1 de janeiro de 2008

Os verdadeiros e os falsos defensores da vida

Os verdadeiros e os falsos defensores da vida

Mark Crutcher

O alicerce da posição pró-vida é que, a partir do momento da fertilização, um novo ser humano existe e tem o mesmo direito à vida que uma criança de 5 anos ou um homem de 50 anos.

Infelizmente, um dos maiores problemas que atormentam o movimento pró-vida hoje é que muitas pessoas pró-vida não parecem realmente crer que a vida começa na fertilização. Para mim, essa percepção foi reforçada numa palestra que dei recentemente. Logo antes de começar a conferência, alguém veio até mim e mencionou que ele era pró-vida há muitos anos, mas estava trabalhando para um candidato pró-aborto na corrida presidencial. O raciocínio dele era que havia “outras questões” com as quais precisamos também nos preocupar, questões como a economia e a guerra contra o terrorismo. Ele lamentou que tal posição tivesse criado um racha sujo e crescente entre si mesmo e alguns de seus amigos pró-vida, um dos quais era a sua própria esposa. O argumento dele era que ele era tão pró-vida quanto qualquer um deles e que ele estava sendo injustamente atacado apesar de ter trabalhado durante anos no movimento pró-vida.

Perguntei-lhe se ele realmente entendia o que significa ser pró-vida. Ele reconheceu que é crer que o bebê em gestação tem o mesmo direito à vida que tem um bebê que já nasceu. Por isso, lhe pedi que imaginasse que, em vez de bebês em gestação, fosse a vida dele, ou a vida das pessoas que ele conhecia, ou a vida de crianças anônimas de 5 anos que o candidato dele estava dizendo que deveria ser legal destruir. Se esse fosse o caso, ele ainda diria que há “outras questões” que precisamos considerar, ou esse padrão só se aplica aos bebês em gestação?

Reconhecendo a armadilha que ele havia armado para si mesmo, ele jamais respondeu. Depois de deixar claro que sua mente não havia mudado, ele se foi, irado. De certo modo, esse homem havia se convencido de que ajudar a eleger um político que mataria bebês em gestação aos milhões não entrava em conflito com sua afirmação de que ele era pró-vida.

Tenho muitas vezes observado que o cérebro humano é o único organismo na terra que tem a capacidade de enganar a si mesmo. Esse cara é testemunho vivo desse fenômeno. A parte triste é que estou vendo mais e mais evidência de que ele não está sozinho. O problema parece ser que um número significativo das pessoas neste país que afirmam ser pró-vida são pró-vida somente no sentido teórico. Naturalmente, quando as agendas econômicas e os interesses pessoais entram em colisão com os princípios pró-vida deles, é esses princípios que eles abandonarão.

Cada um de nós sabe que sempre houve desacordos internos dentro do movimento pró-vida, e sempre haverá. É a natureza humana. Alguns desses conflitos têm sido insignificantes e outros estão concentrados em assuntos de natureza legítima. Em ambos os casos, porém, penso que todos nós gostaríamos de ver até mesmo as outras pessoas pró-vida com quem temos diferenças como pessoas de integridade e caráter. Mas quando alguém diz que é pró-vida, porém apóia um assassino de bebês para um cargo político, esse indivíduo não mais pode ser visto como pró-vida. O que ele realmente quer dizer é que, quando grandes interesses estão em jogo, ele sacrificará os bebês em gestação por 30 moedas de prata.

Por definição, tal atitude o torna igual aos indivíduos aos quais ele afirma se opor. O lobby pró-aborto está disposto a matar os bebês em gestação por razões pessoais, políticas e financeiras, e os falsos pró-vida estão dispostos a fazer de conta que não estão vendo nada por razões pessoais, políticas e financeiras. É uma distinção sem diferença.

O ponto principal é que, para nós que temos compromisso com a causa pró-vida, o destino dos bebês em gestação jamais será meramente “uma” das questões. É sempre “a” questão. Por esse motivo, a posição de um candidato na questão do aborto é tudo o que precisamos saber e tudo o que importa. Se um político errar nesse ponto, ele não conseguirá acertar em quase nada mais para compensar esse ponto. Não faz diferença alguma se ou não o cargo político sob ambição tem algum impacto direto na questão do aborto.

Aqueles que afirmam que o aborto precisa ser legal para executar bebês indefesos não são moralmente qualificados para trabalhar em nenhum cargo político. E aqueles que ajudam a elegê-los não têm nenhum direito de se chamarem pró-vida.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Fonte: WND

Um comentário :

Pericles disse...

Acho que esta matéria poderia ser um exemplo para ser seguido neste ano eleitoral, tornando obrigatório aos cristãos saberem dos candidatos a cargos públicos a real posição sobre o aborto.A Jandira Feghali por exemplo é a favor, porém não fala nada sobre isso e ainda fica irritada quando questionada.É claro que se os cristãos pensarem que há outras questões a considerar...