Entrevista de Julio Severo sobre a questão da pena de morte
Recentemente, a jornalista Jóice Almeida, da revista Enfoque Gospel, me entrevistou sobre a questão da pena de morte. Da entrevista completa, só uma parte muito pequena foi publicada na Enfoque Gospel deste mês. Mas para que o leitor possa se beneficiar, apresento aqui na íntegra minha entrevista, que contém respostas que ajudarão na compreensão desse assunto delicado. Abaixo, as perguntas da jornalista e as minhas respostas:
R: Sou a favor do que a Bíblia prescreve como penalidades sociais para crimes violentos, porém não sou a favor das tendências atuais, que procuram cada vez mais livrar criminosos perigosos da pena capital e ao mesmo tempo procuram cada vez mais aplicá-la aos inocentes, mediante procedimentos de aborto e mesmo sacrifico de embriões para supostos propósitos terapêuticos.
R: Minha opinião se baseia na opinião de Deus antes da entrega da Lei à nação de Israel, onde o próprio Deus declara: “Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem. Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.” (Gênesis
R: A pena capital, conforme prescrita na Palavra de Deus, é um instrumento social de combate e castigo aos crimes violentos. É uma pena prescrita pelo próprio Deus. Assim, conhecendo bem a Palavra de Deus, um cristão verdadeiro não tem motivo para achar tal pena incompatível com o que a Palavra de Deus prescreve como pena para os crimes violentos.
R: A posição da Palavra de Deus é bem clara e específica. Quando Deus formou a nação de Israel, ele deu os Dez Mandamentos, um dos quais diz: “Não matarás”. Aos que deliberadamente violam essa lei de respeito máximo à vida, Deus orientou as autoridades a aplicarem o castigo máximo. Aliás, a Bíblia contém leis diretas para as autoridades lidarem com crimes de assassinato deliberado: Êxodo
Mas a posição mais clara encontra-se no Novo Testamento, onde Deus dá ao Estado a autoridade de usar a espada para combater criminosos violentos. A espada, na época do Novo Testamento, era um instrumento exclusivo para matar.
R: A opinião dos cristãos muitas vezes se divide por causa da forte influência do mundo. O clima social liberal hoje no Brasil manda, até mesmo no nome dos direitos humanos, a aceitação do aborto (pena de morte negativa para os bebês em gestação) e a rejeição da pena de morte para os crimes violentos. É um paradoxo incompreensível. Além disso, no nome dos direitos humanos, esse mesmo clima impõe a aceitação das práticas homossexuais. Daí, um número crescente de cristãos aceitando tendências sociais como aborto, homossexualismo, divórcio e rejeitando o padrão bíblico para as autoridades políticas lidarem com crimes violentos. A cosmovisão secular e liberal vem moldando gradativamente os cristãos que não têm uma cosmovisão sólida na Palavra de Deus. O resultado final seria desastroso, onde veríamos indivíduos que se classificam como cristãos, mas que têm cosmovisão e valores do mundo secular, em muitas questões importantes, como aborto, homossexualismo, divórcio, eutanásia, pena capital, clonagem terapêutica com sacrifício de embriões, etc.
R: Desconheço esse manifesto.
R: Veja resposta na pergunta
R: É claro que a solução prioritária para a sociedade brasileira é, de longe, o Evangelho. Enquanto o Evangelho é instrumento do Senhor Jesus mediante a igreja para abençoar a sociedade, a Palavra de Deus diz que a espada (que simbolicamente é a autoridade de pena capital que Deus deu ao Estado) é o instrumento do Estado para lidar com crimes violentos. É um direito que Deus deu ao Estado. “Porque [o Estado] é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.” (Romanos
A missão da igreja é levar o Evangelho aos maus e aos bons. A missão do Estado é castigar os maus e elogiar os bons. É assim que Deus estabeleceu a missão de cada um.
R: Não sei exatamente o que poderia ocorrer, mas a tal varredura social já existe, pois os pobres e negros são a população mais exposta à pena capital injusta que os criminosos impõem sobre os civis inocentes. O Brasil tem hoje um problema monumental de insegurança e mais de
R: Em todos os sistemas humanos, erros acontecem em todas as esferas o tempo todo. Mesmo sabendo que o ser humano é irremediavelmente falho, ainda assim Deus prescreveu a pena capital para crimes violentos e deu ao Estado o direito exclusivo de executar os indivíduos que cometem crimes violentos, sob os critérios apresentados pela Palavra de Deus.
R: Os países que compõem a União Européia são um exemplo nessa questão. A União Européia proíbe de modo absoluto a aplicação da pena capital para assassinos culpados, mas não admite, de forma alguma, que se proíba o direito “sagrado” de matar bebês em gestação por meio do aborto. Aliás, para que uma nação possa fazer parte da União Européia primeiramente deve rejeitar a pena capital para os assassinos culpados e deve aceitar o aborto. É preciso observar também que alguns países da União Européia, como a Holanda e a Bélgica, já permitem legalmente o assassinato de doentes, deficientes e idosos por meio da eutanásia — e a União Européia não aplica nenhum tipo de sanção contra a Holanda e a Bélgica por matarem inocentes. Agora, para que a União Européia tomasse medidas enérgicas e fulminantes, bastaria que a Holanda ou outro país começasse, em vez de matar inocentes, a executar assassinos. Assim, os europeus aceitam muito bem a pena de morte, contanto que não seja aplicada em criminosos violentos. Sacrificar bebês em gestação, doentes, deficientes e idosos é algo que não incomoda nem preocupa a insensível mente européia secularizada, mas eliminar assassinos deixa os europeus completamente horrorizados! Quase nenhum europeu consegue enxergar a insanidade de suas contradições sociais, morais e éticas.
A tradição cristã, baseada nos princípios bíblicos, manda respeito máximo à vida humana inocente e castigo máximo aos assassinos. Não há dúvida do propósito divino ao estabelecer castigo máximo para os assassinatos deliberados: A pena capital envia um aviso claríssimo aos que têm a idéia de desrespeitar a inviolabilidade e valor máximo da vida humana inocente.
A tradição humanista, secular, liberal, pagã inverte tudo, removendo o respeito máximo à vida humana inocente e transferindo esse respeito exclusivamente para onde não convém: os assassinos.
A cosmovisão liberal secular rejeita a pena capital para os culpados de crimes violentos e ao mesmo tempo aceita essa mesma pena através do aborto e eutanásia para pessoas totalmente inocentes — e não vê nada de errado no sacrifico de embriões para supostos propósitos terapêuticos. Assim, os criminosos são salvos da pena capital, enquanto os doentes e os bebês em gestação são colocados sob o peso dessa pena pesada. É assim que age o secularismo liberal: misericórdia para quem não teve misericórdia e crueldade absoluta para os inocentes.
R: Os grupos de direitos humanos costumam defender o aborto como direito humano das mulheres. Por exemplo, o Dia Internacional da Mulher (
R: Espiritualmente, a solução é o Evangelho, que poucos aceitam. Socialmente, na perspectiva bíblica, a solução é mais dura. Deus diz: “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.” (Gênesis
R: Todos os cristãos são chamados a perdoar. Mas, independente da atitude do cristão individual, o Estado tem de cumprir seu papel — o papel que Deus lhe deu de castigar os maus e elogiar os bons.
R: A justiça divina é a intervenção de Deus neste mundo para preencher e corrigir as lacunas da [in]justiça do homem. Sodoma e Gomorra, com seu dilúvio de homossexualismo e maldades, são exemplos da justiça de Deus em atividade na terra. A justiça divina é também sua justiça por vir: tudo o que não foi julgado e condenado aqui será devidamente julgado e condenado por Deus mais tarde. Aparentemente, a maioria das questões não resolvidas ou mal resolvidas na terra será plenamente resolvida por Deus na eternidade. A justiça dos homens deve-se guiar pelo padrão da justiça divina que se reflete na Palavra de Deus.
R: A igreja deve sempre agir conforme a Palavra de Deus. Deve saber manter uma posição equilibrada diante das distorções de direitos humanos, condenando a pena de morte do aborto e eutanásia, condenando o sacrifico de embriões para supostos propósitos terapêuticos e deixando claro o que a própria Palavra de Deus deixa claro: Deus deu ao Estado o direito de usar a “espada” contra os criminosos violentos. A igreja deve valorizar e defender a vida onde o Estado a está condenando (aborto, clonagem terapêutica com o sacrifício de embriões, eutanásia, etc.) e deve educar o Estado a dirigir a pena de morte não para os inocentes, mas para os culpados. O Estado deve dizer um vigoroso NÃO ao aborto. O Estado deve ser ajudado a se libertar de seu desequilíbrio na questão da valorização da vida dos criminosos violentos e na questão da desvalorização da vida dos bebês em gestação. O Estado deve parar suas iniciativas de liberalização da lei do aborto. Essa liberalização nada mais faz do que valorizar a pena capital para o inocentes.
Uma das questões mais importantes que devemos considerar é de que maneira o assassinato de pessoas inocentes, através do aborto legal e da eutanásia, pode afetar negativamente a sociedade. Deus diz: “Portanto, não profanem com crimes de sangue a terra onde vocês vivem, pois os assassinatos profanam o país. E a única maneira de se fazer a cerimônia de purificação da terra onde alguém foi morto é pela morte do assassino”. (Números
A Igreja de Jesus Cristo conhece realidades espirituais e terrenas que precisa transmitir e aplicar na sociedade. Mas de que modo os cristãos, como igreja e indivíduos, podem realmente fazer uma diferença na sociedade em questões como o aborto e a eutanásia? Intercedendo pelas pessoas envolvidas e confrontando as forças espirituais, as leis e as tendências sociais que as favorecem. O Bispo Robson afirma: “Quando há realmente esse ministério de intercessão e confrontação, haverá evangelização. É aí que o poder do Evangelho precisa moldar, transformar e fazer a diferença da cultura”.
R: Praticamente impossível, por causa das distorções sociais, legais e políticas reinantes hoje no Brasil. Enquanto a pena de morte do aborto e eutanásia caminham em passos lentos, com a ajuda dos liberais, para a legalização, os assassinos se aproveitam de seus “direitos humanos” para continuarem a aplicar a pena de morte conforme querem na população indefesa. Assim, há pouca possibilidade de o fracassado Estado brasileiro implantar a pena de morte para os criminosos violentos, porém há grande possibilidade de o mesmo Estado implantar de forma mais expansiva a pena de morte nos bebês em gestação. Quanto aos
Fonte: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com





8 comentários:
Julio,
Obrigado pela clareza de pensamento. Deus tem lhe dado um dom --- o de articular bem as verdades da Palavra ante desafios da mídia, da universidade, e da política brasileira. Continue firme no Senhor Jesus. Aplique com humildade e graça o dom que SENHOR lhe deu. O Brasil precisa muito desta voz, mesmo que possa parecer que ela esteja "clamando no deserto". Daniel
Pois é Julio,sua voz deve ser ouvida por mais pessoas,especialmente evangélicas.
Seus esclarecimentos nos ajudam a não sedermos a liberalismo humanista,que como vc disse,é um cancer que está corroendo nosso Brasil.
É isso mesmo.Tiago
Julio, gostei muito da sua entrevista em relacao a pena de morte, bem como todas as suas opinioes sobre outros assuntos como por exemplo a homosexualidade. Sua fe e sua firmeza de caracter sao um exemplo que todos deveriam seguir. Neste mundo de vicio e imperfeicoes que nos encontramos sua voz aparece como um sinal de alerta do divino. Que Deus lhe continue a dar forca e nos ilumine a todos para ouvirmos o seu aviso.
Deus o abencou
Sobre a importantíssima questão da pena de morte, há um livro clássico a respeito: "Pena de morte já!", do Pe. Emílio Silva, sacerdote e jurista espanhol que morou muitos anos no Brasil, e se celebrizou pelos debates travados com algumas das mais brilhantes figuras da sociedade brasileira de então (Nélson Hungria e Prado Kelly, por exemplo). Depois da leitura de tão abalizada obra, é difícil, ainda mais a um cristão, permanecer contrário à aplicação da pena capital para crimes hediondos e com requintes de crueldade. Os interessados podem adquiri-la junto ao Mosteiro da Santa Cruz, Nova Friburgo-RJ: www.beneditinos.org.br
Creio ser impossível a aplicação da pena capital no Brasil pois,os próprios líderes governamentais,é senão,os maiores responsáveis pela aplicabilidade da pena capital ao negar saúde pública,ao expor o fracasso no sistema educacional público que somente acarreta o cidadão ao crime e por todas as formas de desvio de verbas públicas,pelos quais desvios,o estado mata indivíduos na fila do SUS,remete a dignidade às fossas sanitárias da exclusão social etoda uma soma crescente de barbáries oriundas dos que regem o estado,voltado pra próprios interesses.
Acredito que as autoridades constituídas poderão ser usadas por Deus para impedir que o mal proliferem; mas, quanto a Pena de Morte, lhes faltam respaudo bíblico neotestamentário. E o que fizer uso desse recurso, estará fazendo por sua conta e risco, pois Deus não tem prazer na morte do perverso, mas que ele se converta do seu caminho e viva... (Ez.33. 11).
"Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir".
Mateus 5. 17
Ou seja, o Senhor Jesus cumpriu toda as exigências do Velho Testamento, inclusive a condenação que nos estava proposto, morrendo a nossa pena de morte.
"A Lei e os Profetas vigoraram até João; desde esse tempo, vem sendo anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele". Lucas 16. 16
Se não tivesse tido a consciência da condição de réu, antes de ter sido substituído e justificado por Jesus na cruz, o qual pagou o preço da minha condenação, e se eu fosse a favor da mesma para os outros; provavelmente, por uma questão de lógica e de inteligência, eu escolheria que sofresse a pena capital os criminosos com o maior número de assassinatos; isto é, o que corresponde aos poderosos corruptos de colarinho branco, pois eles são a causa da miséria que alimenta a marginalidade, com a ajuda do diabo, é claro!
Para quem anseia por vingança e matança daqueles que muitas vezes são vítimas de um governo injusto e maligno, venho informar que é evidente que a pena de morte já existe neste país, onde jovens traficantes matam e morrem reciprocamente na guerra do tráfico. Temos também a banda podre dos policiais que cobram propinas a este mesmo tráfico que também matam indiscriminadamente. Essas ditas "autoridades policiais", quando se sentem acuados pela verdadeira autoridade constituída, assassinam até magistrado, como foi o caso da Juíza Patrícia Acyoli.
Portanto, afirmo ser totalmente contra a instituição da Pena de Morte neste país e em qualquer outro.
Contudo, não esqueçamos; estamos no período da Graça, e o mandamento deixado pelo Senhor Jesus é: AMAR ao próximo como a nós mesmos e a DEUS sobre todas as coisas.
Paz Seja Contigo,
J.C.de Araújo Jorge
Seu erro fundmental, Discípulo, é confundir Igreja com Estado e também rejeitar o fato claro de que o Novo Testamento ensina que o Estado tem o direito e o dever de carregar a espada.
Vamos falar francamente. Qual é a lei que espelha o Evangelho?
Uma lei que condena, multa, prende ou executa assassinos espelha o Evangelho?
Uma lei que condena, multa, prende ou executa pedófilos espelha o Evangelho?
Uma lei que condena, multa, prende ou executa estupradores espelha o Evangelho?
Se estamos no tempo da graça, então a sociedade não precisa de leis que condenam, multam, prendem ou executam, claro?
Sejamos realistas: o Evangelho não condena ninguém nem a multas, nem a prisões, nem à morte. O Evangelho não veio para condenar, multar, prender ou executar nenhum criminoso, por pior que seja. O único tipo de condenação que o Evangelho menciona é a condenação eterna, deixando claro que os homens que escolhem viver no pecado serão condenados à morte eterna, sendo destinados ao sofrimento do inferno, eternamente separados de Deus.
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