20 de fevereiro de 2007

‘Ajudando’ a matar a África

‘Ajudando’ a matar a África

Dr. Walter E. Williams

O primeiro ministro britânico Tony Blair, junto com outros líderes do G-8, pediu que a ajuda externa às nações africanas seja dobrada até 2010. A idéia de que a ajuda externa é a saída da pobreza e da instabilidade política é não só falida, mas também um trote cruel e maligno.

Praticamente, todos os países da África abaixo do Saara são hoje mais pobres do que quando se tornaram independentes durante as décadas de 1960 e 1970. Desde aquela época, a produção de alimentos caiu aproximadamente 20 por cento. Desde 1975, o PIB per capita vem caindo a um índice de meio por cento por ano. O presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, avaliou: “Os líderes africanos corruptos roubaram pelo menos 140 bilhões de dólares de seu próprio povo nas quatro décadas desde a independência”. O pedido de mais ajuda feito por George Bush, Tony Blair e outros líderes do G-8 não produzirá nada, a não ser mais do mesmo.

O Zimbábue oferece um exemplo excelente do motivo por que a ajuda externa, como saída da pobreza, é uma missão fracassada. O professor Craig Richardson, da Universidade de Salem, em Winston-Salem, N.C., explora mais esse assunto em “Aprendendo com o Fracasso: Direitos de Propriedade, Reforma Agrária e a Arquitetura Escondida do Capitalismo”, um documento escrito para o Instituto da Iniciativa Americana (2006).

Não muito tempo atrás, o Zimbábue era um dos países africanos mais prósperos. O professor Richardson escreve: “Poucos países fracassaram de modo tão espetacular ou de modo tão trágico como o Zimbábue durante a meia década passada. O Zimbábue, que vinha progredindo e experimentando sucesso, agora representa um dos piores desastres econômicos e humanitários”. O Zimbábue tem hoje um dos índices mais elevados de inflação do mundo, atualmente em 1.000 por cento. Só para termos uma idéia, em 1995 um dólar americano equivalia a oito dólares do Zimbábue. Hoje, um dólar americano equivale a 100.000 dólares do Zimbábue. O desemprego está nas alturas, atingindo aproximadamente 80 por cento da população. Suas instituições financeiras estão se desmoronando. O espectro de fome em massa paira sobre um país que no passado exportava alimentos.

Qual é a causa? O presidente Robert Mugabe culpa os inimigos internos e externos, principalmente a Inglaterra e os Estados Unidos por tentarem provocar sua queda. É claro, de acordo com Mugabe e alguns membros da elite acadêmica do mundo, há aquela velha desculpa de muleta, o legado do colonialismo e empresas multinacionais explorando o Terceiro Mundo. A seca é utilizada para “explicar” a queda acentuada na produção agrícola. Culpam também a AIDS.

Vamos dar uma olhada no problema da seca e da AIDS. Botsuana, país vizinho do Zimbábue, tem o segundo índice mais elevado de infecção da AIDS no mundo, e se há seca no Zimbábue, provavelmente há seca também em Botsuana, cuja maior característica geográfica é o Deserto de Kalahari, que cobre 70 por cento de sua massa terrestre. No entanto, Botsuana tem um dos índices mais elevados de crescimento do PIB no mundo. Moody’s and Standard & Poor dão a Botsuana uma classificação de crédito “A”, o melhor risco de crédito do continente africano, um risco competitivo com países da Europa central e do leste asiático.

Em comparação com seus vizinhos africanos, Botsuana prospera não por causa de ajuda externa. Em Botsuana, a lei é respeitada, os contratos são sagrados e em 2004 a entidade Transparency International classificou Botsuana como o país menos corrupto da África, na frente de muitos países europeus e asiáticos. O Fórum Mundial classifica Botsuana como uma das duas nações africanas mais economicamente competitivas e uma das melhores oportunidades de investimento no mundo em desenvolvimento.

Botsuana tem a mesma herança que o Zimbábue tem, pois também era uma colônia britânica. O que explica o sucesso de Botsuana é exatamente o que não existe no Zimbábue: respeito à lei, corrupção mínima e, acima de tudo, respeito aos direitos de propriedade privada. Por maior que seja a ajuda do Ocidente, nada poderá ajudar a África a experimentar o clima político e sócio-econômico necessário para o crescimento econômico. Em vez disso, a ajuda externa permite que ditadores cruéis permaneçam no poder. Dá-lhes condições de comprar a aliança de outros ditadores e o equipamento militar para oprimir seu próprio povo, sem mencionar que lhes dá condições de abrirem contas em bancos suíços. A melhor coisa que o Ocidente pode fazer pela África é não dar nenhuma ajuda financeira e econômica.

Dr. Walter E. Williams é professor de economia na Universidade George Mason em Fairfax, Va, EUA. Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com; www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=50817

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