15 de setembro de 2007

O perigo da graça sem a verdade


O perigo da graça sem a verdade

Andy Comiskey
O palestrante, Brennan Manning, causou impressão. Eu havia lido seus livros sobre graça e cura, e estive em suas reuniões que minha igreja havia patrocinado. No entanto, eu estava me sentindo incomodado. Pensei: “Quanta ênfase no amor”. Mas e quanto a uma mensagem clara incentivando-nos a abandonar as coisas infantis, para tomar posse de aspectos maiores e mais verdadeiros da nossa identidade em Cristo? Concordo plenamente que Deus nos abraça em nossa fraqueza. Mas em nossa perversidade também? Fiquei pensando no modo como ele aborda a questão da pureza sexual, principalmente a homossexualidade…
Brennan Manning
Encontrei-me com Manning para um almoço para tratar dessas questões. Ele pareceu ter ficado realmente ofendido quando expressei minhas preocupações com as referências ambíguas dele com relação ao homossexualismo em seus artigos e livros. Durante nosso almoço incômodo, ele defendeu os “casais” gays que vivem em compromisso. Ele também desafiou meu compromisso de defender a ética sexual bíblica — nenhum sexo com homem ou mulher fora da aliança conjugal heterossexual — tachando-me de desinformado e de ter uma mente estreita. Eu compartilhei com ele acerca do compromisso do ministério Desert Stream de dar oportunidades seguras e fortes na igreja para a transformação dos homossexuais. Meu assistente Mark Pertuit e eu demos para ele testemunho de nossas próprias caminhadas de cura. Manning rejeitou nosso testemunho com o argumento de que eu não tinha conhecimento suficiente de teologia moral para ser levado a sério nessa questão.
Obviamente, Manning e eu abordamos de modo diferente a questão da autoridade moral. Minha abordagem é conservadora e baseada na Bíblia. A abordagem dele é obscura para mim. Mas o que emerge dessa falta de clareza nele (e, é triste dizer, em muitos como ele) é uma sentimentalização horrorosa da homossexualidade. Estranhamente, os indivíduos que se encontram presos às tendências homossexuais se tornam “tabus” para “terapeutas” como Manning. Em vez de abraçar com verdade e graça homens e mulheres que estão confusos, esses terapeutas dançam ao redor desses homens e mulheres em dificuldades e lutas, concedendo-lhes uma condição de quase heróis. O resultado é uma compaixão falsa que pode incentivá-los a se identificar e viver o homossexualismo.
Graça sem a verdade clara e autorizada das Escrituras Sagradas é mortal, onde se pode demarcar os limites conforme nossa vontade, perdendo a revelação da vontade de Deus para nossa vida humana aqui na terra. Ficamos, em vez disso, sozinhos construindo uma identidade baseada em nossa experiência da realidade. “Sinto-me gay. Portanto, sou gay. Deus me abençoa como gay”. Esse pensamento esvazia a cruz de seu sentido. Jesus morreu para nos oferecer o retorno ao seu plano ideal no Jardim do Éden. Ele ressuscitou para nos levantar de acordo com a vontade do Pai para nossa vida humana. Se perdemos essa verdade, então a graça fica sem sentido. Sua energia que transforma vidas se dispersa e perde a força. A verdade das Escrituras guia a energia da graça. Sem a verdade, a graça perde seu poder dinâmico e essencial de transformar vidas.
Para muitos terapeutas de influência, a graça abraça os indivíduos que enfrentam conflitos homossexuais, mas é aparentemente incapaz de transformá-los. Certos terapeutas estão fortalecendo essa idéia enganosa — como Mel White, ex-professor do Seminário Fuller e pastor evangélico, que hoje dirige Soulforce, um grupo que defende o homossexualismo. Em sua biografia Stranger at the Gate (Estranhos nos Portões), White se representa como uma figura de certo modo trágica cujos impulsos homossexuais o forçaram a formar múltiplas parcerias antes e depois que seu casamento acabou.
Amigos dele, como o falecido especialista em ética Lewis Smedes, do Seminário Fuller, aceitaram a entrada de White no movimento homossexual como praticamente inquestionável. Como resultado, o Dr. Smedes olhava com profunda desconfiança estudantes como eu mesmo que ousavam defender a cura dos homossexuais. Eu costumava passar por Smedes no corredor, onde ele me olhava direto nos olhos e perguntava: “Quanto tempo você vai agüentar antes de recair no homossexualismo?”
Bem mais sutil é a influência de White em Philip Yancey. Yancey, autor de vários livros, apresentou White em seu livro What’s So Amazing About Grace?, exibindo White e sua amizade com ele como exemplo forte da graça de Deus. Embora o autor não abrace todas as escolhas de White, Yancey dá destaque a um homem que se tornou o mais influente cristão gay de nossa época. Inadvertidamente, o autor cria uma ponte maligna entre um falso profeta (White) e milhares de leitores que estão buscando clareza na área da homossexualidade. Talvez o fato de que Yancey tenha incluído White em seu livro seja exemplo de alguém que “se introduziu com dissimulação” em nosso meio a fim de “transformar em libertinagem a graça de nosso Deus” (Judas 4).
Graça sem verdade é mortal, tirando proveito de nossos sentimentos. “Quero ser um cara bacana. Não quero provocar mais problemas na vida de alguém que já está sofrendo. Jesus não incluiu os excluídos?” Nosso desejo de ser misericordiosos é compreensível, mas ingênuo. O sentimentalismo distorce a essência do conflito homossexual, produzindo uma perspectiva dramática de nós mesmos, o que só distancia o necessitado de sua cura.
E distancia o necessitado também da real boa notícia do Evangelho. Não há dúvida alguma de que Jesus primeiramente chamou ao arrependimento os hipócritas religiosos. Mas Ele então chamou Seus seguidores para lidar de modo direto com seus pecados (Lucas 7:36-50; João 8:1-12). Ignorar a atitude dos seguidores para com o pecado é esculhambar com o testemunho de Cristo e preparar as pessoas para cair em enganos.
Os homens e as mulheres que enfrentam profundas vulnerabilidades homossexuais precisam da plenitude da graça e da verdade. Sem essa plenitude, corremos o risco de facilmente levar o povo de Deus a caminhos muito enganadores. E se eu tivesse um Manning ou um White no começo da minha caminhada para me curar? Talvez nós como cristãos sejamos ingênuos demais acerca do que e de quem acolhemos nas nossas vidas.
Nosso mundo cristão nos fornece muitas influências amplas. Precisamos perguntar a nós mesmos: Qual é a base desse líder na área da autoridade? É a graça em harmonia com a verdade bíblica? Peça o discernimento de Deus. Então, aja de acordo com esse discernimento. Prepare-se para fazer as perguntas difíceis. Cada vez mais, enfrentaremos líderes cristãos famosos que estão sob engano e enganando outros nas áreas da sexualidade e homossexualidade. Precisamos falar a verdade em amor para eles. Agimos assim por amor a eles e aos que, sem nossa intervenção, seriam desencaminhados por eles.
Em meio às lutas que enfrentarmos ao abrir a boca para falar a verdade, vamos com alegria e bondade dar testemunho acerca da cura da homossexualidade. Se você está sendo transformado nessa área da sua vida, revele para outras pessoas. Se você conhece outros que estão sendo libertos, divulgue. Nada transmite de forma mais poderosa a plenitude da graça e verdade do que a transformação de alguém que sofre conflitos homossexuais! O que Deus cria na pessoa resoluta, que se entregou a Ele, é nada menos do que Sua imagem gloriosa, tudo por meio do poder libertador da graça. A verdadeira graça. Que mensagem importante para nossos dias! Que Deus grande e glorioso servimos. Que privilégio revelá-Lo por meio do testemunho de vidas transformadas.
“Muitos vivem como inimigos da cruz de Cristo”. (Filipenses 3:18 NVI)
“Eles, com palavras de vaidosa arrogância e provocando os desejos libertinos da carne, seduzem os que estão quase conseguindo fugir daqueles que vivem no erro”. (2 Pedro 2:18 NVI)
“Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos… herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus”. (1 Coríntios 6:9-11 NVI)
Versão deste artigo em espanhol: El peligro de la gracia sin la verdad
Traduzido e adaptado por Julio Severo do artigo do Pastoral Care Ministries: The Danger of Grace Without Truth
Leitura recomendada:

9 comentários :

Victor Leonardo Barbosa disse...

Olá Julio,
realmente me causa tristeza aopinião de Manning, e mais lamentável é uma determinada editora famosa no meio cristão publicar os livros desse homem.
Oremos para que Deus mude este quadro.
Exelente reflexão sobre a Graça de deus e Sua Verdade. Parabéns. Que Deus lhe abençoe mais e mais e o seu niinstério.

Victor Leonardo.
gqlgeracaoquelamba.blogspot.com

Maya disse...

Muito bom, o Andy Comiskey. Eu o conheci pessoalmente na Europa, quando ele lançava um livro na igreja que eu freqüentava. A excessiva relativização de tudo nos leva a adotar posturas extremadas e confusas, e isso em vários casos.

José Roberto Braz disse...

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros – ABGLT está abrindo uma campanha para que gays, lésbicas e trans liguem no Alô Senado no número 0800 61 2211 afim de deixarem recados pedindo a aprovação do PLC 122/2006, que criminaliza a homofobia no país, equiparando atos homofóbicos a atos racistas. Os lideres do movimento gayzista estão solicitando aos seus integrantes e simpatizantes a ligarem para reivindicar o “vote sim”. Para cada ligação, é possível enviar uma mensagem para até três senadores ou senadoras. A ligação é gratuita sendo possível ligar até mesmo de telefone público ou aparelho celular.

Na primeira ligação será feito um breve cadastro e por isso o interessado deve ter em mãos o CEP de sua residência ou do trabalho assim, nas próximas ligações, o cadastro será identificado rapidamente. Considerando que “criminalizar” a homofobia significará uma perseguição religiosa sem precedentes, se faz necessário nesse momento, aproveitar a propaganda gratuita do telefone 0800 61 2211 financiada pelos gayzistas e de carona nessa onda, reivindicar o “VOTE NÃO” ao nossos digníssimos senadores.

José Roberto
jrbraz.blogspot.com

Anônimo disse...

leia:

http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=1937&secMestre=2011&sec=2024&num_edicao=308&palavra=pavarini

Julio Severo disse...

O autor desse texto da Ultimato está passando por sérios problemas, segundo me contaram. Não é de admirar que ele tenha escrito esse texto, nem que ele esteja passando por problemas pessoais: ele é admirador de Frei Betto e Caiu Fábio.

Alberto M. de Oliveira (Betochurch) disse...

Bom dia Júlio. não tinha certeza se você estaria recebendo meus e-mails sobre meu blog. Agradeço a atenção e já aproveito a oportunidade para pedir autorização para colocar um link seu em meu blog.
Agradeço mais ainda sobre o comentário e o alerta sobre Brennan Manning. Vou adicionar seu comentário em meu post e peço também autorização sobre o seu post (traduzido do Andy Comiskey).
Desde já obrigadão.
Deus o abençoe.
Beto

Angel disse...

Querido Julio, obrigada por disponibilizar tantas informações importantes, que não teríamos acesso de maneira tão rápida. Creio que já li quase todos livros do Yancey, e sempre me senti incomodada com sua postura, ora visto como contestador, confuso... com sua visão da graça de Deus e seus amigos que perverteram a verdade do Evangelho. Mas no momento fiquei estupefata com Manning. O que está acontecendo?
Bem pelo menos pra mim estas matérias me serviram como alerta, trabalho na biblioteca de nossa igreja, e faço indicações de leituras para crescimento espiritual, e sempre tive reservas com Yancey apesar de ser tão procurado.
Que Deus continue lhe abençoando, e livre-o de todo mal, que continue firme em suas convicções fundamentadas na palavra de Deus, e continue também a servir de atalaia.

abçs

eNIgmA disse...

Querido julio, admito que tinha uma posição contrária a sua sobre o homossexualismo, mas depois de analizar os seus post e outros sobre o assunto passei a admirá-lo e a pensar da mesma forma, sobretudo porque você se baseia na Bíblia. Eu estou em fase de libertação deste mal e creio que o Senhor Jesus possa me libertar. Portanto queria deixar claro que fui homossexual praticante por muito tempo mas agora não quero ser mais e acredito que foi Deus que colocou este desejo em meu coração. Não entendo como Igrejas tradicionais estão aderindo a liberalidade sexual até entre lideres, coisa que nunca defendi desde a época que era praticante do mesmo. Sempre fui a favor da pessoa escolher o que quer pra sua vida, mas achei um absurdo introduzirem isto dentro das igrejas como coisa santa.

Que o Senhor Jesus Cristo lhe abençõe nesta caminhada

Anônimo disse...

Parabéns Júlio Severo, eu sou se fãn assumido. Partilho da mesma opinião que você e fico feliz em saber que eu não sou o único que tenho essas posições. Grande Abraço brother!