19 de fevereiro de 2007

A África do Sul depois do apartheid

A África do Sul depois do apartheid

Walter E. Williams

Os militantes de questões sociais têm o hábito de partir para a próxima cruzada sem se importar para ver se algo saiu errado em sua última cruzada. Durante a década de 1980, vários grupos esquerdistas, inclusive estrelas de Hollywood, realizavam protestos enormes em universidades americanas e na Embaixada da África do Sul e pediam sanções contra a África do Sul por seu sistema racista de apartheid.

Não existe mais o apartheid. Quem governa a África do Sul hoje são os negros. Mas qual é o caso agora? Andrew Kenny escreve sobre isso em seu artigo, “Os Negros Não São Animais”. O artigo apareceu na revista britânica The Spectator, a revista inglesa mais antiga do mundo, publicada desde 1838.

Diariamente a população de 42 milhões de pessoas da África do Sul de hoje vê em média 59 assassinatos, 145 estupros e 752 agressões físicas graves. O novo crime é o estupro de bebês — alguns africanos com AIDS crêem que ter sexo com uma virgem cura. Doze por cento da população da África do Sul de hoje têm o HIV, mas o presidente Mbeki diz que o HIV não pode causar a AIDS.

Em resposta à violência crescente, o ministro da segurança da África do Sul, Steve Tshwete, diz: “Não temos condições de policiar essa situação. Não há mais nada que possamos fazer”. A moeda da África do Sul, o rand, se desvalorizou 70 por cento desde que o Congresso Nacional Africano [de linha marxista] começou a governar em 1994. Um número elevado de pessoas (principalmente a mão de obra especializada) está abandonando a África do Sul.

Kenny pergunta: “Será que a África do Sul está condenada a seguir o resto da África, tornando-se mais um país obscuro e sem expressão?” Ele diz que não, mas eu não tenho tanto otimismo, por causa do padrão comum em praticamente todos os países da África abaixo do Saara. O fato trágico da questão é que os africanos comuns viviam uma vida melhor durante a época do colonialismo. Os mestres coloniais jamais cometiam nem de perto nada parecido com o assassinato e genocídio que se viram nos governos dirigidos por negros em Ruanda, Burundi, Uganda, Nigéria, Moçambique, Somália e outros países, onde milhões de negros foram massacrados por meios que não dá nem para falar, tais como: morte a golpes de foice, cozimento em óleo, morte por queimadura e desmembramento. Se um número igual de elefantes, zebras e leões tivessem sido massacrados de forma cruel, os esquerdistas do mundo inteiro ficariam fora de si de tanta revolta.

Quando o Zimbábue, que era a antiga Rodésia, era governado por brancos, o Congresso Nacional Africano (CNA) exigia a remoção do primeiro ministro branco Ian Smith e a instituição de um governo dirigido por negros. Hoje, o primeiro ministro negro do Zimbábue, Robert Mugabe, comete imensas violações dos direitos humanos de negros e brancos. Com a ajuda de criminosos, Mugabe vêm empreendendo um programa de confisco de terras dos fazendeiros brancos. Em vez de condenar os abusos dos direitos humanos no Zimbábue, o governo negro da África do Sul dá a Mugabe apoio incondicional.

Kenny diz que os brancos tratam os negros como animais. Quando um cão não se comporta bem, não culpamos o cão — culpamos o dono por treinar o animal de forma inadequada. Na África, quando os negros se comportam muito mal, Kenny diz que o colonialismo, o imperialismo, o apartheid, a globalização ou o multinacionalismo são culpados por não educarem os negros de forma apropriada. Os liberais viam o apartheid da África do Sul e outros abusos dos direitos humanos como injustos porque os negros estavam sofrendo nas mãos dos brancos. Eles sustentam que os brancos são obrigados a dar contas se estão ou não vivendo de acordo com os padrões civilizados de conduta. Os negros não são obrigados a dar nenhuma satisfação na questão de padrões civilizados de conduta. Do ponto de vista dos liberais, poderia até ser considerado racismo esperar que os negros tenham de viver conforme os padrões civilizados de conduta.

Durante a época do apartheid na África do Sul, fiz várias visitas ao país e dei palestras em praticamente todas as universidades. Num artigo de 1987, escrevi: “A experiência do passado na África deveria fazer com que os ativistas antiapartheid do Ocidente parassem um pouco para pensar. Não seria a tragédia suprema se os negros sul-africanos pudessem ponderar em alguma data futura, como os animais da Mansão de Jones (Animal Farm de George Orwell), se eles viviam melhor durante os governos do apartheid? É por isso que os negros têm de dar uma resposta à pergunta: o que ocorrerá após o apartheid? Um governo dirigido por negros não garante que a população negra terá mais liberdade”.

Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA. Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com; www.juliosevero.com.br

Leia também, do mesmo autor, Ajudando a Matar a África.

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=25983

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