portar para não criar embates com as pessoas ao redor, mas também para não deixar de testemunhar?

Julio Severo: Em primeiro lugar, deve-se ter um bom testemunho e um compromisso sério com Jesus, com muita oração. Por princípio, precisamos ser pacifistas, mas não ao ponto de sacrificar nossos valores. Pacifismo não significa fechar a boca diante do mal, mas promover o bem por meios pacíficos, até onde for possível.

Quem nunca sofreu algum tipo de discriminação é porque não está testemunhando?

Julio Severo: Tudo o que posso dizer é que a Palavra de Deus diz: “Todos os que querem viver a vida cristã unidos com Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12 NTLH)

— O cristão não tem “direito de errar” perante a sociedade. Se comete alguma falha, logo é exposto e com isso mancha o nome da igreja que freqüenta, da crença e de Cristo. Se errarmos, o que devemos fazer para não mancharmos o nome de Jesus?

Julio Severo: O problema maior está na liderança. A Palavra de Deus ensina que os líderes da igreja precisam ter um testemunho bom e impecável. Um pastor cometeu adultério, se divorciou ou cometeu outro pecado grave? Ele próprio deveria descer de sua posição de liderança. Com tal atitude humilde, ele dá um bom exemplo para os outros na igreja. Além disso, o mundo vai notar que não somos hipócritas. Nos casos em que um pastor em pecado não é humilde, é necessário que ele seja submetido a uma disciplina rigorosa, inclusive perda do cargo de pastor.

A igreja precisa ter e aplicar mais disciplina saudável, começando pelos líderes.

— O dizer que é preconceito também não é um preconceito? Por exemplo: dizer que os evangélicos têm preconceito em relação aos homossexuais não é ferir a liberdade de pensamento?

Julio Severo: Na verdade, existe o preconceito negativo e o preconceito positivo. Quando nos recusamos a acolher em nossa casa um homem reconhecidamente pedófilo, ladrão, assassino, adúltero, etc., estamos praticando um preconceito positivo e saudável. Só podemos acolher pessoas assim sob a orientação direta do Espírito de Deus. Mesmo quando uma pessoa nessa condição ouviu o Evangelho, pode haver problemas. Sei de pelo menos um caso em que um pastor trouxe para casa um presidiário que havia ouvido e aceito o Evangelho, mas quando saiu da prisão não tinha para onde ir. O pastor o abrigou em seu lar. Resultado: a filha do pastor foi estuprada. Um preconceito positivo poderia ter livrado o pastor e sua filha de sofrer tão grande tragédia.

Em todas as esferas da vida, praticamos preconceitos, ou discriminações, etc. O que não podemos fazer é praticar discriminações injustas. É justo, pelo Evangelho, manter as portas das igrejas abertas para os homossexuais receberem ajuda. Mas não é justo nem sensato lhes dar mais do que isso, se eles decidem se manter no pecado e até exigem ser membros e ter casamento na igreja. A igreja está aberta aos homossexuais, para ajudá-los a sair de seus pecados, mas não tem nenhum chamado de Deus para se abrir para os pecados deles.

— O que a Bíblia nos fala sobre essas perseguições? Cite exemplos.

Julio Severo: A Bíblia jamais menciona casos de perseguição contra homens que insistem em viver no homossexualismo, adultério, assassinato, estupros, etc., porque tais condutas erradas traziam como conseqüência uma reprovação e condenação social e legal tão forte que os praticantes eram desestimulados a prosseguir em seus atos. Essa perseguição positiva também desencorajava totalmente os que quisessem imitar as condutas erradas.

Por outro lado, Jesus mostra o que é real perseguição: “Felizes as pessoas que sofrem perseguições por fazerem a vontade de Deus, pois o Reino do Céu é delas.” (Mateus 5:10 NTLH)

E a Bíblia dá muitos exemplos de pessoas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, que sofreram perseguição por fazerem a vontade de Deus.

Cada geração tem seus desafios. Na época do rei Acabe e da rainha Jezabel, era politicamente correto respeitar o deus Baal. Nesse cenário entrou o profeta Elias para denunciar Baal como entidade contra Deus. E muitos outros profetas foram levantados por Deus para denunciar a adoração a Baal, que estava sob proteção estatal na época. A função deles era destruir a verdade imposta de que Baal era o deus verdadeiro. Os profetas sofreram muita perseguição social, religiosa e principalmente estatal, mas não pararam de denunciar os pecados sociais.

Aliás, quem mais perseguia os apóstolos e o próprio Jesus eram os líderes religiosos e o Estado.

Hoje, não temos Baal, que foi substituído por outras verdades impostas e protegidas pelo Estado laico-louco. Na Suécia, o pastor pentecostal Ake Green foi denunciado e quase foi preso porque um homossexual não gostou da pregação dele feita dentro da própria igreja! Green só não foi preso porque houve grande mobilização.

Um juiz cristão na Inglaterra perdeu o emprego quando se recusou a dar crianças em adoção para “casais” homossexuais. Ele entendia que dar crianças a homens sexualmente anormais violava suas convicções cristãs pessoais e expunha as crianças desnecessariamente a abusos psicológicos e até físicos.

No Brasil, o pastor luterano Ademir Kreutzfeld foi intimado em 2007 por crime de homofobia, só porque ele havia alertado comerciantes que inadvertidamente estavam patrocinando um jornal local de orientação homossexual. Mesmo sem a aprovação de leis anti-homofobia no Brasil, os militantes homossexuais mostram que estão dispostos a perseguir qualquer um que ouse discordar de sua ideologia.

Fonte: www.juliosevero.com

Leia também:

O “discreto” apoio da Rede Globo aos projetos anti-homofobia

É só a Globo que apóia a Globo, o aborto e o homossexualismo?

Um comentário :

Liz disse...

Júlio, poderia falar mais sobre a perseguição que você citou à Assembléia de Deus no Brasil?
Não sabia desse fato e creio que a maioria dos brasileiros também sabe.