19 de abril de 2008

O ataque a uma seita polígama no Texas

O ataque a uma seita polígama no Texas

Joseph Farah

Já se passaram mais de duas semanas desde que policiais do Texas atacaram o Rancho Saudades de Sião, se apoderando de mais de 400 crianças por causa de uma vaga evidência de poligamia e abuso infantil.

Para crédito das autoridades policiais, ninguém saiu ferido. Aparentemente, só dois homens foram presos, enquanto outro está sendo procurado em outro estado por seu papel em suposto abuso sexual. Os seguidores da seita ofereceram resistência mínima.

Ora, eu não gosto de poligamia.

E eu não gosto de abuso infantil.

Mas, depois de ler cuidadosamente todos os relatos noticiosos que fizeram a cobertura da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Últimos Dias, fico tentando imaginar se as ações do Estado não foram excessivas.

Uma investigação da comunidade da seita estava em andamento havia quatro anos. Um informante confidencial, ex-membro da seita, estava fornecendo às autoridades detalhes das atividades da seita.

O ataque foi motivado por uma ligação anônima de alguém se identificando como uma adolescente de 16 anos que estava sendo mantida contra sua vontade e afirmava ter sido estuprada e abusada por Dale Barlow, de 50 anos, um criminoso sexual com ficha na polícia. Ele está em condicional no Arizona por uma condenação em 2007 por casar e engravidar outra adolescente de 16 anos.

Em outras palavras, sabia-se, com antecedência, que o principal suspeito não estava na comunidade da seita.

Desde o ataque, a adolescente de 16 anos que alegadamente fez a queixa não foi encontrada. Aliás, provavelmente ela nem existe. As autoridades agora suspeitam que uma mulher em outro estado, conhecida por fazer acusações sem base alguma, pode ter sido responsável pela ligação.

Por isso, vamos examinar a evidência criminal que foi descoberta desde o ataque:

Os investigadores “descobriram roupas de cama desarrumadas e um fio de cabelo que parece ser da cabeça de uma mulher”. (Uau! Eles achariam um monte disso na minha casa também.)

12 das crianças tinham catapora. (12 de um número de mais de 400 crianças.)

Ninguém tem certeza se as crianças foram vacinadas. (Ninguém tem certeza se também não foram.)

Os investigadores dizem que têm evidência de abuso emocional, físico e sexual de crianças dentro da comunidade.

Não tenho dúvida de que alguns abusos horrendos ocorreram dentro dos muros do Rancho Saudades de Sião. Por favor, não me rotule como defensor dessa religião falsa, a qual eu detesto.

O que eu realmente duvido é se foi certo e dentro da lei se apoderar de mais de 400 crianças com evidência insuficiente e não específica de real abuso criminal.

Há alguma comunidade nos EUA onde não haja abuso infantil ocorrendo?

É nosso hábito prender indivíduos suspeitos e julgá-los por seus crimes?

É nosso hábito preventivamente recolher todas as crianças de uma comunidade onde se suspeita, sem nenhuma evidência específica, que esteja ocorrendo abuso?

Quando um professor de uma escola do governo é preso por abusar de um estudante, será que todos os estudantes dessa escola são presumidos como vítimas?

E por que é que os defensores da tolerância, diversidade e estilos de vida alternativos — que sempre aparecem para defender quem é diferente — não estão se mobilizando e protestando contra o fato de que uma comunidade pacífica teve sua vida totalmente virada de cabeça para baixo por causa de imposições sociais de seu próprio senso de moralidade?

Será que o Estado laico é de fato melhor para decidir o que é melhor para as crianças do Rancho Saudades de Sião do que os pais dessas crianças?

Não me entenda mal. Pode ser que no fim o ataque foi justificado. Talvez os fatos apenas não sejam abundantes ainda. Mas já se passaram mais de duas semanas e estou começando a ter minhas dúvidas.

É meu desejo ver crianças criadas em seitas polígamas? Não.

Mas também não é meu desejo ver crianças abusadas nas mãos do Estado — fato que, odeio dizer, ocorre diariamente nesta nação. Acontece em escolas administradas pelo governo. Ocorre sob os olhos vigilantes de programas de supervisão estatal, onde crianças são colocadas sob a responsabilidade de indivíduos autorizados pelo Estado. Acontece nas mãos de entidades de planejamento familiar financiadas pelo Estado, as quais encobrem o abuso sexual de crianças cometido por adultos e vitimam crianças uma segunda vez ao realizar abortos. Ocorre quando os estados com deliberação e conhecimento dão crianças em adoção para casais homossexuais. Acontece quando autoridades em estados como a Califórnia ativamente tentam proibir a educação escolar em casa.

Não gosto de poligamia. Não gosto de seitas. Não gosto de abuso sexual de crianças.

Mas as seitas não são ilegais, e a poligamia e o abuso sexual são crimes que precisam ser legalmente tratados na base individual, não de modo coletivo numa comunidade que pode ter permitido que ocorressem.

Nesse caso, a voz de uma jovem anônima, se é que ela existe mesmo, não foi descoberta.

Sabe-se que o único suposto criminoso mencionado por nome está em outro estado, sob o olhar vigilante da justiça.

Será que esse ataque foi realmente necessário? Será que foi realmente justificado?

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: WND

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