O médico e o monstro, e o pregador satanista
Julio Severo
Quem não se lembra de ter assistido a alguma série de desenho animado onde num episódio aparece uma cena em que um médico ou cientista ou outro personagem toma uma dose de poção química e se transforma em monstro de tempos em tempos?
Num dos desenhos de Frajola e Piu-Piu, o passarinho toma essa dose e, ao ser espreitado pelo gato, vira um imenso pássaro monstro, pronto para devorar e aterrorizar Frajola. E há muitos outros desenhos onde se repete a cena em que um personagem inocente vira, de repente, um monstro assustador, e então volta ao normal.
A origem desse cenário conhecido e impactante é o livro “O Médico e o Monstro”, escrito por Robert Louis Stevenson e publicado em
A estória causa forte impressão e chegou ao público geral exatamente porque provocou grande impressão no próprio escritor. Quando era criança, Robert Louis Stevenson tinha uma babá que lia para ele a Bíblia e importantes histórias presbiterianas do passado. Uma dessas histórias era a de um pregador evangélico que levava uma vida dupla, e um documentário da BBC de Londres mostrou que Stevenson se inspirou nesse caso para escrever seu livro fictício sobre a vida dupla de Mr. Hide e Dr. Jekyll.
O menino Stevenson sofria freqüentemente de pesadelos com o que a babá lhe contava sobre o pregador estranho. Não era para menos: o caso era especialmente horripilante porque havia realmente acontecido.
O pregador era o Capitão Thomas Weir (
O pregador chocou a sociedade presbiteriana de sua época quando, aos
Contudo, ninguém queria acreditar nessas revelações, achando que era tudo exagero de um bom velhinho que agora estava perdendo a saúde mental. Mas o testemunho de sua irmã Jean acabou confirmando tudo.
Ela confessou anos de incesto e como a inclinação de bruxaria de Thomas foi herdada de sua mãe Jean Somerville. Ela contou que tanto ela quanto ele tinham a marca do diabo. Ela também revelou para os horrorizados líderes da igreja que ela e seu irmão haviam tido um encontro com o próprio diabo e haviam feito um pacto com ele vinte anos antes.
A congregação escandalizada levou os dois para as autoridades.
Weir foi condenado à fogueira. Mesmo amarrado para ser queimado, o ex-pregador, que havia passado a vida exortando sua congregação a pedir perdão, se recusou a se arrepender. “Não me amole”, disse ele quando o carrasco lhe deu pela última vez a oportunidade de orar. Ele declarou: “Não orarei. Vivi como uma besta e tenho de morrer como uma besta”.
Diziam que o cajado de Weir, que era seu principal instrumento de poder das trevas, tinha vida própria, movia-se sozinho e executava suas ordens malignas. Jean afirmou que o próprio diabo havia lhe dado o instrumento. Na execução do bruxo, registra-se que foi extremamente difícil queimar o cajado negro.
A história de um bruxo em pele de pregador evangélico teve impacto na vida de um menino chamado Robert Louis Stevenson e, de sua imaginação espantada e horrorizada, se tornou atração insuspeita para multidões de adultos e crianças do mundo inteiro. O poder infectante da feitiçaria é tão real e perigoso que durante o ministério do Apóstolo Paulo os novos convertidos tinham de tomar uma atitude radical com relação ao ocultismo:
“Então muitos dos que creram vinham e confessavam publicamente as coisas más que haviam feito. E muitos daqueles que praticavam feitiçaria ajuntaram os seus livros e os trouxeram para queimar diante de todos.” (Atos





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