10 de julho de 2007

Fantasmas soviéticos assombram o Conselho Mundial de Igrejas


Fantasmas soviéticos assombram o Conselho Mundial de Igrejas

Mark D. Tooley
FrontPageMagazine.com
Como uma das experiências em sua formação espiritual, uma das autoridades mais elevadas do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) relembra com carinho sua participação na conferência de um grupo — utilizado pelos soviéticos como fachada — na antiga Tchecoslováquia. Em recente notícia oficial do CMI, o conselho ecumênico com sede na Suíça entrevistou o Rev. Walter Altmann, um teólogo luterano do Brasil, ex-presidente do Conselho Latino Americano de Igrejas, e o novo moderador do “comitê central” do CMI. Atualmente, ele também preside a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, que tem 700.000 membros.
Walter Altmann no Conselho Mundial de Igrejas
“Como um pastor jovem, no auge da ditadura militar no Brasil, viajei semi-secretamente para Praga em 1968 para fazer parte como representante da Conferência Cristã da Paz”, relembra Altmann. Ele não oferece nenhum comentário adicional sobre o evento da CCP, muito menos uma nota de arrependimento.
A Conferência Cristã da Paz (CCP) foi fundada por um teólogo tcheco pró-marxismo no final da década de 1950, embora ele tenha abandonado a CCP quando a organização se negou a criticar a invasão soviética da Tchecoslováquia em 1968. Com sede em Praga, a CCP funcionava como parte de vários grupos soviéticos camuflados que abrigavam religiosos, sindicalistas, jornalistas e pacifistas. Trabalhando em aliança com o Conselho Mundial da Paz (CMP), criado pelos soviéticos em Helsinque, Finlândia, a CCP fielmente defendia o comunismo e iniciativas soviéticas mundiais, desde a invasão soviética ao Afeganistão, à lei marcial na Polônia, até as exigências para que o Ocidente se desarmasse. A CCP e o CMP, com outras fachadas, estavam sob a autoridade do departamento internacional do Partido Comunista da União Soviética. Eles recebiam a maior parte de seu financiamento do Fundo Soviético para a Paz, boa parte do qual vinha por meio da Igreja Ortodoxa Russa.
É claro que não se vê mais as atividades da CCP. Com a implosão da União Soviética, a CCP sobreviveu o suficiente para denunciar os esforços dos EUA para libertar o Kuwait de Saddam Hussein em 1991. A CCP jamais abandonou inteiramente sua velha religião (o marxismo, é claro, não o Cristianismo). Como um dos líderes da CCP escreveu em 1990: “Nada seria mais prejudicial para a integridade da CCP do que abandonar ou renunciar ou negar, sob a pressão dos eventos de hoje, nosso compromisso permanente e radical com a visão socialista da sociedade”.
Depois que o comunismo se desmoronou na Europa Oriental, a CCP de fato expressou algum lamento por prestar “muito pouca atenção aos pecados contra os direitos humanos nos países socialistas”, conforme registra o livro The Soviet Union on the Brink, de Kent Hill. Mas a CCP planejou sobreviver combatendo a nova fase do “capitalismo mundial”, que havia começado sua nova “ofensiva por meio da internacionalização do capital estrangeiro e da expansão das empresas multinacionais”. Contudo, sem o financiamento e a orientação soviética, o futuro da CCP era negro. As Nações Unidas, com sua rapidez habitual, finalmente invalidaram a condição da CCP como organização não governamental… em 2005.
Durante seus melhores dias, a CCP tinha papel vital no alistamento de igrejas para apoiarem os objetivos da política externa da União Soviética. A filial americana, Cristãos Unidos para o Bem da Europa Oriental (cuja sigla é CAREE), tinha como sede real o Centro Ecumênico de Nova Iorque, junto com o Conselho Nacional de Igrejas e vários gabinetes denominacionais. Ainda mais estupendo é que durante a década de 1980, CAREE recebeu financiamento, para sustentar seus debates marxistas cristãos, de agências protestantes tradicionais, menonitas e a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA.
James Will, ex-diretor de CAREE, confessou que “alguns cristãos no Ocidente vêem a CCP como um instrumento de propaganda comunista”. Mas ele declarou, conforme relatado em From Mainline to Sideline, de K. L. Billingsley, que a CCP desempenha um “papel de cooperação no movimento ecumênico” e é “motivada por sua própria autêntica inspiração cristã”. CAREE fez pagamentos à CCP, e os líderes da CAREE recebiam passagens aéreas grátis para ir aos eventos da CCP em aviões da Aeroflot soviética.
Os líderes da CCP eram ativos no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), até mesmo servindo no comitê executivo do CMI, e ajudando a garantir que o CMI jamais criticasse os países do bloco soviético — embora jamais houvesse praticamente nenhuma chance para isso. Já na década de 1960 e 1970, o CMI tinha essencialmente abandonado as doutrinas cristãs tradicionais acerca da salvação e evangelismo. Em vez disso, o centro da atenção do CMI havia se tornado a “libertação” política e econômica. Era quase impossível distinguir a agenda do CMI da agenda da CCP.
Muitos teólogos e pastores jovens no movimento ecumênico, como o Rev. Walter Altmann, participavam dos eventos da CCP com a maior alegria. Eles eram ou ingênuos com relação ao papel da CCP como instrumento soviético ou não se importavam.
Altmann dedicaria boa parte de sua própria carreira subseqüente à promoção da Teologia da Libertação. “Tenho um interesse especial em unir a teologia da Reforma à teologia da libertação”, relembra Altmann. “Na década de 1970, na época das ditaduras militares na América Latina, havia por toda parte estreita cooperação ecumênica na esfera dos direitos humanos, com uma contribuição importante do Conselho Mundial de Igrejas”.
Grande parte do movimento ecumênico veio a ver o socialismo, em vez da democracia de mercado livre, como a alternativa desejável à ditadura militar na América Latina. Grupos como o CMI apoiavam de forma explícita os movimentos marxistas de “libertação” e até hoje se recusam a criticar a ditadura de Fidel Castro, pois é “socialista”. Essas igrejas que abandonaram a obra tradicional do Evangelho em favor da “justiça social” esquerdista estão pagando um preço. Denominações como a de Altmann têm um futuro não muito brilhante na América Latina, onde há pelo menos 40 milhões de evangélicos, a maioria dos quais provavelmente pentecostais.
Em sua recente entrevista no CMI, Altmann comentou sobre “o crescimento das igrejas pentecostais” e expressou preocupação com o fato de que “muitas das novas igrejas rejeitam o ecumenismo e fazem campanhas contra iniciativas ecumênicas, principalmente quando a Igreja Católica está envolvida”. As antigas tensões entre evangélicos e católicos são em alguns casos o fator que faz com que os evangélicos fiquem desconfiados do movimento ecumênico. Mas, de modo mais amplo, o ecumenismo do passado, que envolvia a esquerda política e teológica, nunca teve apelo geral e populista na América Latina. O que é revelador é que o Conselho Latino Americano de Igrejas depende principalmente de recursos financeiros das velhas igrejas moribundas e esquerdistas da América do Norte e Europa Ocidental.
Enquanto isso, dá para se predizer como será a liderança de Altmann no CMI, com base nas atuações dele no passado. No começo da campanha militar dos EUA para derrubar Saddam Hussein, Altmann condenou a libertação do Iraque como possivelmente a maior tragédia do mundo depois da 2ª Guerra Mundial, evidentemente até maior do que os genocídios de Ruanda e do Camboja, entre outros. Depois dos ataques terroristas aos EUA em 11 de setembro de 2001, Altmann participou de uma conferência ecumênica em Washington, D.C., para denunciar a reação militar americana e expressou esperança de que os americanos poderiam se beneficiar de seus sentimentos de “vulnerabilidade”.
Na década de 1990, Altmann escreveu para o Presidente Clinton dos EUA e para Fidel Castro de Cuba, criticando ambos por seu extremismo supostamente igual. Ele expressou preocupação especial com a Lei Helms-Burton, que permite que cidadãos americanos processem empresas estrangeiras que estão lucrando com bens americanos em Cuba que o governo de Castro havia tomado.
Altmann teve um almoço de quatro horas com Castro em 1999, durante o qual ele explicou como Martinho Lutero havia desafiado a Igreja Católica. É claro, Castro respondeu que ele conseguia se identificar com o reformador protestante nesse aspecto. O ditador cubano também saudou Jesus como um “grande revolucionário social”.
Assim, a influência da velha Conferência Cristã da Paz (CCP) — que era somente uma fachada para as atividades dos comunistas soviéticos — continua viva e ativa, através de Altmann, e muitos outros, nos círculos de liderança do CMI e outras organizações ecumênicas e protestantes tradicionais em todo o mundo. Temos de ser gratos a Deus, pois esses grupos têm um futuro tão brilhante quanto a CCP teve depois da queda da União Soviética.
Traduzido por Julio Severo do artigo da revista FrontPage: Soviet Ghosts Haunt the World Council of Churches
Leitura recomendada:
Conselho Mundial de Igrejas: Sodoma dentro das Igrejas

2 comentários:

Anônimo disse...

Este artigo para mim foi muito esclarecedor, para não dizer confortador- ainda que muito triste. Pois diante de certas coisas que estão acontecendo em determinada denominação , cheguei a "consolar" alguns amigos meus, dizendo que este jeito de governar estava sobre o país e tinha seus representantes em todos os setores da sociedade- com também nas igrejas.
Isto explica os métodos adotados para "policiar" e tirar do caminho os possíveis não-companheiros- promovendo uma limpeza teológica ou seria na verdade ideológica???
Eles não não perdoam.São os sinais da ... que surge do mar e das nações!

Pr. Alberto Thieme disse...

Este artigo além de esclarecer o quanto o socialismo influenciou vários pastores e padres da época do Comunismo Russo, como, infelizmente se ouve da boca de pastores atuais que vivem falando mal da igreja Brasileira com a finalidade de destruir os fundamentos da liberdade que impera em nossa frágil democracia. Fragil porque já tivemos a insatisfação de ver atos ditatoriais partindo do STF, desonrando o Legislativo e acatando ordens do Executivo. Junto com o socialismo só pode vir uma ditadura "travestida" de democracia para que os Petistas e aliados que eram pobres, hoje são a classe burguesa do país, ás custas das maracutais politicas próprias de socialistas, Marxistas e Comunistas que infelizmente ocuparam o poder há alguns anos atrás. Se alguém se de por bem ouvir conselhos, caia fora disso o mais rapido possivel, pois o fim será uma enorme CUBA ou a ex-Russsia, com o nome do Brasil. Que os pastores, padres, e líderes consigam enxergar o futuro, olhando para o passado.

“Portanto, deixem todo costume imoral e toda má conduta. Aceitem com humildade a mensagem que Deus planta no coração de vocês, a qual pode salvá-los.” – Tiago 1.21 (BLH)

"Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede." (Isaias,5:13)

Quando os ímpios governam sobre os justos por muito tempo, até os justos começam a praticar a injustiça. Salmos 125:3.

Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme. Prov 29:2

APFL – Associação Pró Ficha Limpa para ajudar os Brasileiros a saberem quais políticos cometeram falcatruas de 2011 a 2015.
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Pr. Dr. Alberto Thieme
Presidente