17 de abril de 2008

O discurso de Obama

O discurso de Obama

Thomas Sowell

Resumo: O senador Obama tem feito um grande papel como um ícone, capaz, com sua lábia, de satisfazer as necessidades psíquicas das pessoas, incluindo-se aí a necessidade de dissipar a culpa dos brancos por meio do apoio a sua candidatura.

© 2008 MidiaSemMascara.org

Será que o discurso que Barack Obama fez na Filadélfia convenceu as pessoas de que ele ainda é um candidato viável à presidência dos EUA, apesar das reações adversas às afirmações de seu pastor, Jeremiah Wright?

As pesquisas e as primárias responderão essa questão.

A grande pergunta ainda sem resposta para o senador Obama é aquela que foi respondida sobre o presidente Nixon, durante o escândalo Watergate: O que ele sabia e quando ele soube?

Apesar de o senador Obama desejar que acreditemos que ele está chocado com o que Jeremiah Wright disse, que ele não estava na igreja quando o pastor Wright disse aquelas coisas desde o púlpito, resta ainda a questão de por que ele desconvidou Wright do evento do anúncio de sua candidatura, um ano atrás.

Ou Barack Obama, ou sua equipe deve ter considerado, naquele momento, que Jeremiah Wright não era alguém que eles quisessem expor à mídia.

Mas, por que isso aconteceu, se somente agora é que o senador Obama está tomando conhecimento, pela primeira vez, para sua surpresa, que tipo de coisas Jeremiah Wright tem dito e feito?

Ninguém precisaria estar na igreja no dia em que Wright fez suas observações inflamadas e obscenas para tomar delas conhecimento.

Os jornalistas das televisões a cabo que apresentam os vídeos desses sermões não estavam lá. As fitas estavam à venda na igreja. Obama soube disso, pois ele comprou uma ou mais dessas fitas.

Mas mesmo que as fitas não existissem, e mesmo que Obama nunca tivesse ouvido de outros membros da igreja o que seu pastor estava dizendo, ele freqüentou por 20 anos a igreja, não simplesmente como um membro comum, mas também como alguém que doou, certa vez, US$20.000 à igreja.

Não há como ele não ter tomado conhecimento sobre as diatribes antiamericanas e racistas de Jeremiah Wright.

Alguém disse, certa vez, que o trabalho de um vigarista não é convencer os céticos, mas possibilitar que as pessoas continuem a acreditar no que eles querem a princípio acreditar.

Assim, o discurso de Obama na Filadélfia – uma obra-prima teatral – confortará a maioria dos democratas e outros apoiadores de Obama. Eles dirão indubitavelmente que devemos “seguir em frente”, mesmo que muitos democratas não tenham ainda “seguido em frente” em relação à vitória de George W. Bush em 2000.

Como nos julgamentos de fachada nos expurgos soviéticos da década de 1930, o discurso não é feito para convencer os críticos, mas para confortar os apoiadores e companheiros de viagem, a fim de manter úteis os “idiotas úteis”.

O mais recente livro de Shelby Steele, um famoso escritor, sobre Barack Obama (A Bound Man) oferece interessantes insights tanto sobre o homem quanto sobre as circunstâncias enfrentadas por muitos outros negros – especialmente aqueles que nunca participaram da cultura negra de gueto, mas sentem uma necessidade de se identificar com ela, seja por razões pessoais, seja por razões financeiras ou políticas.

Como convertidos religiosos que se tornam mais católicos que o Papa, tais indivíduos se tornam freqüentemente mais-negros-que-vós. Por alguma razão, Barack Obama escolheu, décadas atrás, uma igreja extremista de negros – apesar de não faltarem igrejas muito diferentes dessa, de negros e de brancos – em Chicago.

Alguns dizem que ele estava tentando ganhar credibilidade nas ruas do gueto, para facilitar seu trabalho como ativista comunitário ou sua carreira política. Nunca vamos saber ao certo.

Mas, agora que Barack Obama está disputando a indicação do Partido Democrata, ele está numa posição radicalmente diferente, como um candidato pós-racial singularmente preparado para nos unir a todos.

Mesmo assim, o passado continua perseguindo-o, apesar de suas tentativas de enterrá-lo e da grande mídia de ignorá-lo ou de desculpá-lo.

Shelby Steele descreve Barack Obama como um homem sem convicções reais, “um ícone que desistiu de se tornar ele mesmo”.

O senador Obama tem feito um grande papel como um ícone, capaz, com sua lábia, de satisfazer as necessidades psíquicas das pessoas, incluindo-se aí a necessidade de dissipar a culpa dos brancos por meio do apoio a sua candidatura.

Mas, presidente dos EUA, em tempos de perigo nacional, sob uma terrível ameaça de terrorismo nuclear? Não.

Publicado por Townhall.com

Tradução de Antônio Emílio Angueth de Araújo

Thomas Sowell é doutor em Economia pela Universidade de Chicago e autor de mais de uma dezena de livros e inúmeros artigos, abordando tópicos como teoria econômica clássica e ativismo judicial. Atualmente é colaborador do Hoover Institute.

Fonte: Mídia Sem Máscara

Divulgação: www.juliosevero.com

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