2 de março de 2008

Conquistando o direito de votar

Conquistando o direito de votar

Julio Severo

O brasileiro sonha com o dia em que o ato de votar seja de fato um direito totalmente dependente de suas escolhas pessoais. Os cidadãos livres não gostam de ser obrigados a votar e têm muita dificuldade de ver como direito algo que o Estado transformou em obrigatoriedade. De modo contrário, o Estado tem muita dificuldade de ver como anormalidade ou erro sua atitude totalitária de forçar os cidadãos a votar, contrariando frontalmente os princípios democráticos.

Por incrível que pareça, o voto obrigatório é um direito de todo brasileiro — assim pensa e prega o Estado brasileiro. Aliás, esse mesmo Estado conseguiu camuflar muitos outros tipos de imposições radicais sobre o povo como direitos! Isto é, há opções de cidadania que deveriam ser pura escolha de cada indivíduo, mas o Estado com ambições totalitárias se descontenta quando os cidadãos podem livremente fazer suas escolhas sem nenhuma interferência estatal. É desse mesmo modo, por exemplo, que os brasileiros são condicionados a ver como direitos as imposições do Estado nas áreas de saúde e educação. O Estado simplesmente se recusa a classificar suas próprias ações como anulação da liberdade de escolha.

Na concepção estatal, direito significa que “você não deve deixar de fazer algo”. Por exemplo, se o Estado diz que você tem o direito de votar, isso significa simplesmente que você “não deve deixar de votar”. Se o Estado diz que você tem direito à educação e saúde, isso significa que “você não deve deixar de utilizar a educação e saúde que o Estado lhe permite”. Isto é, em nenhum desses casos (votação, saúde e educação) o brasileiro tem escolhas ou liberdade.

Contudo, o que realmente significa direito? Nenhuma obra melhor para definir o sentido do que o Dicionário Aurélio, que diz literalmente:

Direito: Faculdade legal de praticar ou deixar de praticar um ato.

Portanto, fica mais que evidente que nenhum cidadão brasileiro tem o direito de votar. Um dia, ainda poderemos conquistar tal direito, assim como também poderemos conquistar outros preciosos direitos, resgatando nossa liberdade e repudiando os falsos direitos que nos são oferecidos pelo Estado.

A infinidade de “direitos” artificiais que o Estado vem criando e oferecendo para nós não significa que agora temos mais escolhas. Significa que temos mais imposições estatais a cumprir, mais limitações desnecessárias à liberdade que Deus nos deu e menos poder de decisão. Somos uma geração cada vez mais escravizada aos caprichos estatais, sem enxergar que são exatamente esses “direitos” que estão nos subjugando a essa escravidão e ampliando o poder do Estado em nossas vidas e famílias.

Somos como o povo de Israel no Egito, que sofria as imposições do Estado egípcio, mas quando Deus enviou Moisés para desafiar o Estado e libertar Israel, o povo hebreu estava tão acostumado à escravidão que começou a se queixar da verdadeira liberdade nacional que Deus estava lhes oferecendo! O primeiro passo para aceitar a liberdade de Deus era reconhecer que a vida no Egito era escravidão e ilusão. Era rejeitar esse tipo de vida imposta pelo Estado. Só um povo consciente de Deus sabe rejeitar as mentiras do Estado.

Direito legítimo implica em liberdade de escolha, nas áreas de voto, serviço militar, educação e saúde. Sem tal liberdade, não existe verdadeira cidadania.

A verdadeira liberdade significa termos o direito de livremente decidir usar ou deixar de usar as ofertas ou serviços governamentais relativos a voto, serviço militar, educação e saúde. Para que alcancemos tal sociedade justa, o Estado precisará aprender a ver seus cidadãos não como escravos, empregados ou mentalmente incapacitados, mas como seres humanos dotados por seu Criador com a liberdade de fazerem importantes escolhas de vida nas áreas de família, voto, serviço militar, educação, saúde, etc.

Por enquanto, no Brasil tudo o que temos são imposições estatais disfarçadas de direitos. Mas se quisermos e lutarmos, ainda conquistaremos nossos direitos reais.

Fonte: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Leitura recomendada:

Cristãos e impostos pesados e injustos: oportunidade para ação ou acomodação

Um comentário :

Lele Carabina disse...

Faz tempo que eu desconfio desses "direitos obrigatórios". Ótimo texto.