2 de julho de 2008

Campanha internacional para resgatar crianças indígenas do Brasil

Campanha internacional para resgatar crianças indígenas do Brasil

Julio Severo

“Quando meu sobrinho de 3 anos foi enterrado vivo, eu sofri muito. Desejei morrer junto com ele. A gente sofre muito quando enterra criança.”

― Índio Makana Uru-eu-wau-wau

Centenas de crianças indígenas, rejeitadas por suas tribos, são enterradas vivas no Brasil todos os anos. Essa é uma prática antiga, encontrada ainda em mais de 20 povos indígenas diferentes. Muitas dessas crianças são recém-nascidas. Outras são mortas aos 3, 5, e até 11 anos de idade. Centenas delas são condenadas à morte por serem portadoras de deficiências físicas ou mentais, ou por serem gêmeas, ou filhas de mãe solteira. Muitas outras são envenenadas ou abandonadas na floresta porque os índios, por influência de tradições indígenas envolvendo bruxaria, acreditam que tais crianças trazem má sorte para a tribo.

Indiferença do governo brasileiro

A situação trágica dessas crianças vem sendo revelada ao mundo inteiro, que grita: “O que o governo brasileiro está fazendo para acabar com a matança de inocentes crianças?”

A agência governamental responsável pela supervisão do bem-estar dos índios é a FUNAI, que há décadas conhece bem esse problema, mas prefere permanecer confortavelmente na postura da omissão, com a desculpa de não interferir nos costumes indígenas.

Para sensibilizar a opinião mundial com relação à insensibilidade do governo brasileiro diante do sacrifício de sangue inocente nas tribos, foi produzido o filme “Hakani”, que mostra a necessidade de ação para deter esses assassinatos.

Evangélicos são usados como bodes-expiatórios

Não só essas matanças são crimes, mas também a própria omissão da FUNAI. Contudo, em vez de reconhecer os próprios erros, indivíduos ligados a FUNAI agora se levantam exigindo que o governo Lula tome providências contra os evangélicos que tomaram a iniciativa de lançar uma campanha internacional com a produção do filme “Hakani”.

Em artigo em seu blog, Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da FUNAI, não só defende o Estado e seus interesses, mas também ataca organizações evangélicas como a JOCUM que atuam entre os índios. O título do artigo é: “JOCUM faz filme criminoso sobre os Zuruahá“.

Para Mércio, quem é criminoso não é quem mata ou quem se omite diante dos assassinatos. Criminoso é quem denuncia os assassinatos!

É muito fácil desviar a atenção do público usando os evangélicos como bodes-expiatórios. Agentes estatais, muito bem pagos e muito bem omissos, usam os evangélicos apenas como alvos de seus preconceitos pessoais e estatais. Um Estado supostamente anti-preconceito, que vive pregando que discriminação é crime, jamais sente vergonha de praticar preconceitos aos evangélicos por qualquer motivo.

“Omissão é crime”.

Eu não pude resistir enviar uma mensagem ao Mércio, dizendo: “Mércio, só gostaria de saber uma coisa: quando você era presidente da FUNAI, o que você fez para impedir a matança de crianças indígenas? Omissão é crime. O filme incomoda exatamente porque põe em relevo o fato assustador de que, se as matanças prosseguem, é porque há omissão da FUNAI. Pense nisso, ex-presidente da FUNAI”.

Eu fico perplexo: hoje condenamos pessoas que foram omissas durante o nazismo, mas nem ligamos para a omissão dos agentes estatais de hoje. Nos dois casos, pessoas inocentes foram assassinadas enquanto os Mércios a serviço do Estado nada faziam para intervir.

O Estado e seus agentes nada fizeram e nada fazem para acabar com as matanças. Pelo contrário, eles estão dispostos a atacar os evangélicos que estão se mobilizando. E depois as instituições estatais e as ONGs por ele sustentadas têm a cara de pau de declarar que os evangélicos são preconceituosos.

Mesmo sob as pressões, preconceitos e perseguições injustas do governo federal, os evangélicos e todas as pessoas de bem não podem calar a boca diante do assassinato de crianças indígenas. Os inocentes clamam, e os que ouvem esse clamor clamam junto.

Líder indígena clama junto com os inocentes

O líder indígena Eli Ticuna, do Amazonas, relata: “Como indígena, conheço muito bem a dor que essas famílias enfrentam quando são forçadas pela tradição a sacrificar suas crianças. Mas conheço também mulheres corajosas que enfrentam a tradição e literalmente desenterram crianças que estavam condenadas à morte. Essas mulheres, mesmo sem nunca terem estudado direitos humanos, sabem que o direito à vida é muito mais importante que o direito à preservação de uma tradição”.

Eli Ticuna conta que, mesmo sem nenhuma ajuda e sensibilidade das agências governamentais, ele próprio tomou a atitude de agir: “Por causa do sofrimento do meu povo indígena, e da coragem dos meus parentes que se opõem ao infanticídio, eu me dispus a trabalhar na elaboração de um projeto de lei. O primeiro esboço saiu da minha cabeça. Numa segunda fase, contei com o apoio de uma equipe de especialistas e de um deputado federal sensibilizado pela causa”.

Finalizando, Eli Ticuna chama a todos a se envolverem na aprovação de um projeto de lei para proteger as crianças índias: “Eu como indígena e defensor dos direitos fundamentais, conclamo a sociedade brasileira, índios e não-índios, a participar da Campanha Lei Muwaji. A primeira coisa que eu peço é que você assista o documentário HAKANI. É a história real de uma menina suruwaha que foi enterrada viva, mas foi resgatada por seu irmão de nove anos. Você vai se comover com a luta desse menino para salvar a vida de sua irmãzinha. Depois de assistir ao filme, ajude-nos a pressionar o governo para que a Lei Muwaji seja votada com urgência. Faz exatamente um ano que o projeto de lei está parado na Comissão de Direitos Humanos. Isso mostra o total desinteresse do Congresso na causa indígena. Temos menos de um mês para fazer com que a comissão vote o projeto, senão ele vai cair no esquecimento. Nós precisamos da sua ajuda. Participe da campanha e ajude-nos a superar essa prática terrível que ceifa a vida de centenas de crianças inocentes”.

Lei Muwaji

Para garantir às crianças indígenas o direito à vida, o Dep. Henrique Afonso apresentou no Congresso Nacional o PL 1057, conhecido como a Lei Muwaji. O projeto, que foi apresentado em 2007, até hoje não foi levado à votação e aprovação porque a relatora da comissão que o está examinado é petista. A prioridade do PT, como bem dá para ver, não é e nunca foi resgatar crianças do aborto e da matança entre as tribos.

O projeto foi batizado de Lei Muwaji em homenagem à coragem da índia Muwaji Suruwaha. De acordo com as tradições do seu povo, ela deveria ter sacrificado sua filha Iganani, que nasceu com paralisia cerebral. Mas ela se posicionou contra esse costume, enfrentando não só a sua tribo, mas também toda a burocracia do governo brasileiro, para garantir a vida e o tratamento médico de sua filha.

Fonte: www.juliosevero.com

Leitura recomendada:

Funai exclui igrejas evangélicas de reservas indígenas

Índios estatizados: o papel do Estado no sufocamento do Evangelho entre as tribos

Governo brasileiro estuda restringir missões cristãs na Amazônia

11 comentários :

Jorge Fernandes disse...

Os argumentos do ex-presidente da Funai e da sua "troupe" são simplesmente patéticos. Beiram a irracionalidade, a insensibilidade e a demagogia, ao se apregoar "baluarte" da lei, indignado com a ação dos missionários que apenas e tão somente salvam indiozinhos da morte; o que o Mércio Gomes deveria ter feito à época em que geria a Funai.
E ainda vêm culpar-nos por impedir a matança. É bestial... maligno! E nem mesmo há o mínimo de raciocínio, apenas ódio e preconceito.
Os índios praticam a eugenia sob as barbas do Estado, que se faz de impotente com o pretexto de não interferência cultural; patrocinando o infantícidio descaradamente, numa clara demonstração de desprezo pelas crianças indígenas, enquanto apregoam-se seus protetores...
www.kalamo.blogspot.com

Anônimo disse...

O sr. Mércio atribui aos autores do filme "HAKANI" algum "crime". Todavia, em seu purulento blog relativista, sob os auspícios de seus acólitos, não aponta quais os crimes. Medo de alguma coisa?

Talvez para este senhor, enquanto presidente da FUNAI, ainda pesem crimes como Omissão de Socorro, em nome da doença mental voluntária que apresenta e propaga. Ele sim deveria sofrer persecução judicial pela conduta aberrante exercida no cargo que ocupava. Sabia do morticíno e o patrocinava, mediante a aberrante justificativa do relativismo cultural.

Em uma civilização coerente e séria, este cidadão já estaria atrás das grades ou desacreditado.

André L. disse...

Me impressiona alguém da envergadura intelectual como o senhor Mércio, antropólogo etc e tal, autor de livros, apresentar uma incoerência daquela magnitude. Só faltou ele dizer que é a jocum que enterra as crianças vivas.

bebeto_maya disse...

Não me impressiona, André. A característica da imensa maioria dos antropólogos é a relativização da vida humana e dos conceitos morais...Para eles cada cultura tem sua identidade e, por mais assassina que seja, deve ser mantida. O que os torna hipócritas é o profundo desprezo que sentem pela civilização judaico-cristã, atribuindo a ela todos os males dos últimos 2000 anos.Ou seja, a cultura dos outros é bela enquanto exótica, mas a nossa é assassina e cruel.

Eles negam os males do comunismo maoísta e marxista, se apegam a um ou dois casos de corrupção de pastores evangélicos, negam os inúmeros casos de pedofilia da ONU e transformam a Igreja católica numa fábrica de pedófilos.

Recentemente 5 homossexuais entraram num ônibus aqui em Recife, estavam agredindo os passageiros, assediando-os sexualmente, e proferindo palavras xulas, as piores possíveis. Todos ficaram calados. Na parada Gay da Hungria desse ano, um grupo de extrema direita atirou ovos neles, a imprensa caiu de pau, todos foram chamados de homofóbicos...Agora, aguém sabe o que os organizadores da parada gay fizeram? Xingaram a religião alheia (como fazem o tempo todo por aqui), agrediram as crenças alheias? Ninguém sabe. Mas o que posso garantir é que essa gente reza para ser agredida, é o que eles mais querem, assim se auto-vitimizam e ganham a matéria de amanhã na Folha ou no Estadão. Não estou defendendo o grupo de extrema direita, são uns malucos mesmo, assassinos e skinheads, mas os grupos GLBT estão longe da santidade...

Manoel Aleksandre disse...

Júlio,
Bem que você poderia repetir aqui o comentário que você fez lá no blog do Mércio, pois foi o único que teve o "comentário removido pelo autor".
Fica com Deus!

Gustavo disse...

Este texto me fez chorar. Jesus viu tudo e ficou triste. Que Deus tenha muita misericórdia dessas coitadas das crianças indígenas! Vou orar a Deus para que Ele as salve e leve-as a conhecê-Lo e a Jesus!

Anônimo disse...

Oi júlio...
Quero te dizer que aqui o Amazonas existe uma pessoa que tem verdadeira paixão pelos Suruwahá, é minha mãe. As pessoas falam coisas terríveis deles, mas na verdade são amigos e amam a minha mãe, e todas as vezes que precisam vir a Manaus dizem que querem ir para o sítio da Ana. São tratados como Seres Humanos, diferentes sim na cultura, mas humanos sim!!!!!
E a corrupção é muito grande, minha mãe luta para receber o que gastou com eles e como sempre a CASAE foge das responsabilidades. É uma pena pois eles gostam do meu sítio e do jeito que esta não voltaram tão cedo. Pra você ter idéia a Tititú na almoçou na minha casa com os pais e a nova bebezinha.
Estou fazendo um trabalho da faculdade sobre os Suruwahá.

Anônimo disse...

não quero agridi nenquem com meu comentario mais isto é muito serio não quero saber da cultura dos custumes se nos seres humanos for olhar por ete lado, os indios vão continuar matando as crinças ,gente ,de verdade eu estou doente depois que vi o vidio não me sinto feliz não esqueço um so momento ,por que estes indios não são gente são monstros por Deus o que juntos podemos fazer pra melhorar isto, estou desesperada si alquem tever o amor que tenho sabe do que to falando a funai não pode proteger isto, como pode ser um orgão de defesa para os indios si as crianças indigenas estão morrendo da pior forma é uma crueudade muito grande por Deus ajude- nas ,faça valer o direito da vida ,como podemos ajudar ? quem pode? como estes comentarios pode chegar as autoridades pelo mor de Deus !

Érika entre Palavras e Sonhos disse...

É inacreditável! Na minha ignorância nunca imaginei uma coisa tenebrosa como essa!!! É de chorar. E o que podemos fazer de concreto para salvar essas crianças? Vítima sinocentes? São seres humanos, antes de ser índio ou não. SÃO SERES HUMANOS.
São muito fortes essas cenas! Parece filme de terror, aliás, é um filme de terror e horror.
Estou estarrecida mas, precisamos fazer algo para mudarmos essa prática horrenda!

Icthusteama disse...

Amado Irmão no meu blog também não está funcionando. Mas eu vou colocar de Novo quantas vezes eles tirarem...
Paz irmão! Luiz

http://icthusteama-icthusteama.blogspot.com/

Delegado. disse...

Já é hora de diferenciar atos desumanos, ignorância, de cultura.

Quem está pagando o preço desta "cultura" são as crianças, ninguém pergunta à elas o que elas acham de serem enterradas vivas perguntam?

Aquele que prega que assassinato de crianças, mutilação de mulheres e outras barbaridades é "cultura" deveria ser enterrado vivo ou ter seu pinto arrancado com ferro quente ... daí depois poderiam dar suas opiniões imbecis sobre "cultura".

Quando vai um grupo de "caras pálidas" levar antibióticos, comida e até TV os indios esquecem a "cultura" rapidinho né?

Esses indios que matam criancinhas não passam de um bando de assassinos vagabundos.