‘Ajudando’ a matar a África
Dr. Walter E. Williams
O primeiro ministro britânico Tony Blair, junto com outros líderes do G-
Praticamente, todos os países da África abaixo do Saara são hoje mais pobres do que quando se tornaram independentes durante as décadas de
O Zimbábue oferece um exemplo excelente do motivo por que a ajuda externa, como saída da pobreza, é uma missão fracassada. O professor Craig Richardson, da Universidade de Salem, em Winston-Salem, N.C., explora mais esse assunto em “Aprendendo com o Fracasso: Direitos de Propriedade, Reforma Agrária e a Arquitetura Escondida do Capitalismo”, um documento escrito para o Instituto da Iniciativa Americana (
Não muito tempo atrás, o Zimbábue era um dos países africanos mais prósperos. O professor Richardson escreve: “Poucos países fracassaram de modo tão espetacular ou de modo tão trágico como o Zimbábue durante a meia década passada. O Zimbábue, que vinha progredindo e experimentando sucesso, agora representa um dos piores desastres econômicos e humanitários”. O Zimbábue tem hoje um dos índices mais elevados de inflação do mundo, atualmente em
Qual é a causa? O presidente Robert Mugabe culpa os inimigos internos e externos, principalmente a Inglaterra e os Estados Unidos por tentarem provocar sua queda. É claro, de acordo com Mugabe e alguns membros da elite acadêmica do mundo, há aquela velha desculpa de muleta, o legado do colonialismo e empresas multinacionais explorando o Terceiro Mundo. A seca é utilizada para “explicar” a queda acentuada na produção agrícola. Culpam também a AIDS.
Vamos dar uma olhada no problema da seca e da AIDS. Botsuana, país vizinho do Zimbábue, tem o segundo índice mais elevado de infecção da AIDS no mundo, e se há seca no Zimbábue, provavelmente há seca também em Botsuana, cuja maior característica geográfica é o Deserto de Kalahari, que cobre
Em comparação com seus vizinhos africanos, Botsuana prospera não por causa de ajuda externa. Em Botsuana, a lei é respeitada, os contratos são sagrados e em
Botsuana tem a mesma herança que o Zimbábue tem, pois também era uma colônia britânica. O que explica o sucesso de Botsuana é exatamente o que não existe no Zimbábue: respeito à lei, corrupção mínima e, acima de tudo, respeito aos direitos de propriedade privada. Por maior que seja a ajuda do Ocidente, nada poderá ajudar a África a experimentar o clima político e sócio-econômico necessário para o crescimento econômico. Em vez disso, a ajuda externa permite que ditadores cruéis permaneçam no poder. Dá-lhes condições de comprar a aliança de outros ditadores e o equipamento militar para oprimir seu próprio povo, sem mencionar que lhes dá condições de abrirem contas em bancos suíços. A melhor coisa que o Ocidente pode fazer pela África é não dar nenhuma ajuda financeira e econômica.
Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA. Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com; www.juliosevero.com.br




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