30 de novembro de 2007

Como as igrejas da Venezuela estão desafiando Hugo Chávez

Como as igrejas da Venezuela estão desafiando Hugo Chávez

J. Lee Grady

Embora os cristãos estejam profundamente divididos por questões políticas, um número crescente de crentes está abrindo a boca contra seu presidente socialista.

Dependendo das pessoas com quem se conversa em Caracas, o presidente Hugo Chávez é um messias socialista ou um tirano demoníaco. Ele cita a Bíblia, mas incita a violência. Ele fala de libertar os pobres e goza o apoio deles, mas ele é o melhor amigo dos ditadores mundiais — inclusive Mahmoud Ahmadinejad do Irã.

Poderíamos imaginar que a maioria dos cristãos venezuelanos está unida contra Chávez, mas essa não é bem a realidade. Aliás, num país em que as igrejas pentecostais têm crescido rapidamente em recentes anos, os crentes estão igualmente divididos pelo homem que uma vez chamou George W. Bush de “diabo”. Muitos pentecostais são na verdade chavistas, o rótulo usado para classificar os fãs de corpo e alma de Chávez.

A divisão entre os cristãos se revelará em 2 de dezembro de 2007, quando os venezuelanos votarem abrangentes reformas constitucionais que eliminariam limites de mandato e dariam a Chávez poder quase ilimitado. Pesquisas de opinião pública feitas nesta semana indicam que a medida poderia ser derrotada — e se for, é porque alguns pastores do país estão corajosamente mobilizando oposição a Chávez pela primeira vez.

“Hugo Chávez não é cristão. Ele tem uma mente entenebrecida”, diz o pastor Jaime Salinas, um líder de igreja em Caracas. Entrevistei-o quando eu estava na Venezuela no verão passado, e de novo na semana passada. Prometi não usar o nome real dele porque Chávez é conhecido por prender os que o criticam e até ameaçou usar violência contra os que votarem contra suas reformas propostas.

“Se você não está totalmente com ele, você é inimigo dele”, Salinas diz. “Mas até mesmo cristãos cheios do Espírito caíram na dele porque ele lhes dá dinheiro”.

Quando visitei a Venezuela no ano passado, fiquei sabendo que aproximadamente metade das igrejas pentecostais do país havia aceitado dinheiro do governo de Chávez, que é rico por causa do petróleo, para financiar programas de igrejas. Muitos pastores que receberam o dinheiro o viram como bênção de Deus e se tornaram apoiadores de Chávez. Uma igreja grande até pintou um mural imenso do presidente em seu santuário.

Mas Salinas diz que esses cristãos ficaram “cegos pelo dinheiro e pela corrupção” e que eles estão fazendo pouco caso das óbvias ligações de Chávez ao ocultismo. Sabe-se que Chávez participa de rituais da religião Santeria [religião sincrética afro-cubana], e que tais cerimônias são realizadas dentro do palácio presidencial. Chávez também participou de ritos ocultos em Cuba durante suas muitas visitas com seu mentor de confiança, o ditador cubano Fidel Castro.

Os cristãos muitas vezes relatam uma informação não confirmada de que Chávez sacrificou um tigre em Caracas no ano passado e mandou aspergir seu sangue pelas ruas — numa iniciativa de aumentar seu poder sobre as pessoas. Mas os cristãos chavistas negam tais informações e afirmam que Chávez é realmente cristão porque ele cita a Bíblia muitas vezes.

“É verdade que ele cita a Bíblia, mas ele também cita Maomé”, observa Salinas. “No meio tempo, ele apóia o Irã e diz que quer erradicar o Estado de Israel. Como é que um cristão pode apoiar isso? Como é que um cristão pode apoiar Fidel Castro?”

Um irmão cristão da cidade de Maracay me disse que ele votou em Chávez em 1998, mas hoje lamenta. “Não sei o motivo por que fiz isso”, disse ele. “Penso que foi medo. Havia preocupações de que as pessoas sabem como você vota e elas prejudicarão você se você não votar em Chávez”.

Outro pastor em Maracay confirmou que as igrejas evangélicas em seu país estão igualmente divididas por questões políticas. Ele vê os presentes monetários de Chávez às igrejas como subornos descarados para ganhar apoio político, e ele abandonou sua denominação em parte porque sua consciência não permitiria que ele se tornasse um chavista.

Aparentemente, mais venezuelanos estão lamentando o apoio que deram no passado ao líder exagerado. Chávez é conhecido por fazer discursos de quatro horas e uma vez deu uma palestra de oitos horas diretas em seu programa de entrevistas de TV. Na semana passada um grupo de pastores de Caracas assinou um documento denunciando a proposta de Chávez de abolir os limites de mandato. Crescentes distúrbios entre estudantes universitários estão levando a imensas marchas da oposição que são marcadas por violência.

Samuel Olson, pastor principal da Igreja Las Acacias em Caracas, viu muitos de seus membros chavistas deixarem a igreja em meses recentes porque ele veio a ser identificado pela oposição. “As pessoas estão passando por um questionamento profundo de suas consciências” neste exato momento, Olson declarou para o jornal The Washington Times há duas semanas.

Os cristãos venezuelanos estão também orando com fervor, e Salinas incentiva os cristãos dos Estados Unidos a orar com eles, principalmente pela eleição de domingo.

Ele comentou como a oração começou um milagre na cidade turística de Mérida em outubro. Depois de ficarem sabendo que o governo havia erigido uma estátua do revolucionário marxista Che Guevara numa das montanhas mais elevadas do país, Salinas e outros pastores oraram pedindo a intervenção de Deus.

“No dia seguinte”, ele diz, “ouvimos que um grupo de pessoas anônimas foi até aquela montanha de noite e derrubou a estátua. Eles deixaram uma nota que dizia que eles são ‘Venezuelanos Preocupados’ que não conseguiam agüentar que aquela estátua ficasse naquele lugar belo”.

Muitos cristãos na Venezuela estão pedindo um milagre semelhante quando os eleitores forem às urnas neste fim de semana. Incentivo vocês a unirem sua fé à fé deles

J. Lee Grady é editor da revista Charisma.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Fonte: Charisma Online: How Venezuela’s Church Is Challenging Hugo Chávez, 30 de novembro de 2007.

6 comentários :

Anônimo disse...

Boa tarde Júlio. meu nome é Matheus Viana e sou editor do blog jornalístico/Cristão, Profecia (www.profeciaonline.zip.net). Tenho lido constantemente seus artigos e tenho dado graças á Deus pela intrepidez e sabedoria que Ele tem depositado em sua vida. Se tiver um tempinho, visite meu blog e vamos juntos somar forças a fim de que a profecia de Isaías se cumpra, que toda a terra seja cheia da Glória de Deus, assim como as águas cobrem o mar. (Isaías 11:9). Vou linkar vc no meu blog. Um grande abraço e fique na paz de Cristo.

Anônimo disse...

Prezado Julio Severo, bom Dia.
1. Já se encontra na internet a notícia de que o povo venezuelano rejeitou (pelo voto) as propostas "socialistas autoritárias" de seu presidente.
2. Isso é respostas às orações. Graças a Deus. Fiquei muito feliz pelos venezuelanos.
3. Fiquei espantado com o índice de abstenção: dos que não manifestaram opinião. Será que lá também "tá tudo dominado?"
4. Se for o caso, a vitória é maior que imaginamos !!!

Anônimo disse...

O NÃO da Venezuela foi resposta de Deus às orações de seus servos. Oremos também pelo Brasil.
Toda a Honra e Glória sejam dadas ao Deus Altíssimo e a seu Filho Jesus Cristo.

Anônimo disse...

Júlio

O Chavez fraudou a eleição para forjar um "quase empate". A demora em soltar o resultado oficial foi em razão de uma decisão que o governo venezuelano estava ainda tomando. O que estava em cima da mesa eram as seguintes opções:

1. "Inchar" os votos "SIM" o suficiente para "vencer" a votação. Chavez sabia que isto poderia preciptar a guerra civil, possivelmente com sua derrota.
2. "Inchar" só o suficiente para quase empatar, ninguém pede recontagem, e o Chavez posa de "democrata". Posteriormente cria uma nova situação para passar todas as "reformas".

Foi adotada a segunda estratégia.

Anônimo disse...

Os bastidores da derrota chavista. Foi pior do que o reconhecido. E Chavez queria dar o golpe:

http://www.el-nacional.com/www/site/blogs_detalle.php?q=m/1/219&id=5133

Anônimo disse...

No blog Notalatina Graça Salgueiro desnuda a grande mentira que foi essa votação na sofrida Venezuela. Deus tenha piedada da América Latina.