27 de janeiro de 2006

Quando um pai não disciplina o próprio filho

Quando um pai não disciplina o próprio filho

Julio Severo

A questão da disciplina dentro da família encontra-se bem tratada na Palavra de Deus. E o Novo Testamento até a utiliza para demonstrar como Deus não age diferente dentro de sua própria família espiritual:

Vocês se esqueceram da palavra de ânimo que ele lhes dirige como a filhos: “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem se magoe com a sua repreensão, pois o Senhor disciplina a quem ama, e castiga todo aquele a quem aceita como filho”. Suportem as dificuldades, recebendo-as como disciplina; Deus os trata como filhos. Ora, qual o filho que não é disciplinado por seu pai? Se vocês não são disciplinados, e a disciplina é para todos os filhos, então vocês não são filhos legítimos, mas sim ilegítimos. Além disso, tínhamos pais humanos que nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Quanto mais devemos submeter-nos ao Pai dos espíritos, para assim vivermos! Nossos pais nos disciplinavam por curto período, segundo lhes parecia melhor; mas Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade. Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza. Mais tarde, porém, produz fruto de justiça e paz para aqueles que por ela foram exercitados. (Hebreus 12:5-11 NVI, o destaque é meu.)

Esse simples texto da Bíblia que lida com a questão da repreensão e castigo resume muito bem a essência da disciplina. O texto inteiro foi baseado no seguinte versículo de Provérbios: “Meu filho, não despreze a disciplina do SENHOR nem se magoe com a sua repreensão”. (Provérbios 3:11 NVI) O Novo Testamento fez assim uma referência bem relevante, pois não há livro em toda a Bíblia que contenha mais orientação sobre disciplina de filhos do que Provérbios.

Um pai da Bíblia que corrigia os filhos — só com palavras

Se Provérbios é um livro que explica muito bem o que é a disciplina, então todos os pais mencionados na Palavra de Deus sabiam aplicá-la? Não. Nem todos os pais da Bíblia corrigiam seus filhos. Alguns escolhiam simplesmente a correção verbal, e nada mais. O sacerdote Eli, por exemplo, criou os filhos no sacerdócio e, quando se tornaram homens, eles cometiam freqüentemente pecados contra Deus. Eles estavam até violando os sacrifícios oferecidos a Deus na casa de Deus:

Os filhos do sacerdote Eli não prestavam e não se importavam com Deus, o SENHOR. Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo. Assim os filhos de Eli tratavam com muito desprezo as ofertas trazidas a Deus, o SENHOR. E para o SENHOR o pecado desses moços era muito grave. (1 Samuel 2:12,13a,17 NTLH)

Eli via os pecados de seus filhos e, como todo pai bonzinho, não ficava em silêncio. Ele sempre abria a boca para dar uma bronca neles.

“Eli já estava muito velho. Ele ouvia falar de tudo o que os seus filhos faziam aos israelitas e também que eles estavam tendo relações com as mulheres que trabalhavam na entrada da Tenda Sagrada. Então Eli disse: — Por que é que vocês estão fazendo essas coisas? Todos me falam do mal que vocês estão praticando. Parem com isso, meus filhos! Eu estou ouvindo o povo do SENHOR Deus dizer coisas terríveis a respeito de vocês! Se uma pessoa peca contra outra, o SENHOR pode defendê-la. Mas quem pode defender aquele que peca contra Deus?” (1 Samuel 2:22-24,25a NTLH, o destaque é meu.)

Há pais que se calam diante de pecados horríveis dos próprios filhos, nem ousando mencionar para eles que parem seu comportamento sexual errado, mas essa fraqueza Eli não tinha. Ele apontava os erros no nariz dos filhos. No entanto, a Palavra de Deus revela claramente a reação dos filhos de Eli às repreensões do pai e a reação do Senhor à desobediência e teimosia deles: “Mas eles não ouviram o pai, pois o SENHOR havia resolvido matá-los.” (1 Samuel 2:25b NTLH)

Deus, em seu amor, faz visitações proféticas a Eli

Como sacerdotes do Senhor, tanto Eli quanto seus filhos conheciam muito bem a Palavra de Deus. Mas mesmo assim, os filhos de Eli estavam decididos a desobedecer à Palavra de Deus e ao seu próprio pai, e Eli estava decidido a não disciplinar ninguém — limitando-se no máximo a passar um sermão. Já que todos estavam assim decididos contra as ordens e conselhos da Palavra de Deus, Deus também resolveu decidir: ele decidiu que a solução para os filhos de Eli era a pena de morte.

Apesar de que Eli estava entristecendo muito a Deus pela sua falta de ação, Deus sempre demonstrou misericórdia, na esperança de que Eli pudesse se arrepender e finalmente assumir a postura de um pai que age. Através de mensagens proféticas, Deus deixou bem claro para Eli que ele queria muito mais do que só palavras. Se os filhos teimavam em desobedecer, a obrigação de Eli era, além de repreender, tomar medidas concretas. Foi nesse ponto que Deus mandou um profeta a Eli:

“Então um profeta procurou Eli e lhe deu esta mensagem de Deus, o SENHOR: —Eu me revelei ao seu antepassado Arão quando ele e a sua família eram escravos no Egito. Você sabe que eu os escolhi, entre todas as tribos de Israel, para serem meus sacerdotes, servirem no altar, queimarem incenso e usarem o manto sacerdotal na minha presença. E dei a eles o direito de ficarem com uma parte dos sacrifícios queimados no altar. Por que é que vocês olham com tanta ganância para os sacrifícios e ofertas que eu ordenei que me fossem feitos? Eli, por que você honra os seus filhos mais do que a mim, deixando que eles engordem, comendo a melhor parte de todos os sacrifícios que o meu povo me oferece? Eu, o SENHOR, o Deus de Israel, prometi no passado que a sua família e os seus descendentes me serviriam para sempre como sacerdotes. Mas agora eu digo que isso não vai continuar. Pois respeitarei os que me respeitam, mas desprezarei os que me desprezam. Olhe! Está chegando o tempo em que eu matarei todos os moços da sua família e da família do seu pai para que nenhum homem da sua família chegue a ficar velho. Você passará dificuldades e terá inveja de todas as coisas boas que vou dar ao povo de Israel, mas ninguém da sua família chegará a ficar velho. Deixarei vivo apenas um dos seus descendentes, que será meu sacerdote. Mas ele ficará cego e perderá toda a esperança. E todos os seus outros descendentes morrerão de morte violenta. Hofni e Finéias, os seus dois filhos, morrerão no mesmo dia, e isso será uma prova para você de que o que eu disse é verdade. Escolherei para mim um sacerdote fiel, e ele fará tudo o que eu quero. Darei a ele descendentes que sempre estarão a serviço do rei que eu escolher. E todos os outros descendentes de você que, por acaso, ficarem com vida terão de se curvar diante do rei para pedir dinheiro e comida e implorarão para ajudar os sacerdotes, a fim de terem alguma coisa para comer”. (1 Samuel 2:27-36 NTLH)

Deus já havia decidido que a penalidade para as ofensas que os sacerdotes Hofni e Finéias estavam cometendo era a morte. Mas como Eli não queria cumprir sua responsabilidade como pai e como supremo sacerdote de punir severamente as maldades deles, a maldição e pena de morte que estavam sobre Hofni e Finéias cairiam sobre a família inteira de Eli. Deu até usou o menino Samuel para avisar Eli:

“E o SENHOR disse: — Eu vou fazer com o povo de Israel uma coisa tão terrível, que todos os que ouvirem a respeito disso ficarão apavorados. Naquele dia farei contra Eli tudo o que disse a respeito da família dele, do começo até o fim. Eu lhe disse que ia castigar a sua família para sempre porque os seus filhos disseram coisas más contra mim. Eli sabia que eu ia fazer isso, mas não os fez parar. Por isso, juro à família de Eli que nenhum sacrifício ou oferta poderá apagar o seu terrível pecado.” (1 Samuel 3:11-14 NTLH)

Depois de tal repreensão divina, um homem sábio se prostraria diante de Deus, agradeceria sua visitação sobrenatural, pediria perdão e se comprometeria diante do Senhor a agir de acordo com a Palavra de Deus, castigando quem merecia ser castigado, mesmo que envolvesse um castigo de pena capital. Mas qual foi a reação de Eli quando Samuel lhe entregou o recado profético?

“Então Samuel contou tudo, sem esconder nada. E Eli disse: — Ele é Deus, o SENHOR. Que ele faça tudo o que achar melhor!” (1 Samuel 3:18 NTLH)

Em outras palavras, Eli quis dizer: “Se Deus quiser agir e fazer o que eu mesmo não estou fazendo, ele pode fazer o que ele quiser, mas eu não vou agir. Que Deus aja sozinho”. Como se diz, ele tirou o corpo fora — não aceitando a chance de colaborar com Deus na ordem da família de Deus e na própria família dele! Ele queria simplesmente continuar tratando seus filhos adultos do mesmo jeito que ele vinha tratando-os desde a infância: sem lhes ministrar castigo físico.

Conseqüências da negligência de um pai

Eli evitou sua responsabilidade de castigar, e as maldições sobre Hofni e Finéias se cumpriram, atingindo muito mais do que suas próprias vidas — afetando a nação inteira de Israel. Quando Israel enfrentou seus terríveis inimigos filiteus em batalha — sob a liderança “espiritual” de Hofni e Finéias —, houve grande derrota. Os israelitas descobriram, da pior forma, que estavam sem proteção espiritual:

“ — O povo de Israel fugiu dos filisteus! — respondeu o mensageiro. — Foi uma terrível derrota para nós. Além de tudo, os seus filhos Hofni e Finéias foram mortos, e os filisteus tomaram a arca da aliança. Quando ouviu falar na arca, Eli caiu da cadeira para trás, perto do portão da cidade. Ele estava muito velho e gordo. Por isso, quando caiu, quebrou o pescoço e morreu. Eli foi o líder do povo de Israel quarenta anos.” (1 Samuel 4:17-18 NTLH)

Eli não se preocupou muito com a morte dos filhos, pois ele já sabia que não havia outro destino para eles. Ele se preocupou mais com o destino da arca. Contudo, se ele tivesse agido energicamente, sua família não receberia maldição nem a arca seria tomada.

Poucos anos depois, praticamente toda a família sacerdotal de Eli foi brutalmente assassinada pelo rei Saul (cf. 1 Samuel 22), cumprindo-se assim a palavra profética dirigida a Eli: “E todos os seus outros descendentes morrerão de morte violenta”. (1 Samuel 2:33b). A teimosia de um pai em não punir a teimosia e maldade dos próprios filhos removeu a segurança espiritual que poderia proteger os netos, bisnetos e outros familiares de Eli contra a fúria cega e assassina de Saul anos depois.

O profeta Samuel, em sua infância e juventude, viu tudo o que aconteceu com Eli e seus filhos. Ele viveu no ambiente sacerdotal de Eli, mas a diferença é que Samuel não era filho de Eli.

Ana, uma esposa israelita estéril, havia orado muito a Deus pedindo um filho. Deus respondeu dando-lhe a bênção de conceber Samuel em seu ventre. Depois do nascimento de Samuel, Ana o levou à casa de Deus — onde Eli ocupava a função de supremo sacerdote — e o entregou e consagrou ao serviço de Deus, separando-se fisicamente dele. (Veja 1 Samuel 1)

Do ponto de vista humano, o menino Samuel corria o risco de sofrer o mesmo tipo de deficiência educativa que Eli havia dado a seus próprios filhos — pois os filhos de Eli não sabiam o que era castigo físico. Do ponto de vista divino, tudo o que Ana e seu marido não podiam fazer por seu filho Samuel, Deus daria. Aliás, Deus soberanamente preencheu com sua maravilhosa graça toda a deficiência e má influência de Eli na criação e educação de Samuel.

A graça de Deus não é automática

Mesmo sendo criado sem nenhum castigo físico, Samuel milagrosamente não se tornou o tipo de adulto que eram os filhos de Eli. Samuel viu que a graça de Deus que estava sobre ele o tinha livrado de toda contaminação e dano. Daí ele pode ter concluído que é possível educar crianças sem a aplicação da disciplina física. Sem dúvida alguma, a falta de dano foi obra exclusiva da graça de Deus, porém Samuel pode bem ter pensado que ele poderia “sustentar” essa obra em sua família, sem jamais precisar recorrer a uma surra. A Palavra de Deus fala muito sobre Samuel e sua integridade, mas não fala muito sobre seus filhos, e o pouco que fala revela que eles não herdaram a integridade do pai. Tudo o que a Palavra de Deus diz sobre os filhos de Samuel é:

“Quando envelheceu, Samuel nomeou seus filhos como líderes de Israel. Seu filho mais velho chamava-se Joel e o segundo, Abias. Eles eram líderes em Berseba. Mas os filhos dele não andaram em seus caminhos. Eles se tornaram gananciosos, aceitavam suborno e pervertiam a justiça”. (1 Samuel 8:1-3 NVI)

Samuel só tinha dois filhos, e eles eram corruptos — provavelmente porque o pai lhes deu a mesma educação (humanamente deficiente) que recebeu. A graça de Deus que trabalhou na vida de Samuel — sem a necessidade do uso da disciplina física — não trabalhou na vida de seus filhos. A graça de Deus não é uma bênção que nós escolhemos, nem é automática. Deus é que soberanamente escolhe e dá.

Samuel deve ter agido como sua mãe Ana, entregando seus filhos para a graça de Deus, achando que somente isso bastava. O que ele fez não é errado, mas as situações eram distintas. Na criação de Samuel, não havia um pai para discipliná-lo. Na criação dos filhos de Samuel, havia um pai para discipliná-los, porém esse pai tentou um caminho de fé que acabou não funcionando. Seu exemplo serve de lição para nós hoje. Os pais podem e devem entregar seus filhos a Deus e depender da graça de Deus, mas jamais podem deixar de cumprir os mandamentos específicos de Deus sobre educação e correção de filhos. Usar a graça de Deus como desculpa para evitar a responsabilidade da disciplina física é dar um salto no escuro — arriscando mandar os filhos para o mesmo destino e abismo de corrupção dos filhos de Samuel!

O mesmo Deus que em situações especiais concede soberanamente sua graça também orienta o seu povo sobre o método divino de castigo físico para a educação das crianças. A graça de Deus pode agir em situações em que a criança por um motivo ou outro não recebe castigo físico, principalmente na ausência dos pais, mas é arriscado e errado fechar deliberadamente os ouvidos para as orientações de Provérbios e “deixar para a graça de Deus” um trabalho e responsabilidade que Deus deu diretamente aos pais. Deus pode trabalhar quando os pais não estão presentes, exatamente como aconteceu na infância de Samuel, mas quando os pais estão presentes, eles devem agir conforme já está bem claro na Palavra de Deus.

Enquanto formos seres humanos, temos necessidades humanas. Uma dessas necessidades é disciplina, correção e castigo, que fazem parte tanto da família natural quanto da família espiritual. Para ajudar os pais na importante e difícil tarefa da disciplina, Deus nos deixou o Livro de Provérbios, que contém muitas passagens sobre o assunto.

O que a sabedoria de Deus ensinou a Salomão

O Livro de Provérbios na Bíblia foi, em grande parte, escrito por Salomão, filho de Davi. Sendo então o autor principal de Provérbios, como foi então que Salomão conseguiu escrever tanto sobre disciplina física de crianças? Foi por causa do exemplo de seu pai? Foi com o que aprendeu em seu lar na infância?

Salomão não aprendeu princípios de disciplina por experiência própria nem com o que via ao seu redor, pois no próprio lar em que cresceu ele nunca levou uma surra corretiva do pai. Por algum motivo, Davi nunca corrigia a teimosia e desobediência de seus filhos. Ele falhou nessa área. Ele foi um homem justo em muitas áreas, porém a Palavra de Deus mostra seu fracasso no desempenho de seu papel como pai. Quando seu filho Amnom estuprou a própria irmã, a maioria das versões bíblicas se limita a dizer que Davi ficou furioso quando soube da violência sexual, porém a Septuaginta revela muito mais:

“Quando soube disso, o Rei Davi ficou muito irado. Mas Davi não castigou seu filho Amnom. Ele favorecia Amnom porque ele era seu filho mais velho”. (2 Samuel 13:21 GW)

“Quando soube do que havia acontecido com Tamar, Davi ficou muito irado. Mas Amnom era seu filho mais velho e também o seu favorito, e Davi não queria fazer nada que deixasse Amnom infeliz”. (2 Samuel 13:21 CEV)

Outra passagem da Bíblia revela como Davi agia com seu filho Adonia

Ora, toda a sua vida seu pai nunca havia sido contra ele ou lhe dito, Por que é que você fez isso? (1 Reis 1:6a BBE)

Mas seu pai nunca, nem uma só vez, o repreendeu dizendo: “Por que você agiu desse jeito?” (1 Reis 1:6a HCSB)

Seu pai o estragou na infância, jamais lhe dando, nem uma só vez, uma bronca. (1 Reis 1:6a MSG)

Talvez Davi não tenha sofrido castigos divinos tão fortes quanto os castigos que Eli recebeu porque Davi estava casado com várias mulheres e não tinha, como rei, tempo para administrar sua imensa família. Tal fraqueza pode não lhe ter custado as maldições que Eli colheu, porém não o livrou de problemas sérios com seus filhos. Seu filho Absalão, que nunca apanhou, tomou o seu trono e quase o matou, agindo com extrema violência, estuprando as concubinas do próprio pai! O caso de Absalão mostra o engano dos que acreditam que só as crianças criadas com disciplina se tornam violentas. O oposto foi verdade no caso de Absalão. Seu irmão Amnom, criado sem nunca levar uma surra, cometeu um ato violento, estuprando a própria irmã!

A chave então para não sofrer problemas semelhantes na família não é seguir a moda de hoje de evitar a disciplina física, mas adotar uma postura equilibrada: uma criança criada de modo violento ou sem castigo físico pode acabar cometendo violências, mas uma criança criada com o uso sábio da disciplina física terá muito mais chance de levar uma vida marcada por um comportamento bom e correto.

Passando toda a sua infância no lar de Davi, vendo Amnom, Absalão e Adonias em seus maus comportamentos, Salomão sabia o que era a falta de disciplina por experiência própria. Aliás, ele sofreu na própria pele as conseqüências da falta de disciplina do lar de seu pai, pois seu mimado irmão Adonias tentou tomar o governo das mãos de Salomão, e papai Davi não fez nada. O mimado Adonias estava disposto a matar Salomão para ficar com o trono.

Salomão também conhecia o caso trágico de Eli, através do que seu pai Davi lhe contava. Davi soube dos problemas internos da família de Eli através do próprio profeta Samuel, que era seu amigo. Assim, através de Davi Salomão conhecia até a situação dos filhos de Samuel.

Talvez seu pai Davi não tenha se importado muito com a falta de castigo físico com que Eli, Samuel e ele mesmo criaram seus filhos porque aquelas gerações de modo geral não educavam crianças de outro jeito. Pelo fato de que grandes líderes espirituais daquela época como Eli, Samuel e Davi não viam nada de errado com a falta de disciplina física na educação de filhos, é bem possível que em Israel a educação sem castigo físico fosse bem mais comum do que se poderia imaginar.

Provavelmente, o próprio Salomão nunca colocou em prática os princípios de disciplina de filhos que ele escreveu em Provérbios quando ele ainda era jovem, muito temente a Deus e não tinha esposa e filhos. Provérbios orienta os homens a ter somente uma esposa,[1] porém Salomão teve muitas.[2] Ele desobedeceu.[3] Provérbios é o livro da Bíblia que mais ensina sobre disciplina, porém Roboão, filho de Salomão, seguiu a tradição da família de Davi de filhos mimados e maus.

Mas só porque Salomão não conseguiu obedecer significa que todos os homens de Deus também não conseguirão ter somente uma esposa e educar e corrigir os filhos conforme os excelentes princípios de Provérbios?

O que Deus fala aos pais através de Provérbios

Nas muitas orientações que escreveu sobre correção de filhos, Salomão não foi influenciado por costumes de sua família nem pela cultura ao seu redor. Ele estava sem condições de escrever com base na própria experiência, pois ele e seus irmãos não sabiam o que era receber disciplina do pai. Foi a inspiração direta de Deus que o levou a sustentar a posição não de seu pai nem de sua cultura nem de seu próprio coração, mas de Deus na questão da disciplina física. A sabedoria de Deus o capacitou a entender e ver o que mesmo seu pai e Samuel não viam. Deus, através da sabedoria de Salomão em Provérbios, ensina:

“Aquele que poupa a vara odeia seu filho, mas aquele que o ama tem o cuidado de discipliná-lo”. (Provérbios 13:24 NIV)

“Quem se recusa a surrar seu filho o odeia, mas quem ama seu filho o disciplina desde cedo”. (Provérbios 13:24 GW)

“Aquele que poupa sua vara [de disciplina] odeia seu filho, mas aquele que o ama o disciplina com diligência e o castiga desde cedo”. (Provérbios 13:24 Bíblia Ampliada)

“Os açoites que ferem, purificam o mal; E as feridas alcançam o mais íntimo do corpo.” (Provérbios 20:30 TB)

“Os castigos curam a maldade da gente e melhoram o nosso caráter.” (Provérbios 20:30 NTLH)

“Os golpes e os ferimentos eliminam o mal; os açoites limpam as profundezas do ser”. (Provérbios 20:30 NVI)

“É natural que as crianças façam tolices, mas a correção as ensinará a se comportarem.” (Provérbios 22:15 NTLH)

“A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele.” (Provérbios 22:15 RC)

“A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela”. (Provérbios 22:15 NVI)

“Todas as crianças são sem juízo, mas correção firme as fará mudar”. (Provérbios 22:15 CEV)

“A crianças por natureza fazem coisas tolas e indiscretas, mas uma boa surra as ensinará como se comportar”. (Provérbios 22:15 GNB)

“Não retires a disciplina da criança, porque, fustigando-a com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno.” (Provérbios 23:13-14 RC)

“Não evite disciplinar a criança; se você a bater nela e castigá-la com a vara [fina], ela não morrerá. Você a surrará com a vara e livrará a alma dela do Sheol (Hades, o lugar dos mortos)”. (Provérbios 23:13-14 Bíblia Ampliada)

“Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno”. (Provérbios 23:13-14 RA)

“Não deixe de corrigir a criança. Umas palmadas não a matarão. Para dizer a verdade, poderão até livrá-la da morte”. (Provérbios 23:13-14 NTLH)

“Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá. Castigue-a, você mesmo, com a vara, e assim a livrará da sepultura”. (Provérbios 23:13-14 NVI)

“É bom corrigir e disciplinar a criança. Quando todas as suas vontades são feitas, ela acaba fazendo a sua mãe passar vergonha”. (Provérbios 29:15 NTLH)

“A vara e a disciplina dão sabedoria, mas a criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe”. (Provérbios 29:15 RA)

“A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o rapaz entregue a si mesmo envergonha a sua mãe”. (Provérbios 29:15 RC)

“Uma surra e um aviso produzem sabedoria, mas uma criança sem disciplina envergonha sua mãe”. (Provérbios 29:15 GW)

Contudo, embora favoreça surras com vara, a Palavra de Deus não apóia o excesso e a violência:

“Corrija os seus filhos enquanto eles têm idade para aprender; mas não os mate de pancadas”. (Provérbios 19:18 NTLH)

“Castiga teu filho enquanto há esperança, mas para o matar não alçarás a tua alma”. (Provérbios 19:18 RC)

“Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te excedas a ponto de matá-lo”. (Provérbios 19:18 RA)

“Corrija seus filhos antes que seja tarde demais; se você não castigá-los, você os está destruindo”. (Provérbios 19:18 CEV)

“Discipline seus filhos enquanto você ainda tem a chance; ceder aos desejos deles os destrói”. (Provérbios 19:18 MSG)

Portanto, a Palavra de Deus não aceita nenhum tipo de excesso — nem falta de disciplina, nem surras violentas que colocam a vida da criança em risco.

A falta de disciplina pode representar derrota em muitas áreas para pais cristãos negligentes, que abrem a boca para repreender e mais nada. Embora os meios de comunicação freqüente e insistentemente destaquem os abusos de pais que utilizam a violência no lugar da disciplina, não há espaço igual para alertar o público sobre os perigos da falta de disciplina. Aliás, a elite liberal e esquerdista — dona dos meios de comunicação — escolheu o radicalismo no lugar do bom senso, preferindo apoiar esforços para proibir toda forma de castigo físico em crianças, tornando a falta de disciplina a norma em toda a sociedade.

O ponto preocupante é que se a falta de disciplina em lares cristãos fortes pode provocar grandes prejuízos, o que poderia ocorrer então a uma sociedade inteira que se deixou seduzir pela propaganda enganadora de que toda disciplina física equivale à violência? A Palavra de Deus pode não ter sido escrita por especialistas em psicologia, mas uma Mente Sábia está por traz de sua orientações. Trocar essas orientações por conselhos e leis da moda podem trazer alívio e acomodação no presente, mas também o espectro de um futuro incerto e sombrio, pois não há indivíduo ou sociedade que tenha experimentado sucesso rejeitando as orientações da Palavra de Deus.

Certos entendidos da Bíblia gostam de afirmar que algumas passagens da Bíblia não são mais válidas, porque na opinião deles sua aplicação só tem relevância para a cultura e sociedade do passado. Por exemplo, se Eli e Davi utilizassem a vara para disciplinar seus filhos, esses entendidos concluiriam, conforme seus próprios desejos, que o uso da vara como instrumento de correção no lar tinha uma aplicação cultural para aquela época que hoje não mais tem. Mas a realidade é bem outra, de modo que seria muito interessante ver esses estudiosos se contorcendo para interpretar, contra seus próprios gostos, que a falta de disciplina é uma prática cultural do antigo Israel sem valor para os dias de hoje! Mas esses estudiosos não agem assim. Só quando lhes é conveniente é que eles reinterpretam a Bíblia utilizando o argumento cultural.

A disciplina e os castigos fazem parte da família espiritual e humana

Assim como Deus disciplina seus próprios filhos espirituais, ele também quer que os pais aqui na terra disciplinem seus próprios filhos.

Embora as medidas de Deus contra a teimosia, rebelião e desobediência de seu povo sejam extremamente enérgicas e duras, ele limitou as ações enérgicas dos pais à utilização da vara em casos de necessidade.

No Novo Testamento, o Senhor Jesus se utiliza de repreensões e castigos para lidar com a desobediência de algumas igrejas. Uma das igrejas recebeu a seguinte censura do Senhor:

“No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel, aquela mulher que se diz profetisa. Com os seus ensinos, ela induz os meus servos à imoralidade sexual e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos. Dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua imoralidade sexual, mas ela não quer se arrepender. Por isso, vou fazê-la adoecer e trarei grande sofrimento aos que cometem adultério com ela, a não ser que se arrependam das obras que ela pratica. Matarei os filhos dessa mulher. Então, todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e retribuirei a cada um de vocês de acordo com as suas obras”. (Apocalipse 2:20-23 NVI)

Deus cuida de sua família espiritual, educando-a, treinando-a e castigando-a, e ele nos deixou o Livro de Provérbios a fim de que também eduquemos, treinemos e castiguemos nossos filhos. A educação de crianças de Provérbios pode ser resumida num só versículo:

“Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele”. (Provérbios 22:6 NTLH)

Com os conselhos sábios de Provérbios, os pais podem treinar seus filhos a andar no caminho do comportamento bom e certo, e até o fim da vida eles praticarão o que aprenderam e evitarão os maus comportamentos.

Ninguém é mais sábio do que Deus em matéria de criação de filhos. Nenhum livro da Bíblia fala tanto de sabedoria quanto Provérbios. E ninguém na terra foi mais sábio do que Salomão, pois sua sabedoria vinha de Deus. Assim, a sabedoria de Deus juntamente com a sabedoria de seu servo Salomão produziram os conselhos mais sábios que os pais precisam para desempenhar a responsabilidade de treinar seus filhos no bom caminho.

Os “sábios” deste mundo — que são verdadeiros tolos diante de Deus — só aceitam o que seus amigos “sábios” ensinam. Mas os verdadeiros sábios aceitam o que a Mente mais sábia do universo ensina em Provérbios.

“O tolo pensa que sempre está certo, mas os sábios aceitam conselhos.” (Provérbios 12:15 NTLH)

“Quem anda com os sábios será sábio, mas quem anda com os tolos acabará mal.” (Provérbios 13:20 NTLH)

Educação sem castigo físico: na moda desde os tempos de Eli

A propaganda da moda, que segue o método de Eli de conversar e repreender sem usar uma vara, prega que a disciplina física leva a violência aos lares e à vida dos filhos. Hofni, Finéias, Amnom, Absalão e Adonias — onde quer que eles estejam hoje — jamais concordariam com esse tipo de opinião! Eles se tornaram maus e violentos e agora estão pagando um elevado preço, sofrendo castigo eterno. Quem acha que o método de criação e educação de filhos sem castigo físico é invenção moderna superando práticas passadas, não conhece a vida de Eli e Davi. Esse método não foi inventado pelos especialistas de psicologia de hoje. Foi inspirado no coração humano e está em vigor há milhares de anos.

Assim como no caso de Salomão, que não escreveu sobre disciplina baseado nas experiências de infância que teve na casa de seu pai, o autor deste artigo e sua esposa vêm de lares onde os pais não acreditavam na eficácia dos castigos físicos. Acreditavam apenas no método de Eli, jamais tolerando que uma criança levasse uma palmadinha para corrigir atos de teimosia e rebelião. Aliás, num de nossos lares, além de abundantes revistas “especializadas” em criação de filhos com abundantes conselhos psicológicos à la Eli, havia também um manual do Dr. Benjamin Spock, responsável pela moderna rejeição em massa ao uso da disciplina física. Os livros do Dr. Spock são vendidos há mais de meio século — criando pelo menos três gerações inteiras de pais que amam e seguem suas teorias como se fossem tão ou mais sagradas do que todas as orientações do Livro de Provérbios.

Hoje, apesar de toda essa tradição em nossas famílias, acreditamos na Palavra de Deus, que está acima das experiências, tradições, modismos e opiniões humanas — até mesmo de cristãos bem intencionados que são uma bênção em muitas áreas, mas seguem os passos de Davi e Eli quando falam e ensinam sobre criação de filhos. O melhor manual de criação de filhos sempre foi e sempre será a Bíblia, e o maior mestre não é o Dr. Benjamin Spock. É o Autor da Bíblia.

É claro que Deus não aceita abusos de autoridade, porém não é certo utilizar os casos de violência e excessos para anular as orientações do Livro de Provérbios para os pais, pois a Palavra de Deus é clara que é justamente a falta da aplicação de castigos físicos que pode levar as famílias e seus filhos a destinos trágicos. Essas tragédias poderão ter um grande aumento em toda a sociedade, pois a meta do governo é proibir os pais de disciplinar os filhos. Essa proibição inevitavelmente tornará ilegal e crime obedecer às orientações de Deus em Provérbios.

Eli morreu há mais de três mil anos, mas seus seguidores hoje são muitos, principalmente entre educadores, psicólogos e defensores dos “direitos” das crianças. Se estivesse vivo, ele exigiria sua marca registrada do método que muitos psicólogos hoje arrogantemente atribuem a seus próprios conceitos. Ele diria o que é muito comum em nossos dias: “Quero meus direitos! Eu sou o pai desse método! Essa invenção pertence a mim!” Ele poderia até processar os psicólogos por lhe terem roubado a invenção da “disciplina sem castigo físico”. Bom então para os psicólogos que Eli não esteja vivo!

Brincadeiras de lado, Eli e seus filhos podem estar sofrendo castigo eterno por não reconhecerem o valor do castigo físico aqui na terra. Pai e filhos podem estar pagando o mesmo preço, por causa de seus pecados. Bem que a Palavra de Deus avisa:

“Não fique com medo de corrigir seus filhos; uma surra não os matará. Uma boa surra, aliás, pode salvá-los de algo pior do que a morte.” (Provérbios 23:13-14 MSG)


Fonte: http://www.juliosevero.com.br/

BBE: Bible In Basic English (Bíblia em Inglês Básico).

GNB: Good News Bible – Second Edition.

CEV: Contemporary English Version (Versão Inglesa Contemporânea).

GW: GOD‘S WORD (Palavra de Deus). Copyright © 1995 by GOD’S WORD to the Nations Bible Society. All rights reserved.

HCSB: Holman Christian Standard Bible.

MSG: THE MESSAGE: The Bible in Contemporary Language.

NIV: New International Version.

NTLH: Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

NVI: Nova Versão Internacional.

RA: Revista e Atualizada.

RC: Revista e Corrigida.

TB: Versão Brasileira.

[1] Provérbios 5:15-19; Provérbios 31:2-3.

[2] Neemias 13:26.

20 de janeiro de 2006

O abuso estatal contra a ordem familiar

Mais Direitos para o Governo, Menos Direitos para as Famílias

O abuso estatal contra a ordem familiar

Julio Severo

Uma mulher procura um hospital e alega que foi estuprada. Ela quer um aborto, e segunda a lei do Brasil ela deve ser atendida, quer ela realmente tenha sido estuprada ou não, pois não há nenhum tipo de exigência legal de comprovação de estupro. O que acontecerá em seguida é um procedimento “médico” em que instrumentos serão utilizados para tocar, mutilar, dilacerar e destruir a vida de uma criança inocente. É um ato extremamente violento e covarde, e muitas pessoas não têm dificuldade nenhuma de enxergar corretamente esse ato como pura crueldade.

Contudo, o governo está mudando, e quer que todos os cidadãos também acompanhem sua mudança. O que costumava ser considerado violência agora está virando… direito. O governo não mais quer que o aborto seja visto como um ato violento de assassinato e destruição, e está investindo muito em campanhas para conscientizar a população de que o aborto é um direito de toda mulher. Para o governo, não há nada de errado e desumano na mutilação, dilaceração e destruição de uma criança em gestação. Assim, o que era violência agora ganhou a etiqueta governamental de direito — e o governo vem trabalhando passo a passo para que essa etiqueta de “direito” seja pregada não só nos casos de suposto estupro, mas em todas as circunstâncias.

O mesmo governo que sabe transformar violência em direito também sabe transformar direito legítimo em violência. A deputada petista Maria do Rosário apresentou no Congresso Nacional projeto de lei que “proíbe os pais de dar palmadas, tapinhas ou chineladas nos filhos, em qualquer situação”.[1] Para a deputada esquerdista, toda palmada, tapinha e chinelada equivalem à agressão, e ela quer que a lei proíba os pais de recorrer a qualquer meio físico de educar os filhos. “O castigo físico imposto a uma criança, ainda que ‘moderado’, constitui ato de violência, com traumas significativos”, declarou a deputada Sandra Rosado, do Partido Socialista Brasileiro, que concorda com o projeto.[2] Ela também declarou, de modo radical: “O castigo físico aplicado a uma criança deverá ser completamente abolido da legislação, como forma de educação”.[3] O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, só faltando a aprovação do Senado para se tornar lei. Com tal projeto transformado em lei, o governo realizará campanhas para conscientizar a população de que a disciplina física não é direito, mas violência. Como no próprio caso do aborto, é o governo que tomou sobre si a responsabilidade de decidir e determinar o que é ou não violência ou direito. E as conseqüências poderão ser alarmantes, conforme informa CongressoEmFoco:

“Caso o projeto seja transformado em lei, as denúncias poderão ser feitas nos Conselhos Tutelares dos Juizados da Infância e da Juventude. Nas cidades onde não houver os Conselhos, a pessoa deve buscar as promotorias de Justiça, as delegacias de polícia ou as próprias escolas, que já têm poder para encaminhar essas denúncias. Pela proposta, qualquer pessoa pode denunciar, vizinho, amigo, parente, desde que, de acordo com sua convicção pessoal e senso de limites, considere haver abuso nos castigos impostos à criança ou ao adolescente”.[4]

Entretanto, mesmo que esse projeto não seja transformado em lei, nenhuma família estará livre de ameaças e intimidações, porque o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pode facilmente ser interpretado contra os direitos dos pais ministrarem disciplina física nos filhos. Muitos não percebem, mas o ECA é uma mina terrestre que cedo ou tarde mutilará os direitos dos pais, deixando-os sem liberdade de agir contra o mau comportamento dos filhos. CongressoEmFoco revela que o projeto de lei contra a disciplina física “tem respaldo na própria legislação brasileira e em leis internacionais. O ECA já ressalva, no artigo 5º, que meninos e meninas não podem ser vítimas de qualquer tipo de violência. E a Convenção Sobre os Direitos da Criança, tratado internacional do qual o Brasil é signatário desde setembro de 1990, também exige, no artigo 19, que os Estados-membros das Nações Unidas se empenhem em proteger crianças e adolescentes contra agressões de qualquer natureza”.[5]

A ameaça do ECA

Portanto, juntamente com o peso da Convenção sobre os Direitos da Criança, a declaração do ECA de que “meninos e meninas não podem ser vítimas de qualquer tipo de violência” pode ser utilizada pelo governo para proibir todo e qualquer tipo de disciplina física ministrada no lar. A tática principal das entidades estatais “defensoras dos direitos das crianças” é classificar toda disciplina com o rótulo de “violência” e “abuso”. Existe real violência e abuso, mas o governo não pretende fazer diferença alguma, buscando criminalizar e punir tudo do mesmo jeito. Assim, o que costumava ser um direito das famílias está agora recebendo o rótulo estatal de “violência”, com o total apoio da ONU em sua pretensão ao governo mundial. Talvez então o projeto socialista de proibir os pais de disciplinar seja totalmente desnecessário, pois o ECA já tem o potencial de alcançar esse objetivo.

Embora esteja sendo cada vez mais utilizado para inibir as famílias, o ECA não representa nenhuma ameaça aos homens no homossexualismo interessados em crianças. Um grupo gay comenta:

“O Estatuto da Criança e do Adolescente autoriza a adoção por uma única pessoa, não fazendo qualquer restrição quanto a sua orientação sexual. Portanto, não é difícil prever a hipótese de um homossexual que, ocultando sua preferência sexual, venha a pleitear e obter a adoção, trazendo o infante para conviver com o parceiro com quem mantém um vínculo afetivo estável”.[6]

Assim, o ECA não consegue agir para proteger as crianças onde deveria por obrigação agir. A tradição e a experiência humana durante milhares de anos têm comprovado que crianças e jovens estão sempre em perigo quando os praticantes do homossexualismo têm permissão de interação próxima com eles. O que é estranho é que o mesmo ECA que é injustamente invocado para perseguir famílias que exercem seu direito de educar os filhos com disciplina física não é invocado para impedir os praticantes do homossexualismo de se aproximar de crianças. E o ECA jamais é citado ou utilizado para deter o governo em seus esforços de garantir aos homens no homossexualismo um suposto direito de adotar crianças. O ECA também jamais é mencionado contra as medidas estatais para doutrinar as crianças de escolas públicas no homossexualismo. Aliás, na questão homossexual é meta do governo “desenvolver, a partir dos livros didáticos, a consciência dos jovens acerca da diversidade sexual”.[7]

Favorecendo o homossexualismo entre crianças e jovens

Se um jovem tiver dúvidas e problemas sobre sua condição sexual, o governo estará pronto para “ajudá-lo” a desenvolver sua “consciência” acerca da “diversidade sexual”. Em vez de colaborar com as famílias na eliminação de influências e condutas sexualmente prejudiciais para seus filhos, o governo pretende incentivá-las e fortalecê-las, para que crianças e adolescentes que têm tendências homossexuais jamais deixem seu estado. Como não podia deixar de ser, o governo ampara sua meta no ECA (eca!).

O governo também se ampara no ECA em seu objetivo e meta de “resgatar, valorizar e reconhecer a religião afro-brasileira”[8] , chegando ao ponto de utilizar as escolas públicas para expor compulsoriamente crianças e adolescentes ao candomblé e outras religiões africanas cujos ensinamentos e práticas são uma afronta às famílias cristãs que enviam seus filhos à escola para aprender unicamente disciplinas acadêmicas, não conceitos religiosos da África. Para o Estado, tais medidas não são abuso nem violência psicológica. Diante dos privilégios legais e estatais concedidos ao homossexualismo e até às religiões afro-brasileiras em nome de uma suposta igualdade sexual e racial, desaparecem os melhores interesses das crianças apregoados pelo ECA, prevalecendo a ideologia sobre o bem-estar das crianças.

Por trás dessas medidas, há poderosos interesses ideológicos envolvidos. De um lado, está o Estado — pressionado por grupos gays radicais — ávido por implantar suas políticas de diversidade, pronto para todo sacrifico — isto é, pronto para sacrificar todas as vozes discordantes. Do outro lado, está a família, desejosa de ajudar seus filhos sexualmente necessitados, mas sem saber o que fazer e impotente diante da esmagadora força estatal.

E qual é a resposta estatal para lidar com uma grande parte da população que não está pronta para aceitar suas políticas de diversidade para crianças e jovens? O governo tem as seguintes metas para enfraquecer as opiniões diferentes de suas posições estatais:

  • Combater todo tipo de discriminação.
  • Valorizar e construir uma cultura de paz em toda a sociedade a fim de reprovar qualquer tipo de preconceito, educando a sociedade por todos os meios (escola, mídia, etc).[9]

O preço dessa paz e convivência pacífica não é só a aceitação das outras pessoas, mas também a aceitação de seus comportamentos e ações, por mais antinaturais que sejam. É a aceitação das determinações do Estado. Se, por exemplo, o governo declara que o homossexualismo e o aborto são direitos, e a família pensa que esses “direitos” são na verdade perversão e violência, então “por amor à paz” a família deve se calar e se submeter às imposições estatais — perdendo gradativamente seu direito de expressar livremente que as práticas de aborto e homossexualismo são violência e abuso. Qualquer atitude “insubmissa” sofreria o rótulo obrigatório de discriminação, preconceito e perturbação da paz — e nem é preciso dizer quem é que estará no comando para “combater todo tipo de discriminação”.

Portanto, o ECA nunca é usado para proteger as crianças contra o homossexualismo e contra o aborto. Mas é usado para garantir que crianças e adolescentes tenham acesso livre aos “direitos reprodutivos” e à “saúde reprodutiva” — termos que implicam não só o controle da natalidade, mas também o procedimento do aborto.

Abusos contra as crianças e suas famílias

Diz-se que o ECA é uma legislação de primeiro mundo num país de terceiro mundo. Até certo ponto, pode-se desconfiar de tal declaração, pois práticas familiares legítimas como a educação escolar em casa — que são legalmente respeitadas e protegidas nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Austrália e outros países do primeiro mundo — recebem no Brasil o mais vil tratamento e proibição, com o amparo do ECA. Mas mesmo que o ECA seja de fato uma legislação de primeiro mundo, não se pode abraçá-lo como um documento perfeito e inocente, pois esse tipo de legislação no próprio primeiro mundo tem, apesar de alguns benefícios, também sido manipulada por agentes estatais para prejuízo da família. No livro Out of Control, Who is watching our child protection agencies? (Fora do Controle, Quem está vigiando nossas agências de proteção às crianças?), a autora Brenda Scott relata inúmeros casos de abuso que assistentes sociais do governo americano cometeram contra pais inocentes em nome dos direitos das crianças. Entre algumas das revelações do livro dela destacam-se:

  • Assistentes sociais têm permissão de violar direitos constitucionais.
  • Pais e mães inocentes podem acabar com seus nomes aparecendo em registros de bancos de dados do governo e rotulados como “abusadores de crianças” pelo resto da vida, por puro capricho de assistentes sociais.
  • Os Serviços de Proteção à Criança raptaram uma menina de seis anos da sala de sua escolinha porque ela se esfregou entre as pernas. A menina foi forçada a tirar a roupa, posar para tirar fotos e se submeter a um exame vaginal. O diagnóstico: Infecção ginecológica causada por leveduras. Os Serviços de Proteção à Criança exigiram que o pai deixasse seu lar, até que ele confessasse sua “culpa”, sem ter cometido nada. No fim, a menina e os pai ficam traumatizados com essa experiência de injustiça, e os assistentes sociais ficam impunes em seu engano “bem-intencionado”.
  • Um pai foi acusado de cometer abuso e molestação e de ter uma casa desarrumada. Não houve provas para nenhuma das acusações de abuso e molestação, mas mesmo assim os assistentes sociais utilizaram seus poderes para pelo menos manter a acusação de falta de limpeza da casa. A sentença: 60 dias de cadeia e pai e mãe perderam todos os direitos à tutela.[10]

Provavelmente, a maior semelhança do ECA com a legislação do primeiro mundo é seu poder de cometer também abusos contra as famílias. É claro que se o ECA fosse realmente um documento legítimo de defesa das crianças, quem se veria em apuros seria o governo, não as famílias: o governo se veria totalmente impedido em seus esforços de promover leis favoráveis ao aborto — porque o aborto mata crianças e representa a pior forma de abuso contra as crianças. O governo também se veria impedido de expor as crianças a uma educação sexual imoral nas escolas públicas. Mas a realidade é outra. Em vez de proteger os melhores interesses das crianças, o que o ECA faz é proteger os melhores interesses do Estado. Em vez de intimidar o governo em suas iniciativas pró-aborto, o ECA inibe e aterroriza as famílias em sua responsabilidade de educar e corrigir os filhos. Até mesmo organizações internacionais revelam que o ECA está aberto a interpretações que contrastam fortemente com os valores dos pais. O Centro de Opções Populacionais, uma entidade americana dedicada a promover políticas de aborto, homossexualismo e planejamento familiar entre os jovens do terceiro mundo, recomendou aos especialistas de planejamento familiar em 1990:

“Use os meios legais existentes para ampliar o acesso dos adolescentes à contracepção e ao aborto… A Convenção dos Direitos da Criança da ONU… deve ser explorada ao máximo para que possamos dar aos adolescentes informações e serviços de planejamento familiar e, onde for possível, serviços de aborto seguro. Além disso, a nível local em países com leis que dão acesso limitado ao aborto (no caso de estupro ou incesto ou somente com aprovação dos pais ou juiz), os defensores [dos direitos das crianças e dos adolescentes] devem tirar vantagem dessas partes da lei para promover mais acesso ao aborto seguro. Em outros casos, a legislação nacional dos direitos das crianças e dos adolescentes, tal como o Estatuto da Criança e do Adolescente do Brasil, pode dar meios de aumentar o acesso dos adolescentes ao… planejamento familiar”.[11]

Tal recomendação — que está em harmonia com os “melhores” interesses estatais — representa verdadeira agressão ao papel da família na proteção de seus filhos. Tal recomendação expondo ações sinistras nos bastidores para manipular leis manipuláveis não pode ser desconsiderada como um simples exagero ou meras pretensões absurdas de entidades estrangeiras que querem se intrometer nos assuntos internos do Brasil, pois no começo de 2005 o próprio governo Lula — tão antiamericano — acabou implementando a sinistra recomendação americana, dando início ao seu programa de distribuição de camisinhas para crianças de 10 anos nas escolas.

O papel do governo no abuso das crianças

Em sua matéria intitulada “Aluno de 10 anos receberá educação sexual, afirma nova política federal”, o jornal Folha Online noticiou: “Nos serviços públicos de saúde, a ordem é garantir ao adolescente o acesso do anticoncepcional ao atendimento em caso de violência e abortamento legal... O Código de Ética proíbe o médico de violar a confidencialidade profissional se o menor tiver capacidade de avaliar e solucionar seu problema sem que isso acarrete danos à saúde. O Estatuto da Criança e do Adolescente também garante o direito à integridade física, psíquica e moral”.[12]

Então, de acordo com determinação federal, as escolas trabalharão unidas aos “serviços” de saúde, tudo com o devido amparo do ECA. As escolas se tornaram instrumento estatal para lidar com as questões sexuais de jovens e crianças e o governo está empenhado em protegê-los da “intromissão” dos pais. Para garantir que nenhuma família atrapalhe, o Código de “Ética” proíbe o médico e as autoridades escolares de revelarem aos pais que um aluno está recebendo camisinha ou que uma aluna está recebendo anticoncepcionais ou “serviços” de aborto. De acordo com a ética do governo, os pais que têm valores morais e cristãos deverão ficar totalmente de fora desses “cuidados” do governo para com as crianças.

Assim, em vez de educar as crianças para o casamento e para evitar o sexo fora do casamento, o governo prefere incentivar o sexo sem casamento e ensinar as crianças a evitar a gravidez, como se gravidez fosse doença ou problema e como se o sexo sem casamento não fosse problema algum — e como se o “abortamento legal” não envolvesse nenhum tipo de mutilação, dilaceração e morte de crianças. O governo, pois, não consegue enxergar violência e abuso onde existe real violência e abuso. Aliás, onde as famílias vêem violência e abuso, o governo vê apenas “direitos”.

Do ponto de vista da família, o Estado tornou-se o Grande Abusador de crianças e famílias. Mas tal título vergonhoso e justo jamais lhe é atribuído, principalmente pela mídia liberal.

Do ponto de vista do governo, a distribuição de camisinhas, anticoncepcionais e “serviços” de abortamento legal é cuidar de crianças e adolescentes. Do ponto de vista das famílias (e do próprio bom senso), isso é abuso. Mas como quem manda é o Estado, ganha o ponto de vista do governo — prevalecendo a lei do mais forte. Só o Estado tem o “direito” de definir o que é abuso e o que é melhor para crianças e adolescentes.

A opinião moral das famílias não representa nenhuma ameaça ao governo, que não se intimida com o que os pais definem como abuso. Mas a família tem todo motivo para temer quando o governo define uma prática legítima como abuso, pois as opiniões estatais trazem consigo o “gentil” toque da lei — gentil somente enquanto a família “colabora com o Estado”.

Quem deve colaborar com quem: o governo decide

Vale a pena lembrar que os esforços para enfraquecer os direitos das famílias vêm desde a Constituição de 1988. Nas constituições passadas, a lei deixava claro que era responsabilidade do Estado colaborar com a família na educação das crianças. O Estado não era o centro de tudo. O centro era a família. Hoje, com a Constituição de 1988 e também com o ECA (ambos documentos criados com a participação direta de muitos parlamentares esquerdistas totalitários), o Estado usurpou o lugar central da família, e agora a lei declara que é a família que deve colaborar com o Estado na educação das crianças! Os próprios juízes do Brasil têm interpretado a lei favoravelmente aos desejos estatais e contrariamente às reais necessidades das famílias, e numa decisão contra uma família que queria recuperar seu direito natural de educar os filhos em casa o Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirmou: “Os filhos não são dos pais”.[13]

Nessa decisão, o STJ defendeu o papel central do Estado, e a decisão se baseou exatamente na Constituição de 1988 e no ECA, documentos que dão ao Estado todo o poder e autoridade e marginalizam a família a um insignificante papel de mera servidora do Estado! O governo sabe assim agir com força contra as famílias que querem exercer seu direito natural de dar a seus filhos educação escolar em casa, mas não tem disposição nenhuma de utilizar a mesma força e autoridade para resgatar as centenas de milhares de crianças abandonadas nas ruas e lhes dar um lugar onde morar e uma escola. Por essas crianças, que são muitas, o governo pouco faz, mas faz muito quando uma família comete o “crime” de educar os filhos em casa. Com tudo o que atual lei brasileira diz, deixando para a família somente a opção de “colaborar” (isto é, obedecer incondicionalmente) com a missão do governo de moldar a nova geração, ninguém deveria ter dúvida do que o Estado quer dizer com a declaração “os filhos não são dos pais”.

O Estado se acha assim numa posição privilegiada, arrogante e imponente, inteiramente protegido em suas intenções e más intenções, enquanto as famílias, em toda a sua fragilidade, se acham cada vez mais desamparadas em seus direitos mais básicos — e totalmente dependentes dos caprichos estatais.

As famílias precisam agir já, antes que seja tarde

Um governo moralmente desorientado ou mal-orientado busca inverter e subverter a ordem natural, removendo direitos legítimos onde sempre existiram e criando direitos onde nunca deveriam existir. Tal governo quer impor, mediante leis e outras penalidades, que todos o sigam em sua desorientação. Felizmente, a bancada evangélica no Congresso Nacional e muitos outros grupos preocupados com o bem-estar das crianças e das famílias estão agindo para que o ato violento do aborto não seja tratado legalmente como direito e para que o direito das famílias à disciplina física não seja tratado legalmente como violência.

Essas ações são muito importantes, porque muitos pais cristãos seguem a orientação do livro de Provérbios, na Bíblia, que ensina o uso da vara na disciplina das crianças. A Palavra de Deus declara: “Aquele que poupa a vara odeia seu filho, mas aquele que o ama tem o cuidado de discipliná-lo”. (Provérbios 13:24 NIV) E há muitas outras passagens em Provérbios sobre disciplina de crianças com o uso da vara. Esse uso tem um propósito e efeito puramente educativo, porém a tentativa do governo de reinterpretar disciplina como violência é uma grave ameaça não só aos direitos religiosos das famílias, mas também ao seu direito natural de educar os filhos.

Se o projeto do PT virar lei e se o ECA continuar sua trajetória de promoção dos interesses estatais em nome dos direitos das crianças, a disciplina física que o livro de Provérbios ensina os pais a praticar se tornará crime e os pais disciplinadores serão julgados como criminosos, por vontade e imposição de conceitos esquerdistas introduzidos nas leis do Brasil. E livros como Ouse Disciplinar, do Dr. James Dobson,[14] que orientam os pais na disciplina física, serão banidos.

Diante das políticas nitidamente esquerdistas do governo e diante de documentos nacionais como a Constituição de 1988 e o ECA que favorecem os melhores interesses socialistas em importantes questões da família, é bem fácil provar que os filhos não são dos pais. O que não é fácil fazer é provar que os filhos não são do governo.

É estranho que o mesmo governo que se empenha tanto em estigmatizar como violência a orientação do livro de Provérbios esteja igualmente empenhado em elogiar e apoiar um suposto “direito” de “casais” homossexuais de adotar e educar crianças. Na questão de crianças e adolescentes, a política oficial do governo é “criar delegacias especializadas em crimes contra homossexuais”.[15] Então o pai e a mãe que se esforçarem para ajudar um filho menor a se libertar do homossexualismo correrão o risco de ser denunciados por crime contra o homossexualismo? Assim age o Estado laico ou secular: entre os melhores interesses das famílias e crianças e a perversão homossexual, a preferência política da moda vai para as medidas que priorizam o respeito à orientação sexual — termo bem inocente inventado para ocultar uma conduta nada inocente. Tal atitude poderia e deveria ser classificada como preconceito contra as famílias e contra as crianças, porém como agora o comportamento gay vem recebendo privilégios legais e estatais, a definição de preconceito mudou, podendo finalmente ser aplicada a favor dos interesses homossexuais e contra os valores familiares que protegem as crianças do homossexualismo.

É ironicamente trágico que um governo que não enxerga nenhuma violência e crueldade no aborto legal agora enxergue violência na disciplina física que as família saudáveis ministram para seus filhos. É triste que um governo que não enxerga nenhuma agressão psicológica contra as crianças em sua política de educação pró-homossexualismo e distribuição de camisinhas nas escolas agora se ache no direito de criminalizar e punir as famílias que educam os filhos conforme princípios cristãos. É injusto que um governo que mal consegue prender (sem mencionar punir) criminosos assassinos agora queira utilizar todo o poder e peso do Estado para vitimar e violentar as famílias que não obedecerem ao seu mandamento proibindo os pais de disciplinar os filhos.

Qual mandamento é mais importante: do governo ou de Deus?

Será que as famílias evangélicas precisarão renunciar ao seu direito de viver conforme princípios bíblicos por causa das pressões de um Estado que exige total submissão, que transforma injustiça e covardia sanguinária — aborto — em direito, mas trata os direitos naturais da família como crime? Quando um governo e suas leis nos fazem questionar Deus e seus mandamentos, é hora de questionar seriamente o governo e suas leis.

Quando o mandamento de um homem ou de um governo se choca com os mandamentos da Palavra de Deus, é hora de abrir os olhos — e olhar para cima. A obediência do cristão a Deus deve prevalecer mesmo quando o governo tenta impor seus próprios mandamentos. Quando confrontados com autoridades e seus mandamentos injustos, os apóstolos do Senhor Jesus deram o exemplo: “Então Pedro e os outros apóstolos responderam: — Nós devemos obedecer a Deus e não às pessoas”. (Atos 5:29 NTLH)

Portanto, precisamos dar o nosso apoio para a Frente Parlamentar Evangélica e outros grupos que estão lutando em defesa das famílias no Congresso Nacional. Afinal, não é direito do governo interferir na vida das pessoas, nem sustentar leis de aborto que destroem crianças, nem sustentar leis que destroem dos pais seu direito de educar e disciplinar seus filhos.

Fonte: http://www.juliosevero.com.br/


[1] http://www.congressoemfoco.com.br/Noticia.aspx?id=3084
[2] http://www.congressoemfoco.com.br/Noticia.aspx?id=3084
[3] http://ultimainstancia.uol.com.br/noticias/ler_noticia.php?idNoticia=24177&canal=st
[4] http://www.congressoemfoco.com.br/Noticia.aspx?id=3084
[5] http://www.congressoemfoco.com.br/Noticia.aspx?id=3084
[6] http://www.fervo.com.br/les/artigo.php?ban=banner1&titulo=Direito&assunto=direito&materia=direito
[7] Comissão Especial Destinada a Acompanhar e Estudar Propostas de Políticas Públicas para a Juventude, Relatório Final, Câmara dos Deputados, Brasília, 2004, p. 151.
[8] Comissão Especial Destinada a Acompanhar e Estudar Propostas de Políticas Públicas para a Juventude, Relatório Final, Câmara dos Deputados, Brasília, 2004, p. 146.
[9] Comissão Especial Destinada a Acompanhar e Estudar Propostas de Políticas Públicas para a Juventude, Relatório Final, Câmara dos Deputados, Brasília, 2004, p. 138.
[10] Brenda Scott, Out of Control, Who is watching our child protection agencies? (Huntington House Publishers: Lafayette-EUA, 1994), informação da capa de trás.
[11] Adolescents and Unsafe Abortion in Developing Countries, Center for Population Options. Washington, DC, EUA, 1990.
[12] http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u106853.shtml
[13] http://www.stj.gov.br/webstj/Noticias/detalhes_noticias.asp?seq_noticia=4375
[14] Publicado no Brasil pela Editora Vida.
[15] Comissão Especial Destinada a Acompanhar e Estudar Propostas de Políticas Públicas para a Juventude, Relatório Final, Câmara dos Deputados, Brasília, 2004, p. 151.

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