26 de fevereiro de 2007

Escolas públicas: os direitos dos pais em perigo

Não concordo com alguns pequenos pontos do texto abaixo, mas a maior parte do artigo traz questões muito importantes. O autor aceita as escolas públicas e a vacinação infantil, mas até ele reconhece que ambas passaram dos limites. Afinal, se a vacinação contra o HPV só afeta mulheres sexualmente ativas, por que meninas, até mesmo evangélicas, que não serão sexualmente ativas na adolescência têm de ser obrigadas a receber uma injeção só porque outras adolescentes se envolvem com sexo? Outra questão importante é: por que ninguém está vendo que por trás das campanhas de promoção da vacina do HPV está uma poderosa empresa farmacêutica ávida por convencer os governos, até mesmo do Brasil, a obrigar a vacinação das meninas, chegando ao ponto de investir seus recursos em operações sofisticadas e caras de lobby para pressionar os médicos e os políticos a apoiarem legislação de vacinação compulsória? Essa empresa também está por trás de outras vacinas e a criação de leis que forçam a vacinação compulsória. O público merece saber tudo o que está oculto na história das vacinas, indústrias farmacêuticas e leis que protegem seus interesses e ambições e também as leis que obrigam a vacinação das crianças enriquecendo assim essas indústrias.

Vale a pena ler artigo.

Julio Severo

***************************************************

Escolas públicas: os direitos dos pais em perigo

Paul Weyrich

Pode-se achar uma das medidas mais claras de uma sociedade em seu sistema de escolas públicas. Por exemplo, não é por acaso que nos Estados totalitários, tais como a Coréia do Norte, o que pode ser ensinado vem diretamente do governo. As crianças são sistematicamente doutrinadas desde cedo a crer que seu presidente está sempre certo, ainda que muitas não tenham comida suficiente para comer. Em países devastados por guerras ou nações profundamente divididas por diferenças religiosas há poucas escolas públicas em funcionamento.

Em contraste, os Estados Unidos têm uma orgulhosa história de educação pública para todas as suas crianças. Ou pelo menos tinha. Venho assistindo enquanto as escolas públicas americanas mudaram de geralmente boas para muito ruins, por causa das muitas mudanças em nossa sociedade e por causa das intromissões do governo. Do transporte obrigatório de ônibus escolar às aulas ensinadas em todas as línguas (exceto inglês), à remoção do termo “Sob Deus” do Juramento de Fidelidade, nossos governos estaduais e federais vêm invadindo violentamente a esfera das escolas locais durante mais de 30 anos e as escolas estão em sua pior situação por causa dessas intervenções.

Um dos últimos avanços na educação pública é que as escolas crêem que são realmente elas que são os pais dos filhos que as freqüentam. Com tantas crianças vivendo apenas com a mãe ou com um pai e mãe que trabalham fora, com quem sabe quem cuidando delas, não é de admirar. Agora alguns estados estão tentando exigir que todas as meninas entrando na sexta série sejam vacinadas contra algo chamado HPV (Vírus do Papiloma Humana), um vírus que só dá para se transmitir por sexo e que causa certos tipos de câncer. O que isso mostra sobre nossas escolas públicas e sobre a situação de nossa cultura?

Há tantas coisas erradas com essa idéia — e com o fato de que essas vacinações seriam compulsórias, em vez de voluntárias — que é difícil saber onde começar. Contudo, farei uma tentativa. Primeira, o óbvio: o que sabemos acerca da vacina? Sabemos que é fabricada pela indústria farmacêutica Merck, uma empresa muito grande que vem muito se ocupando em empregar lobistas e em fazer muita propaganda e promoção da droga, chamada Gardasil (que é marca registrada), em revistas e na televisão. Sabemos que a vacinação consiste numa série de três injeções ao custo de aproximadamente 400 dólares por menina. Uma das metas da Merck é tornar essa vacina obrigatória. Sabemos que os lobistas da Merck estão inundando as assembléias legislativas do país inteiro e criaram um grupo chamado Mulheres no Governo, que tem em seu site amostras da legislação “correta”. E sabemos que a FDA [agência governamental americana que regula e fiscaliza a fabricação de drogas] aprovou a vacina no ano passado.

O que não sabemos é se a vacina é segura. Não houve nenhum estudo de longo prazo quanto aos possíveis efeitos colaterais da vacina — que incluem náuseas, dores de cabeça e febres — e os poucos estudos de curto prazo envolviam apenas mulheres já na faculdade, não as meninas novas que são o principal alvo dessa legislação. Infelizmente, muitas assembléias legislativas parecem hesitar muito pouco e estão caindo como dominós, uma após outra, apressando-se para fazer a vontade da indústria Merck. Entre muitos outros estados, Kansas, Carolina do Sul, Indiana e Colorado têm projetos de lei pendentes ou já aprovaram o plano da Merck. O maior estado a aprovar legislação para obrigar a vacinação nas escolas é geralmente o “inteligente” Estado da Virgínia, enquanto o governador do Texas Rick Perry — que muitos acreditam tem aspirações a presidente — acabou de assinar uma ordem executiva exigindo vacinação obrigatória para todas as meninas.

Certamente, uma vacina que impede algum tipo de câncer é o tipo de avanço médico pelo qual muitos de nós estão orando. Talvez ainda venham a provar que a vacina contra o HPV é segura, mas exigir vacinações compulsórias depois de tão pouca pesquisa coloca um precedente perigoso.

É claro, há as implicações culturais e morais óbvias. O que tal situação mostra sobre nossa sociedade, quando meninas de 11 e 12 anos precisam ser vacinadas contra um vírus que só pode infectá-las se elas se tornarem sexualmente ativas? Não dá para entender o motivo por que meninas novas deveriam receber essa vacina. A tentativa de forçar essa vacinação nas escolas dá a mensagem de que os educadores, os pais e os guardiões simplesmente não se importam. O mais importante: como é que nós pais conseguiremos explicar para nossas filhas e netas que é melhor elas se absterem sexualmente até o casamento quando as escolas exigem que elas sejam forçadas a receber injeções de uma vacina criada para quem já pratica o sexo? Não faz absolutamente nenhum sentido. Gardasil (marca registrada) não é uma vacina para a pólio ou catapora, ambas das quais acabaram sendo — depois de muitos anos de estudo e introdução gradual — exigidas por lei para todas as crianças em idade escolar. Não dá para se transmitir o vírus HPV por meio de espirro, tosse ou brincadeira entre crianças.

Finalmente, há o problema de se decretar leis que forçam todas as crianças ou todos os meninos ou todas as meninas a serem vacinados. As leis não deveriam obrigar ninguém, adulto ou criança, a receber uma vacina contra uma doença que não é uma ameaça à saúde pública. Tais tratamentos devem sempre ser voluntários, mas parece que nas últimas décadas muitas coisas foram ordenadas pelas autoridades mais elevadas e os cidadãos apenas foram orientados: “É a lei. Obedeça”. O que aconteceu com o direito de escolher se não desejamos cooperar com um programa ou uma nova tecnologia ou novo tratamento médico? Quando foi que decidimos que é certo forçar nossos cidadãos e seus filhos a obedecerem a novas políticas?

Os pais devem ter a liberdade de decidir se suas filhas devem receber ou não essa vacina. E só depois que houver mais estudos realizados na própria vacina, sobre a qual sabemos bem pouco, a não ser uma coisa: sabemos que com aproximadamente 2 milhões de meninas na faixa etária de 11 e 12 anos atualmente nos Estados Unidos, um programa de vacinação obrigatória custaria 400 dólares por menina. Esse custo de vacinação por menina equivaleria a uma quantia vastamente alta de dinheiro para uma empresa farmacêutica que está bastante a favor de leis que obriguem a vacinação dessas meninas.

Paul M. Weyrich é presidente da Fundação de Educação e Pesquisa do Congresso Livre.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com; www.juliosevero.com.br

Para mais informações, em português, sobre vacinas, clique aqui.

Fonte: http://www.w3.org/1999/xhtml

Um comentário:

Anônimo disse...

Júlio, o seu trabalho é maravilhoso, há tão pouca informação sobre este assunto no Brasil, parabéns!
Alessandra