23 de março de 2008

As destrutivas políticas anti-DDT do Ocidente

As destrutivas políticas anti-DDT do Ocidente

Walter Williams

Desde que Rachel Carson publicou em 1962 seu livro “Silent Spring” (Primavera Silenciosa), os ambientalistas extremistas têm procurado proibir a utilização do DDT. Usando estudos fraudulentos do Fundo de Defesa Ambiental e do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, a Agência de Proteção Ambiental (APA), sob controle dos ativistas ambientais, proibiu o DDT em 1972. Os extremistas convenceram a nação de que o DDT não só era perigoso para os seres humanos, mas também perigoso para os pássaros e outras criaturas. Desde então, os argumentos deles têm sido cientificamente refutados.

O DDT salvava não somente as colheitas, as florestas e o gado, mas também os seres humanos. Em 1970, a Academia Nacional de Ciências dos EUA avaliou que o DDT salvou mais de quinhentos milhões de pessoas durante o período em que foi amplamente utilizado. Uma comissão de avaliação científica da APA mostrou que o DDT não é prejudicial ao meio ambiente e revelou que o DDT é uma substância benéfica que “não deveria ser proibida”. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a malaria contagia trezentos milhões de pessoas no mundo inteiro. Aproximadamente um milhão de pessoas morre de malaria anualmente. A maioria das vítimas está na África, e a maioria são crianças.

No Sri Lanka, em 1948 ocorreram quase três milhões de casos de malaria e sete mil e trezentas mortes. Com a utilização extensiva do DDT, os casos de malaria caíram para 17, sem nenhuma incidência de morte, em 1963. Depois que a utilização do DDT foi suspensa, os casos de malaria no Sri Lanka subiram para dois milhões e meio nos anos de 1968 e 1969, e até hoje essa doença continua matando nesse país. Mais de cem mil pessoas morreram durante epidemias de malaria na Suazilândia e Madagascar em meados de 1980, depois da suspensão dos programas de dedetização doméstica. Depois que a África do Sul parou de usar DDT em 1996, o número de casos de malaria na província de KwaZulu-Natal subiu como foguete, de oito mil para quarenta e dois mil. No ano 2000, houve um aumento aproximado de 400 por cento nas mortes de malaria. Agora que o DDT está sendo utilizado de novo, o número de mortes de malaria na região caiu de quase 2000 para nenhuma no último registro oficial de fevereiro de 2003.

Na América do Sul, onde a malaria é endêmica, os índices de malaria elevaram-se em países em que a dedetização doméstica foi suspensa após 1993 — Guiana, Bolívia, Paraguai, Peru, Brasil, Colômbia e Venezuela. No Equador, aumentou-se a dedetização depois de 1993, e o índice de infecção da malaria foi reduzido em 60 por cento. Num estudo de 2001 intitulado “A Malaria e a História do DDT”, publicado pelo Instituto de Assuntos Econômicos com sede em Londres, Richard Tren e Roger Bate dizem: “A malaria é uma tragédia humana”. Eles também afirmam: “Mais de um milhão de pessoas, principalmente crianças, morrem da doença anualmente, e mais de trezentos milhões ficam doentes”.

O fato de que o DDT salva vidas podia ser, em parte, a explicação do motivo da hostilidade que existe contra esse produto. Alexander King, fundador do Clube Maltusiano[1] de Roma, escreveu num documento biográfico de 1990: “Minhas próprias dúvidas vieram na época do surgimento do DDT. Na Guiana, dentro de dois anos depois de sua utilização, o DDT tinha quase eliminado a malaria. Então minha principal briga com o DDT, em retrospecto, é que esse produto ajudou em muito a aumentar o problema populacional”. Conforme informações registradas, o Dr. Charles Wurster, um dos principais oponentes do DDT, disse: “As pessoas são a causa de todos os problemas. Há muitas pessoas. Precisamos nos livrar de algumas, e isso [referindo-se às mortes de malaria] é um bom meio”.

A dedetização doméstica com quantidades pequenas de DDT custa apenas 1 dólar e 44 centavos por ano; os meios alternativos são de cinco a dez vezes mais caros, tornando-os fora das possibilidades nos países pobres. Os próprios países ricos que utilizavam o DDT ameaçam represálias contra os países pobres que tentarem utilizá-lo.

Ficamos realmente perplexos então com a posição dos grupos religiosos, dos comitês de defesa dos negros no Congresso, das ONGs, dos políticos e outros que alegam estar preocupados com a situação dos pobres ao redor do mundo enquanto ao mesmo tempo aceitam ou promovem proibições contra o DDT e o sofrimento e mortes desnecessários que seguem o rastro dessas proibições. A malaria transmitida por mosquito não só tem conseqüências devastadoras para o sistema de saúde, mas também sufoca o crescimento econômico.



Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA. Traduzido e adaptado, com a devida permissão, por Julio Severo: juliosevero@hotmail.com

www.juliosevero.com

Fonte: WND



[1] Maltusiano se refere a Malthus, que acreditava na necessidade da adoção de meios para reduzir a população (N.T.).

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