18 de fevereiro de 2008

Abandono intelectual?

Tempos atrás, uma família evangélica de nove filhos precisou fugir do Brasil por causa de perseguições do Conselho Tutelar. O casal havia sido covardemente denunciado por educar os filhos em casa e discipliná-los com a vara, conforme orienta a Bíblia. Agora, um casal de Minas Gerais sofre perseguição por livrar os filhos da escola pública e lhes dar uma educação alternativa melhor. O artigo abaixo é do jornal secular Diário do Aço.

Abandono intelectual?

João Senna dos Reis

A atitude ousada do casal de Timóteo que há dois anos tirou os dois filhos de uma escola pública continua rendendo pano pra manga. Insatisfeitos com o padrão de ensino da rede oficial, Cleber Andrade Nunes e Bernadeth Amorim Nunes, residentes no Bromélias, decidiram agir. Os filhos Davi e Jônatas estudam em casa, usando o método homeschooling, muito difundido nos EUA e utilizado na Austrália, África do Sul, Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, México, Japão, entre outros países.

O casal tem motivos de sobra para se orgulhar dessa decisão. Davi, 14 anos, prestou vestibular para a Faculdade de Direito de Ipatinga (Fadipa) e passou em 7° lugar, com 78 pontos. Jônatas, 13, passou em 13° lugar, com 58 pontos. Como não completaram 18 anos, não puderam ser matriculados. Mas há precedentes de jovens que, via medida cautelar, ingressaram no ensino superior.

O pomo da discórdia é que a legislação brasileira não reconhece essa modalidade de educação, aceitando-a apenas para grupamentos que, por cultura ou atividade profissional, levam uma vida mutante. Com a ressalva da obrigatoriedade de exames em instituições oficiais.

Por dever de ofício, o caso da família Nunes foi denunciado ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público. A investigação resultou em uma ação criminal, em que o casal é acusado de abandono intelectual. No campo cível, ação denuncia o descumprimento do dever de manter os filhos na escola, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente. A tramitação da ação criminal está suspensa. Já na ação cível o casal foi condenado, em dezembro de 2007, ao pagamento de multa e a retornar o filho mais velho para a 6ª série do ensino fundamental e o mais novo à 5ª série, séries que cursavam quando houve o desligamento da escola formal. Por motivos óbvios, os pais ignoraram essa ordem judicial.

O casal conta com o trabalho dos advogados Adilson de Castro e Gesiney Campos Moura para se contrapor a essas situações. Os defensores buscam na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação argumentos para provar a incoerência de uma condenação pela adesão a métodos que consideram mais eficazes do que a escola regular para educarem os filhos.

Cleber não se intimida. Pelo contrário, destaca que os garotos ficariam praticamente na mesma se trocassem a rede pública pela escola particular. Por isso, recorreu a uma espécie de exorcismo ao submeter os filhos a uma desintoxicação do modelo formal. No homeschooling, estudam inglês, português, hebraico, informática e temas de grande atualidade que não figuram na grade do pífio ensino público.

O restante do artigo se encontra no jornal Diário do Aço, página 6, de 17 de fevereiro de 2008.

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2 comentários :

Anderson disse...

Prezado Júlio Severo,

Fantástica notícia!
Precisamos de mais Clebers e mais Bernadeths!!!
Pais que ousem disciplinar e educar seus filhos em obediência à palavra de Deus...
Pais que ousem enfrentar a burrice e o totalitarismo da burocracia oficial...

Estão de parabéns e deveriam ser assistidos por igrejas e crentes sérios em suas necessidades.

PS: Fiquei surpreso e feliz em ler o nome do advogado Gesiney entre os que defendem o caso. É que ele é meu primo em primeiro grau!!

Grande abraço!
Anderson

Marcelo disse...

Impressionante um garoto de 14 anos ter passado no vestibular de direito. Posso ver a diferença comparando ele comigo nessa idade, eu não teria o mínimo de condições de ter feito o vestibular por ter estudado em escola pública. Fizeram muito bem em não obedecer a ordem judicial, imagina um garoto desses freqüentando aulas na 8ª série, seria um desperdício. Se esse garoto for obrigado a freqüentar a escola, acredito que ele ignoraria as aulas, pois não precisa ter diploma de escola para ser um empresário bem sucedido, basta ter uma boa educação vinda de casa.