11 de novembro de 2006

Entendendo (um pouco) o escândalo de Ted Haggard

Entendendo (um pouco) o escândalo de Ted Haggard

Lee Grady

Nunca é fácil analisar o motivo por que um líder cristão caiu em pecado. Será que algo poderia ter evitado essa tragédia recente?

A maioria das pessoas nunca tinha ouvido falar de Ted Haggard quando me sentei com ele numa lanchonete na cidade de Colorado Springs em 1993 para conduzir uma de suas primeiras entrevistas com os meios de comunicação cristãos. Ele conversou sobre suas muitas noites de oração na área desértica Jardins dos Deuses perto do Pico Pikes. Ele contou como bruxas de Manitou Springs tinham deixado restos de animais na entrada de sua casa. Ele disse como “caminhou em oração“ por uma propriedade perto de sua igreja e a reivindicou para Deus — e como foi mais tarde comprada para ser a sede de Focus on the Family.

Quando escrevi essa matéria de capa sobre Ted para a revista Charisma ganhei um amigo íntimo, e até considerei a possibilidade de ir trabalhar para ele. Sua personalidade sociável, seu compromisso estimulante com o trabalho de equipe em vez de querer “ser o centro do show”, sua paixão pela oração e pelo evangelismo e seu enorme coração para ajudar a próxima geração me fez querer me mudar da Flórida para a região das Montanhas Rochosas.

Quase me tornei fã fanático de Ted Haggard. E quem não quereria segui-lo? Ele é imensamente divertido, calmamente franco acerca de suas lutas pessoais e desejoso de conectar líderes na igreja que não se vêem olho no olho. Ele se tornou um modelo para se imitar e um exemplo.

Não fiquei surpreso quando a Igreja Nova Vida de Ted começou a experimentar crescimento explosivo. Com esse crescimento, veio mais e mais exposição aos meios de comunicação — e logo Ted era o representante perfeito do movimento evangélico dos Estados Unidos. Seu sorriso de garoto aparecia na capa de todas as revistas importantes do país, e ele muitas vezes era requisitado para dar respostas cristãs necessárias nos noticiários. A maioria de nós ficou aliviada que alguém com tal estilo não religioso e refrescantemente honesto poderia ser nosso porta-voz.

Mas todos nós respiramos com dificuldade na semana passada quando Ted confessou que ele esteve envolvido com um prostituto em Denver. Tudo parecia como um sonho ruim quando ele saiu de licença de sua posição como pastor de sua igreja e demitiu-se de seu posto na Associação Nacional de Evangélicos. Para mim, a realidade só atingiu com força total quando ele contou para sua igreja: “Sou mentiroso e enganador”.

Assim à toa, outro líder havia caído.

Ironicamente, foi Ted quem me deu esperança de que os líderes evangélicos americanos poderiam ser tornar relevantes para sua cultura e acessíveis aos meios de comunicação. Ted também me ensinou lições valiosas acerca de integridade e prestação pessoal de contas. É por isso que foi tão devastador que esse homem tivesse tal fracasso moral humilhante diante de uma audiência hostil.

Não dá para entender o pecado. Por isso, provavelmente nunca entenderemos o motivo por que essas tragédias ocorrem. Mas fiz um resumo final de três coisas que precisamos nos lembrar ao avaliar essa situação:

1. Ted merece nosso apoio de longo prazo. Os líderes da Igreja da Nova Vida já removeram Ted de seu papel pastoral — uma medida que ele e sua esposa, Gayle, apoiaram completamente. A disciplina bíblica adequada foi aplicada, com rapidez e dignidade. O que a família Haggard precisa agora é de nossas orações por sua plena recuperação.

2. Precisamos nos guardar da armadilha do orgulho. Nós americanos amamos nossas personalidades famosas. Nós as criamos, e então ficamos observando-as se implodirem. Não estou culpando ninguém pelos pecados de Ted, mas acho que há algo doente acerca do jeito que criamos ídolos imponentes, até mesmo na igreja.

O Ted Haggard que conheci em 1993 era um homem de oração que não se importava se alguém reparasse no trabalho que ele estava fazendo em Colorado Springs. Mas depois de passados 10 anos, ele se achou em algumas situações bem precipitadas, inclusive reuniões na Casa Branca e entrevistas regulares com o New York Times. Será que conseguiríamos permanecer humildes com esses tipos de oportunidades?

Depois que o televangelista Jim Bakker caiu em adultério e foi para a cadeia por crimes financeiros, ele admitiu que seu grande erro foi o orgulho. O orgulho é geralmente a raiz da maioria dos fracassos morais. Quando caímos no orgulho, a graça para resistir à tentação vai diminuindo.

3. Temos de lidar diretamente com o desafio do homossexualismo. Logo que se noticiou o pecado de Ted Haggard na semana passada, os ativistas gays ficaram se gabando em cima da hipocrisia aparente dos cristãos que se opõem ao homossexualismo por um lado e nele se envolvem em segredo por outro. Os ativistas homossexuais querem que mudemos nossa mensagem. Eles querem que confessemos que algumas pessoas simplesmente nascem gays e têm o direito de gozar o sexo gay com a aprovação de Deus.

Não podemos reescrever a Bíblia, mas temos de oferecer para nossa sociedade mais do que condenação piedosa ao homossexualismo. Só a graça de Jesus pode revelar para as pessoas a necessidade de pureza — e lhes dar o poder de quebrar a prisão do pecado. Embora Ted Haggard caísse da graça, ele colocou sua vida nas mãos dAquele que pode consertar o que está destruído nele. Espera-se que seu eventual testemunho de restauração ajudará muitos outros a fazer o mesmo.


J. Lee Grady é editor da revista Charisma.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br; www.juliosevero.com

Fonte: Charisma Online: Making (Some) Sense of the Ted Haggard Scandal, 8 de novembro de 2006.

6 comentários:

Fernando disse...

Gostei muito do artigo, realmente é lamentável o quê ocorreu, porém não concordo que ele tenha caído da Graça, certamente Deus está no controle e ele está sendo restaurado.

Suzana Andre de Mattos disse...

É deprimente observar como estão se revelando nos últimos tempos,situações que ficaram escondidas.Mas tudo passa pelo crivo de Deus.Sei que o Senhor vai começar a exigir de Seus filhos compromisso total e real com a Palavra,e ainda veremos muitas coisas reveladas.O que fazer?Orar pela misericórdia de Deus por aqueles que estão sendo expostos e por nós também,que somos passíveis dos mesmos erros.

Luana disse...

Infelismente os testemunhos de muitos "cristoes" dao mais alibes ao descrentes .

Ora esse não é o 1 caso de pastor que cai por adulterio ou homossexualismo.

Infelismente não sei o que pensar a respeito , deixo minha opiniao aos pes de Deus .

Anônimo disse...

Ted é um falso profeta.

marcelo disse...

Gostaria de aprender, conversar e compartilhar com pessoas sobre esse assunto, ou sobre esse sentimento " desejo de morrer".
De vez em quanto, me bate um desejo, uma vontade tão grande de morrer. E no momento em que isso me vem eu penso, medito nos meus paradigmas, nas minhas idéias nas minhas auto-ajudas mas não encontro sentido e nem motivo para viver. É claro tenho pleno conhecimento de que o suicídio é pecado pois seria como uma pessoas matasse a si mesmo, mas essa certeza não me satisfaz no momento em que a vontade vem. Eu sempre me senti inferior a todo mundo, e minha busca é incessante em superar isso, mas qualquer coisa que me acontece de ruim volto a sentir isso de novo.
No entanto Gostaria de ouvir ou compartilhar sobre essa sensação!

Anônimo disse...

No caso tem detalhes a considerar :
1. A cobrança para líderes que cometem desvios morais é mais rigorosa.Veja o caso do rei Davi,confere.
2.No caso de Ted Haggard,houve uma pastora/profeta do Texas que o visitou em sua casa,bem antes do escândalo vir a tona,que o chamou a atenção para um conserto com Deus,ele recusou e expulsou a profeta de sua casa,chamando-a de bruxa e coisa e tal.Logo depois o fato veio a público.Deus deu-lhe oportunidade para arrependimento,Ted recusou.brother tito from brasília.