3 de setembro de 2008

A tolice feminista de Sarah Palin

A tolice feminista de Sarah Palin

Olivia St. John

Bristol Palin, a filha solteira de 17 anos de Sarah Palin, está grávida. Embora ela esteja planejando ficar com o bebê e casar com o pai, sua falha moral é ainda clara para a nação (e para o mundo) ver. É possível que sua ocupada e abertamente feminista mãe, a governadora do Alaska e presumida candidata do Partido Republicano para ser vice-presidente, poderia ter feito uma diferença moral se ela tivesse ficado mais à disposição de sua filha?

Com isso em mente, é fascinante que, entre os milhares de especialistas conservadores elogiando o fato de que John McCain escolheu Sarah Palin como vice na sua chapa, ninguém está fazendo uma pergunta importante: Os Estados Unidos realmente precisam de uma feminista na Casa Branca?

Sim, eu sei que a escolha de Palin pareceu quase providencial. McCain apresentou Palin para uma multidão de admiradores no aniversário dele, que por acaso ocorreu quase no 88º aniversário do dia em que as mulheres ganharam o direito de votar. Adicione a isso o fato de que o filho de Palin será mandado como soldado ao Iraque em 11 de setembro, o aniversário dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, e parece que as estrelas se alinharam de forma maravilhosa para a campanha presidencial republicana.

E sim, eu sei que a coroação em 29 de agosto da ex-rainha da beleza Palin como “Senhora Vice-Presidente dos EUA” sabotou de forma impressionante as festividades socialistas charmosas do discurso de aceitação de Barack Obama na noite anterior. Deve ter sido um desapontamento terrível para os seguidores messiânicos dele verem o ungido agente de mudança deles empurrado para fora dos holofotes e substituído pela governadora de um estado com uma população aproximadamente equivalente da cidade de Fort Worth, Texas.

E sim, eu sei que os principais conservadores cristãos como Dr. James Dobson de Focus on the Family estão eletrizados que, num ano eleitoral em que um democrata está concorrendo numa chapa pró-infanticídio, os republicanos tenham uma chapa pró-vida. É um ano importante porque a escolha de mais um juiz pró-vida para o Supremo Tribunal poderia significar o fim da matança em massa de milhões de bebês em gestação dentro do ventre de suas mães. Os conservadores agora estão na expectativa. O momento é apropriado.

Mas é o momento apropriado para os filhos de Palin e para os filhos dos EUA?

À medida que Palin se tornou o centro das atenções, seu marido e filhos ficaram por trás dos bastidores só olhando. Bristol, grávida de seu neto, segurava o bebê de 5 meses de sua mãe. Fico pensando se os filhos sabem o que está à frente para eles.

Sarah Palin se considera feminista, o que lhe dá afinidade com liberais como Geraldine Ferraro e a Senadora Hillary Clinton, ambas das quais ela honrou ao mencionar as realizações delas em seu discurso: “Com justiça se comentou nesta semana em Denver que Hillary deixou fendas imensas nos pontos mais elevados das limitações para as mulheres avançarem em todas as ocupações que estão nas mãos dos homens, mas o fato é que as mulheres dos EUA ainda não terminaram o serviço e podemos agora destruir esses limites de uma vez por todas”.

Descrita pela revista Time como ferozmente competitiva, Palin não se sente intimidada fazendo malabarismos com sua família por causa de futuras responsabilidades. Ela está pronta para o desafio. Mas e os filhos dela também estão?

É claro que Bristol, ao que parece, não está.

Em abril passado, quando Palin deu a luz seu quinto filho, ela como carreirista devota voltou ao seu trabalho como governadora depois de três dias. Poucos anos antes, quando era prefeita de Wasilla, Alaska, ela mantinha sua filha bebê num assento de bebê debaixo de sua escrivaninha enquanto trabalhava em seu gabinete.

Numa época em que muitas ex-feministas se queixam de injustiças ao perceberem que foram ludibriadas e levadas a pensar que poderiam conquistar tudo o que quisessem, poucas parecem estar questionando se Palin conseguirá conquistar tudo.

Mais e mais mulheres que trabalham fora do lar dizem que estão estressadas e trabalham demais. Elas lamentam terem um dia na vida decidido assumir a responsabilidade de ser mães e trabalhar fora do lar. Elas descobriram que sob o peso de excessivas responsabilidades, algo sai perdendo — e qualquer mulher honesta lhe dirá que são os filhos que obtêm a menor atenção. Afinal, a pressão para cumprir o prazo final de um projeto num emprego assalariado é maior do que a pressão para dar tempo aos próprios filhos.

Enquanto Palin é com justiça aplaudida por sua sólida posição pró-vida, é preocupante o fato de que ela seja adepta de uma cosmovisão feminista em sua relação à vida em família. O desejo de Palin de destruir as limitações para as mulheres avançarem em todas as ocupações que estão nas mãos dos homens está legitimando o fenômeno social da mãe ausente centrada na carreira.

Presumindo que McCain ganhe a eleição, não consigo deixar de ficar imaginando em que lugar debaixo de sua escrivaninha de vice-presidente Palin planeja manter seu alvoroçado bebê de um ano. É claro, haverá substitutos dos pais para fazer esse trabalho.

Numa edição de 2006 da revista Mothering from the Heart (Exercendo o papel de mãe com o coração), Audrey Broggi observa que os cristãos que aparentemente valorizam o papel das mães o estão minando com suas ações e palavras.

“Suponho que em algum ponto ao longo do caminho, as mulheres cristãs decidiram dar atenção à feminista Betty Friedan”, disse Broggi. “Veja, é sempre a família que pode ficar em posições secundárias — até mesmo por amor a responsabilidades religiosas. Sabemos o que costumam dizer: ‘Deus cuidará dos filhos por amor ao ministério’”.

Onde em nossa sociedade hoje as mulheres ouvem acerca da prioridade do lar e da família? Onde elas ouvem acerca das estações da vida? Algumas de nós achavam que o Dr. Dobson entendia.

“A resposta para o problema que defronta nossas famílias não se acha na intervenção governamental, mas na intervenção divina no lar”, de acordo com um artigo de 2006 dos Ministérios In Touch. “É difícil substituir a dedicação dos pais… os filhos sentem o nível de compromisso”. O artigo diz que o maior medo que nossos filhos enfrentam é o medo do abandono.

Algumas mães se sentem nas nuvens pelo status conferido por um emprego de salário elevado. Outras ficam enlevadas ao serem elogiadas por serem pilotos de aviões de guerra. E ainda outras recebem honra por assumirem elevadas posições políticas que lhes deixam pouca liberdade para suprir as necessidades dos próprios filhos.

“A mulher americana é livre para ser uma idiota”, diz Nancy Levant, autora de “The Cultural Devastation of American Women: The Strange and Frightening Decline of the American Female” (A devastação cultural das mulheres americanas: o declínio estranho e assustador da mulher americana), um livro terrível que chegou bem na hora. Tendo testemunhado as conseqüências emocionais que os filhos sofrem quando são tratados como criaturas de granja e entregues nas mãos de babás e funcionárias de creche, ela diz que muitos lares não têm vida porque as mães “perderam seu sentido debaixo de uma aparência altamente política de ‘liberação’”.

Muitas mulheres conservadores pró-vida que se opõem à escolha da mãe para abandonar seu bebê no ventre pensam pouco acerca de como elas são parecidas com as feministas pró-aborto no que se refere a deixar os filhos em creches e depósitos escolares por mais de 50 horas por semana. A vida de um filho não termina quando ele nasce. Ele ainda precisa de sua mãe.

Que tipo de mensagem foi dada às mães dos EUA quando Sarah Palin ficou sob o holofote vice-presidencial enquanto seus filhos estavam olhando das sombras?

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: WND

Leitura recomendada:

De Volta Ao Lar

As mulheres e o futuro da humanidade

4 comentários :

Marcelo disse...

Esse artigo faz a gente pensar, mas é cedo demais para atacar essa posição. Não adianta planejar atacar um futuro inimigo não tão forte, se temos um inimigo feroz apontando uma arma para nossa cabeça atualmente. Concentremos nossa força no nosso inimigo real, para depois remediar os males menores.

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá Júlio, importante artigo..mas não é só isso que está preocupando certos cristãos

leia este artigo
http://www.christianpost.com/article/20080905/pentecostalism-obscured-in-palin-biography_page1.htm

Há certos indícios de cessacionismo neste texto , mas creio eu ser interessante por relatar as incertezas religiosas de Sarah

Julio Severo disse...

Não vejo nada de errado se Palin tem experiências pentecostais. Aliás, tais experiências poderiam aj udá-la a ouvir mais de Deus. Vejo de forma positiva tais experiências.

Roberto Robledo disse...

Em momentos como o que vive a nação norte-americana, há que se olhar as coisas em perspectiva. Sarah Palin representa uma possibilidade de vitória contra Barack Hussein Obama, pela mobilização que pode gerar de votos de mulheres conservadoras, pró-vida e dos Cristãos em geral, incluindo o voto dos Católicos. Diante disso, qualquer outra coisa de sua vida, se a filha engravidou sem ser casada, se ela deu licença para se caçar lobos de avião ou comprou uma cama de bronzeamento artificial tem de ser relativizada. Nesta eleição há coisas importantes demais em jogo. Os Republicanos precisam da pitbul de baton!